Um amor improvável

61 Fazendo ciúmes


Fabinho estava passando pela Casa Verde, quando viu o carro de Amora na frente da casa de Gilson.

— Carro da cocotinha... — murmurou, passando a mão no carro. Ouviu as vozes alteradas ao fundo. Eram as vozes da Amora e da

Socorro.

— Parece briga. — disse Fabinho.

Acabou entrando na casa de Gilson, e ouviu Amora dizer:

— Uma gorda, uma idiota, uma burra!

Socorro deu um tabefe na cara de Amora. Fabinho riu.

— Ai! Doeu, Amora? — disse Fabinho.

— Cala a boca! — disse Amora, e dirigiu-se a Socorro. — Se prepara, garota! Seu inferno tá só começando.

— Sai daqui, Amora! — disse Socorro. Amora saiu.

— O quê que deu na tua musa? — perguntou Fabinho.

— Me deixa em paz, Fabinho. — disse Socorro, furiosa.

— Gente! Amora! — disse Fabinho, indo atrás de Amora.

Amora estava em frente à casa de Gilson.

— Que é isso, Amora? Tá bolando um plano novo?

Amora virou-se e disse:

— Foi a Socorro que sabotou o bufê e que empurrou a Malu da escada. Agora ela quer me incriminar.

Fabinho não acreditava em Amora. No ponto de vista dele, Amora já mentiu demais, e tinha o costume de cometer crimes e arrumar um bode expiatório. Antes, ela botava a culpa nele, mas desta vez, ela resolveu culpar a Socorro.

— É? Além da fama, você perdeu o juízo? Socorro?

Amora, porém, desta vez era inocente e suspeitava de Socorro. Socorro estava com muito ódio dela, era bem capaz de ter empurrado a Malu da escada e sabotado o bufê para incriminá-la.

— Foi ela! Você não acredita em mim? Justo você que passou pela mesma experiência de ninguém te dar crédito, né?

Porém, Fabinho não acreditava em Amora. Ela já havia aprontado demais, mentido demais. Não seria a primeira vez que ela culpava outra pessoa por seus crimes. Para ele, foi Amora quem cometeu esses crimes e para se safar, fazia da Socorro um bode expiatório. Mesmo que Socorro tivesse sabotado o bufê e empurrado a Malu da escada, certamente ela não agiu sozinha. Tudo o que Socorro fez, foi a pedido da Amora. As duas sempre foram cúmplices. Agora, Amora estava querendo botar toda a culpa na Socorro.

Sim, ele havia passado pela experiência de ninguém dar crédito a ele. Mas ainda assim, ele não tinha pena de Amora. Não conseguia. Ela o fez comer o pão que o diabo amassou. Ele reconhecia seus erros. Mas não virou santo, e por mais que estivesse se esforçando para melhorar, ainda tinha raiva de Amora. Não conseguia evitar. Por culpa dela e da Socorro, ele quase morreu. Amora cometia crimes e botava a culpa nele. Ele quase foi linchado por causa dela. Na hora de adulterar os exames, ela não teve pena dele. Na hora de botar fogo na Toca, mandar pichar, forjar um aborto, culpá-lo por todos esses crimes, na hora de fazê-lo perder o emprego, ela não teve pena dele. Amora fez de tudo para destruí-lo, sem um pingo de remorso. Ainda por cima, ela roubou a vida dele. De certa forma, ela roubou sim, porque fez Bento ocupar o lugar dele. E até então, ela não demonstrou arrependimento por tudo o que fez contra ele. Amora não merecia perdão. Ele não faria nada contra ela, até porque ela já estava acabada. Além do mais, ele já estava em outra. Mas não queria olhar para a cara daquela desgraçada. Ele fez muita coisa errada, armou contra Amora, mas calúnias não eram nada perto de tudo o que ela fez.

— Cocotinha injustiçada, né? Amora, você acha que logo eu vou ter pena de você?

