Um Sonho E Uma Direção

2 Capítulo 2 - Humilhações? Chega !


Notas iniciais
"Dois meses se passaram e Julieta continua trabalhando na loja de dona Maria, que acabam se tornando mais próximas cada dia mais. Porém a implicância de Clara com Julieta também foi somente aumentando, será que Julieta terá coragem suficiente para chegar em Clara e falar o que pensa ou se calará perante as humilhações e continuará aguentando-as?"

Os dias, semanas, e até meses se passaram rápidos pelos olhos de Julieta, sua vida continuava andando, falava para seu irmão que ajudava dona Maria por apenas se divertir e comer de graça e ainda lucrar vinte e vinco reais por mês, o irmão mais velho por sua vez, tomava quinze dos vinte e cinco que ela falava que ganhava. Passava muitas humilhações na escola, na verdade as humuihações sempre existiram, mas desta vez estavam mais frequentes, constantes e díficeis para uma garota de apenas quinze anos aturar, sozinha, sem família, já que seus pais trabalhavam em uma pequena fazenda que possuiam, seu irmão era um preguiçoso que sempre a humilhava e a tratava como empregada. Não tinha tempo para amigos, sempre estava estudando, os que possuia acabavam tendo de ir trabalhar e largavam a escola. Nunca fora afortunada mas sempre comera, pelo menos o mais barato, mas comera. Estava sentada atrás do balcão pequeno que tinha enquanto a loja estava tranquila, neste horário geralmente dona Maria tirava um cochilo e deixava Julieta cuidando da loja sozinha. Um carro preto parou do outro lado da rua, não era qualquer carro, era o carro mais luxuoso da cidade, mas luxuoso que o do prefeito, de dentro dele saiu do lugar do motorista uma mulher alta e bem cuidada que fora direto ao portão que estacionara na frente. Do lugar do passageiro saira uma jovem bonita vestida de uma roupa de um rosa claro muito bem passada que atravessava a rua com seus sapatos de salto alto pretos, Julieta ficou olhando Clara vir em sua direção, nunca conhecera garota tão metida e insuportável quanto ela. Não se hesitou ao ver a garota ali, era de costume ir na loja por essas horas humilhar Julieta. Ela chegou perto do balcão tirando os óculos escuros que usava e deixando em vista seus olhos parecendo duas jaboticabas brilhando quando o Sol bate nelas, mas brilhavam não pelo Sol e sim pela felicidade de poder humilhar Julieta.

- Que gracinha! A garotinha pobre trabalhando. Sabe, eu quero ser sua amiga?

Julieta realmente ficou surpresa com as palavras que tinham acabado de sair da boca de Clara. A garota realmente queria deixar de lado a rivalidade sem motivo para ser amiga de Julieta, isso era incrivel. Julieta abriu um sorriso entusiasmado e surpreso olhando para os olhos da garota que estava a sua frente.

- Verdade? — Perguntou Julieta.- Não, acreditou mesmo que uma garota de minha classe iria ser amiga de uma pobretona como você? Ouça uma coisa garotinha despresível, seu lugar é aqui trabalhando na loja de roupas como escrava, é esse o seu papel na sociedade — Disse dando risadas e virando as costas deixando a lojinha.

Julieta queria sair dali correndo e se trancar no banheiro e chorar, sozinha sem que ninguém a visse, mas não podia, como pudera acreditar que Clara mudara? Justo ela. Como pudera ser tão inocente assim? Estava vivendo os piores anos de sua vida, nunca fora tão humilhada nos últimos meses na escola, era motivo de zoação por todos, até pessoas que nunca nem falaram com ela. Sentiu uma lágrima escorrendo seu rosto que logo fora impedida de cair com a mão da garota. A porta que dava para a casa de dona Maria fora aberta e ela entrou fazendo com que Julieta escondesse o máximo que pudesse o rosto que logo daria lugar as lágrimas.

