Um amor improvável
60 Casamento da Tina
Após a briga com Giane, Fabinho ficou no Cantaí, bebendo. Até que Malu apareceu e sentou-se na mesa, em frente a ele. Malu já estava sabendo que Fabinho havia brigado com a namorada, e resolveu falar com ele. Como Fabinho não estava atendendo ao celular, ela havia ligado para o Érico, que contou onde Fabinho estava. Malu havia ido ao batizado de Pedrinho, filho de Charlene, e ao chegar em casa, ficou sabendo das últimas novidades: que Bolívar era o pai da Dorothy, que sua mãe havia tentado roubar todas as economias da menina e em seguida ido embora. E para completar, Irene contou que Bárbara havia feito Fabinho e Giane brigarem.
No ponto de vista de Malu, a pior coisa que poderia ter acontecido era Fabinho e Giane terem brigado. Afinal, Giane era importante para Fabinho. Era vital. Malu sabia que Fabinho estava revoltado, por todos terem escondido dele que ele podia ser filho do Wilson. Temia que Fabinho fizesse besteira, voltasse a meter os pés pelas mãos.
Não estava fácil para ninguém. Bento era outro que estava sofrendo. Ainda não digeriu tudo o que havia acontecido. Foram coisas demais: as sujeiras da Amora, o fim do casamento, o mistério do nascimento dele, o abandono e o fato de ser filho do Wilson. Ela, Malu, estava sofrendo também, morrendo de saudade do Maurício. Já pediu várias vezes para voltar, porém, Maurício não queria. Continuava inseguro. Contudo, Malu não se conformava por Maurício ter terminado com ela. Ela o amava. Ele foi o homem que ela amou calada durante muitos anos. O homem que ela imaginava perfeito para ela. Não iria desistir dele. Agora era Fabinho que estava sofrendo. E Giane não devia estar melhor do que ele.
Felizmente, Malu havia conseguido ajudar Bento. No batizado de Pedrinho, ela conseguiu fazer Bento abraçar Glória e apertara mão do Wilson. Ela esperava que fosse o começo de uma reconciliação e de uma reaproximação entre Bento, Wilson e Glória. Bento precisava fazer as pazes com o pai e a avó, e Wilson precisava perdoar Glória. Só assim conseguiriam seguir em frente, sem mágoas e rancores. Agora, Malu precisava fazer Fabinho se reconciliar com Giane.
— Vamos conversar? — perguntou Malu.
Fabinho contou para Malu que ele e Giane brigaram. Malu achou um absurdo Fabinho ter comparado Giane com Amora, ter dito que ela o havia fisgado antes de ele saber que era rico. E achava que ele jamais deveria ter dito que iria pegar um monte de mulheres. No ponto de vista de Malu, Fabinho foi grosseiro, se comportou como um verdadeiro babaca.
— Fabinho, você não pode falar assim com nenhuma mulher. — disse Malu. — Ainda mais com a tua namorada, que você ama.
— Eu perdi a cabeça. Quando eu fico nervoso, eu faço isso.
— Bom, você vai ter que pedir desculpa pra Giane. — disse Malu.
— Não vou pedir desculpa, não. — disse Fabinho.
— Ah, não? — disse Malu. No ponto de vista dela, alguém tinha de dar o primeiro passo, e Fabinho também errou, não foi somente a Giane. Fabinho tinha era que deixar de lado o orgulho.
— Ela que pisou na bola, não vou pedir desculpa. — disse Fabinho, e bebeu mais um gole da bebida.
— Vai ficar, então, cada um pro seu lado, assim sofrendo? Cada um cheio do seu orgulho idiota? — perguntou Malu.
— Não. Agora, eu vou ser diferente. Acabou. — disse Fabinho. — Acabou Fabinho bonzinho. Não tem mais isso, não. Vou aproveitar que eu tô cheio da grana, que eu sou boa-pinta, vou pegar tudo que é mulher. Entendeu? É isso aí, acabou. É isso aí, maninha. — deu mais um gole na bebida. Resolveu que iria usar outras mulheres para tirar Giane da cabeça. Já que ela não confiava no caráter dele, era melhor esquecê-la de uma vez.
Malu não gostou nada de ver que Fabinho estava tendo recaída. Esperava que ele não se deixasse levar pelo ressentimento, que não fizesse besteira.
