Um amor improvável

54 Irene desaparece novamente


Fabinho resolveu pedir desculpas para Giane. Ele foi muito estúpido com ela. Sabia que havia ido longe demais. Foi um babaca. Não precisava ter gritado com ela, chamado de cretina. Era para ter conversado com ela civilizadamente. Mas perdeu a cabeça, agiu sem pensar direito. Ficou mordido de ciúmes. Então, foi até a Acácia Amarela, atrás dela. Quando chegou na loja, ela estava lá, sozinha. Aproximou-se e ficou ao lado dela.

— Desculpa se eu peguei pesado. — disse Fabinho. — Mas é que você me deixou confuso. Por quê que você ficou comigo se é do Bento que você gosta?

— Fabinho, o quê que você acha, cara? Que eu ia pra cama pela primeira vez com um homem só pra provocar o outro? — perguntou a garota.

— Mas é que você ficou a vida inteira em função do Bento. — disse Fabinho.

— O Bento continua sendo muito importante pra mim, mas eu já desencanei dessa faz muito tempo. — disse Giane.

Fabinho virou-se e olhou para ela.

— Você gosta de mim? — perguntou Fabinho.

Giane revirou os olhos e suspirou.

— O quê que você acha? — perguntou a garota, olhando para ele.

— Você acredita em mim? — perguntou Fabinho. Precisava ter certeza de que ela queria mesmo ficar com ele. Se ela realmente acreditava nele.

— Fabinho, eu sei que você já aprontou muito, você nunca foi santo, nem vai ser, mas eu acho que você tá tentando mudar. — disse Giane.

Fabinho sorriu.

— A não ser quando você fica com ciúme do Bento, fazendo pergunta cretina. — disse Giane.

— Eu só quero que você sabia que hoje foi o dia mais feliz da minha vida. E que eu tô gostando de você. Gostando demais. — disse Fabinho.

Queria dizer um monte de coisas, mas nunca levou o menor jeito com as palavras. E sempre foi difícil para ele falar de sentimentos. Mas nunca foi tão feliz quanto no momento em que a teve nos braços. Ele teve Giane todinha para ele. Para ele, foi um momento único.

— Por que você não diz logo que me ama, hein, menino grosso?

— Você quer ficar comigo? — perguntou Fabinho.

— Claro que eu quero ficar com você, né? Seu palhaço! — disse Giane.

— Maloqueira. — disse Fabinho, antes de beijá-la.

Continuaram na loja. Conversaram sobre Amora, sobre tudo o que ela armou para cima de Fabinho. Além de ter feito Fabinho perder o emprego, agora Amora resolveu colocar a vizinhança contra ele. Fabinho contou que Amora até fez a maior cena na frente da Renata, fazendo-a a acreditar que Fabinho a ameaçou.

— O lance da Amora é fazer o mundo inteiro acreditar que eu sou um monstro. — disse Fabinho, e deu de ombros. — Mas tudo bem. O mais importante é que agora você acredita em mim.

Ele não se importava mais com o que o mundo pensava dele. Ele não sentia mais necessidade de provar seu valor para ninguém, muito menos por meio de golpes. Antes ele mentia, manipulava, trapaceava, fingia ser quem não era, representava o tempo inteiro para ser aceito pelas pessoas, para provar que tinha tanto ou mais valor que Bento. Mais isso havia mudado. A obsessão em vencer Bento havia ficado para trás. Ele não precisava mais disputar com Bento o afeto ou a aprovação das pessoas. Agora ele não precisava mais da aprovação de quem quer que seja. Nem de pai rico, nem de ninguém, independentemente de classe social. Não sentia necessidade de provar nada a ninguém. As pessoas podiam pensar o que quisessem dele. Agora nem todos acreditavam que ele havia mudado. Com a história do roubo da campanha da Crash Mídia, muitos o achavam um traidor, um ingrato que só ferrava quem o ajudava. Agora que Amora resolveu aprontar, armar para cima dele, muitos iriam ficar achando que Bento e Amora eram eternas vítimas e que ele era o bandido da história. Fabinho não estava nem aí. Uma hora a verdade iria aparecer, e todos iriam se arrepender de julgá-lo mal. Havia pessoas no mundo que acreditavam e que estavam do lado dele. Para ele, só interessava a opinião de pessoas que gostavam dele, que se importavam com ele.

Fabinho aproximou-se de Giane e deu dois beijos nos lábios dela. Depois, encheu-a de beijos no rosto. Giane surpreendeu-se.

— Tá melosinho, hein, Fabinho? Não tô te reconhecendo.

Nem ele mesmo se reconhecia. Mas a verdade era que perto dela, ele virava outra pessoa. Se comportava como um bobo.

— Hum. Culpa sua. — disse Fabinho, fazendo um carinho no cabelo dela. — Agora, aguenta. — beijou-a. — E vem cá, a senhora poderia também ficar um pouquinho mais docinha, né? Por favor.

— Hum. — disse Giane.

— Uhum. — disse Fabinho.

— Quer uma melosinha? — perguntou Giane.

— Uhum. — respondeu Fabinho.

