Um amor improvável
20 A fuga de Irene
Irene parou. Fabinho andou até ela. Irene emocionou-se ao ver o filho. Passou as mãos no rosto do rapaz e disse:
— Filho? — Irene passou a mão na bochecha dele, emocionada. — Meu filho!
— Eu fiquei com tanto medo de te perder de novo. — disse Fabinho, emocionado. Abraçou-a. — Por que você não me esperou?
Ele estava sendo sincero. Morria de medo de que a mãe o deixasse.
— Eu achei que você tivesse se arrependido, que não quisesse mais me ver. — disse Irene.
— Eu pedi pra você me esperar. Eu deixei um recado com o garçom. — disse Fabinho. — Eu tentei te ligar, também.
— Não, o meu celular quebrou e eu também fiquei sem o seu número.
— Eu sonhei tanto com esse encontro. — disse Fabinho, emocionado. — A vida devia isso pra gente, né? — deu mais um abraço na mãe. — Sinto que agora eu vou ser feliz. Agora, tudo vai dar certo pra mim.
Fabinho estava realmente feliz por ter encontrado sua mãe. Já gostava dela. Era tão doce. Finalmente encontrou sua mãe, seu pai, sua família. Em breve teria um lar de verdade, e ainda seria rico. Ele teria a vida que sempre mereceu, e que estava destinada a ser dele. Porém, Fabinho estranhava a reação da mãe. Esperava vê-la mais alegre.
— Você não está feliz em me encontrar? — perguntou Fabinho.
— Estou. Claro que eu estou, meu filho! — disse Irene. — Claro que eu estou feliz. Mas é que é tudo tão inesperado. Eu nunca pensei que eu fosse te encontrar assim, tão... Tão amoroso, tão desarmado. Eu sempre pensei que você tivesse muita mágoa, muita raiva.
Irene achava que o filho não iria querer vê-la nem pintada de ouro. Para ela era uma surpresa, achava até estranho o filho estar tratando-a tão bem. Fabinho teria razões de sobra para ficar revoltado com ela.
— Alegria! Tudo o que eu estou sentindo é alegria. — disse Fabinho. — O que importa o passado? O que importa é que a gente está junto, né?
Fabinho estava realmente feliz em encontrar a mãe. Sempre quis encontrar a mãe, e não era apenas pelo dinheiro. Procurava não ter raiva de Irene, e sim da Bárbara. Até porque acreditava que Irene não o teria abandonado se não fosse pela armação da Bárbara. Ele não queria guardar mágoa e rancor de Irene, porque o que importava era ter a mãe de volta. O que ele mais queria era ter o carinho e o amor da mãe biológica, que era o que mais lhe fez falta em todos os anos em que viveu no lar. Fabinho queria ter de volta tudo o que a vida havia tirado dele: o pai, a mãe e a fortuna. O passado para ele importava. Jamais iria esquecer o que Bárbara fez. O que era daquela perua estava guardado. Na hora certa se vingaria dela. Acabaria com a vida daquela desgraçada. Para ele não importava se era mãe da Malu. Até porque aquela megera não se importava com a filha de sangue, nem com ninguém. Bárbara merecia levar uma lição.
Irene balançou a cabeça positivamente e deu um abraço no filho. Foram ao restaurante, e Irene contou ao filho toda a sua história. Fugiu porque flagrou Plínio na cama com a Bárbara, dias depois de Plínio tê-la pedido em casamento. Irene achou que Plínio e Bárbara estavam tendo um caso secreto. Plínio vivia rodeado de atrizes que se ofereciam a ele para conseguir um papel de destaque.
Irene ficou em choque, sem reação, ao flagrar a traição. Em vez de enfrentar a Bárbara, armar um escândalo, saiu correndo do local. Já estava grávida, havia acabado de descobrir a gravidez, e foi dar a notícia a Plínio quando o viu com Bárbara. Ela sumiu sem dizer nada, nem a Plínio nem a ninguém, e sem dizer aonde ia. Deixou apenas um bilhete para Plínio não procurá-la nunca mais. Tomou rumo ignorado por todo mundo.
Ela entrou em crise, e ficou em depressão durante toda a gravidez. Após o parto, piorou. Não procurou Plínio, pois ele já estava casado com a Bárbara e ela já estava grávida de Malu. O que para Irene era a confirmação de que Plínio a havia traído mesmo. Como não tinha condições de criar o filho, e não tinha com quem deixar a criança, por não ter família, ninguém no mundo, Irene acabou deixando o bebê no lar do Gilson.