— Olha aqui, não vem me chamar de maninha, não, porque eu só vou voltar a ser a sua maninha quando você pedir desculpas pra Giane. — disse Malu, virando-se.
— Sabe quando isso vai acontecer, né? Nunca. — disse Fabinho, e Malu foi embora. Esperava que Fabinho não estivesse falando sério, que fosse apenas pirraça. Torcia para que Fabinho caísse em si e pedisse desculpas para Giane assim que a poeira abaixasse.
Horas mais tarde, Fabinho não gostou nada de ver que a moto do Caio estava na frente da casa de Giane. Certamente, o otário do Caio já estava sabendo que ele e Giane terminaram e resolveu se aproveitar da situação para dar em cima dela. Caio com certeza iria consolá-la, se fazer de ami-guinho, comer pelas beiradas, tudo com muito jeitinho para tentar voltar com a Giane. E certamente, Caio estava fazendo a caveira dele.
— Tô falando que eu vi a moto do playboy parada na frente da tua casa. — disse Fabinho, reclamando com Silvério, que havia ido visitar Margot.
— Ué, nada mais natural, os dois são amigos! — disse Silvério.
— Ah, amigos? Amigos, coisa nenhuma! — disse Fabinho, indignado. — Ele ficou sabendo que a gente terminou e foi correndo atrás dela!
Margot, sentada à mesa, fazendo um doce, observava tudo.
— Ué, e o que você tem com isso? Não terminou com ela? Tá nervosinho por quê? — perguntou Silvério.
— Ela que terminou comigo. — disse Fabinho, sentando-se no sofá.
— Porque você começou uma briga boba e sem fundamento! — disse Margot.
— Sem fundamento? Vocês pensaram que eu era filho do Wilson Rabelo, me viram no maior aperto e não me falaram nada, e é sem fundamento? — disse Fabinho, furioso. Continuava revoltado por não terem falado nada para ele.
Margot não contou nada porque ela e Silvério acreditavam estar protegendo Fabinho de mais uma rejeição, afinal, Glória não queria saber dele, não o aceitava como neto e nem queria conhecê-lo. Além do mais, temiam que o garoto se revoltasse, surtasse novamente, metesse os pés pelas mãos, quisesse se vingar de Glória. Fabinho era muito instável, e Margot temia que o filho perdesse o juízo e fizesse besteira. Fabinho estava indo tão bem, e ela não queria que ele desse para trás ao saber que tinha um pai rico. Havia o risco de ele retroceder. Ela e Silvério não pretendiam esconder do garoto para sempre. Planejavam contar no momento que julgavam oportuno. Queriam dar tempo ao tempo, esperar Fabinho tomar jeito, pois achavam que só assim ele seria aceito pela Glória. Mas agora perceberam que erraram ao não contar para Fabinho. Mas não tinham feito por mal. Fabinho tinha de deixar o ressentimento de lado.
— Pra te proteger! Pra te preservar! — argumentou Margot.
No ponto de vista de Silvério, Fabinho devia deixar de lado o rancor e se entender com Giane, pois ela não iria ficar correndo atrás dele. Se Fabinho era teimoso e cabeça-dura, Giane também era. Alguém tinha de dar o primeiro passo, dar o braço a torcer. E Silvério achava que devia ser o Fabinho, pois ele disse barbaridades, comparou Giane com Amora.
— Olha aqui, se você continuar com esse rancorzinho bobo, vai acabar perdendo a minha filha. — disse Silvério. — Porque ela não é de correr atrás de homem não, viu?
