Um Sonho E Uma Direção
1 Capítulo 1 - Onde tudo começa...
Notas iniciais
Julieta estava atrasada, tinha perdido a hora e tinha apenas dez minutos para fazer e tomar o café da manhã e chegar em sua escola a tempo para que não fosse para a secretaria e ficasse sem assistir a aula. Saiu do quarto rapidamente em direção a sala, onde seu irmão se encontrava deitado preguiçosamente no sofá velho e desgastado com o tempo de uso. Jogou a mochila surrada que usara desde o sexto ano e foi em direção a cozinha apertada onde logo começou a preparar o café, que dentro de alguns minutos estava pronto, pegara algumas bolachas dentro do armário que a porta já não fechava mais e colocara tudo na mesa, seu irmão bebeu e comeu reclamando das bolachas. Após tomarem o misero café da manhã sairam correndo em direção ao Monza antigo do seu irmão. As paisagens ia passando pelos seus olhos, ao chegar na escola fora correndo para a sala de aula, ao abrir a porta desejou voltar ao tempo. Os olhares foram voltados para ela, os risos e os cochichos a criticando e debochando dela a deixavam sem graça, o professor se virou para ela e empurrou delicadamente para fora da sala e fechou a porta bruscamente gritando.
- Da próxima vez chegue cedo!
A garota já sabia o que iria fazer, foi para a coordenação, ao chegar lá estava a mãe da garota que mais a zuava, era dona de algumas fazendas, e de um supermecado na cidade de São Paulo, falava com a diretora sobre um concurso de beleza que estava promovendo na cidade, incluia garotas desde os quatro anos de idade até os vinte e cinco, Julieta escutava de longe fingindo desinteresse, a filha da mulhe, Clara, era modelo, puxara a mãe, arrogante e metida. Na opinião de Julieta, poderiam ir morar na cidade grande e deixar o interior onde tanto humilhavam as pessoas. Após a saída da mulher, levou uma bronca que já era costumeira, e depois foi correndo para a segunda aula que não podia perder.
As horas e aula se passavam lentamente, Julieta não conseguira prestar atenção em mais nada, apenas no concurso de beleza que a mãe da chata da Clara promoveria, provavelmente Clara iria participar. Não poderia perder a chance de humilhar a todos, mais uma chance, desta vez com um pouco mais de vantagem sendo sua mãe, novamente dona de tudo de legal e novo que acontecia na cidadezinha pequena e pobre. O sinal bateu e Julieta fora para a diretoria buscar informações do tal concurso, lhe custaria algum dinheiro, seria díficil consegui-lo mas tentaria.
Chegando em casa pediu para o seu irmão que logo negou, ligou para os pais inutilmente, obtendo a mesma resposta que obteve anteriormente. Disseram que era perca do dinheiro deles. Ela então arrumou o almoço e depois de almoçar lavou as louças do café da manhã e do almoço. Depois tomou banho e vestiu uma de suas melhores roupas que possuia, pegara sua bicicleta e saiu pelas ruas esburacadas da cidade até a lojinha de roupas que ali tinha, chegando lá podia-se avistar dona Maria feliz da vida, Maria Flor, o nome da loja, era a melhor loja de roupas da cidade.
- Olá Julieta, o que deseja mocinha? — Disse dona Maria alegre.
- Oi dona Maria, gostaria de saber se está a procura de alguém pra te ajudar aqui na loja, ou então em sua casa, sabia que faz mau uma pessoa trabalhar muito? — Respondeu Julieta com um leve interesse.
- Sei sim menina, mas não tenho condições de pagar um salário para você, sinto muito menina,
- Não tem problema, estou procurando emprego! Me diga quanto a senhora que me pagar? Saio da escola, almoço e venho direto pra cá, posso sair até as oito horas se quiser.
- Menina, não compensaria para você trabalhar duro e ganhar apenas cinco reais por dia de trabalho, teria que lavar as louças e limpar casa, roupa e passar ainda.
Julieta sabia que não era muito, mas sabia também que não conseguiria mais que isso trabalhando tão pouco, teria de topar o emprego. Trabalharia alguns meses mas no final daria para participar do concurso e pagar os gastos. Sorriu para dona Maria dizendo:
- Começo amanhã tudo bem?
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