Um Semideus
2 Capítulo 2 - Lar, doce lar
Damián apresentou-me a alguns dos amigos dele, também novatos. Todos muito engraçados e gentis. Havia um, John, de jeito despreocupado e feliz. Conheci também, Victoria, uma garota de cabelos loiros e olhos esverdeados, e...ela era linda. Ao terminar a aula, Mack corria como um louco, em direção a mim. — James, eles fizeram-lhe alguma coisa? — perguntou, ofegante. — Não! Inclusive, são pessoas muito gentis e não se parecem nem um pouco com monstros. — eu disse, impaciente. Mack pareceu pensar por alguns segundos, e, em seguida, fez uma cara que me parecia ser de desprezo. — Estão tentando aproximar-se de você, para que você confie neles. Mas repito: Tome muito cuidado! — avisou. — Tire essa ideia de sua cabeça! Toda essa história de deuses, monstros e todas essas outras coisas que deixaram-lhe louco , nada disso existe realmente. Sua expressão fechou-se, como se eu tivesse dado-lhe um soco. — Você é realmente muito teimoso! — exclamou. — Você não viu nada... — falei. Então, antes que ele respondesse, saí correndo, deixando-o a falar sozinho. Cheguei em casa, e me joguei na cama. Amanhã seria meu aniversário, e, com certeza, convidaria meus novos amigos. Ao dormir, por incrível que pareça, meu sonho era uma profunda escuridão. Mas... dela vinha uma voz. Que ficava a dizer: — Cuidado, Jason! Cuidado, Jason! Cuidado, Jason! — Quem é que está aí? — indaguei, temeroso. Ninguém respondia. Mas a voz continuava a prevenir-me. Até que um clarão surgiu e eu acordei. — Filho! Filho, acorde! Feliz Aniversário meu bem! Eu estava atordoado, até que percebi que durmi durante, aproximadamente, 14 horas. — Ah... Obrigado mãe... A ansiedade me dominava, mal podia esperar pela minha primeira festa a ser comemorada com amigos. Então, à noite, convidados começavam a chegar. E os primeiros a chegarem foram meus novos amigos (eu não me canso de dizer isso). Por educação eu havia convidado Mack, já que ele sabia do meu aniversário. Mack chegou com uma expressão insegura. Franziu o cenho e disse: — Onde estão seus amigos? — perguntou, nervoso. — Estão ali... — então, apontou para um canto vazio do salão — Onde estão? Estavam ali agora! — Isso não pode ser um bom indício. — disse, com ar misterioso. A festa já estava rolando, e não era o que podíamos chamar de animada. Música clássica tocava ao fundo e familiares estavam nas mesas conversando. Meus amigos haviam sumido e restávamos eu e Mack. De repente, surgiu um monstro bizzaro: um leão alado com uma cabeça de garota. Assustei-me. Percebi que não era o rosto de uma garota qualquer... era o rosto de Victoria. — James, precisamos sair daqui. Agora!!! — disse, entrando em desespero. — O que é aquilo? — perguntei. — É uma Esfinge. Uma criatura grega; um leão alado com cabeça de mulher. — E o que... — Não temos tempo para isso agora! Confie em mim, por favor! Pelo menos uma vez! — disse interrompendo-me. — Só se você me explicar porque "aquilo" tem a face igual à de Victoria. — Venha comigo! Te explicarei no caminho! Então, me convenci e corri junto à Mack. Quando abrimos uma distância mais longa, paramos para descansar e ele começou. — James, presumo que Victoria seja uma de suas amigas novatas. Quando os vimos pela primeira vez, eu disse-lhe que eram monstros e você não acreditou... Agora você acredita?! Victoria na verdade sempre foi a esfinge, mas usava seu disfarçe. E seu amigo, John, era o Minotauro em pessoa. Ou melhor, em criatura. — Mas essas criaturas não existem! — eu disse, enganando-me. — Então o que você viu foi uma miragem?! Não!!! — replicou. — Mas você não tem como provar isso. — Tenho sim! Não disse isso antes para não assustar-lhe. Mas eu sou um sátiro. Uma criatura metade homem, metade bode. E me disfarçei para me passar por um garoto normal. Minha missão é salvá-lo dos montros e levá-lo são e salvo ao Acampamento Meio-Sangue — disse, tirando seu chapéu e suas roupas, mostrando um "belo" corpo de bode. — Cara... Estou ficando louco??? — Não. Isso tudo é real! Acredite! Eram muitas informações para assimilar. — E o que é Acampamento Meio-Sangue? — É um lugar para adolescentes como você. Isso soou com ar de discriminação, pelo fato de eu sofrer de dislexia e déficit de atenção. — Como eu?! — perguntei. — Sim, como você. Adolescentes semideuses. Filhos