Ficou anos internada na ala psiquiátrica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Quando ganhou alta, mal tinha condições de sustentar a si própria, quanto mais uma criança. Até no banco da praça dormiu. Por isso Irene não procurou o filho. Ela não procurou emprego formal porque precisou se esconder, não queria ser reconhecida e não podia ficar muito tempo num mesmo lugar. Desde então, vivia sempre reclusa, sempre se escondendo, fazendo de tudo para não ser reconhecida, pois era uma famosa atriz de teatro, ex-noiva de um cineasta. Cada vez que era reconhecida, dava um jeito de fugir novamente, se esconder. Já morou em vários lugares, até mesmo fora de São Paulo. Mas já fazia tanto tempo que poucas pessoas agora a reconheciam na rua. Além do mais, ela trabalhava como estátua viva, e isso a tornava irreconhecível. Ela se vestia de personagens, se fantasiava, se maquiava, pintava o corpo todo e ficava horas parada. Ainda saía uma ou outra foto dela nas revistas, mas eram fotos muito antigas, de quando ela era jovem. Hoje ela estava diferente, bem mais velha. Nunca mais apareceu na mídia, nem em lugar nenhum onde pudesse cruzar com pessoas famosas. Há muitos anos que ela deu fim à carreira.
Ao ouvir toda a história de Irene, de tudo o que ela passou, Fabinho ficou ainda mais revoltado contra Bárbara. Além do mais, ele não se sentia bem em ouvir a história de como foi abandonado. Porém, disfarçou. Irene ficaria chocada se soubesse que havia dentro dele tanto ódio contra a víbora. Ele não demonstrou estar comovido com o sofrimento de Irene. Por mais que esta história o tenha afetado, não demonstrou. Esforçava-se ao máximo para não demonstrar fraqueza. Não gostava de mostrar seu lado sensível, não queria que ninguém o visse vulnerável. Jamais iria chorar como um bezerro desmamado, até porque não era do feitio dele. Desde cedo, aprendeu que precisava ser durão para sobreviver. Além disso, na última vez em que ele demonstrou sentimento, ele havia sido humilhado.
— Tem uma coisa que eu quero te mostrar. — disse Irene.
Ela tirou um colar que estava pendurado em seu pescoço. No colar havia um medalhão, com uma foto do filho recém-nascido. Mostrou a foto ao rapaz.
— É você, recém-nascido. — disse Irene. — Não teve uma noite que eu não rezasse por você antes de dormir, segurando esse medalhão com todo o meu amor.
— É lindo! — disse Fabinho. Entregou o colar para a mãe. — Eu também quero te mostrar uma coisa.
Irene colocou o colar de volta no pescoço. Fabinho pegou o anel do bolso da jaqueta e mostrou a ela. Era o anel de esmeralda. Irene surpreendeu-se.
— É o meu anel? Mas eu disse que era pra ele pagar os seus estudos.
Ela não imaginava que Fabinho pudesse ter o anel. Achava que o anel tinha sido vendido para custear os estudos dele. Acreditava que Fabinho nem tinha visto o anel na vida.
— É, mas o tio Gilson guardou e entregou pra minha mãe adotiva. — disse Fabinho. — Ela me deu quando eu fiz 18 anos. Eu sempre soube que você era a peça fundamental... Na minha história. E eu tava certo. Um dia, vendo uma revista com uma reportagem sobre a família da Amora Campana, eu vi uma foto, uma foto do Plínio Campana... — pegou o celular e procurou pela foto. Mostrou a foto a ela. — Dando esse anel pra uma bela e jovem atriz.
— E você concluiu... — disse Irene.
Tantos anos haviam se passado, desde quando ela tirou aquela foto com Plínio, usando o anel. Era doloroso demais para ela lembrar. Por muito tempo, Irene nem quis ouvir falar de Plínio e Bárbara, nem saber de mais nada além do que já sabia: que ele havia casado com a Bárbara e tido uma filha com ela. Doía demais. Por isso ela não assistia a programas de celebridades, nem lia revistas de fofoca, nem acessava sites ou blogs sobre famosos. Irene nunca se interessou em ficar fuçando a vida alheia, muito menos a vida do Plínio com a Bárbara. Era um assunto muito delicado para ela. Às vezes ela ouvia uma coisa ou outra sobre Bárbara ou Amora, as pessoas comentavam, e ela disfarçava. Às vezes ela olhava capas de revistas nos estabelecimentos comerciais. Bárbara adorava aparecer ao lado dos filhos adotivos, para posar de mãe extremada. E trocava de marido como quem trocava de roupa. Mas não passava disso. Irene jamais se aprofundava quando o assunto era Bárbara Ellen. Por esta razão, Irene não reconheceu Malu quando esteve com ela no hospital. Além de Malu ser discreta e não aparecer muito na mídia, Irene não assistia ao Luxury, não se interessava pela vida de Bárbara Ellen, nem pela família dela. Irene nem estava sabendo que havia saído uma fotografia dela com Plínio, em uma reportagem sobre a família da Amora Campana.