— Então, fica com a Camilinha. — disse Giane, dando um tapinha amigável no braço dele e afastando-se. — Você sabe que eu achei que você ia aceitar a proposta dela? Só pra ficar no meio dos famosos.

Giane começou a mexer nas flores. Mal sabia ela que ele jamais a trocaria por Camilinha, nem por nenhuma outra mulher na face da terra. Nem por todo o dinheiro do mundo. Porque ele sabia que havia encontrado uma garota incrível, e que jamais encontraria ninguém como ela. Ela era única. O que ele sentia por ela, ele nunca sentiu por ninguém, nem iria sentir. Além do mais, ela foi a única que gostou dele de verdade. Amora nunca gostou dele, e a Mel só namorou com ele por achar que ele era o herdeiro do Plínio Campana. Foi só descobrir que ele era pobre, para ela dar um pé na bunda dele. Camilinha só queria usá-lo para provocar, agredir a mãe. Estas garotas fúteis, superficiais não tinham a menor importância para ele. Giane era linda, autêntica. Ela era a única que se importava com ele. Era a única amiga que ele tinha, uma das poucas pessoas que ficou do lado dele quando todos lhe viraram as costas. Ela foi a única garota que brincava com ele na época do lar de adoção, enquanto as demais crianças o evitavam. Ela o fazia querer ser diferente. Uma pessoa melhor.

— Mas você tá pensando o quê? Que eu desisti de ficar rico? — disse Fabinho, aproximando-se dela por trás. — Não, não. Você tá muito enganada. Você não é uma modelo famosa agora, rica? — abraçou-a. — Você vai me bancar. — deu uma mordidinha leve no lóbulo da orelha dela. Giane riu.

— Você tá é louco. — disse Giane.

— Não tô, não. Sou caro. Sou muito caro. — disse Fabinho. Beijaram-se.

Na hora do almoço, saíram da loja juntos. Andaram de mãos dadas pela rua. Giane colocou o braço dele sobre os ombros dela. Acabaram se deparando com Bento, que desceu da van e ficou chocado ao vê-los juntos, abraçados.

Bento tinha acabado de voltar do almoço no apartamento de Plínio. Estava feliz. Ficou sabendo que Amora estava grávida. Quem sabe agora, ao saber que iria ser mãe, Amora se empenharia em melhorar. Uma criança amoleceria o coração dela, ele tinha certeza. Mas ver Giane e Fabinho juntos acabou com seu bom humor. Sabia que Giane estava próxima de Fabinho. Mas acreditava que era apenas uma amizade, ainda que ele não aprovasse essa amizade. Achava que Giane não devia andar com Fabinho. Mas pelo o que ele acabou de ver, os dois pareciam dois pombinhos apaixonados. Não conseguia acreditar no que estava vendo.

— Giane, o quê que você tá fazendo abraçada com esse cara?

Fabinho sabia que Bento iria surtar ao vê-lo com Giane. Bento não confiava nele, o julgava um mau-caráter. Bento se considerava uma espécie de irmão mais velho da Giane e certamente não achava que ele, Fabinho, fosse a pessoa ideal para namorá-la. Mas Fabinho não estava nem aí para a opinião do Bento. Ele que pensasse o que quisesse. Não ligava a mínima.

— Ela tá abraçada com o namorado dela. Algum problema? — disse Fabinho.

— Como é que é? Você acha que eu vou deixar você se aproveitar dela, seu marginal? Larga a Giane agora, ou eu acabo com a tua raça aqui mesmo.

Fabinho não tinha paciência para os chiliques do Bento. Tinha uma imensa preguiça do Bento, sempre bancando o herói. Pelo visto, no ponto de vista do Bento, ele só podia estar se aproveitando. Quem Bento pensava que era? Ele, Fabinho, não precisava da permissão de ninguém para namorar a Giane. Bento não mandava na Giane. Não era dono dela. Fabinho achava ridículo o Bento agir desta maneira, como se Giane fosse uma donzela em apuros. Como se fosse menor de idade. Giane não era nenhuma criança. Era adulta, livre e desimpedida, trabalhava, tinha idade suficiente para tomar as próprias decisões. Bento não tinha nada que se meter entre eles. Não largaria a Giane só porque Bento estava mandando. Em que mundo, em que século o Bento vivia, para querer dar ordens?

Fabinho sabia que não apenas o Bento, como todo mundo ali, a maioria das pessoas iria ficar achando que ele estava iludindo a Giane, enganando-a, e que Giane havia enlouquecido. Mas ele não estava nem aí, não se importava com o que aquele povo hipócrita pensava. E Giane não deixaria ninguém se meter na vida dela, por mais que gostasse daquelas pessoas. Ele e Giane não estavam buscando aprovação de ninguém.

— Bento, você não vai fazer isso, porque eu não vou deixar. — disse Giane.

Bento não podia acreditar que Giane estivesse realmente gostando de Fabinho. Giane não podia ter caído na conversa do marginal. Bento não confiava no caráter de Fabinho. Fabinho era incapaz de amar alguém, além de si próprio. Ele só podia estar querendo se aproveitar de Giane. Será que ela não percebia? Bento estava preocupado.