de algum deus olimpiano. Isso não poderia ser verdade. Essa história de deuses era mitologia, tudo invenção!!! — Vamos nos esconder em algum lugar... Vou tentar comunicar-me com Quíron, ele nos mandará transporte. Senti que o que ele falara era algo de suma importância, então fiz o que disse. Corremos na maior velocidade possível, e, depois de alguns minutos, chegamos. Mortos de cansaço, claro! Ao chegarmos, peguei meu celular e fui ligar para minha mãe. — Não faça isso! Está ficando louco?! — disse Mack, tirando o celular das minhas mãos. — Tenho que ligar para minha mãe! Ela deve estar à beira de um ataque! — reclamei. — Não podemos usar eletrônicos, estaremos aumentando infinitamente a chance de sermos mortos pelos monstros. Eu não entendia. Como um celular poderia interferir na vida de um monstro? Mas achei melhor deixar pra lá. — Mas sem celular, como pretende comunicar-se com esse tal de Quíron?! Não me diga que esses seus chifres vão se comunicar com os chifres dele! — ri. Ele pareceu se abalar com a minha brincadeira. Então disse: — Atráves da mensagem de Íris. E, não. Meus chifres não vão se comunicar com os chifres dele. Além do mais, ele nem possui chifres. — Mensagem de Íris?! — perguntei, confuso. — Sim, mensagem de Íris — repetiu.- É por meio dela que comunicamo-nos com os outros. — Então, envie logo essa tal mensagem. Não quero passar a noite aqui nesse lugar. Era um lugar abandonado. A bons cinquenta anos esse lugar poderia ser habitado. Mas agora era horrível, inabitável. Mack, então, tirou do seu bolso o que parecia uma moeda dourada e saiu andando. — Onde vai? — perguntei — Preciso de algum lugar que contenha água. Vamos, ajude-me a procurar! Então levantei-me e fui à procura de água. Encontrei uma poça, então disse a ele: — Essa poça aqui serve? — Serve! Muito obrigado, vejo que chegaremos mais cedo ao acampamento! — disse, feliz. Então ele recitou algo que parecia-se com um encantamento ou algo do tipo: — Óh Íris, deusa do arco-iris, aceite minha oferenda — disse — mostre-me Quíron, Acampamento Meio Sangue. Então a imagem na poça tremulou, e apareceu um homem, espere...aquilo não era um homem. Era uma "coisa" metade homem metade cavalo! — Quíron? — chamou Mack. — Mack! Que bom que está bem! — disse aquilo. — Quíron, precisamos de transporte para o acampamento. Agora! — disse em tom preocupado. — Sim. O transporte está a caminho. Então, a imagem tremulou e a poça voltou ao normal. — Falaram rápido! — observei. — Sim. É que já estamos acostumados com mensagens de Íris. Ao escutá-lo dizendo isso, me pareceu ser algo totalmente normal mandar mensagens de Íris. Como se o fizesse todos os dias. — E...o que era aquilo? — perguntei. — Aquilo o que? Quíron? Ele é um centauro, e também o instrutor do Acampamento Meio Sangue. Agora você têm que se acostumar a ver seres diferentes. — Sim. Mas espero não passar vergonha perto deles. Então, lembrei-me de minha mãe. Eu não havia a avisado sobre nada. — Preciso falar com minha mãe. — eu disse à Mack. — Meus dracmas acabaram, vai ter que esperar até chegarmos no acampamento. — Dracmas?! — Sim, dracmas. Aquela moeda que usei para mandar a mensagem de Íris era um dracma. Só se pode fazer uma mensagem de Íris se o tiver, e, como não temos, sem mensagens de Íris por hoje. Conversamos por algum tempo, sobre mitologia grega. Até que chegou o nosso transporte: dois cavalos com asas. De acordo com o que Mack me explicara, aqueles são pégasos, cavalos alados. Então, Mack montou-se em um e mandou-me montar em outro. Então me avisou: — Não precisa fazer nada,eles nos levarão ao acampamento. Só tome cuidado para não cair e morrer! Simples! Montamo-nos e os pégasos alçaram vôo. Depois de algum tempo, eu avistava uma grande colina, com um grande campo de morangos. — É ali! — disse Mack, animado. Então os pégasos aterrissaram no topo da colina, e nos topamos com um dragão pendurado num pinheiro. Algo MUITO normal, claro. Passei com cuidado pelo dragão, e à minha frente, estava Quíron,o centauro que vi na poça, e uma garota linda; ela tinha olhos tão azuis como o céu e cabelos negros lisos. — Bem vindo ao Acampamento Meio Sangue — disse Quíron. — O seu mais novo lar — continuou a garota.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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