Silvério e Margot explicaram para Fabinho que Giane não sabia que ele podia ser filho do Wilson. Somente Gilson, Salma e Silvério sabiam no início. Além da Glória. Rosemere soube mais tarde, pela Glória. Giane ficou sabendo de toda a história muito tempo depois. Giane só sabia que uma mulher desconhecida deixara um bebê com Silvério, e que Glória tinha uma filha que morreu no parto. Que era por isso que Glória considerava o Bento neto. Bento teria a mesma idade do neto da Glória, que todos achavam que havia morrido. Giane sabia também que Perácio era filho da Glória. Quando Perácio procurou Fabinho para fazer um exame de DNA, ele não quis saber. Mesmo assim, Giane foi conversar com Rosemere. Foi Rosemere quem explicou toda a história para ela. Foi assim que Giane ligou os fatos, juntou todas as peças deste quebra-cabeça e ficou sabendo que o verdadeiro neto da Glória havia sobrevivido e que Perácio achava que Fabinho era sobrinho dele. Giane chegou à conclusão de que foi Glória quem abandonou o neto na rodoviária, nas mãos do Silvério. Silvério havia dito que a mulher que entregou um bebê para ele tinha uma certa idade. Mas ficou faltando uma informação. Rosemere não contou a ela quem era o pai da criança. Giane não falou nada para Fabinho porque quis protegê-lo, evitar que ele sofresse nova rejeição, e porque ele não quis saber. Ela até quis contar a ele tudo o que sabia, mas as pessoas a convenceram a esperar o momento oportuno. Só quando descobriram a troca dos exames, que Giane soube que o pai da criança era Wilson. De qualquer maneira, isso não tinha mais importância, porque todos sabiam que Fabinho não era filho do Wilson. Não fazia sentido ele brigar com Giane. Margot e Silvério convenceram Fabinho a falar com Giane. Fabinho foi até a casa de Giane. Abriu a porta sem bater e viu Giane sentada no sofá da sala com Caio. Ouviu ela dizer:
— Eu nunca devia ter te trocado pelo Fabinho. Eu, eu devia era...
Fabinho ficou furioso e magoado. Nem bem Giane terminou com ele, já estava pensando em voltar com o imbecil do Caio? As palavras dela foram como uma facada no coração dele. Ele veio ali para pedir desculpas por tudo o que disse, para terminar a desavença, estava disposto a perdoá-la e ela disse estar arrependida de ter terminado com Caio e ficado com ele. Era duro ouvir isso da mulher que amava. Entrou na sala e disse:
— Não seja por isso, Giane. Eu vim aqui exatamente pra dizer que você pode ficar com o almofadinha que você quiser.
Giane levantou-se do sofá, tinindo de raiva.
— Melhor o Caio do que um grosso feito você. — disse Giane, furiosa.
— É? Você fala da Amora, só que você só me trocou por esse cara porque ele é mais rico do que eu. — disse Fabinho, e resolveu ir embora.
— E quando que eu liguei pra dinheiro? — perguntou Giane, furiosa.
— Agora. — disse Fabinho, andando em direção à porta.
— Seu babaca, seu filho... — xingou Giane, porém, Fabinho não deu ouvidos. Saiu batendo a porta.
Quando Fabinho chegou, Silvério e Margot estavam tomando café na sala. Fabinho entrou batendo a porta. Silvério e Margot viram que o rapaz não estava com uma cara muito boa. Pelo visto, ele e Giane brigaram.
— Vocês não se entenderam? — perguntou Margot, colocando o pires sobre a mesa de centro.
Fabinho não respondeu. Estava chateado por ter brigado com Giane.
— Fabinho, fala, o quê que foi? — insistiu Margot.
— Bom, eu acho melhor ir pra casa. — disse Silvério, levantando-se do sofá. — Ver como é que tá a outra cabeça dura também.
— Vai lá, vai lá. — disse Margot, e Silvério foi embora.
Assim que Silvério saiu, Margot perguntou:
— Fala, Fabinho, o quê que foi? Vocês brigaram de novo, foi isso?
— Minha vida era muito melhor antes dessa garota. — disse Fabinho, triste, com lágrimas nos olhos. — Foi a primeira e última vez que eu gostei de alguém.
Se era para sofrer desta maneira, ele preferia não tê-la reencontrado. Desejou nunca ter se apaixonado. Amor só servia para fazer as pessoas sofrerem. Não queria mais amar. Agora seria difícil viver como antes. Ainda mais depois de ter experimentado a sensação de amar e ser correspondido.
— Não, não diz uma coisa dessas. — disse Margot.
— Não. Digo sim. — disse Fabinho. — Nunca me senti tão...
Margot levantou-se do sofá e aproximou-se do filho.
— Tão vulnerável, tão sensível, morrendo de medo de perder a Giane. — completou Margot. — Quer saber? Ela tá sentindo a mesma coisa.
— Dane-se! Dane-se! Eu não quero sentir isso de novo, não. — disse Fabinho. — De hoje em diante, eu nunca mais vou...
