Um amor inesperado.
7 Hora de ser forte.
Chegamos na mesa. Minha mãe não estava lá. Minha prima olhou para nós e já começou:- O que os namoradinhos estavam fazendo? E o que a bela dama faz com um par de sapatos na mão?Até tinha me esquecido dos sapatos. O romance de Bruno tinha apagado tudo á minha volta.-Nossa, até me esqueci deles. — Respondi. — E o que significa esse casaco em cima de você? — Milena continuava seu questionário."Não interessa", pensei. Mas em vez disso, respondi:- Estava com frio. Lá em cima estava gelado. Então Bruno me ofereceu seu casaco e eu aceitei.- Já estou sacando o que aconteceu lá em cima... — Minha prima começou a dar uma de detetive agora. — Como foi? E aí, me conta, quero saber tudo! Não precisa se preocupar, sua mãe foi pegar uma água e já volta, ela não vai ficar sabendo.- Agora não, Mi. — Respondi, tímidamente. — Que tal você ir dormir em casa e lá eu te conto tudo? — Claro, espera só um segundinho que eu vou perguntar pra minha mãe se eu posso. — Ela aceitou o convite.- E eu vou confirmar com a minha avó se ela deixa. — Complementei. — Bruno, se quiser pode vir comigo. — Ok — Bruno respondeu, e me acompanhou.Fui até a mesa onde minha avó estava sentada e perguntei se minha prima poderia dormir em casa. Ela respondeu que sim, e que já estava indo embora. Então falei "ok" e voltei para avisar minha prima.- Minha avó deixou, e sua mãe? — Perguntei.- Minha mãe deixou também, você me empresta um pijama então? — Milena perguntou.- Empresto. Ah, minha avó está querendo ir embora já, cadê minha mãe? Quero me despedir dela. — Ela está ali bem atrás de você — Bruno disse.Me virei e vi minha mãe. Então a disse que precisava ir embora, e perguntei se algum dia iríamos morar juntas novamente. Ela me respondeu que eu precisava ser forte e esperar mais um pouco. Comecei a chorar e abracei ela, bem forte, por são sabíamos quando nós iríamos nos ver de novo. Soltei minha mãe e fui perto da minha prima. Eu acho que minha mãe já tinha entendido o que Bruno queria comigo, então ela se dirigiu até ele e disse algumas coisas. Eu consegui entender.- Bruno, eu consegui perceber que você é uma ótima pessoa com um bom coração. Mesmo assim, queria te dizer para tomar cuidado para não machucar o coração da minha filha, mais ainda do que já está machucado. Não por esse tipo de amor, mas pelo amor materno que ela tanto sente falta. Infelizmente não posso ajudar ela, mas se você puder, e eu sei que você pode, dê o máximo de carinho a ela, por favor. Estou depositando minha confiança em você. — Pode deixar. — Bruno respondeu. Eu e minha prima estávamos de ouvidos atentos na conversa. — Eu nem conseguiria magoar sua filha, acredito. Na verdade, as pessoas é que costumam me magoar. Eu vou fazer o melhor por ela, pode confiar.Eles deram um beijo rosto-a-rosto e vieram em minha direção. Mais uma vez abracei minha mãe e chorei. Bruno limpou minhas lágrimas. Eu soltei minha mãe e abracei Bruno. Tinha acabado de me lembrar de um detalhe, eu e Bruno provavelmente não iríamos mais nos ver. Eu desabei no choro novamente. Ele perguntou:- Por que está chorando?- Porque não vou mais te ver, é isso. Já não bastava ficar longe da minha mãe, agora vou ter que me afastar de você também. A vida é muito injusta — Disse, soluçando de tanto chorar.- Você vai continuar me vendo, sempre — Ele respondeu.- Como? — Perguntei.- Eu vou ficar aqui no Brasil até ano que vem. E estou em um hotel que fica pertinho da sua casa, sua mãe me deu o endereço. A gente pode combinar de se ver todos os dias. — Ele respondeu. Fiquei animada.- Sério mesmo? Então vamos combinar. — Disse.Trocamos telefone e e-mail. Se bem que eu quase nunca entrava nele, pois não tinha tempo. — Então, até amanhã, talvez — Bruno disse.- Até. — Respondi e abracei ele.Ele se despediu de minha prima e saiu andando. Eu e Milena fomos até a mesa da minha avó, prontas para irmos embora.
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