Um amor inesperado
4 A confusão
Eu fui buscar duas bebidas, uma para mim e outra para o Kirito. Ele estava no terraço, era bastante complicado subir as escadas, pois ainda me doía o tornozelo do acidente e tive de parar para descansar. O Kirito viu que estava a demorar bastante e foi à minha procura. Ao descer as escadas viu-me sentada no chão a chorar e disse:
—Kaori, o que se passa? O que tens?
—Não é nada de mais, é apenas o meu tornozelo, que me dói- Respondi limpando as lágrimas para que ele não reparasse.
—Mas estás a chorar, como é que podes dizer que não é nada de mais? Anda, vamos à enfermaria.- Disse ele pegando em mim ao colo.
—Não Kirito, a enfermaria é do outro lado da escola. Larga-me.– Disse-lhe eu envergonhada pois todos estavam a olhar para nós. Especialmente a Mai, quando nos viu parecia que me queria matar, pois ela gostou logo do Kirito desde o primeiro momento que o viu. Foi ter com as suas amigas e rapidamente criou um clube de fãs do dele. Eu estava por um lado contente porque apesar de ele ser um completo idiota eu gostava dele, e pelo outro sentia-me ameaçada com o olhar de muitas raparigas que nos rodearam. O que eu reparei logo foi a expressão do Kyo quando me viu ao colo do Kirito.
Ao chegarmos à enfermaria ele deitou-me em cima de uma maca que ali estava e disse:
—Fica aqui, o enfermeiro não está, eu vou a procura-lo – E saiu da enfermaria apressadamente.
Mal o Kirito saiu entrou uma rapariga com rabo-de-cavalo, cabelo loiro e com olhos azuis, ela era linda, chega-se perto da maca e diz:
—Olha lá! O que estavas a fazer nos braços do meu Kirito?- Ele volta e entra na enfermaria, acabando por ouvir a discussão, mas não diz nada- O Kirito é meu seu demónio, nunca mais te aproximes dele ouviste bem?
—Mas quem é que tu pensas que és para me dares ordens?! Eu apenas doí-me o tornozelo e ele ajudou-me. Ele apenas teve compaixão e trouxe-me até aqui porque eu não podia andar, percebeste?- Ripostei eu, pois aquela rapariga já estava a pôr-me com os cabelos em pé.
—Eu sou a Mai, presidente do clube de fãs do Kirito, tu não tens nada de gostar dele, ele é muito melhor que tu.- Ouve-se um barulho de passos, deduziu que ou era o Kirito ou o enfermeiro evitando arranjar confusão com qualquer um dos dois vira-se para mim e diz- É apenas um aviso, não te voltes a aproximar dele, porque se não tu irás lembrar-te do meu nome e não por uma boa razão. Eu e as outras miúdas vamos fazer a tua vida num inferno.- Empurra-me de modo a que eu caia para o chão e vai-se embora sem sequer olhar para traz.
O Kirito aparece fingindo que não tinha ouvido nada para ver qual seria a minha resposta.
—Kaori, estas bem? O que aconteceu? Porque estás aqui no chão, caíste?
—Eu estou bem Kirito, eu apenas estava... a tentar levantar-me e ao colocar o pé no chão cai- Respondi eu, tentando disfarçar as lágrimas.
—Ainda bem, o enfermeiro já ai vem tratar-te do tornozelo.- Disse ele com um sorriso no rosto.- Bem, eu vou agora para as aulas, depois eu venho aqui buscar-te e levo-te a casa. Tenho a minha bicicleta lá fora.
—É melhor não Kirito, eu posso ir sozinha- Respondi eu
—Nem pensar, tu assim com o pé não estas capaz de ir a lado nenhum, eu levo-te e ponto final. Quando as aulas acabarem eu passo por aqui. Olha, ai vem o enfermeiro. Bem até já e melhoras- E despede-se com um beijo na minha testa...(que vergonha...)