— Giane! Pelo amor de Deus, Giane, você enlouqueceu? Esse cara não presta e você sabe disso! Você fez isso pra quê? Pra me provocar?

No ponto de vista de Fabinho, Bento se achava o tal mesmo. Fabinho sabia, tinha certeza de que o que estava incomodando o Bento é que a Giane havia superado aquela paixonite por ele. Logo, ela não ficaria mais puxando o saco dele. Bento podia não querer namorar a Giane, mas ele bem que gostava de ter Giane no pé dele o tempo todo, adulando-o. O que ele achava, que Giane iria viver em função dele a vida toda?

— Mas é claro que não, Bento. Eu acho que, ao invés de você se meter na minha vida, você devia cuidar melhor da sua. E mandar a lacraia da sua mulher parar de perseguir quem trabalha. — disse Giane.

— Fala direito da Amora, porque ela tá grávida! — disse Bento.

Fabinho achou que Amora não brincava em serviço mesmo. Foi capaz de engravidar só para manter o casamento. Porque o casamento dela com Bento não andava nada bem. Estava por um fio. Brigaram várias vezes. Mais de uma vez, Bento falou em se divorciar. Amora resolveu engravidar para Bento não se separar dela. Além do mais, um filho a ligaria ao Bento para sempre. E assim, ela também garantiria uma pensão. Fabinho tinha pena da criança que Amora carregava no ventre, pois teria uma cobra como mãe. E um otário como pai.

— Ih, meu Deus! Agora que você não se livra mais dela. — disse Fabinho, rindo. Afinal, mesmo que um dia se divorciassem, Bento não ficaria livre de Amora. Ex-mulher é para sempre, ainda mais com filho.

— Cala a boca, seu bandido! — esbravejou Bento.

No ponto de vista de Fabinho, Bento estava casado com uma bandida, uma pilantra, e insistia em chamá-lo de bandido e de marginal. Era realmente impressionante. O tempo passava e Bento continuava sendo um otário que não enxergava a víbora que Amora era. Além do mais, ele, Fabinho, até podia ser bandido. Mas mesmo entre os bandidos, havia os pequenos e os grandes. E a grande bandida era Amora, que era bem mais inteligente que ele e por isso mesmo, mais perigosa. Ela armou mais e fez coisas mais pesadas do que ele. Ele pelo menos estava tomando jeito.

— Eu posso ser bandido sim, mas a tua mulher é pior do que eu.

Fabinho suspeitava que foi Amora quem mandou sabotar os brinquedos do bufê de Wilson. Ele podia ter feito muita coisa errada. Mas por pior que ele tenha sido, ele nunca machucou criancinhas para se vingar de alguém. Nunca botou a vida de um monte de gente em risco.

— Do que você está falando, Fabinho? — perguntou Bento.

— Não sei. Pergunta pra ela que ela sabe. — disse Fabinho.

Bento ficou furioso. Achou que Fabinho estava se referindo ao incêndio da Toca. Fabinho não se cansava de acusar Amora, de inventar mentiras para se safar. Bento queria que Fabinho deixasse a ele e Amora em paz. Que Fabinho ficasse bem longe deles, não se metesse na vida deles, ainda mais agora, que Amora estava esperando um filho.

— Fica longe da minha mulher ou eu te arrebento. — disse Bento. Fabinho que não se atrevesse a fazer alguma maldade contra Amora.

— Ô Bento, você já percebeu que pra um cara metido à paz e amor, você é bem nervosinho? — disse Fabinho.

— Vamos. — disse Giane, querendo ir embora, evitar que brigassem de socos.

— Não, calma aí. — disse Fabinho. — Sabe o que eu estou pensando agora? O filho do zé florzinha. — fez uma voz de falsete. — “Mamãe, salve a natureza! Mamãe, mico-leão-prateado!”

Fabinho gargalhou, e Giane também riu. Achou graça. Bento, por sua vez, achou um absurdo Giane achar graça quando Fabinho estava zombando da gravidez da Amora.

— Cala a boca, Fabinho! — disse Bento, irritado. — Eu não estou acreditando, Giane! Você está rindo disso?

Pelo visto, Bento agora iria ficar cheio de frescura só porque iria ser pai. Não iria permitir nenhum tipo de piada, de brincadeira com o filhinho dele, ainda que fosse uma brincadeira inofensiva, e ninguém iria poder criticar a víbora da mulher dele, só porque estava grávida. Fabinho já estava vendo que Bento agora iria comer na mão da Amora só por causa da gravidez. Claro que era exatamente isso que a víbora previu ao engravidar. Haja paciência! Dava para ver que Bento iria ser daqueles pais chatos.

— Bento, olha só, já deu, né? Se o meu namorado não presta, a sua mulher também não. Paciência! That’s life! — disse Giane.

— That’s life! Curso de inglês bombando, hein! — disse Fabinho, e dirigiu-se à Giane. — Vamos?

— Vambora. — disse Giane.

