Um amor inesperado.

6 Um momento mágico (?).


- Que sorte hein, Bruno — disse minha prima. — Já começou com o pé direito! Como foi o abraço?- Pare com isso, Milena. — eu disse, envergonhada.- Foi muito gostoso — Bruno disse.Dei um sorriso tímido, pois não podia negar que eu tinha adorado aquele abraço. Minha prima já começou a tirar onda:- Iiiiih, acho que tem alguém apaixonada por aqui — ela disse. — Olha aí, já tá toda vermelhinha! Parece um tomatinho!- Mi, para com isso, você sabe que sou tímida. — eu disse, rindo.- Todos nós aqui já percebemos — Bruno disse.Em seguida, me lembrei de que o lançamento do buquê dizia que o final da festa estava próximo. Mas eu não queria sair daquele lugar, daquele momento gostoso, minha mãe estava presente, minha prima — que era uma espécie de melhor amiga — estava lá para me distrair e conversar, e Bruno, que tinha acabado de aparecer na minha vida, mas por mim ele poderia ficar para sempre, se quisesse. Bruno olhou para o relógio, que marcava duas e meia da manhã. Ele perguntou se eu podia acompanhar ele até a sacada do salão, que ficava no segundo andar. Eu respondi que sim, então nos levantamos e subimos a escadaria. Eu estava com um salto gigante, que me fazia ficar maior do que Bruno. E meus pés estavam doloridos de ficar com eles a noite toda. Ainda mais para subir uma escada.- Ai, meus pés estão doendo — Reclamei.- Por que não tira o salto? Assim consigo te ver melhor — Bruno aconselhou, seguido de um riso.Eu segui o conselho dele e tirei os saltos. Eu fiquei da altura dele. Talvez um pouquinho maior, mas isso não importava. Chegamos no segundo andar, e caminhamos em direção à sacada. Era uma noite de lua cheia, e estávamos observando uma linda vista do céu limpo iluminado com a luz da lua. — Está uma noite linda, não é? — Bruno perguntou, olhando para o céu.- Muito — Respondi, também olhando para o céu. Uma brisa fria bateu em meus ombros. Como eu estava com um vestido de alcinha, eu fiquei completamente morrendo de frio. Meus pêlos se arrepiaram.- Nossa, que frio — Eu disse.Bruno tirou seu casaco e disse:- Toma, pode colocar.- Não precisa, você vai ficar com frio. — Respondi.- Não, coloque — Bruno insistiu.- Não precisa mesmo, de verdade. — Eu disse, mas não adiantou muita coisa. Em poucos segundos Bruno conseguiu colocar o casaco de seu terno em mim. -Ana, posso te contar uma coisa? — Bruno perguntou, desviando o olhar para mim.- Claro — Disse.- Lembra da hora em que nós nos trombamos, ali perto do banheiro? Eu posso garantir que fiquei muito mais sem graça que você. Eu te achei linda, por isso não tive coragem de dizer nada. — Impressão sua — Respondi, encabulada. — Ninguém me acha bonita.- Como assim? Como você pode provar isso? Isso é mentira, tenha certeza. — Bruno disse, com ar de desafio.- Sabe como posso comprovar isso? Com o fato de que eu nunca namorei ninguém. Nunca. — Eu disse, quase chorando. Mas consegui segurar o choro.- Você está brincando, não está? — Bruno respondeu, assustado.- Não, não estou. Sou uma garota de dezesseis anos que nunca beijou um garoto. — Disse, com um ar levemente deprimido. — Agora entende porque sei que ninguém me acha bonita?- Não se sinta assim — Bruno disse. — Sabe porque eu tenho certeza que é mentira? Eu conheço alguém que te quer muito, que te ama muito.Lembrei da história que minha prima havia me contado, da conversa que eles tiveram. Então não foi surpresa para mim. Mesmo assim, para não estragar o clima, respondi:- Sério? Quem? — Meus fingimentos eram imperceptíveis, ninguém nunca desconfiava deles.Bruno olhou em meus olhos. Ele estava sorrindo muito. Foi chegando perto do meu rosto. Suas mãos tocaram meus ombros. Já estávamos muito próximos. "Não tem mais jeito", pensei. Agora era tarde. Fui indo em direção ao rosto dele. Até que aconteceu. Nossos lábios se tocaram. Não foi um beijo daqueles de novela, ou de cinema. Foi apenas um beijo. Mas para mim, tinha sido muito especial. Foi meu primeiro beijo, á luz do luar, com um cara muito romântico. Não tinha como ser melhor. Nós afastamos nossos rostos novamente. Ele olhou pra mim com um sorrisinho e disse:- Vamos descer?- Vamos. — Respondi.Então saímos da sacada e descemos a escada.