Amora ficou chateada. Nem Fabinho, nem ninguém dava crédito a ela. Ela havia até falado com Wilson. Contou a ele que ela estava recebendo mensagens anônimas de ameaça, e que só podiam ser da mesma pessoa que sabotou o bufê para incriminá-la. Ela propôs que se unissem para descobrir quem estava enviando as mensagens. Porém, Wilson não acre-ditou nela. Nem o Bento acreditou quando ela contou sobre as mensagens. Mas desta vez ela era inocente. Havia parado de aprontar. Não estava mais mentindo, nem armando.

Amora não estava mais suportando. Ela perdeu tudo: perdeu a fama, o prestígio, a carreira de apresentadora, até o Bento perdeu. Muita gente virou as costas para ela. As pessoas estavam com ódio dela. Só restou a irmã e os sobrinhos, que agora eram tudo o que ela tinha de mais precioso.

Ela entendia que não dava para culpar as pessoas por desconfiarem dela, nem por terem raiva, afinal, ela mentiu demais, aprontou demais. Foi cruel. Fez muita gente sofrer. Mas como ela iria conseguir se reerguer, seguir em frente, se ninguém dava crédito a ela? Como reunir forças para lutar? Nem emprego decente ela conseguia. Até conseguiu um emprego como vendedora em uma loja de sapatos, mas logo foi mandada embora, por ser quem era. Ficava desesperada quando pensava no futuro. Se ela fosse para a cadeia, o que seria da Simone e das crianças? Simone estava cada vez mais fraca, debilitada. Precisou ser internada novamente, desta vez, por causa de uma pneumonia. O quadro dela era grave. Precisava de um transplante de medula, urgente.

Amora não queria nem pensar no que iria acontecer se Simone morresse, e ela fosse presa. O que seria das crianças? Como se não bastasse tudo o que ela estava passando, tudo o que ela vinha sofrendo, tendo dificuldades para conseguir um emprego e tendo de cuidar da irmã doente e dos sobrinhos, ainda havia um inimigo oculto que aprontava para incriminá-la, e ainda por cima ficava enviando mensagens para aterrorizá-la. No ponto de vista de Amora, Fabinho podia se colocar um pouco no lugar dela. Ele sabia o que era ser acusado injustamente, levar a culpa por algo que não fez. Mas pelo visto, era pedir demais. Também, não dava para esperar que ele tivesse empatia por ela. Ele foi uma das pessoas que ela mais prejudicou. Mas Amora não conseguia evitar ficar chateada, e a von-tade que tinha era de mandar tudo às favas.

— Vai pro inferno! — disse Amora, indo em direção ao seu carro.

— Pelo visto, quem já tá no inferno é você, né, Amora?

Amora entrou dentro do carro e partiu. Fabinho ficou pensativo. Achou que talvez Amora não tivesse empurrado a Malu da escada. Afinal, Amora era inteligente e esperta demais para deixar cair um anel no local do acidente. Mas se não foi Amora quem empurrou Malu, quem teria sido?

Mais tarde, foi para a casa de Malu, pois sabia que Plínio e Irene também estariam lá. Malu, Irene e Plínio estavam sentados nos sofás da sala.

— Gente, eu andei pensando muito e eu acho que dessa vez a Amora é inocente. — disse Fabinho.

— Ah! Você vai defender a Amora depois de tudo que aconteceu? — perguntou Malu.

