Um Sussurro nas Trevas
9 A Aliança
ARGENT
Argent estava na metade do caminho para sua casa. Estava fraco demais, sem forças e com dor. A metade do caminho percorrido não foi nada fácil, lembrou de como sua mulher e sua filha morreram.
Em uma noite de quinta, sua esposa Amélia e sua filha Lorena estavam voltando de carro para casa. A lua estava amarelada e cheia, o ar frio daquele dia estava presente nas noites de Argent até os dias de hoje. Estavam voltando do mercado, Argent estava em casa assistindo TV. Entrando em uma rua escura, a mesma que ele entrara neste momento, as duas foram supreendida por um cachorro gigante, que permanecia-se em pé como um humano. A última coisa que Amélia viu, foi os olhos cheio de ódio da fera vindo em direção a elas. Assustada e com o ar de mãe protetora, Amélia havia esquecido de tudo, apenas se lançou em cima de sua filha, que estava no banco de trás. O carro perdeu o controle, bateu em um poste e até hoje procuram pelos corpos.
Armando sabia o que realmente havia acontecido, sabia da existência dessas criaturas. Algumas semanas depois da morte de suas queridas, ele havia procurado pelos corpos delas em um bosque que havia na cidade. Sem sucesso, a única coisa que achou foi o urso de pelúcia de sua filha coberto de sangue.
Aquela lembrança fazia com que Argent tivesse forças para chegar até sua casa. Aquela força não era esperança ou alguma força divina vindo dos céus, como ele achava. Era ódio e vingança. Ele estava disposto a fazer o possível para matar todas aquelas criaturas, aberrações do inferno.
Ele entrou em sua casa, procurou seu remédio de depressão e tomou-o, causado uma corrente de adrenalina. Sua mente estava agindo com fúria e velocidade. Foi até o quarto de sua filha, intacto desde sua morte e procurou o Notebook que ela receberá de presente no natal antes do falecimento. Entrar no quarto causou-lhe um impacto inesperado. Seus olhos encheram-se de lágrimas diante do quarto sem vida é empurrado. Na estante com fotos da família, pegou o aparelho e levou até a sala. A cada segundo no quarto, causa uma dor imensa em seu coração.
Ligou o notebook sem senha desmoronou no choro. No plano de fundo estava uma foto de quando os três foram para o zoológico juntos. O ultimo passeio antes do adeus, os últimos sorrisos antes de tudo não se passar de uma lembrança. A dor que estava sentindo começou a transformar-se em ódio e raiva, a vingança estava deixando deixação acelerado, mesmo ele achando que isso era efeito do remédio.
Começou a pesquisar sobre criaturas da noite, mitos, suas origens e fraquezas. Sabia que metade das dezenas de sites que acessou mantinham informações falsas ou de jogos fictícios. Não sabia como, mas tinha a sensação de tudo o que estava lendo era errado, até achar um fórum de vítimas do mesmo acontecimento que ele. Ali, haviam informações que ele sabia ser corretas. Começou a anotar tudo, fazendo listas do que precisava comprar para o combate, do que precisava conhecer e entender como mito. A infância estava sendo fornada e ninguém poderia impedi-lo.
Depois de anotar tudo o que precisava, ele continuou no fórum, visitando todas as páginas até encontrar comentários de pessoas que passaram por situações semelhantes ou piores que ele. Lendo uma por uma, Argent decidiu que não conseguiria fazer nada sozinho, então escreveu sua experiência e, no final, disse que nada ficaria impune, que a vingança estava por vir.
*
A adrenalina do remédio foi substituído por uma onda de sono. Depois de quatro horas em um sono profundo, Argent acorda assustado e corre visualizar o notebook. Haviam quatro novas mensagens. Ele leu uma por uma, todas tinham algo em comum: quatro pessoas que passaram pelo mesmo e querem vingança.
Vendo essa oportunidade, publicou no mesmo Forum um chamado para uma nova aliança. Ele estava determinado no seu plano vingativo. Na mensagem, havia seu endereço, número de telefone e o horário da reunião: 18 h30 do dia seguinte.
*
William, um homem de meia idade, careca e com um olhar sério, foi o primeiro a chegar. Armando Argent convidou-o para sentar em seu sofá para esperar os outros chegarem, o que não demorou muito. Michel, um jovem que aparentava ter seus 18 anos, chegou e cortou o silêncio da sala. Ele estava empolgado, falando que havia lido livros e livros de combates sobre seres das trevas. Tyler, Rosana e Victoria chegaram no mesmo instante, mantendo o mesmo ar sério que William.
Depois da recepção, todos estavam falando de suas experiências. Estavam faltando dois, Victoria, uma senhora com cabelos curtos e ruivos e Michel. Era a vez do garoto, que levantou todo empolgado.
— Bom, eu não preparei meu personagem tão bem como vocês, mas as habilidades que eu terei são melhores do que as suas. -sua voz era grave e alta, sua energia estava irritando o grupo.
— Personagens? Habilidades? -a voz rouca de William invadiu a sala.
— Sim. -Michel disse confuso.- É uma aliança de RPG para matarmos os outros jogadores que est...
Um tiro chama toda a atenção da noite. Victoria havia pego seu revólver e atirado na cabeça de Michel, sem piedade e dó.
— Não vim para brincar, espero que nenhum de vocês venho com essa intensão. Bom, eu sou caçadora de vampiros desde meus 17 anos. Me casei com Alfred com 20, éramos a família caçadora mais temida da cidade, até que ele é minha filha, também caçadora, morreram em uma missão. Eu estava atrás de uma vampira quando tudo ocorreu. Desde então, eu nunca mais persegui nenhum vampiro. Quando eu vi o comentário do Argent, vi a minha vingança é minha hora de fazer jus às vidas perdidas de meus familiares. -a voz de Victoria não mudou em nenhum momento. Seguiu do começo até o final com um tom frio e impaciente.
Todos na sala haviam esquecido de Michel morto, mas depois de seu discurso, todos sentiram vontade de terem pegos a própria arma e atirado neles. A raiva é o ódio estava sendo alimentado. A esperança é a sede de morte estavam dominando todos.
— Eu tenho armas e sei onde comprar mais. Ensinarei tudo o que sei, mas desta vez não serão apenas os vampiros que estarão ao nosso alcance: serão todos. -finalizou a Victoria.
Motivado, Argente enche o peito, com todo o sentimento de vingança e a sede de justiça, lembra da vez que entrou no quarto de sua falecida filha há um dia. Agora o sentimento dele não era mais dor. Era puro ódio. Então ele disse:
— A partir de hoje, somos uma aliança. Os seres das trevas que se cuidem, pois nos mataremos todos que cruzarem nosso caminho.
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