Um Príncipe em Minha Vida
4 You Know That I Could Use Somebody...
Notas iniciais
Freddie já chegara no Bushwell Plaza, não sem antes receber um grito estridente de Lewbert, o estranho porteiro do prédio, logo quando pisou no lobby. Já no elevador, o PearPhone de Freddie vibrou. Era uma mensagem da Carly.
"Não me esqueci do iCarly de hoje. Talvez eu chegue tarde, mas não vamos deixar de fazer o show. Só avise a Sam pra mim, por favor?
Carly ;)"
Freddie sorriu com a mensagem da garota, mas logo começou a discar o número de Sam. Esperou um toque, dois. No terceiro toque ouviu uma voz que sugeria alguém comendo.
-Alô?
-Sam, sou eu, Freddie.
-Fala, Freddentuço. -Um barulho de algo sendo engolido foi ouvido do outro lado da linha- O que você quer?
-Freddentuço? -Freddie arregalou os olhos e bufou- De onde você tirou esse apelido, hein? Deixa pra lá, me escuta. A Carly me mandou uma mensagem. Ela disse que vai chegar mais tarde, mas a gente ainda vai fazer o webshow.
-Que ótimo. Vou poder ficar mais tempo aqui em casa. Aproveitar que a minha mãe não tá aqui e ficar dançando pela casa toda.
-Você tá sozinha aí?
-Tô, por que?
-Olha, não precisa ficar sozinha aí. Se quiser, pode vir na minha casa. A gente pode ficar de bobeira, sei lá...
-Ficar de bobeira com você, nerd? -Sam riu, fazendo Freddie revirar os olhos- Por que será que isso me parece uma roubada?
-Não é uma roubada, acredite em mim! -Freddie mordeu o lábio enquanto os números do elevador se iluminavam até chegar ao andar dele- Eu posso até te preparar alguma coisa pra você devorar... -Ele soltou um riso tímido.
-Com bastante bacon?
-Não tem bacon em casa, mas tem presunto.
-Ah, serve também... -Sam riu do outro lado da linha antes de ficar calada por alguns segundos- Ok, me convenceu. Estou aí em 10 minutos. É melhor já ter a minha "alguma coisa" com bastante presunto, ouviu? -A garota desligara, sem nem se despedir, mas Freddie ainda estava com o PearPhone na orelha, inconformado com a falta de eduação da amiga.
-Então tá, né? Tchau...
Freddie entrou no apartamento logo depois de destrancar a porta –a mãe dele sempre trancava a porta por questões de segurança, segundo ela. Ele não entendia por que tanta segurança. Eles estavam em Seattle, não em Nova York– e seguia em direção a cozinha pra preparar uma dúzia de sanduíches de presunto para Sam. Geralmente Freddie adorava esse tempo depois que chegava da escola. A mãe dele já estava no hospital àquela hora e ele se sentia menos... Sufocado. Freddie amava a mãe, mas aquela mania de perseguição que ela tinha simplesmente o deixava maluco.
Depois de ter preparado uma montanha de sanduíches de presunto –e comido uns dois deles pelo menos, afinal, ele estava com fome– Freddie subiu pro quarto dele, mas no meio do caminho, ele se deteve. Uma voz vinda do quarto da mãe dele. "Estranho.", pensou Freddie, "Minha mãe já não devia estar no hospital?". Curioso, ele se aproximou da porta do quarto entreaberta e ouviu sua mãe, que parecia estar falando no telefone.
-Eu não posso contar a ele agora... Nós duas prometemos, só quando ele fizesse 18 anos. Ainda faltam três meses pra isso...
Freddie já concluira que sua mãe estava falando dele pra alguém. Seu aniversário de 18 anos seria em três meses. Aquela conversa estava muito estranha...
-Eu sei, eu sei... Não, ele não sabe de nada, e quanto menos ele souber melhor... Eu sei, Majestade, sei que sente muita falta dele, mas isso vai passar logo, você vai ver. Logo Gabriel voltará pra Concordia e devolverá a paz para o reino. Estou contando com isso.
Freddie achava que aquela era de longe, a conversa mais esquisita que ele ouvira. Primeiro, sua mãe estava falando possivelmente com um rei ou uma rainha. Segundo, ela mencionou Concordia, um lugar que vivia ouvindo falar desde que era pequeno. Ele sabia que o pequeno país estava em guerra civil há muito tempo, mas o motivo era totalmente desconhecido dele. A mãe de Freddie ainda mencionara sobre um Gabriel, que retornaria a Concordia. Poderia ser o sucessor da coroa, quem sabe? Mas o mais estranho era que tudo isso tinha alguma coisa a ver com ele. Mas o quê?
