Um amor inesperado.
8 Aguardando o dia seguinte
Entramos no carro da minha avó, eu e minha prima, e continuamos conversando. Milena ainda queria saber exatamente o que tinha acontecido lá no andar de cima. Eu olhava para ela, sussurrando: "Milena, não dá! Olha a vó aqui!", e ela apenas respondia: "Ela não vai entender, conta logo!".Alguns instantes e muitos sussurros depois de sairmos da festa, chegamos em casa. Eu fui até o quarto da minha avó e peguei um colchão que estava sobrando em casa, para Milena dormir. Coloquei-o no quarto, e no instante em que encostei a porta, Milena, quase se atirando em cima de mim, falou:
- Agora não tem mais ninguém por aqui! Pode ir contando tudo, tintim por tintim. Detalhes mínimos, tudo! — Até parecia que foi ela quem levou o beijo e não eu, de tão empolgada que ela estava.
- Tá bom Mi, eu te conto tudo. O que quer saber primeiro? — Entreguei os pontos. Não havia como escapar.
- Comece do começo, né Ana! Logo depois que vocês saíram da mesa, percebi que ele te disse algumas coisas. O que ele disse? — Milena perguntou, já estendendo as roupas de cama no colchão.
- Bruno havia me dito que me achou muito bonita e que havia gostado de mim. Logo depois, a gente já chegou na sacada, e ele começou a dar umas indiretas bem diretas pra mim, até entregar o jogo. — Expliquei detalhadamente, assim como ela pediu.
- E aí Ana? E depois? O que aconteceu? Não me explique as histórias pela metade!
- Aí ele me beijou, ora bolas! O que queria que ele fizesse? Dançasse tango pra me seduzir? — Milena ás vezes fazia perguntas muito tolas, e esse não era o momento para fazer uma delas.
- Não acredito! Você, Bruno Mars, os dois, vocês...? — Milena estava sem chão. Não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.
- Sim Milena, eu beijei o Bruno Mars. Foi isso mesmo que você ouviu. Agora vamos dormir porque estou com sono, tchau. — Apaguei a luz e deitei na cama. Era apenas uma desculpa para não continuar a história. Eu estava confusa, e não queria continuar.
- Mas Ana, e o casaco? O salto? Ana, me explica! — Milena não iria sossegar tão cedo.
- O CASACO FOI PORQUE EU ESTAVA COM FRIO E ELE INSISTIU PRA QUE EU COLOCASSE O CASACO, E O SALTO FOI PORQUE EU ESTAVA COM DOR. SATISFEITA MILENA? BOA NOITE — Gritei. Estava estressada com ela, com a situação, com tudo. Só queria ficar sozinha.
- Ui, tudo bem senhora esquentadinha. Amanhã você me conta essa história direito. Boa noite. — Milena virou para o lado e se cobriu com o edredom. Minha vontade era nunca mais contar isso a ninguém. Eu fiz o mesmo que ela, porém não consegui dormir a noite toda. Fiquei pensando, escrevi textos, ouvi música, até chorei. Eu não sabia o que me esperava a partir daquela noite.
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