— Tchau, papai! Abraço! Sucesso! — disse Fabinho, despedindo-se.

Giane e Fabinho foram embora juntos. Mais tarde, Giane foi à loja e Fabinho ficou em casa. Sabia que Giane pretendia dar um fim à sociedade com Bento. Fazia tempo que ela queria fazer isso. Só continuava na loja por insistência do Bento, e também para ficar de olho na Amora. Só que Giane achava que estava na hora de seguir o próprio caminho, e Fabinho concordava com ela. Além do mais, não havia mais clima para ela continuar na loja. Não depois da briga que tiveram. Bento iria encher o saco, iria querer mandar na vida da Giane, e ela não iria deixar.

Mais tarde, ao ouvir a campainha, Fabinho foi abrir a porta. Era Malu.

— E aí, Malu? — cumprimentou Fabinho.

— Oi. — disse Malu.

— Como é que tá? — perguntou Fabinho.

— Bem. — disse Malu, aproximando-se e abraçando-o.

Fabinho deu um beijo no rosto dela.

— E você, como você tá? — perguntou Malu.

— Se não fosse a Giane, eu nem sei. — disse Fabinho, fechando a porta.

— Você sabe que você pode contar comigo, né? — disse Malu.

— Que bom. — disse Fabinho.

Para ele era importante ter o apoio de Malu. Tinha um carinho muito grande por ela. Ela era como uma irmã para ele.

— Eu vou estar sempre do seu lado, Fabinho. Sempre. — disse Malu.

— Obrigado. — disse Fabinho, e Malu abraçou-o. — Obrigado mesmo, viu?

— Fabinho, eu quero que você faça outro exame de DNA. — disse Malu.

Malu havia acabado de descobrir que Socorro trocou os exames, a mando de Amora. Malu começou a desconfiar no dia em que foi ao hospital, por conta do acidente de André. O garoto se machucou na piscina de bolinhas, perdeu sangue. Tinha uma hemofilia leve, por isso teve uma pequena hemorragia. O hospital estava fazendo campanha para doação de sangue. Bento decidiu doar sangue. Malu não podia doar por causa do peso. Malu descobriu que o tipo de sangue do Bento não batia com o de Plínio, nem com o de Irene. Plínio e Irene eram do tipo O, assim como ela, Malu. Bento era do tipo AB. Malu ficou estarrecida ao descobrir que Bento não podia ser seu irmão. Conversou com Bento, perguntou para ele quais eram os procedimentos de um exame de DNA. Bento contou que Socorro colheu o material, quando ele fez o teste com Plínio. Malu pressionou Socorro, e ela confessou tudo. Amora mandou trocar os exames para se vingar do Fabinho, para separar Bento de Malu e ainda transformar Bento no herdeiro do Plínio. Mas Socorro disse que negaria tudo se Malu contasse a alguém. Malu achava que precisava acabar com a farsa. Não era justo que seu pai e Irene continuassem vivendo uma mentira. Não era justo com Bento também, nem com ela, Malu. Bento não podia continuar sendo enganado. Se Bento não era filho do seu pai, só podia ser Fabinho. A única maneira de acabar com a farsa seria pedir para Fabinho fazer o exame.

Ficou emocionada ao estar diante do seu irmão. Continuava gostando do Bento. Sempre adorou Bento, o admirava. Bento era realmente uma pessoa incrível. Mas ela não achava Fabinho tão ruim assim. Ele foi um garoto mimado, egoísta, sem escrúpulos, isso ela sabia. Sabia que ele tinha um caráter duvidoso, que podia ser cruel quando queria. Não concordava com nada do que ele fez de errado, nem esqueceu. Até porque não sofria de amnésia. Mas se ela estendeu a mão, se o acolheu na Toca do Saci, foi porque acreditava que ele tinha jeito. Com o tempo, Malu aprendeu a gostar de Fabinho. Ele estava mudando, se tornando uma pessoa melhor. Ele tinha um lado bom. E ela tinha certeza de que Giane tinha a ver com a mudança dele. Ela havia percebido que ele e Giane haviam ficado amigos. Malu achava que Giane era uma influência positiva sobre Fabinho.

O rapaz não estava entendendo nada. Desde o início, estava achando o papo muito estranho. Por que Malu se preocupava tanto com ele? Nunca imaginou que ela se importaria tanto com ele. Até poucos meses atrás, ela não ia com a cara dele. Até então, Malu vivia muito bem sem ele e ultimamente parecia que ela estava aceitando que Bento era irmão dela. Afinal, ela estava saindo com Maurício. Parecia estar tentando seguir em frente. E por que ela pediu para ele fazer outro exame? Todos sabiam que Bento era o filho do Plínio. Até onde ele sabia, Plínio não havia tido outro filho além do Bento, da Malu e do bebê que a Irene estava esperando. E ele não queria fazer exame, voltar a viver aquele inferno.

— Malu, fazer outro exame por quê? — perguntou Fabinho.

— Fabinho, vai que aquele teste deu errado? — disse Malu.

