Um Semideus
1 Capítulo 1 - Olá, quer me conhecer?
- Meu nome é James, tenho 12 anos e moro em Nova Jersey com minha mãe. Assim que nasci, meu pai nos abandonou, deixando-me somente um pingente . Levo uma vida difícil e triste. Sempre fui um garoto problemático e com certa dificuldade em aprender, consequência da minha dislexia e déficit de atenção. Minha vida nunca teve sentido, até que tudo de repente mudou...
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Era uma noite de sexta-feira. Faltavam três dias para meu aniversário de 13 anos, e estava correndo tudo perfeitamente bem. Familiares já me davam os parabéns e minha mãe, Emily, preparava-me uma grande festa.
Com tudo indo tão bem, pela primeira vez me senti feliz em toda a minha vida. Sempre fui aquele que se sentava no fundo da classe, o excluído por todos e o burro disléxico. Mas, pelo menos uma vez me senti especial e feliz.
Após um longo dia de estudos, cheguei em casa e percebi como estava tarde.
Ao me deitar, olhei para e janela e, subitamente, um garoto que parecia ser uns 2 anos mais velho que eu, apareceu olhando-me com olhar sério. Tinha cabelos negros, olhos cinzentos e, de algum modo, me parecia muito familiar.
- Olá, — sussurrou — pode abrir aqui para mim?
- Antes, diga-me que é você!
- Sou Mack — respondeu — estudamos na mesma escola, mas não nos vemos muito pelo fato de eu estar algumas séries acima...
Eu me lembrava dele. Era um garoto desajeitado, que andava de um jeito estranho, e que vivia cercado de amigos.
- O que quer aqui? — indaguei.
- Precisamos conversar — respondeu Mack.
Relutante, abri a janela e ele entrou, olhando-me com seriedade.
- James — começou — o que você me diria se eu te falasse que toda a história de mitologia grega que você tanto gosta é real e que existe ainda nos dias de hoje?
- Diria que você é o cara mais mentiroso que já conheci — respondi.
Mack riu.
- Contudo, digo-lhe que tudo isso é verdade, e que você "faz parte" disso.
- Como assim? — perguntei, confuso.
- Sabe por que de seu pai ter deixado-lhe quando nasceu? Porque seu pai é um deus olimpiano, um homem MUITO ocupado e com milhares de filhos.
- Impossível! — exclamei.
Na cara de Mack surgiu uma expressão que parecia ser de impaciência, mas então controlou-se e continuou:
- Vamos...acredite em mim!!! Preciso protegê-lo dos ataques dos montros e...
- Monstros?! Agora você passou de mentiroso para louco! É melhor você ir embora e ter um bom descanso para que esqueça essa história!
Diante de tal loucura, perdi a razão e empurrei-o da janela:
- Doeu? — perguntei.
- Não é óbvio?! — disse, levantando-se.
- Nesse caso... Peço desculpas.
Então fechei a janela bruscamente, apaguei as luzes e fui dormir.
Quisera eu ter um sonho normal... mas afinal, desde quando eu tinha o que queria?!
Estava no meio de uma rua deserta conversando com meu pai, — sim, eu já o tinha visto em fotos que minha mãe me mostrara — e ele disse:
- Filho, está chegando a hora. Você precisará saber priorizar o que é melhor para todos e não só para você.
- Como assim? O que acontecerá?
Ele sorriu.
- Filho... isso é tudo o que posso te dizer nesse momento.
- Mas pai...
- Deixe-me orgulhoso — interrompeu.
Sua forma já ia se desfazendo. Eu queria pelo menos uma conversa (que faça sentido) com meu pai. Mas isso nunca aconteceu, e, pelo visto, nunca acontecerá. Então ele se foi e eu acordei.
Eu realmente estava atrasado. Arrumei-me e saí de casa correndo. Eu havia perdido o ônibus e eu nunca conseguiria chegar a tempo na aula. Até que surgiu um caminhão no final da rua, e, quem é que estava lá dentro?!
- Mack!!! — gritei — Aqui!!!
Então o caminhão parou à minha frente, e a porta se abriu:
- James, — disse — o que você quer?
- Dê-me uma carona à escola?
- Só se prometer ouvir o que tenho a dizer.
- Aquelas loucuras de novo?
- Quer a carona ou não?
- Ah! Está bem!!! — eu disse, relutante.
Então entrei no caminhão e fomos à escola.
- James, vou precisar muito de sua cooperação... Está chegando a hora, e você...
- Por que todos estão me dizendo isso?!
- Como assim? Quem mais disse-lhe isso?
- Ontem à noite, sonhei que estava conversando com meu pai, e ele disse que estava chegando a hora, e queria que eu o deixasse orgulhoso; disse também que eu precisaria saber priorizar o que seria melhor para todos, e não só para mim.
- Entendo... Você sempre se comunicou com seu pai por meio dos seus sonhos? — perguntou.
- Não. Isso vêm acontecendo há alguns dias...e, é estranho. — disse.
Então sua expressão melhorou, como se ele tivesse tido uma ótima ideia. Então disse:
- Agora acredita em mim? Seu pai também está tentando avisar-lhe sobre isso.
Por um momento acreditei, mas algo me fez desviar o pensamento.
- Mas isso pode dizer milhares de coisas! — exclamei.
- James! Não percebe que você está correndo grande perigo, e que estou tentando ajudar-lhe?!
Eu estava confuso...Não sabia ao certo se podia confiar em Mack, ele dizia com tanta convicção que às vezes fazia-me acreditar. Mas, afinal, não o conhecia muito bem, portanto não poderia apostar toda a minha confiança nele.
- Preciso de um tempo para pensar... Agora, por favor, podemos mudar de assunto?!
Ele não respondeu. Estava com uma expressão calma e pensativa, então, decidi ficar calado também. E ficamos em silêncio até chegarmos ao destino.
Ao chegarmos, Mack pareceu assustar-se. Prestei bastante atenção no lugar onde fixava seus olhos. Então vi um grande grupo de alunos novos que se reunia, o que me parecia algo totalmente normal.
- O que foi? — perguntei-o.
- James, precisamos sair daqui... Agora!!!
Então empurrou-me, tentando me fazer correr. Por algum motivo, corri junto a ele, até que entramos na sala de aula, parando.
- Você está correndo um perigo imenso! — disse, ofegante.
- Por quê? Quem são aquelas pessoas e por que elas o amedrontaram tanto?
- Aqueles são monstros, enviados para cá com o intuito de matar-lhe.
- Essa história de novo?! — eu disse. — Preciso de sua total confiança e... — o sinal tocou interrompendo-o — Depois continuamos nossa conversa. Só... tome MUITO cuidado.
Ao chegar na sala de aula, encontrei todo o grupo de alunos novos, que se sentara no fundo da classe, junto de mim e outros burros.
- Olá, qual é o seu nome? — disse um garoto de cabelos e olhos castanhos.
- Sou James. E você, quem é?
- Sou Damián, mas pode me chamar de Dan.
- Então... está gostando da nova escola? — perguntei
- Até que sim. Já me entrosei com alguns alunos, e... sinto que eu e você podemos ser grandes amigos.
Naquele momento, senti-me feliz à bessa. Nunca tive um amigo de verdade, alguém em quem eu pudesse sempre confiar. Escutá-lo dizendo isso, foi um sensação inédita para mim.
- Você me parece muito sincero — falei.
- E sou! — respondeu, sorrindo. — Venha, vou apresentar-lhe alguns dos meus amigos.
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