Ouviram batidas na porta. Fabinho achou que podia ser Giane.
— Se for ela, eu não tô! — disse Fabinho. Não queria olhar para Giane.
— Que bobagem. — disse Margot.
— Não. Não tô. — disse Fabinho.
— Que bobagem. — disse Margot, e foi abrir a porta. Era Érico.
— Oi, dona Margot. — disse Érico, e dirigiu-se a Fabinho. — E aí? Com licença.
Érico entrou. Fabinho enxugou os olhos com a mão.
— É... Vem cá, Fabinho, você e a Giane... — disse Érico.
Queria chamar Fabinho para ir ao Cantaí, mas não sabia se ele iria querer ir. Não sabia se Fabinho e Giane haviam conseguido se entender. Fabinho podia não ter ânimo para ir na festa, depois de ter brigado com a namorada.
Fabinho não queria nem falar sobre isso.
— Não, não, por favor, cara, esse assunto não, na boa. — disse Fabinho. — Você vai se meter na minha vida? Você não é o meu pai. Você é o meu sócio.
— Posso falar? Então, tá. — disse Érico. — Hoje o Lucindo, ele vai comemorar a despedida de solteiro dele lá no Cantaí. E eu tava pensando que talvez a gente pudesse aproveitar essa festa pra comemorar a compra da nova sede da Crash Mídia. O que é que você acha?
— Eu acho ótimo. — disse Fabinho.
— Legal. — disse Érico.
— Eu acho ótimo. — disse Fabinho. — Aproveito e desencano e pego um bando de mulher. Beleza.
Fabinho foi ao quarto, trocar de roupa. Margot disse:
— Ai, meu Deus! Érico, não deixa ele fazer besteira, tá?
— Dona Margot, fica tranquila. Isso aí, passa. — disse Érico.
Érico acreditava que Fabinho não falava a sério, era apenas marra dele.
Fabinho foi para o Cantaí junto com Érico e Renata.
— Ai, Érico, você acha que mulher é bem-vinda? — perguntou Renata.
— Lógico, Rê, fica tranquila. — disse Érico, abraçado à Renata. — É uma despedida de solteiro light, sem doideira nenhuma. — dirigiu-se à Lucindo. — Ô Lucindeira, vem aqui.
— Oi, Éricão. — disse Lucindo, aproximando-se e batendo com a mão aberta na de Érico. — E aí, mano? — abraçou-o.
— Vem cá, fala aqui pra Rê que é tranquilo, que é uma despedida de família, que agora você tá fiel. Fala pra ela. — disse Érico, enquanto Fabinho cumprimentava Vinny.
— Não, não, agora eu tô todo trabalhado na seriedade do matrimônio, entendeu, mano?
— Uhum. — disse Renata, assentindo.
— Eu tô caretaço aqui! — disse Lucindo. Dirigiu-se a Fabinho. — E aí, ex-marginal, cadê Giane? — apertou a mão de Fabinho.
— Não sei, cara. Não quero saber também. — disse Fabinho, afastando-se e deixando Lucindo conversando com Renata e Érico.
Além de Lucindo e Vinny, Douglas e Jonas também estavam presentes no Cantaí. Rosemere chegou para trabalhar, e Lucindo a cumprimentou. Xande, que também trabalhava como garçom, apareceu logo atrás dela. Aos poucos, o Cantaí foi se enchendo de gente. Toda a vizinhança estava comemorando a despedida de solteiro de Lucindo (que estava de casamento marcado com Tina), a nova sede da Crash Mídia e a volta de Filipinho, que veio para a vernissage do pai e pretendia ficar no Brasil por duas semanas. Fabinho ficou sozinho, sentado em uma mesa, bebendo cerveja, sem conseguir se animar com a festa. Dali a pouco, Filipinho chegou. E a Mel apareceu também.
— Fabinho! Saudade! — disse Mel, aproximando-se.