O enfermeiro chega e vê que o meu tornozelo, estava bastante inchado, põe um spray e uma ligadura. Avisou-me que não deveria por o pé no chão ou pelo menos evitar por muito peso em cima do mesmo. Pois se o pé ficasse em pior estado, não poderia voltar a apoiar-se no pé tão depressa.
Depois das aulas
—Olá Kaori, como estás? Estávamos preocupadas contigo, pois o Kirito disse-nos que te tinha trazido para a enfermaria por causa do teu tornozelo.- Perguntou a Minami.
—Não se preocupem tanto comigo, eu estou bem agora, o enfermeiro já me por um spray e uma ligadura e advertiu-me para que não apoiar o pé no chão, pois podia ficar pior do que já está. – Respondi eu.
—Ainda bem, e como vais para casa?-questionou-me o Kyo.
—O Kirito disse que me levava de bicicleta, como eu não posso apoiar o meu pé no chão penso que é a melhor maneira para ver se não pioro- O Kyo ficou furioso ao ouvir a minha resposta e saiu rapidamente dali, empurrando quem estivesse a sua frente.
—Mas o que é que lhe deu?-Interrogou a Lucy.- Ele está assim desde que o Kirito chegou e não faz muito tempo que isso aconteceu, faz apenas oito horas que ele aqui está. Ele embirrou com o Kirito mal te puxou para traz na sala. Mas pronto vá se lá entender os rapazes- Disse a Lucy.
—Sim, lá nisso tens razão. Olha, vem ai o Kirito, bem meninas vou andando com ele. Até manhã- Reportei-lhes eu.
O Kirito ajudou-me a descer as escadas que vão dar ao pátio, lá estava a sua bicicleta. Ajudou-me a subir para me conseguir sentar. Os olhares até sairmos da escola, estavam todos postos em nós. Eu nunca me senti tão envergonhada como o dia de hoje. Mas não posso dizer que desgostei de todo... acabamos por dar uma volta maior para a minha casa pois o Kirito queria passar pelo rio para vermos o pôr do sol. Depois de um momento de silencio ele diz:
—Olha Kaori, não é lindo? Eu adoro esta paisagem, é para aqui que venho quando me sinto frustrado, e apetece-me fugir de tudo e de todos. O que achas?
—É lindo Kirito. Especialmente com este por do sol, parece que ao olhar para esta paisagem todos os meus problemas desaparecem, muito obrigada por me teres trazido até aqui.- Respondi eu dando-lhe um grande abraço. Ele vira-se para mim continua enquanto tinha um sorriso cativante.
—Este é o nosso segredo, percebido Kaori?
—Sim, Kirito eu nunca direi nada a ninguém.- Respondi eu enquanto corava.
—Então segura-te bem, agora vou acelerar os teus pais devem de estar preocupados, vamos lá!— Disse ele enquanto acelerava o mais rápido possível, para ver se eu me agarrava com mais força a ele.
Quando chegamos a casa ele ajudou-me a subir as escadas e a entrar em casa. Quando ele estava a ir para sua casa vê uma mulher que o chama.
—Kirito, és tu não és? O filho da Asuka.- Perguntou a mulher.
—Sim sou eu, eu conheço-a? – Questionou-a
—Bem quer dizer, tu não sei se me conheces, mas eu e a tua mãe conhecemos-nos bastante bem, éramos amigas de infância. Podes dar-me o seu número temos de nos encontrar um dia destes. Tu, eu a tua mãe e a minha filha. Vais Gostar dela, é boa rapariga.- Respondeu a mulher entusiasmada.
—Mas já agora como se chama a senhora?-Questionou-a enquanto trocavam os números de telemóvel.
—Mas que falta de educação a minha. Eu sou a Hisako. Espero ter noticias tuas e da tua mãe em breve- respondeu-lhe enquanto se ia embora.
Em casa o Kirito entrega o numero da Hisako a sua mãe.
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