Fabinho não acreditava que o teste podia ter dado errado. As chances de isso acontecer eram mínimas. Ele havia acompanhado todas as etapas do processo, e não havia visto nada de suspeito. Uma das enfermeiras do laboratório dissera que as chances de erro eram praticamente nulas.

— Não... — disse Fabinho. Malu não podia estar falando sério.

— Não, é sério! Eu sei que as chances são remotas, mas... — disse Malu, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas.

Não podia falar sobre a troca dos exames. Fabinho não acreditaria, acharia que ela estava maluca. Nem o Maurício acreditava nela, ele achava que era impossível adulterar os exames. Mas a Socorro confessou. Amora também, quando Malu a colocou contra a parede, naquele mesmo dia, durante um almoço no apartamento de Plínio. Mas Malu não tinha como provar. Ela até tentou obrigar Amora a contar para o Bento, para todo mundo, mas Amora disse que estava grávida. Malu não teve coragem de falar nada. Não sabia se Amora estava mentindo ou não, mas e se ela estivesse mesmo grávida? Além do mais, não tinha prova nenhuma. Malu sabia que seria a palavra dela contra a da Amora.

Fabinho continuava sem entender nada. O que estava acontecendo? Por que Malu estava chorando, e por que insistia para ele fazer o teste? Ele não queria nem ouvir falar em teste nenhum. Para Malu vir ali, emocionada, pedir para ele fazer outro exame, só podia haver um motivo: ela ainda sofria pelo Bento. Pelo visto, ela ainda tinha dificuldade em enxergar Bento como irmão. Ela ficou traumatizada com a história do DNA. Tanto que não quis mais se envolver seriamente com ninguém. Fabinho sabia disso porque Giane contou. Maurício queria namorar Malu, mas ela não quis namoro sério. Até ficou com Érico. Malu ficou com medo de se apaixonar e sofrer novamente. Fabinho tinha pena dela. Mas de nada adiantaria ele fazer o teste. O resultado seria o mesmo. Além do mais, Plínio não concordaria. Plínio estava bem satisfeito por ter Bento como filho. Melhor deixar as coisas como estavam. Fabinho não queria passar por aquele inferno novamente. Esse assunto era página virada na vida dele. Ele não precisava de outra família que certamente o rejeitaria. Já sofreu demais. Ele já tinha Margot, ela sim era sua única família e o amava como filho.

— Olha só, olha só, olha só... — disse Fabinho, interrompendo-a. — Malu, eu entendi. Você... Você tá triste porque perdeu o Bento, né? Você ainda não acreditou que é irmã dele, mas é. E ele tá casado com a Amora. Eu acho que você não pode fazer nada em relação a isso.

Na verdade, Malu nem estava pensando no Bento. Ela estava muito bem com Maurício. Haviam acabado de oficializar o namoro. Ela a princípio não quis relacionamento sério, porque queria conhecer outros rapazes, viver experiências diferentes. Ela precisou de um tempo para se descobrir, se conhecer melhor, saber o que queria. Malu se arrependeu de não ter conhecido, ficado e até namorado com outros rapazes antes. Em vez de sair com outros caras, ela ficou a vida toda sonhando, suspirando por Maurício sem ser correspondida, porque ele só tinha olhos para Amora. E depois de tudo o que ela, Malu, havia passado com o Bento, ela precisou de um tempo para se recuperar. Ela queria ser livre para fazer o que quisesse, ficar com quem quisesse. Não estava nem um pouco a fim de se apaixonar e quebrar a cara de novo. Já havia sofrido demais. Por isso havia decidido ter apenas uma amizade colorida com Maurício.

Porém, ele queria exclusividade. Mas Malu não se sentia segura para namorar firme com Maurício. Malu havia se dado conta de que tinha passado a vida inteira esperando ser amada, e que ficou rastejando atrás de homens que só enxergavam a Amora. Por isso decidiu conhecer outros rapazes. Não queria passar a vida disputando homens com Amora, e não se sentia segura para namorar com Maurício. Não queria precipitar as coisas, nem estragar a amizade, a parceria entre ela e Maurício. Além do mais, ela duvidava que Maurício gostasse dela de verdade. Ele sempre gostou da Amora, a vida inteira. Prova disso era que Maurício continuava defendendo Amora, o que era motivo de briga entre eles. Ela morria de medo de voltar a se apaixonar por Maurício, e ele voltar correndo atrás da Amora. Ainda mais agora, que o casamento de Bento e Amora estava em crise. Malu não queria sofrer novamente. A última coisa que queria era ser um estepe, ou um prêmio de consolação para alguém. E todas as vezes em que ela se apaixonou, não deu certo.