Malu continuava revoltada com Amora, por causa de tudo o que ela havia feito. Malu não acreditava que Amora estivesse sendo ameaçada. No ponto de vista de Malu, Amora estava mentindo para se livrar da acusação de ter sabotado o bufê e tê-la empurrado da escada. Malu não conseguia acreditar na Amora. Achava que Amora tentou matá-la. Porém, não havia provas concretas de que Amora tentou empurrá-la. O anel só valeria como prova se tivesse sido encontrado pela perícia. E não seria simples denunciar que alguém tentou matar Malu, depois de tanto tempo. Plínio quase havia contratado um detetive particular para investigar quem teria empurrado Malu da escadaria, mas no meio do turbilhão pelo qual a família estava passando nos últimos tempos, com a história da troca dos exames e tudo, a coisa acabou passando. Plínio achava que ainda dava para correr atrás, mas não queria entregar o caso para a polícia, pois esta história podia cair nos ouvidos da mídia e ele não queria que Malu fosse exposta. A mídia iria fazer sensacionalismo. Em uma visita à Simone, Malu acabou batendo boca com Amora, que jurou que não era uma assassina, apesar de ter sentido vontade de matá-la algumas vezes. Malu pensou em denunciar Amora, mas desistiu de registrar queixa quando soube que Simone havia piorado. Ficou com pena da Simone e das crianças, não quis trazer mais sofrimento. De qualquer maneira, ela não tinha provas contra Amora.

— Não, não é questão de defender, Malu. Pensa comigo. — disse Fabinho. — Eu acho... Acho muito providencial esse anel ter parado no lugar que te empurraram. Pensa bem, em primeiro lugar: um anel cai fácil assim da mão? Não. E segundo, a Amora é muito malandra pra deixar isso acontecer. Eu tô achando que isso é pista falsa.

— Tá certo, pode ser. — disse Plínio, assentindo. — Pode ser, sim. Bom, olha, eu andei conversando com um conhecido da polícia que tinha me ajudado no documentário sobre crime organizado e agora tá fazendo investigações particulares, e ele me disse que poderia grampear os telefones da Amora. Talvez, isso ajudasse a esclarecer essa história das mensagens.

— Esclareceria também se ela tá envolvida aí nessa sabotagem do bufê do Wilson, pai. — disse Malu.

— Pois é! Só que... Grampear telefone é uma coisa tão imoral... — disse Plínio.

— Que nós não fazemos, né, Plínio? — disse Irene.

— É isso. — disse Plínio.

— Eu acho que realmente o melhor a se fazer é denunciar o que aconteceu pra polícia. — disse Irene. — Até porque o responsável ainda tá solto por aí. Ele pode agir de novo!

— É, mas eu prometi que eu não vou denunciar a Amora. — disse Malu, levantando-se do sofá. — Gente, a Simone tá muito mal e eu acho que ela não merece isso.

— Malu, eu acho que você fez o certo. — disse Fabinho. — Mas eu acho que isso não impede a gente de dar uma pressionada na Socorro. Eu tenho certeza que ela sabe muito mais do que falou.

— Boa noite, gente querida! — disse Madá, entrando neste momento, sendo seguida por Emília, Luz, Kevin e Dorothy.

— Boa noite! — disse Luz.

Plínio e Irene disseram boa noite.

— Boa noite, gente maravilhosa! — disse Madá, passando a mão no rosto de Fabinho. — Coisinha mais bonitinha! Gente, vocês não sabem como foi lindo o casamento do Lucindo com a Damáris.

— Não era Tina? — perguntou Malu, estranhando.

— Era, minha neta querida, mas agora os tempos são modernos. — disse Madá. — Então, assim, se o noivo não gostar da noiva na hora da cerimônia, ele troca. — dirigiu-se a Fabinho, apontando para ele. — Você precisa tomar cuidado com isso, porque se tu continuar bancando o gostosão, o difícil, tu vai perder tua namorada, garoto.

Enquanto Madá falava, Fabinho ria, achando graça.

— Isso mesmo. — disse Malu, apontando para Fabinho. — Faz logo as pazes com a Giane, viu? — sentou-se novamente no sofá.

— É. — disse Irene.

— Você acha que eu não quero? Mas ela é difícil pra caramba. — disse Fabinho.

Horas mais tarde, quando já havia anoitecido, Fabinho foi até a casa de Giane, e levou flores de plástico, que havia comprado. Faria de tudo para voltar com Giane. Ele não via mais sentido em continuar brigado com ela. Afinal, se Giane não confiasse nele, não teria namorado com ele. Ele sabia que agiu como um idiota, um babaca. Foi Giane quem abriu a porta.