Fabinho não queria saber da Mel, pois estava na cara que ela resolveu se aproximar dele porque soube que ele ficou rico. Era óbvio que agora que o pai dela faliu, ela iria querer dar o golpe do baú em algum playboy milionário. Certamente, ela soube que ele estava sozinho, na maior fossa e estava querendo se aproveitar de sua fragilidade e vulnerabilidade. Mel não valia nada mesmo. Ela o chutou quando ele estava na pior, agora que ele estava por cima, ela resolveu se aproximar. Além do mais, Fabinho queria mais era ficar sozinho. Não queria papo com ninguém. Muito menos com a Mel, que não tinha assunto nenhum. Ele nunca gostou da Mel. Ele a enxergava como troféu, como escada, por isso saiu com ela naquela época. Contudo, ele agora estava em outra, ele havia mudado muito e só queria saber de uma certa garota. Se Mel achava que tinha alguma chance de reconquistá-lo, estava enganada. Ela nunca chegou nem chegaria aos pés de Giane. Nenhuma mulher chegaria. Não tinha jeito mesmo. Ele falou em pegar tudo quanto é mulher, mas falou da boca para fora. No fundo, sabia que não conseguiria esquecer Giane. Mesmo agora, não conseguia tirá-la da cabeça. Mesmo se ele resolvesse usar mulheres para esquecer Giane, não iria adiantar de nada. Continuava louco por Giane. Era mais forte que ele. Por isso resolveu nem tentar. Só queria ficar sozinho.
— Sai! Sai! Sai! Sai! Sai! Na boa. — disse Fabinho.
— Nossa, que coincidência, a gente se encontrar por aqui. — disse Mel, sentando-se na cadeira, em frente a ele.
— Tá. Tá. Tá. Tá. Tá. Na boa, vai, embora, por favor. — disse Fabinho.
— Nossa, gente! Um cara tão sexy, tão rico que nem você, todo revoltadinho. — disse Mel, passando o dedo na ponta do nariz dele. — O quê que foi? Tá na pior, é? Se quiser ó, a cordinha do meu biquíni te puxa da lama.
Fabinho não deu bola para Mel, e ela logo foi dar em cima de Douglas. Fabinho ficou sozinho, pensando em Giane, em como a amava e não queria perdê-la. Para ele, Giane não era apenas uma namorada. Ela era tudo para ele. Ela era sua única amiga, sua amante, a única mulher que gostou dele de verdade. Giane era a única pessoa que realmente o enxergou, que o conhecia melhor do que ninguém, que viu o seu lado mais obscuro e ainda assim decidiu ficar. Ela o aceitava mesmo com todos os seus defeitos e seu passado conturbado. Ele se deu conta agora do quanto foi estúpido. Ele a amava como nunca amou ninguém na vida e sempre a amaria.
Logo apareceu a tal da Gládis do Cabuçu, no palco, cantando e dançando funk. Tina apareceu, vestida de noiva, junto com a Bárbara, e ao ver Gládis, ficou possessa. Tina e Gládis se atracaram. Gládis rasgou o vestido da Tina. Jonas, Douglas e Vinny seguraram Tina, impedindo-a de partir para cima de Gládis, que continuou provocando-a. Vinny levou Gládis para casa, pois sabia que era na verdade mãe dele. Jonas e Douglas seguraram Tina, impedindo-a de correr atrás de Gládis. Lucindo acabou saindo do Cantaí, carregando Tina. Bárbara permaneceu no bar. Aproximou-se de Fabinho e colocou a mão no ombro dele:
— E você, hein? — disse Bárbara, e Fabinho tirou a mão dela do ombro. Não queria que Bárbara tocasse nele, não queria olhar para a cara dela.
Porém, Bárbara sentou-se na cadeira à sua frente.
— Curtindo o bode pela traição da Giane? — perguntou Bárbara.
— Limpa a boca pra falar dela! — disse Fabinho.
— Ah, quanta rispidez! — disse Bárbara, e viu que Giane chegou neste exato momento. Fabinho ainda não a viu.
Bárbara resolveu armar para fazer Fabinho e Giane brigarem, mais uma vez. Viu que Mel estava ali por perto. Sabia que Fabinho e Mel haviam tido um caso no passado, e agora que Wilson faliu, Mel devia estar à caça de um milionário.
— Por quê que você não consola o pobrezinho, Mel? Hum? — disse Bárbara para Mel, apontando para Giane e em seguida para Fabinho.
Mel olhou para Fabinho, em seguida para Giane, e entendeu o que Bárbara estava sugerindo. Ela era a maior interessada em separar Giane de Fabinho. Afinal, veio ali para tentar reconquistar Fabinho.
— Ai, é só pra isso que eu vim aqui hoje. — disse Mel, se aproximando de Fabinho. Bárbara se levantou da cadeira.