Irene chegou à conclusão de que Odila realmente não contou para Fabinho quem era a mãe dele. Senão ele teria dito que foi Odila quem contou. Mas ele descobriu de outra maneira. Odila certamente não contou porque ela, Irene, pediu para não falar nada nem para Fabinho, nem para ninguém. Não adiantaria Fabinho ir atrás dela. Ela estava doente, internada em um hospital. Ela não tinha como sustentá-lo, não tinha nenhum parente com quem deixá-lo e não podia dar esperanças a ele.
Além disso, Fabinho iria querer saber quem era o pai, e ela não queria contar. Primeiro que Plínio nem sabia da existência do filho. Segundo, a história dela com Plínio acabara de um jeito horrível. Terceiro, entregar o garoto a Plínio estava fora de cogitação. Na época Plínio estava casado com a Bárbara. Irene tinha consciência de que seria um escândalo se ela reaparecesse com um filho do Plínio, e Irene não queria que ela e o filho fossem expostos. Ela estava muito frágil e não queria enfrentar Plínio e Bárbara, nem a mídia.
Irene não queria que a mídia explorasse sua vida pessoal. Irene nem contou para Odila quem era o pai do garoto, assim nem Odila nem ninguém iria atrás de Plínio. Claro que Odila podia presumir quem seria o pai da criança. Afinal, Irene não havia tido muitos namorados. O país inteiro sabia que ela havia sido noiva do Plínio, era só fazer as contas. Fabinho havia nascido meses depois do término do noivado, já no ano seguinte. Depois do Plínio, ela não teve mais ninguém e ela jamais traiu o Plínio. Mas Odila entendeu que ela não queria falar, que não queria que procurasse o pai da criança e respeitou sua vontade. Tudo o que Fabinho sabia até então era que a mãe havia deixado um anel e um bilhete, e foi por acaso que ele descobriu que a mãe dele era Irene Fiori e o pai era Plínio Campana.
— Que meus pais deviam ser pessoas muito especiais. — disse Fabinho. — E eu tinha que encontrar os dois.
Irene sorriu, emocionada.
— Eu já te falei que quando você era pequeno e ainda vivia no lar do tio Gilson, eu fui lá muitas vezes espiar você?
— Já. — disse Fabinho, sorrindo.
Irene sorriu também. Mas Fabinho estava ansioso para que ele e a mãe encontrassem o pai. Agora, só faltava ir em falar com Plínio. Ele já descobriu tudo o que precisava saber sobre a mãe. Quem sabe assim os pais se acertassem. Fabinho gostaria de que os pais se entendessem e ficassem juntos. Assim, ele teria a família completa, e um lugar de pertencimento. Plínio iria gostar de saber que ele encontrou Irene. Ficaria agradecido. Afinal, há anos Plínio procurava Irene. Quem sabe assim, ele conseguiria conquistar o afeto de Plínio. E Plínio liberaria a grana.
— Mãe... Vamos na casa do meu pai agora? Ele precisa saber que eu sou o seu filho, ele precisa saber que eu te encontrei.
Mas Irene ainda não se sentia preparada para encontrar Plínio. O rapaz queria resolver tudo de uma vez, mas não era tão simples assim.
— Desculpa. — disse Irene, abanando a cabeça. — Desculpa, meu filho, mas eu não posso chegar pro seu pai e dizer: “Oi, esse é o nosso filho que eu nunca te falei”.
— Mas você fala a verdade. Você fala... Você fala que ficou muito doente, que você não teve condições de me criar. Se eu te compreendi por que...
— Porque... Porque a minha história com o seu pai acabou de um jeito horrível. — disse Irene. — Meu filho, eu sumi porque poucos dias depois do seu pai me pedir em casamento, eu surpreendi ele beijando a Bárbara.
— Então é mais um motivo pra gente tirar essa história a limpo. — disse Fabinho. — Eu conheci a Bárbara agora. Ela realmente não presta. — coçou o olho. — Ela acabou de armar uma coisa lá pra separar o meu patrão da mulher dele. Não sei. Ela quer... Quer ficar com ele. A gente tem que fazer alguma coisa, porque, de repente, ela deu esse mesmo golpe em vocês, entendeu?
Ele conhecia bem gente da laia de Bárbara. Gente como ela usava sempre das mesmas estratégias para aplicar golpes.
— Ninguém me falou, meu filho. — disse Irene. — Eu vi os dois. Eu vi. Ninguém me falou.
Fabinho abanou a cabeça.
— Não. Deve ter sido armação, mãe. — disse Fabinho. — E mesmo assim. O melhor jeito de você tirar isso a limpo é você ficar cara a cara com a Bárbara e com o meu pai.
Irene pegou nas mãos do rapaz.
— Eu sei que você quer ver tudo resolvido, tudo esclarecido... Mas eu não tô preparada ainda pra enfrentar o seu pai e a Bárbara. Sua mãe... — suspirou. — A sua mãe não é uma pessoa emocionalmente muito forte.