— O que é? Você tá me zoando com essas flores aí?

— As flores de verdade morrem muito rápido. — disse Fabinho, entrando e fechando a porta. — Essas aqui são pra vida toda, que nem a gente. Às vezes, tem que tirar o pó só.

— O que você quer, hein? — perguntou Giane.

— Eu quero que você me lembre... — disse Fabinho, largando as flores sobre algum móvel. — Por que é que a gente brigou. Eu não consigo lembrar. Eu só penso em você e em como eu te amo. O resto, eu esqueci.

— Eu posso te lembrar então: porque você é um metido, cretino, grosso, e disse que eu tava interessada no seu dinheiro. Você quer alguma coi-sa mais?

— Quero. Quero, sim. — disse Fabinho, agarrando-a e beijando-a com paixão.

Giane o empurrou, dizendo:

— Fabinho, você não pode me dizer aquele monte de mer...

Fabinho interrompeu-a e a beijou novamente. Giane o empurrou.

— Fabinho, não! Você não pode me falar aquelas coisas e depois... Vir aqui assim...

— Cala a boca. Presta atenção. Presta atenção. — interrompeu Fabinho, abraçando-a. — Eu te amo. Você é a mulher da minha vida. Eu quero casar com você, eu quero ter filho com você. Eu quero... Eu quero ficar com você pra sempre! Eu quero passar de mão dada com você quando você estiver uma velhinha reclamona e rabugenta que você vai ser.

Giane ficou toda derretida e brincou:

— E você não vai ser velho, nem rabugento, nem reclamão, não?

— Cala a boca! — disse Fabinho, e beijou-a longamente.

Continuaram namorando na casa de Giane. Fabinho contou sobre os últimos acontecimentos. Ele passou pela casa do Gilson mais cedo e viu Amora e Socorro brigando. Amora acusou Socorro de ter sabotado o bufê, empurrado a Malu da escada e de querer incriminá-la.

— Foi isso que a Amora disse. E pior é que eu acreditei nela. — disse Fabinho. — Agora, a Socorro sabe muito mais do que tá dizendo pra gente, com certeza.

Fabinho passou a acreditar que talvez Amora não tivesse empurrado a Malu escada abaixo. Amora era inteligente, esperta e malandra demais para ter deixado cair o anel. Podia ser pista falsa.

— Então vamos tirar essa história a limpo. — disse Giane, dando uns tapinhas no joelho dele. — Agora.

Levantaram-se do sofá. Resolveram falar com Socorro.

— Bora! — disse Fabinho.

Foram para a casa de Gilson. Quando chegaram, encontraram Bento, Jonas, Socorro, Salma e Gilson reunidos na sala. Socorro havia dito que Amora andou fazendo acusações contra ela. Bento perguntou se ela havia roubado as chaves do bufê. Socorro negou, e Jonas disse que iria até o chaveiro perguntar se ela havia feito uma cópia das chaves.

— Para, gente! Não é possível que vocês achem mesmo que eu seria capaz de quebrar aqueles brinquedos... — disse Socorro.

— Eu acho que você empurrou a Malu, sim! — disse Fabinho, apontando para Socorro. — Você faria qualquer coisa pra satisfazer a tua musa!

— O que é um empurrãozinho, né? Pra quem trocou dois exames de DNA? — disse Giane.

— Peraí. Trocar exame de DNA não colocou a vida de ninguém em risco. É bem diferente! — disse Socorro.

— Não colocou a vida de ninguém em risco? Eu quase morri por tua culpa. Tu tá louca? — disse Fabinho, revoltado.

— Vai, Socorro, entrega! — disse Giane. — O quê que você sabe que você não tá falando?

— Fala, Socorro, fala! Desembucha! — disse Bento. — É você que tá tocando o terror na Amora pra gente achar que foi ela que fez a sabotagem?