Mel inclinou-se e tascou um beijo em Fabinho, que a empurrou na hora.
— Tá louca? — disse Fabinho, levantando-se da mesa.
— Ai, que grosso! — reclamou Mel.
Bárbara foi logo cumprimentando Giane:
— Giane, você por aqui! — disse Bárbara, aproximando-se dela. Foi quando Fabinho percebeu a presença de Giane.
— Ô Giane, a mina se jogou pro Fabinho ali, eu vi! — disse Douglas, apontando para Mel. Ele e Jonas estavam por perto e viram tudo.
— É. E foi a Bárbara que mandou. A gente tá de prova. — disse Jonas.
Giane foi andando em direção a Mel, fervendo de raiva por dentro.
— Dá licença aqui! — disse Giane, empurrando Fabinho. Dirigiu-se a Mel. — Sua ordinária! — deu um tabefe na cara dela.
— Ai! — gritou Mel.
Uma cliente, sentada em uma das mesas, abriu a boca, espantada, ao ver o tapa que Mel levou.
Giane resolveu ir embora.
— Giane, Giane! Calma aí! — disse Fabinho, indo atrás dela. Passou por Jonas e Douglas. — Valeu, galera. Obrigado.
Fabinho resolveu falar com ela. Não podia deixar Giane pensar que ele estava com a Mel. Ele disse que não iria rastejar atrás dela, que iria pegar um bando de mulher, mas foi da boca para fora. Será que ela acreditou no Douglas e no Jonas, quando eles falaram que a Mel o agarrou e que foi tudo uma armação da Bárbara? Nunca se sabia o que se passava na cabeça de uma mulher. Por que ela saiu correndo? Será que ela continuava brava com ele? Fabinho não estava entendendo nada. Ele não teve culpa.
Giane saiu foi andando na frente, com Fabinho em seu encalço.
— Giane! Giane, calma aí!
Porém, a garota não parou. Fabinho disse, atrás dela:
— Você não pode me ouvir um segundo, Giane? Você sabe muito bem que eu falei que ia pegar um bando de mulher pra te fazer ciúmes, né? A Mel me agarrou! Giane...
Giane parou e virou-se.
— O Jonas e o Douglas confirmaram, você viu. — disse Fabinho.
— A Mel te agarrou, eu vi. — disse Giane.
— Então, por quê que você tá de frescura?
— Não é frescura. É que a gente é muito esquentado. A gente ia acabar brigando muito. Acho que não ia dar certo. Também agora você tá aí rico, as mulheres vão ficar em cima e fazendo intriga. — disse Giane.
— Calma aí, isso não é você. O quê que foi, Giane? Você vai terminar comigo por causa daquelas coisas que eu te falei na frente do Caio?
— Não. Ali, eu devia ter dado um soco na sua cara, por você me comparar com a Amora e dizer que eu tava interessada na sua grana. — disse Giane.
— Desculpa. Mas não termina comigo. — implorou Fabinho.
— Não, não terminar assim. A gente... A gente podia dar um tempo.
— Não, tempo não. Não sou homem de dar tempo. — disse Fabinho.
— Tá vendo? A gente já vai discutir de novo. Eu vou... Eu vou pra casa. — disse Giane, passando a mão no cabelo. — Não vou... Não vou ficar batendo boca com você.
A garota foi embora, deixando Fabinho chateado. No dia seguinte, Fabinho arrumou-se, botou o melhor terno para ir ao casamento da Tina e do Lucindo, que seria realizado na Para Sempre. Érico e Renata também foram. A festa estava cheia de fotógrafos, de repórteres, pois Tina era uma celebridade. Trabalhava no seriado Família Calabresa. Ao chegar à Para Sempre, Fabinho cruzou com Giane, que o ignorou. Fabinho reclamou com Érico e Renata:
— A Giane tá fazendo o maior jogo duro comigo.
— Ih, não liga, não. Isso é birrinha feminina. — disse Renata. O celular dela tocou. — Gente, só um segundo. Peraí. — afastou-se.
— Relaxa, Fabinho. Daqui a pouco vocês estão bem. — disse Érico. Sueli Pedrosa e o cameramen se aproximaram de Fabinho.