Ela realmente não estava preparada. Havia encontrado Plínio por acaso, quando foi à Para Sempre encontrar Fabinho. Madá havia dito que Fabinho estaria na Para Sempre, na festa da Karmita Lancaster. Mas Irene fugiu ao ver Plínio. Pegou o primeiro ônibus que apareceu. Simplesmente não conseguiu falar com Plínio. Como poderia encará-lo, depois de tantos anos? Se Plínio soubesse que ela havia tido um filho dele, e nunca lhe dissera nada, ficaria com raiva dela. Além do mais, ela não estava prepa-rada para enfrentar Bárbara, muito menos a mídia. Seria um escândalo, e ela não queria ser exposta. Ela continuava frágil, mesmo depois de tantos anos. Tinha medo de ter uma recaída.
— Mãe, você não tá sozinha. — insistiu Fabinho. — Eu tô com você, mãe. A gente tem que acabar com a vida dessa cachorra.
Irene ficou chocada com a forma como Fabinho se referiu a Bárbara. E ainda mais chocada ao perceber a raiva, o ódio que o filho tinha da Bárbara, a vontade que ele tinha de destruí-la. Ela também tinha muita raiva da Bárbara. Afinal, Bárbara era amiga dela e a traiu. Mas nem passava pela cabeça dela se vingar da Bárbara, dar o troco. Uma coisa era justiça, outra coisa era vingança. Ela não pretendia perder tempo, desperdiçar energia para destruir a Bárbara. Só não queria contato com ela. Tinha raiva e mágoa do Plínio também, não queria olhar para ele. Mas pelo visto, Fabinho parecia ter mais raiva de Bárbara do que ela.
— Que é isso, meu filho? — disse Irene. — Que é isso? Isso é jeito de falar?
— Mãe, cachorra é pouco pra ela! — disse Fabinho, revoltado. — A gente tem que pegar o que é nosso por direito.
— Como assim? O quê que é nosso por direito? — perguntou Irene.
Irene não estava entendendo nada. Será que Fabinho estava se referindo à herança? Odila e Madá já haviam dito que o rapaz era interesseiro. Ela se questionou se o filho se aproximou dela por causa do dinheiro do pai. Será que ele só se interessou em ir atrás da família biológica depois de descobrir que o pai era rico e famoso?
— É a nossa vida. É a nossa vida que ela roubou. Se você ficou doente, mãe, a culpa é dela. Se eu cresci sem pai, é culpa dela também. A gente tem que fazer essa safada pagar por isso. Meu pai tem que saber disso tudo. — disse Fabinho.
Irene entendeu que o ódio que Fabinho parecia ter de Bárbara era por acreditar que ela roubou a vida de luxo que ele achava que merecia. Irene acreditou que Fabinho estava revoltado por causa da herança, não pelo fato de ter sido abandonado. Ele não tinha mágoa dela, de Plínio ou de Bárbara, tinha era raiva por ter vivido na pobreza.
Fabinho, por sua vez, acreditava que se não fosse por Bárbara, ele não teria ido parar naquele lar e não teria ficado doente. Bárbara fez a mãe dele adoecer, e ele adoeceu também. Ele não era maluco assim. Se ele tinha traumas, a culpa era da Bárbara. Se ele teve de fazer de tudo para ser adotado por uma família, para sair do lar, a culpa era da víbora. Por causa da Bárbara, ele cresceu sem amor e longe da família. A vida dele não era para ter virado uma porcaria. Era para ele ter crescido com seus pais, ter tido uma família estruturada, ter sido criado em condições muito melhores, estar desfrutando de tudo do bom e do melhor. Bárbara o privou de tudo: de sua família, sua identidade, da vida que era para ter sido dele. Fabinho sentia que Bárbara tirou tudo dele e queria que ela pagasse.
Irene estava chocada ao ver tanto ódio e ressentimento no rapaz.
— Não, mas você não precisa de mim pra isso. Qualquer teste de DNA vai dizer que o Plínio é seu pai. Por quê que você ainda não falou a verdade pro seu pai?
O rapaz explicou que primeiro queria que o pai o conhecesse e se afeiçoasse a ele. Aí sim contaria toda a verdade e pediria para fazer o exame. Fabinho queria que Plínio se afeiçoasse a ele sem saber que era seu filho. Além do mais, ele sabia que, se contasse tudo a Plínio e pedisse para fazer o exame, Plínio não acreditaria nele. Não acreditaria na história. Plínio não gostava dele, não confiava nele. Até pediu, ou melhor, exigiu que ele se afastasse, ameaçou tomar medidas drásticas. Plínio queria vê-lo longe de sua família. Ele não podia simplesmente bater na porta do pai e contar tudo. Além do mais, Plínio jamais acreditaria que Irene seria capaz de esconder que teve um filho dele durante tantos anos. Era capaz até de pensar que se tratava de um golpe. Era preciso que a própria Irene fosse falar com Plínio. Mas é claro que Fabinho jamais diria a Irene que sua relação com Plínio não era das melhores. Ela iria querer saber o porquê, e Fabinho teria de se explicar, contar tudo o que aprontou. E não queria fazer isso. Não queria que a mãe pensasse mal dele. Já deu para perceber que Irene era uma pessoa íntegra e jamais concordaria com nada do que ele fez. Ele acabou levando a mãe até sua casa. Era um bairro pobre, de classe média, da zona norte de São Paulo. Não era muito longe da Toca do Saci, que ficava na Vila Guilherme. Irene desceu da moto e tirou o capacete.