Bento já estava sabendo que Amora andava recebendo mensagens de ameaça. Ela contou, quando ele foi à casa dela ver Simone e as crianças. Bento notou que Simone estava abatida. Ele se ofereceu para ajudar com dinheiro, caso precisassem. Logo Simone precisou ser internada novamente. Simone estava cada vez pior. Ele e Malu foram ao hospital visitar Simone algumas vezes. Bento continuava decepcionado e magoado com Amora, mas ainda se preocupava com ela. Não apenas com Amora, com Simone e as crianças também. Era mais forte do que ele.

Amora jurava que não havia empurrado Malu escada abaixo, nem sabotado o bufê. Ela confessou que havia planejado, que mandou o Bolívar sabotar os brinquedos do bufê, mas suspendeu a ordem quando soube que Simone estava doente, e que Simone e as crianças iriam precisar dela. Amora até mostrou para Bento as mensagens anônimas no celular dela. Implorou que ele a ajudasse, pois ela não sabia o que fazer. Segundo ela, as mensagens só podiam vir de alguém que empurrou a Malu e sabotou o bufê. Porém, Bento não acreditou. Achou que Amora podia ter enviado mensagens para si mesma, para se safar.

Havia a possibilidade de Amora ser inocente desta vez. Mas Amora havia mentido tanto que era difícil acreditar na palavra dela. Bento não conseguia mais confiar na Amora. Agora, Amora passou a suspeitar de Socorro. Mais uma vez, Bento foi ao hospital com Malu ver Simone. Malu foi embora e Bento ficou, passou horas com Simone, até se ofereceu para ficar com as crianças, para Amora passar a noite com a irmã. E Amora falou de suas suspeitas. Bento achou um absurdo Amora botar a culpa na Socorro, mas Amora argumentou que nenhum vizinho a viu sair de casa na manhã do acidente da Malu. Socorro havia saído logo depois da Malu, e não tinha ido trabalhar, ficou pelo bairro. Ela podia ter pego o anel. E ela podia ter feito uma segunda cópia das chaves do bufê. Bento disse para Amora ir à delegacia abrir o jogo, porém ela não podia ficar dando depoimentos na delegacia. Ela tinha que cuidar da Simone e dar atenção para as crianças. Pediu para ele pressionar Socorro ou falar com Gilson. Então Bento deixou as crianças com a Malu e foi até à casa de Gilson. Quando chegou, Gilson, Salma e Jonas estavam interrogando a Socorro, queriam saber o que Amora tinha ido fazer lá mais cedo. Bento não tinha certeza se era mesmo a Socorro quem estava mandando as mensagens para Amora. Era difícil de acreditar no que Amora dizia. Ela podia estar mentindo. Mas era preciso esclarecer esta história, além do mais, Socorro devia saber mais do que falou. Socorro devia estar sabendo das mensagens. Se Amora estava recebendo mensagens de alguém, ou se Amora estava mandando mensagens para si mesma, Socorro devia saber. Além disso, Socorro e Amora romperam. Era bem capaz de Socorro estar fazendo de tudo para prejudicar Amora, para se vingar dela. Era uma possibilidade.

Se era verdade que havia alguém cometendo crimes para prejudicar Amora, então alguma coisa muito grave estava acontecendo. Ninguém sabia quem poderia ser a próxima vítima. E agora todos suspeitavam de que Socorro estava escondendo alguma coisa.

— Não é possível que isso esteja acontecendo comigo. — disse Socorro. — Gente, que pesadelo!

— Ah, Socorro, não dramatiza que ninguém tá acreditando. — disse Giane.

— Fala, Socorro, fala! — disse Fabinho. — Você tentou matar a Malu? Você sabotou o bufê, não foi? É a tua cara, de burra, de idiota, deixar uma prova tão óbvia como o anel.

— Gente, é tudo coisa da Amora. — disse Socorro, furiosa. — Eu não fiz nada. Nada, eu juro!

Socorro saiu da sala.

— Gente, pera aí! — disse Salma. — A Socorro não seria capaz...