— Opa! — disse Sueli. — Se o herdeiro do Plínio Campana compareceu, é porque o casamento é muito prestigiado, né?
— É? Fala comigo, não. Vai pastar, que você lucra mais. — disse Fabinho. Estava de mau humor porque Giane o ignorou, estava fazendo jogo duro com ele e o idiota do Caio estava sempre atrás dela.
— Grosso. — disse Sueli. Sueli aproximou-se de Giane.
— Pelo visto, você e ele não estão nada bem, né, Giane? — perguntou Sueli.
— Ah, vai te catar! — disse Giane, retirando-se. Caio foi atrás dela.
Meia hora depois, Fabinho não tirava os olhos de Giane, e ela também olhava para ele, enquanto conversava com Karmita. Dali a algum tempo, Bárbara apareceu e anunciou:
— Senhoras e senhores convidados, a noiva chegou!
Douglas chamou Lucindo até o altar. Deu para ver que Lucindo não estava animado por se casar com Tina. Tina deixou-se ser fotografada.
— Isso! Me fotografa, vai, vai lá! Vai lá! Me fotografa. — disse Tina. — Hoje é o dia mais feliz da minha vida, gente! Eu quero muita foto, eu quero muito flash! Passei até protetor solar, vai.
Tina gritou ao ver Luz, Kevin e Dorothy. Foi cumprimentá-los. Também cumprimentou Érico e aproveitou para dar uma alfinetada em Júlia. Falou com Áurea e Barrabás. Acabou se deparando com Vitinho. Tina não gostou nada de ver Vitinho ali, ao lado de Brunettý. Achou provocação. Bárbara ainda tentou acalmar os ânimos, impedir Tina de brigar com Vitinho e Brunettý. Mas Tina acabou dando um soco no nariz de Brunettý e uma joelhada nas partes íntimas de Vitinho, deixando os convidados boquiabertos. Brunettý e Vitinho foram embora do salão. Foi o maior escândalo. Tina caminhou até o altar e a cerimônia começou. Porém, quando chegou a vez de Tina dizer o sim, ela surtou, gritou que não aceitava e saiu correndo. Serjão até tentou segurá-la, impedi-la de escapar, mas não adiantou. Érico levantou-se da cadeira, dizendo:
— Agora que o circo acabou, vamos embora, que a gente ainda tem uma campanha pra fazer. Vamos, vamos.
— Bela fala. — disse Fabinho, seguindo Érico.
Sílvia, Érico, Fabinho, Jonas e toda a equipe foram embora. Na Crash Mídia, Giane desfilou com várias peças de roupas da coleção. Sílvia disse:
— As peças que vocês viram a Giane usando e essas daqui são da coleção Alto Verão. — disse Sílvia, apontando para as roupas. — Eles se inspiraram nas praias do Pacífico e na floresta tropical. Olha aqui. — começou a dedilhar as roupas nos cabides. — Azul, branco, verde, amarelo.
— São lindas, né? — perguntou Giane, dando olhada em uma blusa. — Cores boas pra usar no calor. Adorei!
— Então pode ficar com esse look já pra você! — disse Sílvia.
— Posso? Queria também uma dessa de renda, tá? — disse Giane, apontando para a blusinha que estava usando.
— O que você quiser. — disse Sílvia.
— Pode ficar, Giane. — disse Érico. — Vem cá, a gente agora tem que pensar nas fotos pro catálogo, tá? E nos modelos masculinos e femininos para um desfile.
— Pelo menos, a melhor modelo ele já tem, né? — disse Fabinho, olhando para Giane, apaixonado.
— Gente, é... Vocês ainda precisam de mim ou já posso ir? — disse Giane.
— Não, querida. Por hoje é só. Pode ir. — disse Sílvia.
— Tá. — disse Giane, sorrindo.
— Bom, eu tô de saída também. Qualquer coisa eu tô no celular, tá? — disse Érico, pegando o paletó.
— Você espera eu me trocar, que eu vou com você. Vou pegar carona. Rapidinho. — disse Giane.
— Tá. — disse Érico, e Giane foi trocar de roupa.
Sílvia percebeu que Fabinho estava chateado por Giane tê-lo ignorado, e resolveu consolá-lo. Assim que Giane saiu, Sílvia abraçou Fabinho e disse:
— Esse trabalho vai aproximar vocês dois.
Fale com o autor