-Mãe? -Freddie bateu na porta devagar, surpreendendo a mãe.
-Ahn, eu te ligo depois. Até logo... -Marissa desligou o celular e abraçou Freddie- Olá, filho. O que está fazendo aqui tão cedo? Achei que ia ficar na reunião do Clube AV.
-A reunião de hoje foi cancelada. -Freddie mentiu- Decidi vir pra casa mais cedo. Você não vai trabalhar?
-Eu tô indo agora. -Marissa pegou o sobretudo branco e o colocou- Tem comida congelada na geladeira, se tiver com fome é só colcar no micro-ondas, ok?
-Tá bom, mãe... -Freddie desceu com ela até a sala, onde ele decidiu falar da visita que teria- Ahn, mãe, eu convidei uma amiga pra ficar aqui em casa.
-Que amiga? -Marissa perguntou, olhando os sanduíches de presunto na bancada da cozinha. Ela sabia bem quem era a amiga de Freddie, mas preferiu que ele confirmasse.
-Sam Puckett... -Freddie murmurou.
-Isso explica todos esses sanduíches... -Marissa riu- Tudo bem. Se comportem vocês dois, viu. Diga a Samantha que eu mandei um beijo a ela.
-Tá, tudo bem... -Freddie já guiava a mãe em direção a porta- Tchau mãe.
-Tchau Freddie. Não se esqueça de trancar a porta, sim?
-Tá, mãe... -Freddie acenou com a cabeça antes de trancar a porta.
Minutos depois Freddie estava sentado no sofá assistindo TV, todo a vontade, só com uma calça preta de moletom e uma camiseta listrada branco e azul marinho, quando a campainha tocou. Freddie se levantou e foi ver no olho mágico, mesmo sabendo quem estava lá fora. A cabeça loira de Sam apareceu na lente do olho mágico. Freddie destrancou a porta e escancarou para Sam e teve que se esforçar pra não parecer tão bobo ao olhar pra ela. Ela tinha trocado de roupa, agora tinha mudado aquele estilo meio relaxado pra algo mais fashion, mas com a cara da Sam. A prova disso era a Penny Tee que estava usando.
-E aí, bobalhão. -Sam colocou a mão na cintura- Vai me convidar pra entrar ou não?
-C-c-claro, entre... -Freddie gaguejou um pouco antes de rosnar frustrado e liberar passagem para Sam. "Droga... Benson, o que foi isso, hein?"
-Aaah, sandubas de presunto... -Sam se dirigiu a bancada da cozinha, com os olhos brilhando- Bom garoto, Benson, bom garoto... -Ela deu dois tapinhas na cabeça de Freddie antes de pegar o prato com os sanduíches.
-Sabia que ia gostar.
-E desde quando eu não gosto de presunto, patetão? -Sam pegou um sanduíche do prato e se sentou do lado de Freddie no sofá- O que tá passando na TV?
-Eu não sei. Não tava prestando atenção... -Freddie falou- Eu já ia pro meu quarto e...
-Dormir mais um pouco? -Sam riu enquanto olhava as roupas de Freddie. Até ela concordava que aquelas roupas pareciam mais um pijama de um cara de meia idade deprimido do que uma roupa de um garoto adolescente- Ao não ser que queira fazer o iCarly de pijama, é melhor trocar essa roupa.
-Em primeiro lugar isso não é meu pijama. -Freddie se defendeu- Eu durmo só de cueca... -Ele viu os olhos de Sam se arregalarem enquanto ele sentia o rosto ficar quente. "Que ótimo, falei merda..."- Quer saber, você tá certa. Eu vou me trocar... Er... -Freddie mordeu o lábio, encabulado, antes de correr para o quarto dele.
Freddie voltou, agora com uma calça jeans, um All Star preto e uma camisa azul, e viu Sam mexendo no seu PearPod, toda animada.
-Ei, o que você tá fazendo aí?
-Vendo sua playlist... -Sam falou animada- Não sabia que você tinha tanta música boa assim. Até que pra um nerd você tem bom gosto pra música...
-Bom, valeu... -Freddie olhou pro prato de sanduíches. Só tinham dois ou três sanduíches sobrando, o que o fez pensar pra onde tudo aquilo ia parar.