— De quê? De cometer um crime, tia Salma? — disse Giane. — Mas ela falsificou dois exames de DNA só pra agradar a Amora.

— E agora, como as duas romperam, é bem capaz sim dela estar querendo fazer isso pra incriminar Amora. — disse Bento.

— Eu acho muito difícil a Amora ter empurrado a Malu. — disse Gilson. — Alguém na rua ia ter visto ela sair da casa.

— Já a Socorro, né? Um monte de gente diz que viu ela zanzando por aí. — disse Giane.

— Não, não, peraí, gente, a tia Salma tem razão. — disse Jonas. — A Socorro, ela é só um capacho. Tudo o que ela fez foi a pedido da Amora. Se ela é realmente a responsável pela sabotagem e pelo atentado, foi Amora que pediu, é óbvio.

— Mas se fosse assim, acho que ela já teria denunciado Amora. — disse Bento.

— Ia se queimar junto com ela? Não, claro que não. — disse Fabinho. Achou que Jonas tinha razão. Pensando melhor, Socorro era capacho da Amora. Todo o mal que Amora fez, teve a colaboração dela. Antes, Fabinho achava que Amora podia ser inocente porque ela era esperta demais para ter deixado cair o anel. Mas se não foi Amora, com certeza foi alguém a mando dela, alguém menos inteligente. Esse alguém podia ser a Socorro. Amora podia ter dado o anel de presente para Socorro. Amora às vezes presenteava Socorro com coisas que não queria mais.

— O fato é que as duas não falaram o que sabem e não vão falar. — disse Giane. — A gente vai ter que descobrir sozinhos.

Algum tempo depois, Giane e Fabinho estavam passeando na rua e namorando. Estavam se beijando, na frente da casa dela, quando Fabinho interrompeu o beijo e disse:

— Agora chega de namorar, vamos embora.

Deu um beijo na testa dela. Só que Giane não estava satisfeita. Agora que se reconciliaram, parecia não querer largá-lo nunca mais.

— Chega? — disse Giane, colocando as mãos sobre os ombros dele. — É na hora que eu mandar. — beijou-o na boca e na bochecha.

— Ah, é? Então fica de joelhos. Quero ver pedir de joelho. Pede joelho. Giane deu um tapinha no ombro dele.

— Vai te catar, Fraldinha. — disse a garota.

— Vai te catar, eu que vou te catar. — disse Fabinho, agarrando-a. De repente, lhe deu uma vontade louca de tomá-la nos braços, amá-la.

— Que é isso? — disse Giane.

— Entra, entra, entra. — disse Fabinho.

Giane abriu o portão e entraram. Acabaram fazendo amor.

No dia seguinte, todos estavam sabendo que Simone estava mal no hospital. Em vez de melhorar, piorava. Precisava urgentemente de um transplante de medula, do contrário, não iria resistir. Todos resolveram fazer o teste para a doação da medula. Como era urgente, o tempo para sair o resultado era rápido, algumas horas. Só que estava difícil de encontrar um doador. Gilson, Salma, Nestor e Odila fizeram o teste e nenhum deles era compatível com Simone. Mas todos estavam dispostos a ajudar. Até porque Bento estava fazendo a maior campanha para doação de medula. Muitos estavam de coração partido por causa das crianças. Se Simone morresse e Amora fosse presa, não sabiam o que seria de André e Mayara. Estava todo mundo aflito por conta da situação. Mas Malu jurou que as crianças não ficariam desamparadas, que ela ajudaria.

Mas apesar de tudo, Fabinho não poderia estar mais feliz. Até porque estava tudo dando certo para ele. Ficou rico, havia se tornado sócio da Crash Mídia, e ele e Giane tinham voltado a namorar. Logo cedo, Giane e Fabinho foram ao shopping. Foram a uma loja de roupas. Giane experimentou várias roupas da coleção que estava representando, de um cliente da Crash Mídia, e Fabinho ajudou-a a escolher. Ao saírem da loja, Fabinho pegou algumas sacolas que Giane carregava e beijou-a.