— Obrigada, meu filho. — disse Irene. — Pela carona e pela aventura.
— É aqui que você mora? — disse Fabinho, olhando em volta, horrorizado.
— É. — disse Irene. — Eu moro naquela casa azul ali. — apontou. — É um pouco afastada, mas a vizinhança é ótima.
Fabinho ficou revoltado ao ver que a mãe vivia em um bairro pobre. Com certeza, ela passava por dificuldades. Sua mãe morava em um muquifo, enquanto a Bárbara morava em uma mansão, e usufruía do dinheiro do pai dele. Bárbara levava uma vida de rainha, se deu bem em cima do sofrimento dele e de Irene. Fabinho não se conformava com isso. Bárbara havia roubado não apenas a vida dele, a vida de Irene também.
— Esse lugar parece uma favela, né? — disse Fabinho. — Como é que alguém pode gostar de morar aqui?
Irene estranhou a reação do rapaz.
— Por quê que você se preocupa tanto com isso? — perguntou Irene. Para ela, o fato de Fabinho desprezar a pobreza não era bom sinal.
— Eu me importo porque você é minha mãe. — disse Fabinho, e estava sendo sincero. — Eu não queria ver você morando num lugar desse, assim, no fim do mundo, sem condições. Você entende por que é importante procurar o meu pai? Porque não é justo. Você merece. Você tem direito a uma vida melhor.
— Você fala de um jeito, meu filho, como se só o dinheiro do seu pai importasse. — disse Irene. Para ela, importava ter um teto, mesmo que não fosse luxuoso. Mas o filho parecia valorizar apenas o luxo. O garoto realmente não gostava de coisas simples.
— Não. Não é isso. Não estou nem aí para o dinheiro. — mentiu Fabinho.
Ele queria ser sincero, franco, mas morria de medo que a mãe o julgasse um interesseiro, então achou que era melhor mentir. Claro que o dinheiro importava. Ele gostava de dinheiro sim, do conforto, da boa vida. Qual o problema? Fabinho não entendia como Irene podia se conformar em viver naquele lugar horrível. Na opinião dele, era um “buraco”. No ponto de vista de Fabinho, não era possível que alguém pudesse gostar de ser pobre. Mas também não era verdade que somente o dinheiro do pai importava. Ele se importava com algumas pessoas. Não podia dizer que ele amava todo mundo, porque não era hipócrita. Ele odiava Bárbara, detestava o Bento e todo o povo da Casa Verde. Mas se importava com sua mãe, de verdade. Não suportava ver a mãe vivendo naquelas condições, quando ela podia estar bem melhor. Mas Irene parecia achar que era um pecado, um crime ele querer o melhor para ela e para si mesmo.
— Não mesmo? Porque, hoje, lá na agência, eu vi você contando um monte de mentiras para uma garota. Dizendo que você era rico, que seus pais eram donos de uma cidade no interior. — disse Irene.
Fabinho achou que talvez tivesse exagerado um pouco ao dizer para Mel que seus pais adotivos eram donos de metade da cidade. Mas só queria impressionar a garota. Queria que a menina o admirasse, gostasse dele. Qual o problema? Mel jamais ficaria com ele se soubesse que na verdade ele era pobre, que sua família adotiva perdeu a fortuna há muito tempo. Infelizmente, ele teve de representar. Mel não gostaria dele pelo o que ele era, e sim pelo o que ele teria a oferecer. O mundo era assim mesmo. E ele precisava mostrar para o mundo que era um vencedor. Precisava se garantir. O herdeiro de um dos mais importantes cineastas brasileiros tinha de ter uma mulher à sua altura. Tinha de ser alguém da alta sociedade, porque o que ele queria era impressionar, mostrar seu valor. Se alguma patricinha ou celebridade o amasse, era porque ele era importante. Se ele não conseguisse nada com Amora, teria a Mel, porque ela com certeza iria querer aparecer nas revistas ao lado do herdeiro do Plínio Campana. Além disso, ele ficava com a Mel na tentativa de esquecer uma certa garota.
— Não, mãe, isso era brincadeira, porque eu estou gostando dessa menina. — disse Fabinho. — E ela é muito deslumbrada com poder, com dinheiro, por isso eu falei isso. Mas eu não ligo pra esse tipo de coisa. Eu ligo para o que é certo.