Mas Maurício finalmente conseguiu convencê-la de que ele gostava dela de verdade. Quando Malu resolveu pesquisar sobre os tipos sanguíneos e os procedimentos de um exame de DNA, Maurício ficou inseguro. Achava que Malu estava fazendo isso por causa do Bento, por ainda gostar dele e querer voltar correndo para ele. Maurício achava que Malu só estava com ele para esquecer o Bento. Porém, no ponto de vista de Malu, se tratava da vida do pai dela, da vida da Irene e da identidade do primeiro filho deles. Era maior que ela e Maurício. Ela nem estava pensando em voltar com Bento. Foi o que ela disse para Maurício. Claro que ela estava com raiva por Amora tê-la feito acreditar que era irmã do Bento. Malu sofreu muito, achando que havia namorado o próprio irmão. Mas ela gostava de Maurício de verdade. O que eles tinham era forte e verdadeiro. A história deles começou antes de Maurício conhecer Amora. Mas os exames foram trocados, e ela precisava contar a verdade para Plínio e Irene. Precisava de provas. Amora não podia continuar manipulando a vida dela e de todo mundo. Bento também precisava saber de toda a verdade. Malu não estava querendo destruir o casamento da irmã, e sim fazer justiça, abrir os olhos das pessoas. Ela não era uma pessoa mesquinha e não precisaria mover uma palha para acabar com o casamento da Amora. A própria Amora é que estava acabando com o casamento, com tantas mentiras, tantas armações. Só que era difícil para Maurício entender isso, então Malu procurava nem discutir com Maurício sobre este assunto. Maurício achava que ela não se devia se meter nos problemas de Amora e Bento. Mas não tinha como ela não se meter, pois não se tratava de um problema do casal, mas de todo mundo. Amora não atingia apenas o Bento com suas mentiras, intrigas e armações. Bento iria sofrer ao saber da verdade, mas iria se reerguer, até porque não faltariam pessoas para ajudá-lo, inclusive ela, Malu. Agora ela só precisava convencer Fabinho a fazer o exame.

— Custa você fazer outro exame de DNA? — perguntou Malu.

— Claro! E passar por aquela angústia toda de novo, sabendo o resultado? Malu, o melhor que a gente pode fazer, é tocar a nossa vida. Você a sua e eu a minha. — disse Fabinho.

Fabinho viu que Malu havia ficado triste.

— Mas olha, eu ia adorar ser seu irmão. — disse Fabinho.

— Eu também. — disse Malu, enxugando o rosto.

— Que bom. — disse Fabinho.

— Mesmo! Ai, desculpa, eu tô chorosa! — disse Malu.

Malu resolveu não insistir. Se Fabinho não queria fazer o exame, ela não podia forçá-lo. Arrumaria outra maneira de acabar com a farsa.

— Não tem problema, não. — disse Fabinho, abraçando-a. — Eu também ando muito sentimental, recentemente. Você quer comer o bolo da dona Margot? — apontou para o bolo. — Tá de dieta? Não, né? Vamos! Esse bolo é incrível! Vou pegar aqui um prato.

Malu sentou-se à mesa. Fabinho e Malu conversaram enquanto devoravam o bolo. Malu contou que agora estava namorando Maurício. Da amizade colorida, passaram a namorar seriamente. Fabinho ficou feliz por Malu. Ela tinha mais era que seguir em frente, deixar para trás a paixonite pelo Bento. Até porque, no ponto de vista de Fabinho, Malu merecia coisa melhor que o otário do Bento.

Horas mais tarde, Fabinho foi trabalhar no Cantaí. Era seu primeiro dia de trabalho. Havia acabado de levar os pedidos ao balcão, quando Giane chegou e abraçou-o por trás.

— Sabia que você é o garçom mais gato do Cantaí? — perguntou a garota.

— Tô sabendo. — disse Fabinho, e Giane abraçou-o e beijou-lhe o pescoço. — Inclusive, isso aqui vai bombar quando a garotada da zona sul... — beijou-a nos lábios. — Ficar sabendo que eu tô aqui. Vai sair mulher brotando do chão, pá! — levantou e desceu os braços.

— Você é metido! — disse Giane.

— Por isso que você gosta. — disse Fabinho, e beijou-a.

— Ei, ei, ei! — disse Gilson, e Fabinho virou-se. — Amor é a coisa mais linda do mundo, mas é horário de trabalho. Vamos trabalhar sem B.O., tá? Que eu dei um duro enorme pra conseguir esse trabalho pra você, não vai me decepcionar.

— Tá bom, pode deixar. Vou lá. — disse Fabinho, pegando a caderneta.

— Vai lá. — disse Giane.

Fabinho aproximou-se de Verônica e Nelson, que acabaram de entrar no Cantaí.

— Opa, boa noite! Tudo bem? — cumprimentou Fabinho.

Verônica ficou surpresa ao vê-lo.

— Fabinho, você aqui no Cantaí? — perguntou Verônica.

— Tudo bom? Queiram me acompanhar, por favor. — disse Fabinho, apontando para uma das mesas desocupadas. — Essa mesinha aqui, pode ser?

Nelson e Verônica o acompanharam até a mesa.

— Olha, a gente tá com novidade no cardápio, hein? Rissole! São incríveis! Minha mãe é quem faz. — disse Fabinho.

— A dona Margot? — perguntou Verônica.

— É. — disse Fabinho.

— Olha, então, eu acho que a gente vai provar esses rissoles da dona Margot. — disse Verônica, sentando-se à mesa.

— Maravilha! Combinado. — disse Fabinho.