— Se eu soubesse que você tinha gostado tanto, eu tinha pedido pra Sílvia separar mais algumas peças pra você. — disse Fabinho, e pegou na mão dela.

— Ah, já me deu várias coisas lindas, mas é porque agora eu namoro um Campana. — disse Giane.

— É. — disse Fabinho. Afinal, ele tinha o sangue dos Campana, apesar de continuar assinando Fábio Queiroz.

— Tem que estar sempre bem-arrumada. — disse Giane.

— Você tá sempre linda. — disse Fabinho, e beijou-a. — Inclusive quando você tá disfarçada de maloqueiro.

Para Fabinho, Giane era linda de qualquer jeito. Ela não precisou mudar o visual para chamar a atenção dele. Ela não fazia ideia do quanto o atraía, desde quando a viu na festa de noivado da Amora. Achou-a linda assim que bateu os olhos nela. Mesmo naquele visual de moleque. Porém, na época, ele a detestava, lutava contra a forte atração que sentia e estava obcecado por Amora, ou para ser mais preciso, pelo o que ela representava, que era uma vida de luxo, de conforto e de glamour.

Giane deu um soco amigável no ombro dele. Fabinho sorriu.

— Eu já te falei que você é a mulher da minha vida hoje?

— Hoje não. — disse Giane.

— Hoje não. Você é. — disse Fabinho, e beijou-a novamente. — Te amo.

Abraçou-a.

— Também. — disse Giane, tímida, e Fabinho beijou o rosto dela.

Depois, Giane foi para a Para Sempre. Fabinho foi resolver alguns assuntos, mas combinaram de se encontrar na agência Karmita. Quando chegou na agência, Fabinho viu Caio abraçando Giane:

— Se eu for, você volta a namorar comigo? — perguntou Caio, abraçando-a.

— Ai, meu Deus do céu! — disse Giane, revirando os olhos e desvencilhando-se.

— Ôoo, que palhaçada é essa aí, cara? — perguntou Fabinho. Não gostou nada de ver Caio dando em cima de Giane.

— Calma aí, cara, só tava dando um abraço nela, só isso. — disse Caio, coçando a orelha, nervoso.

— É? — disse Fabinho, ficando ao lado de Giane. — E você acha que eu sou imbecil? Que eu não vi o que você falou pra ela?

Giane quis evitar que Caio e Fabinho brigassem.

— Fabinho, menos. Vamos aproveitar que tá todo mundo aqui e vamos todo mundo... — disse Giane, e bateu as mãos. — Fazer o teste de medula, né?

Fabinho já sabia como colocar Caio no lugar dele. Resolveu fazer ciúmes em Giane. Fabinho tinha certeza do amor de Giane por ele, logo, sabia que a estratégia iria funcionar. Esfregaria na cara do Caio que era dele, Fabinho, que Giane gostava. Caio precisava se tocar de que não tinha chance alguma, que não adiantava insistir.

— Não, depois. Antes eu vou falar com a Vanessa, que é por isso que eu vim aqui. — disse Fabinho, e dirigiu-se à Vanessa, que estava sentada na recepção. — Tudo bem, Vanessa?

— Tudo bem. — disse Vanessa.

— Você já pensou em desfilar? — perguntou Fabinho.

— Eu adoraria. — disse Vanessa.

— Então, eu acho que... — disse Fabinho.

— Então é com a minha agência que você tem que falar. — disse Caio.

— Não, eu não vou falar com você não, porque eu prefiro falar com a Camila, que é mais bonita. — disse Fabinho, e sorriu.

— Você acha que eu vou te deixar sozinho com a Camila? — disse Giane, mordida de ciúmes.

— Vem, não fica com esse cara não. — disse Fabinho, e saiu andando em direção à agência Karmita. Giane o acompanhou.

— Era só o que faltava, hein, Fabinho. — reclamou Giane.