Infelizmente, Fabinho se via obrigado a fazer aquele discurso chato do otário do Bento. Por isso ele dizia que ele não ligava para dinheiro, que só queria ficar com papai e mamãe, que dinheiro não trazia felicidade, e sabia-se lá mais o que. Fabinho não gostava de mentir para a mãe, de fingir ser quem não era. Queria poder ser ele mesmo. Mas se ele fosse franco, Irene o julgaria um interesseiro, um oportunista e não iria querer vê-lo. Fabinho não suportaria o desprezo da mãe. Ele queria o amor e a aprovação dela.
Irene abaixou a cabeça. Tinha a impressão que o filho dava valor demais ao dinheiro. Ela não estava gostando nada disso. Mais do que isso, a incomodava a frieza do rapaz. Ela havia contado toda a sua história ao filho, e ao contrário do que ela esperava, ele não se sensibilizou, não expressou nenhuma emoção. Também não a acusou nem cobrou nada dela. Ou seja, o garoto parecia não ter raiva ou mágoa dela. Mas também não parecia gostar dela. Ele não tinha amor, ou pelo menos empatia e compaixão por ela. Se gostasse, ou tivesse um mínimo de empatia, ele tentaria entendê-la, se colocar no lugar dela, não ficaria pressionando-a para procurarem Plínio o quanto antes. Era óbvio que ele estava pensando na herança. Além do mais, ela não conseguia tirar da cabeça as coisas horríveis que ouviu sobre ele, tudo o que Madá e Odila disseram.
— Mãe, vamos procurar o meu pai amanhã? — insistiu Fabinho.
— Não. Não, meu filho. — disse Irene. — Pelo amor de Deus, calma! Eu preciso de um tempo.
— Você precisa de mais tempo? — perguntou Fabinho.
Afinal, Irene ficou mais de vinte anos em silêncio. No ponto de vista de Fabinho, já estava mais do que na hora de ela enfrentar. Não podia se esconder para sempre. Ela não estava mais tão doente, há anos que teve alta. Fabinho sabia que não seria fácil para ela, mas de qualquer forma, ele estaria ao lado dela. Ele cuidaria dela. Ela não podia fraquejar à esta altura.
— É. É muita coisa pra digerir. — disse Irene. — Por favor, não me pressiona.
— Tá bem. A gente se fala amanhã. — disse Fabinho.
Fabinho deu um abraço na mãe. Irene deu um beijo no rosto do filho.
— O capacete. — disse o rapaz, pegando o capacete. Irene sorriu e passou as mãos no rosto do filho. Afastou-se, foi andando na frente e virou-se. Acenou para o filho.
— Tchau. — disse Fabinho.
— Tchau. Meu filho. — disse Irene, despedindo-se.
Irene ficou observando o filho subir na moto e partir.
Mais tarde, já no quarto do hotel, Fabinho pensava em uma maneira de fazer Plínio saber de toda a história. Fabinho queria resolver tudo logo, fazer justiça. Fabinho queria que Plínio soubesse que era seu pai, que Bárbara armou para separá-lo de Irene. Queria ver os pais juntos e felizes novamente. Ele e a mãe teriam a vida que sempre mereceram. Ele teria de volta a família que perdeu. Fabinho queria também se vingar da Bárbara, destruí-la, e a melhor maneira era arruinar sua imagem.
Bárbara vivia em função da imagem. A megera vivia se fazendo de boazinha para o país inteiro. Adotou várias crianças para se autopromover, para continuar em evidência, para se fazer de santa. Mas não passava de uma atriz fracassada que vivia das glórias do passado e tentava a todo custo se manter na mídia através dos outros. Se o país inteiro soubesse que Bárbara era na verdade uma víbora, a vida dela estaria arruinada. A melhor maneira era falar com a Sueli Pedrosa, para que ela fosse atrás de Irene e a entrevistasse. Se Irene botasse a boca no trombone, Bárbara estaria acabada e não conseguiria se levantar novamente. Claro que Irene ficaria chateada se soubesse que ele mandou a Sueli Pedrosa até ela. Afinal, como ela mesma disse, não se sentia preparada ainda para enfrentar o Plínio e a Bárbara, muito menos a mídia. Mas Fabinho acreditava que Irene jamais ficaria sabendo que tinha sido ele a dedurá-la. Afinal, apesar de Irene estar tanto tempo afastada da mídia, e de trabalhar como estátua viva, o que a torna irreconhecível para as pessoas, uma ou outra pessoa ainda a reconhecia. Outra pessoa podia mandar a Sueli Pedrosa atrás dela, sem ser necessariamente ter sido ele. Até mesmo algum vizinho podia fazer isso. E mesmo que ela soubesse que foi ele, ela acabaria entendendo assim que a raiva e a mágoa passassem. Quem sabe até o agradeceria. Na opinião de Fabinho, Bárbara merecia ser desmascarada. Por isso, ele decidiu dar um empurrãozinho para que Irene contasse tudo. Se ela não queria contar tudo por bem, contaria por mal. Não que ele desgostasse de Irene. Ele não queria ter de pressioná-la. E não gostava da ideia de expor sua mãe, mas achava necessário. Para Fabinho, não havia outro jeito. Era preciso dar porrada em quem merecia.