- O que houve menina? — Era tarde demais, dona Maria já tinha conhecimento do choro da menina.- Nada nãe, me desculpe eu estava aqui e... estou passando um pouco mau é somente isso, mais nada. — Respondeu torcendo para ela não lhe fazer mais perguntas. Olhando para do outro lado da rua onde Clara ria ironicamente e após entrava no carro.- E aquela garota? A Clara não é? — Perguntou dona Maria.- Não imagina é outra coisa... — Disse Julieta não querendo admitir a verdade.- Sabe garota? Já olhei aquela garota ali quando era pequena, já trabalhei na casa da mãe dela por quase sete anos, e sabe por que sai? Porque não aguentei mais ser humilhada pela minha patroa por ser mais querida pela filha dela que ela que não tinha tempo pra bebezinha. Pedi demissão, não aguentava ser culpada dela ser ignorada pela filha e ela descontar em mim, falei poucas e boas pra ela, nada mais que verdades. Com o dinheiro, montei essa loja que logo logo me deu uma renda boa, aquelas ali tem que saber lidar, compensa uma verdade doida do que o silêncio que irá lhe causar mais dor. Se não quer ajuda, não irei lhe incomodar, pode ir embora que dou conta do serviço por aqui. — Disse dona Maria indo arrumar algumas coisas que tinha acabado de trazer para a loja.- Obrigada, você é como se fosse uma mãe para mim! — Despediu-se Julieta pegando a mochila e indo para casa.

Após alguns minutos de caminhada chegara em sua casa, estava cansada e precisava descansar. Deixou sua mochila em seu quarto, suas tarefas estavam prontas, não queria assistir televisão ou qualquer outra coisa, queria apenas dormir. Tomou um banho e então se deitou na cama dura resultado do tempo que deixara o colchão cheio de buracos. Depois de algum tempo chorando adormeceu profundamente. Mais um dia começava. Julieta pensara muito antes de dormir, acordou mais cedo e fez seu café da manhã e então seu irmão a deixou na porta da escola. Chegando lá fora para a sala, onde teria aula de Inglês, particularmente sua preferida. Clara zoava com a cara de Julieta mas ainda não viera falar com a garota. Após bater o sinal os professores iam chegando na sala e partindo no final de suas aulas, até que o intervalo chegou. Julieta saiu da sala e logo viera Clara debochar da garota, Julieta ficou como sempre ficara, perdida.

- Olha só a garotinha amedrontada que estava chorando ontem, sabe por que? Porque é um monstro que nem os pais dela aguentam tadinha ainda que ser Miss? Não me faça rir. — Disse Clara sorridente debochando de Julieta causando risos em todos em volta, como de costume. Clara ia saindo porém Julieta abriu a boca anunciando o inicio de uma frase.- Sabe, posso até chorar, e estar amedrontada ontem, mas hoje não estou, não sou uma garota que leva a fama de ser popular por ficar com qualquer um desde que seja bonitinho, se você acha que tem fama por ser legal está enganada, e suas amigas não gostam de você, gostam de seus namorados e de seu dinheiro. E outra, com o dinheiro que você tem até um dragão como você fica bonito. Me deixa em paz, nunca te fiz nada, posso até não merecer ganhar mas você também não merece. — Disse saindo rapidamente, sem acreditar no que acabara de dizer, enfrentara o seu própio medo, enfrentara a sua maior inimiga.

Todos se calaram, e o dia continuou calmo sem Clara nem se quer lhe dirigir uma palavra, estava feliz pois Clara estava sentindo na pele o que era você ser humilhada por uma pessoa na frente de todos, o que era você descobrir que a pessoa que tanto humilhou tinha se rebelado contra você. Fora embora do colégio para a lojinha de dona Maria, o restante do dia fora tranquilo,dona Maria não tocara no assunto do dia anterior nem Clara aparecera na loja para humilha-la. Apesar de estar um pouco cansada de trabalhar e estudar muito, Julieta estava feliz pois fizera o que já pretendia fazer a um bom tempo. Depois do concurso, ganhando ou perdendo pretendia continuar trabalhando na loja da dona Maria, que tanto a ajudara como pode nos momentos em que até sua mãe lhe virara as costas. Voltou para a relidade quando uma cliente entrava na loja se levantou e foi até ela atende-la- O que deseja moça?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.