— E dois chopinhos. — disse Nelson, sentando-se à mesa.

— Dois chopinhos. — disse Fabinho, anotando o pedido.

Fabinho foi até o balcão, onde estavam Gilson e Giane.

— Tio, dois chopes e uma porção de rissoles da dona Margot. — disse Fabinho, colocando a caderneta sobre o balcão.

— Tá. — disse Gilson.

O celular dele começou a tocar.

— Quem será? — perguntou Gilson.

Fabinho fez um carinho no rosto de Giane. Gilson tirou o celular do bolso e atendeu.

— Oi? Fala, Bento. Hã. A Irene sumiu? Tá, não. A gente fica em contato. Tá bom, tá bom. — disse Gilson, e desligou o celular.

— Como assim, a Irene sumiu? — perguntou Fabinho.

— É, parece que ela teve uma briga feia com a Bárbara, sumiu. Tá todo mundo louco atrás dela. Inclusive, o Bento. — disse Gilson, e se afastou.

— Caramba. — disse Fabinho, abalado com o sumiço de Irene.

— Fabinho, que cara é essa? O quê que foi? — perguntou Giane.

— A Irene sofre de depressão crônica. E se a história se repetir? E se ela some com o filho do Plínio na barriga por causa da Bárbara, de novo?

— Não, não. Não pira. Vai que não é nada. Vai que... — disse Giane.

De repente, Fabinho teve uma ideia de onde Irene poderia estar. Se ela teve uma crise, talvez tenha ido até o HC, pois era lá que ela teria assistência. Não tinha certeza, mas não custava nada tentar.

— Eu vou atrás... Eu vou atrás da Irene. — disse Fabinho, tirando o avental.

— Fabinho, você vai perder seu emprego! — disse Giane.

— Você fala pro... Pro... Pro Gilson que eu volto depois. Te ligo, tá? — disse Fabinho, saindo do Cantaí. Depois se entenderia com Gilson. Naquele momento, o importante era encontrar Irene.

Pegou um ônibus e foi direito para o Hospital das Clínicas. Chegando ao hospital, subiu as escadas, até chegar à ala psiquiátrica. Perguntou por Irene para as enfermeiras. Andou pelo longo corredor. Passou por um médico, e por um enfermeiro que acompanhava uma paciente. Até que encontrou Irene, sentada em um banco. Olhou para Irene, que estava com a cabeça longe dali. Nem notou a presença dele. Sentou-se ao lado dela. Pegou na mão dela. Irene finalmente olhou para o lado. Ficou feliz ao vê-lo.

— Fabinho. — disse Irene, olhando para ele e abrindo um sorriso.

— Te encontrei, fujona. — disse Fabinho, sorrindo.

— Filho... — disse Irene, e passou a mão no rosto dele. — Meu filho!

Irene abraçou-o, emocionada. Fabinho continuava não entendendo por que Irene insistia em tratá-lo como filho, mas não brigaria com ela. Não discutiria mais. Ainda mais naquele momento. Não era apropriado. Além do mais, passou a aceitar o carinho de Irene. Fabinho perguntou:

— Você sabe que está todo mundo te procurando que nem doido, né?

— Desculpe, eu... Eu não sei o que aconteceu comigo. — disse Irene, com lágrimas nos olhos. — Eu... Eu não vi nada... Eu não vi nada... Eu perdi o chão. Quando dei por mim, eu estava aqui.

— Você brigou com a Bárbara, né? — perguntou Fabinho.

— Eu estava me sentindo tão forte. — disse Irene. — Mas eu acho que a gravidez me fragilizou de novo. Quando ela disse que eu tinha abandonado você...

— Não, Irene, você não me abandonou. Você abandonou o Bento. Mas olha, relaxa. — disse Fabinho, acariciando o rosto dela. — Tá tudo bem. Vou te levar pra casa.

— Como é que você me achou aqui? — perguntou Irene.

— Não sei. Acho que foi intuição. — disse Fabinho. — Quando eu soube que você tinha sumido, eu pensei que você devia ter vindo pra cá pedir socorro.

— É impressionante. — disse Irene. — Mesmo não sendo mãe e filho... — acariciou o rosto dele. — Alguma coisa muito forte nos une. Sabe que... O último rosto que eu ainda vejo antes de adormecer é o seu. Eu sempre rezo por você. — pegou na medalha. — Eu nunca consegui tirar essa medalhinha do meu peito porque... Porque no meu coração, você ainda é o meu filho.

Irene adorava Bento. Era maravilhoso ter Bento como filho. Porém, ainda assim, ela se sentia confusa. Não se sentia assim tão ligada ao Bento. Sentia alguma coisa fora do lugar. Gostava do Bento, mas não conseguia deixar de enxergar Fabinho como filho. O vínculo maior dela era com Fabinho. Era uma ligação muito forte. Amava Fabinho como se tivesse nascido dela. Não conseguia deixar de amá-lo, de se preocupar, se importar com ele.

Fabinho emocionou-se. Irene o abraçou.

— Meu filho! — disse Irene, emocionada.

O rapaz também estava emocionado. Os olhos lacrimejaram.