Ele olhou pra Sam, que ainda mexia em seu PearPod. Ela parecia tão... Garota naquele momento. Ela tinha tirado o cardigã cinza que vestia e deixou no colo. Os cachos loiros caindo suave pelos ombros, emoldurando o rosto delicado, agora tão animado enquanto via as músicas no player. Naquele momento Freddie percebera o quanto Sam tinha crescido. O quanto tinha ficado... Linda.
-Tá olhando o quê, Freddito? -Sam perguntou, percebendo o olhar do garoto na direção dela.
-Nada não. -Freddie respondeu rapidamente, desviando o olhar.
-Eu posso ouvir umas musiquinhas aqui? -Sam balançou o PearPod- A televisão tá um tédio.
-Claro, liga o player aí...
Sam ligou o PearPod de Freddie e logo os dois se pegaram cantando as músicas da playlist, com direito a uma dancinha meio tosca de Freddie quando começou a tocar On The Floor, de Jennifer Lopez, arrancando uma risada alta de Sam. Mas as coisas começaram ficar meio tensas demais quando chegou em uma certa música da playlist.
-Oh, minha nossa, eu amo essa música... -Sam olhou para a telinha do PearPod, os olhos azuis brilhando- Eu tenho que cantar essa... -A loira jogou o player no sofá e começou a vocalizar o "Whoa-oh-oh" do começo da música. Freddie pegou o Pearpod no sofá e viu o nome da música brilhando ali na tela, como um tremendo e brilhante tapa na cara: Use Somebody, do Kings of Leon.
Naquele momento, Freddie começou a se dar conta de duas coisas. A primeira: a Sam cantando era... Algo inacreditável. Ele presenciava um momento raro pra muita gente, um lado da Sam que muitos poucos conheciam. Uma Sam despreocupada, livre, e acima de tudo, maravilhosa. Freddie agora se perguntava como Sam, com tanta beleza, ainda não tinha namorado. A outra coisa que ele tinha se dado conta: o que iria acontecer depois daquele baile? Claro, se tudo desse certo, ele teria Carly como namorada e seria feliz até enquanto durasse, mas e o que seria da Sam depois disso? Ele não queria ser o responsável por um coração partido. Pensou até em desistir do baile, mas Sam parecia feliz em ir ao baile, mesmo que fosse com ele, o Freddnerd. Embora a ideia de usá-la só pra fazer ciúmes para Carly fosse egoísta demais, Freddie decidiu continuar com o plano. Seria melhor levar uma surra da Sam depois do baile do que antes.
A música terminara e Sam tinha parado de dançar e cantar bem na frente de Freddie. Seus olhares se cruzaram e mais uma vez foi como se estivessem se olhando pela primeira vez.
-E então? -Sam perguntou.
-Então o quê? -Freddie rebateu confuso.
-O que achou do meu showzinho? -Sam riu.
-Ah, tá. Foi bem bacana... Eu acho... -Freddie sorriu torto.
-Vou considerar isso um elogio...
Logo depois de Sam e Freddie darem mais uma risada a campainha dos Benson tocara. Freddie foi atender enquanto Sam se sentava no sofá. O garoto dera de cara com Carly, que estava um tanto nervosa.
-Freddie, o que você ainda tá fazendo aqui? Cheguei a uns 10 minutos e nada de você ou da... Sam? -Carly arregalou os olhos ao ver a figura loira e carnívora no sofá dos Benson- O que você tá fazendo aqui?
-A mesma coisa que o nerdão aí. -Sam apontou Freddie com a cabeça- Esperando você chegar, comendo sanduíche de presunto...
-Uau... -Carly se impressionara. Ela sabia que os amigos viviam trocando insultos, então uma cena daquelas era quase rara- Bom, já que tá todo mundo reunido, vamos lá. O iCarly vai começar em 5 minutos! -Carly empurrava Sam e Freddie pra fora do apartamento dos Benson e pra dentro do apartamento dos Shay para gravar o programa.
Lá no estúdio do iCarly, Freddie começava a reparar em mais coisas. Ele tinha ficado todo besta quando tinha visto Sam entrar pela sua porta, com aquele estilo que nunca tinha visto nela antes, enquanto que Carly, com seu mesmo estilo de rockeira descolada, não tinha despertado tanto interesse nele quanto antes. Freddie balançou a cabeça, tentando espantar a nuvem de confusão que pairava sob ele. "É, Benson, esse dia tá bem confuso pra você, não?", pensou enquanto ligava a câmera.
-Ok, e em 5, 4, 3, 2...
-Eu sou Carly...
-E eu sou Sam.
-E esse é o iCarly!
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