Fabinho pegou a foto de Plínio e Irene e olhou.
— Desculpa, mamãezinha, mas eu já esperei demais. Se você não quer me ajudar, eu vou ter que dar um empurrãozinho.
No dia seguinte, a primeira coisa que ele fez foi ir atrás da Sueli Pedrosa. Ao chegar ao escritório de Sueli, ouviu-a dizer a toda a sua equipe:
— Quem essa rolha de poço pensa que é pra falar comigo desse jeito? Pois eu vou dedicar o programa de hoje e fazer um retrospecto sobre os 1001 escândalos de Bárbara Ellen, tá?
Sueli tentou falar com Bárbara sobre umas fotos dela postadas na internet, onde ela estava acima do peso. Bárbara soltou os cachorros nela. Mas o que não faltava na vida de Bárbara era escândalo. Bárbara fazia de tudo para gerar polêmica e atenção, e assim conseguir se manter na mídia. Ela era daquelas pessoas que viviam em função da fama, e fazia de tudo para aparecer, manter o foco em si mesma. Não era à toa que ela casava e separava frequentemente, e adotou várias crianças.
Já que Sueli estava interessada nos escândalos de Bárbara Ellen, Fabinho concluiu que veio na hora certa. Daria a Sueli o que ela tanto queria.
— E pra abrir a matéria, eu tenho uma ótima história pra você. — disse Fabinho, entrando no escritório.
— Ah, é? E o que minha fonte favorita me conta hoje, hein? — perguntou Sueli.
— Sueli, você lembra da Irene Fiori? Uma que era atriz e era noiva do Plínio, antes da Bárbara?
— Uhum. Aquela que sumiu sem deixar rastro. — disse Sueli.
— Essa mesmo. — disse Fabinho. — Sueli, eu descobri o esconderijo dela. Eu acho que se você der uma boa prensa, ela pode te contar altos podres da Bárbara.
— É? E Irene Fiori faria denúncia? — perguntou Sueli, sentando-se em sua cadeira. — Sim, porque sempre se suspeitou que a Bárbara fosse a culpada pelo fim do noivado entre a Irene e o Plínio. Mas a grande baleia-branca nega isso até hoje, né?
— Olha, isso, eu não sei. — disse Fabinho, cruzando os braços. — Eu sei que a Irene viveu essa história na carne. E eu acho que ela pode te contar tudo e um pouco mais.
— Então, me dá logo esse endereço aí. — pediu Sueli.
Fabinho pegou do bolso um papel, onde havia anotado o endereço de Irene.
— Escuta aqui, me conta uma coisa, bonitinho. — disse Sueli. — Qual é o seu interesse em detonar a Bárbara e a família dela, hein?
— Isso vai ficar pra outro programa. — disse Fabinho, entregando a Sueli o papel com o endereço de Irene. — Vai lá. Arrebenta!
Sueli Pedrosa sorriu, balançando o papel.
Fabinho saiu da emissora já cantando vitória. Tudo daria certo. Irene botaria a boca no trombone, e ele teria tudo o que ele sempre quis: uma família com pai e mãe juntos, uma irmã, e ainda seria rico. Teria a vida que merecia. E a cereja do bolo seria ficar com Amora Campana. Não que ele fosse apaixonado por ela. Apenas a via como a mulher adequada para estar ao seu lado no topo da pirâmide social que almejava. Ficar com Amora também seria uma maneira de atingir Bento, que gostava dela. Tomar Amora de Bento era a vingança perfeita, a prova de que ele era superior e mais merecedor de estar ao lado da maior it girl do país. Amora também seria útil para fazê-lo tirar uma certa garota da cabeça.
Ele resolveu não aparecer mais na agência. Ficaria rico, não precisaria mais trabalhar. Estava tomando café em uma cafeteria quando seu celular tocou.
— Oi, Natan. Não, não. Não tô atrasado, não. Negativo, Natan. Não vou trabalhar hoje, não, cara. Tá um dia muito bonito. Vou ficar dentro de agência? Tá louco? Tá bom, estamos aí. Quer me demitir, fica à vontade. Tá bom, querido. Um abraço. Bom dia, bom trabalho.
Fabinho desligou o celular. Em seguida, falou com o garçom:
— Amigo, o croissant que eu te pedi, se você puder trazer hoje, eu te agradeço. Tem geleia de damasco também? Então traz. Traz, que eu quero ser servido como um rei.
Horas mais tarde, porém, Sueli Pedrosa ligou em seu celular.
— Querido, você me deu o endereço errado! Quem mora aqui é uma tal de Rita. Que, aliás, nem está. Viajou hoje cedo.
Fabinho não entendeu nada. Como assim, Irene viajou? Para onde a mãe teria ido? Ele não podia acreditar nisso.