— Eu também gosto muito de você. — disse Fabinho. — Mas agora... — enxugou o olho. — Você tem que se preocupar com esse filho que está aqui dentro. — passou as mãos na barriga dela.

— Você não sente também, meu filho? Você não sente que alguma coisa está fora de lugar? — perguntou Irene.

O que Fabinho sentia era um grande carinho por Irene. Mesmo não sendo sua mãe.

— Eu acho que tá tudo bem agora. Eu acho que não tem nada fora do lugar, não. — disse Fabinho. — Vamos pra casa? O Plínio deve estar preocupado.

— Tá. — disse Irene.

Irene pendurou a bolsa no ombro. Fabinho e Irene saíram juntos do hospital. Fabinho a levou até o prédio onde Plínio morava. A chegada de Irene foi informada pelo interfone. Subiram até o apartamento de Plínio. Foi Celinha quem abriu a porta.

— Irene! — disse Plínio, feliz ao vê-la, mas ficou perplexo ao ver Fabinho.

Na sala, além de Plínio e Celinha, estavam Malu, Maurício e Bento.

— O quê que você está fazendo aqui, garoto? — perguntou Plínio, irritado.

O que será que Fabinho queria? O que estava aprontando? Será que o garoto trouxe Irene ali para se fazer de bonzinho? Será que Fabinho esperava ganhar alguma coisa com isso? Alguma recompensa?

Plínio continuava não conseguindo confiar em Fabinho, depois de tudo o que ele aprontou. Fabinho não era confiável. Ainda mais depois de ter sido demitido da Crash Mídia e da padaria. O garoto continuava aprontando, parecia que não iria tomar jeito nunca.

Mas Plínio estava aliviado ao ver Irene. Morria de medo de perdê-la. Irene não podia desaparecer, ainda mais agora, que estavam tão felizes. Plínio estava feliz por estar com Irene, por ter dois filhos adultos, um filho bebê a caminho, e um neto, além dos irmãos adotivos de Malu, que ele considerava como parte da família. Ele sempre desejou uma família grande. Plínio ficou muito feliz ao saber da gravidez de Amora. Ao que tudo indicava, Amora iria se regenerar, ainda mais agora, que iria ser mãe. Ele havia comentado com Bento que estava achando Amora diferente. Ele estava acreditando na mudança de Amora. A presença de Simone e os filhos estava fazendo um bem enorme à Amora. Ela estava mais doce, até o olhar estava diferente. Plínio esperava que o filho amolecesse ainda mais o coração de Amora. Ele estava feliz, até Irene sumir.

Plínio ficou desesperado com o sumiço de Irene. Teve medo de que ela sumisse no mundo de novo com um filho dele na barriga. Tudo por culpa da Bárbara, que tinha vindo até ali para dizer que finalmente iria contar a verdadeira origem dos filhos adotivos dela. Luz, Kevin e Dorothy estavam hospedados na casa dele, e só pretendiam voltar a morar com Bárbara quando ela contasse a verdade. Só que Bárbara acabou ofendendo os filhos, e Irene tomou partido deles. E Bárbara jogou na cara de Irene que ela havia abandonado o filho. Irene ficou abalada e saiu correndo sem ninguém ver, e ela não disse a ninguém aonde ia. Plínio foi atrás de Irene. Malu, Maurício e Bento ajudaram nas buscas. Só que ninguém havia encontrado Irene. Ninguém conseguia imaginar onde ela poderia estar.

— O quê que você aprontou com a minha mãe, hein, seu marginal? — perguntou Bento, furioso. Achava que Fabinho só podia ter sumido com Irene e depois resolvido trazê-la de volta, só para se fazer de bonzinho. Ou então ele soube de alguma forma onde Irene estava. Talvez ele esperasse ganhar alguma recompensa por ter bancado o herói.

Maurício também não acreditava na boa intenção de Fabinho. Tinha a mesma opinião que Bento: Fabinho estava posando de salvador da pátria. Malu, por sua vez, acreditava que Fabinho não havia agido por interesse.

— Nada, Bento. Eu só vim trazer a Irene aqui. — disse Fabinho, e dirigiu-se à Irene. — Pronto, está entregue, viu?

— Fica um pouquinho aqui comigo, fica? Por favor! — implorou Irene, sentando-se no sofá. Porém, Fabinho sabia que não podia ficar. Não com todos ali olhando torto para ele, com exceção de Malu.

Bento ficou chateado ao ver que Irene tinha tanto carinho por seu maior inimigo, o cara que tentou ferrar sua vida inteira. Ele não se sentia filho de Irene ainda, mas acreditava que ela era sua mãe.

— Não, tem gente aqui que te quer muito bem, vai cuidar de você. Olha, descansa, tá? Que você tá precisando! — disse Fabinho, e deu um beijo no rosto dela.

— Obrigada! — disse Irene.

— Juízo! — disse Fabinho.

— Obrigada por tudo, meu filho. — disse Irene.

— Tá. — disse Fabinho, e andou em direção à saída. Celinha abriu a porta para ele, e ele foi embora.