— Não, mas é a mesma pessoa. — disse Fabinho. — É o nome que a Irene está usando agora.
— Bom, já que ela deu no pé, eu dou a minha missão como encerrada. — disse Sueli. — Já basta o risco que eu estou correndo nesse cafundó miserável!
— Sueli, você tem que fazer alguma coisa! — disse Fabinho. — Descobre pra onde ela foi! Pergunta pros vizinhos, não sei!
Para Fabinho, não era possível que a mãe tivesse ido embora sem se despedir de ninguém, sem dizer aonde ia. Sem falar com ele. Ela parecia se dar bem com os vizinhos. Afinal, ela havia dito que a vizinhança era ótima. Não era possível que ninguém soubesse dela. Sueli disse:
— Ô lindinho, aqui ninguém sabe de nada. E por que você não me dá uma entrevista contando o que você sabe sobre essa tal Irene, hein?
Fabinho desligou o celular na cara de Sueli. Ele sabia tudo o que precisava saber sobre Irene, mas não tinha prova nenhuma, além do anel. O anel não seria prova suficiente. Iria ficar parecendo que ele estava inventando. Ninguém daria crédito a ele, nem o Plínio. O que mais havia por aí era gente querendo dar o golpe, dizendo que era filha de algum figurão famoso. Além do mais, se fosse ele a dar a entrevista, Plínio comeria o fígado dele. Plínio o ameaçou, exigiu que ficasse longe da família dele. Plínio não ia gostar de vê-lo dar entrevista para Sueli Pedrosa, falando de Irene, de Bárbara, de sua família. Plínio o via como vilão, iria achar que ele estava querendo dar o golpe. Plínio também era capaz de achar que ele queria aparecer, causar mais escândalo para atingir a família. Fabinho jamais daria um tiro no próprio pé. Tinha que ser a Irene a botar a boca no trombone. Somente assim Plínio veria que ele e Irene foram vítimas da Bárbara. Mas Irene fugiu, se recusou a falar com Sueli.
Fabinho não sabia como agir. Tudo o que ele queria era desmascarar a Bárbara, acabar com a imagem dela de boa samaritana. Queria também juntar seus pais. Fabinho queria que Plínio soubesse que era seu pai. Ele estava contando com a ajuda de Irene, mas ela foi embora. Ele estava sozinho novamente. O sonho de fazer parte da família, de ter uma vida de luxo, estava difícil de se realizar. Mas ele não era de desistir facilmente.
Natan ligou para ele várias vezes. Fabinho não quis atender. Depois se resolveria com Natan. Primeiro precisava saber o que havia acontecido com Irene. Foi até a casa dela. Ao chegar, encontrou várias crianças na porta da casa, lendo livros. Fabinho não se sentia bem olhando para crianças. Crianças o faziam lembrar de sua infância, do lar adotivo. Mas teria de falar com elas. Não havia saída.
— Me dá aí esse livro. — pedia um garoto para outro. O outro entregou o livro. — Obrigado.
— Oi, galerinha! — perguntou Fabinho, aproximando-se.
— Oi! — disseram as crianças, em coro.
— Tudo bem? — Fabinho perguntou.
— Tudo! — respondeu a criançada.
— Vocês sabem onde está a Rita? — perguntou o rapaz.
— Não. — respondeu a criançada, em uníssono.
Fabinho achou que as crianças sabiam de alguma coisa, mas não que-riam dizer. Com certeza, Irene pediu para não contar. Ele então resolveu subornar as crianças, oferecer alguma coisa em troca.
— Eu vou dar um presentinho bem legal pra quem lembrar aonde ela foi.
— A gente só viu ela fazer a mala e sair pelos fundos. — disse o garoto, o que acabara de pedir o livro ao outro. — E ó, do jeito que ela saiu, ela não vai voltar mais, não.
Fabinho foi embora sem dizer uma palavra. Estava desesperado. Ficou horas andando nas ruas, sem rumo. Nunca imaginou que a mãe desapareceria de novo, sem deixar rastro. Ele tinha certeza de que a mãe iria desmascarar a Bárbara em rede nacional. Fabinho não achava que a mãe fosse tão medrosa, tão covarde. E agora, como provar que era filho do Plínio, sem contar com a ajuda de Irene? Como faria para se aproximar do pai? Tudo havia dado errado. Para Fabinho, era como se a mãe o estivesse abandonando novamente. Justo no momento em que ele mais precisava dela, ela resolvia sumir no mundo, e nem ao menos se despediu dele. Foi embora sem falar com ele. Será que ela não pensava no que estava deixando para trás? O medo dela era maior do que o amor que dizia ter por ele? Que mãe era essa, capaz de deixar para trás o próprio filho?
— Ela não podia ter fugido de novo. Não podia ter feito isso comigo. Desgraçada. Custava alguma coisa me ajudar? E agora? O que eu faço?
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