Um Príncipe em Minha Vida
5 O Baile da Renascença
Notas iniciais
O sábado chegara meio rápido, cheio de expectativa para os alunos do Ridgeway High. Garotas e garotos experimentavam seus vestidos e ternos pela última vez antes do baile da Renascença. Apesar de ser chamar assim, o uso da roupa de época na festa não era obrigatória, o que poucava uma pagação de mico coletiva.
No apartamento dos Benson, Marissa ajudava Freddie com o terno dele.
-Minha nossa, desde quando você cresceu tanto assim, Freddie? -Marissa perguntava enquanto arrumava a rosa vermelha na lapela do terno dele.
-Ah, não cresci tanto assim, mãe... -Freddie se olhou no espelho, admirando o terno que comprara um dia antes. Ele não queria nada muito formal, por isso não comprou gravata pra usar com o terno e pra completar usou seu All Star preto. A mãe achava aqui o cúmulo ao bom senso, mas não seria ela que ia tirar isso da cabeça de Freddie.
-Ah, cresceu sim. Parece até que foi ontem que você era só um bebezinho fofo. E agora está aqui, em um terno elegante, pronto pra ir ao baile da escola... -Marissa enxugou uma lágrima.
-Mãe, pára com isso. -Freddie abraçou a mãe- Eu ainda sou seu bebezinho fofo, só que mais crescido...
-É bom mesmo... Pronto... -Marissa deu mais uma arrumada na flor da lapela dele antes de se afastar para olhá-lo melhor- Você está oficialmente perfeito. Só falta o corsage da Samantha...
-Que tá bem aqui. -Freddie foi até a cama dele, onde tinha uma caixinha de plástico transparente com uma rosa vermelha idêntica a rosa da lapela dele- Que horas são, mãe?
-7:50. -Marissa checou o relógio de pulso- Você me disse que combinou de pegar a Samantha ás oito, não foi?
-É mesmo. Eu já vou indo mãe... -Freddie pegou as chaves do carro e saiu correndo do quarto, não sem antes dar um beijo na bochecha da mãe- Eu tô com o celular, qualquer coisa eu te ligo...
-Está bem. Divirta-se no baile, filho...
Marissa se sentou na cama de Freddie, vendo o filho sair. Aquilo fez seu coração pesar. Pensar que em três meses Freddie poderia se mudar para Concordia pra cumprir seu destino. Ele não seria mais seu Freddward, ele seria Príncipe Gabriel X, novo governante de Concordia. A rainha tinha ligado pra saber do filho, como ele estava e pra lembrar que o prazo do plano que ela e Marissa fizeram estava acabando. Quando Freddie completasse 18 anos ele saberia de toda a verdade e seria mandado para o treinamento real em Concordia.
"Ah, meu querido," , Marissa pensava enquanto uma lágrima caía dos seus olhos "vai ser difícil viver sem você, filho. Mas o que vai acontecer vai ser bom, acredite."
Freddie já estava parado na frente do prédio onde Sam morava há cinco minutos, e tinha chegado lá cinco minutos antes. Não era de surpreender que Sam estivesse atrasada. Ela sempre se atrasava pra tudo: na escola, nos ensaios do iCarly. Seria um milagre se ela chegasse na hora pra alguma coisa. Pra tentar passar o tempo, Freddie ligou o rádio do carro, mas logo o desligou quando começou a tocar Use Somebody. Ele não queria se sentir mais culpado pelo que estava fazendo com Sam.
-E aí, distraído!
Freddie saltou do banco do carro de susto ao ouvir o som da voz de Sam. Ele abriu o porta-luvas, pegou a caixinha do corsage de Sam e saiu do carro pra ter a maior surpresa daquela noite. Sam estava irreconhecível, de cabelo alisado e uma maquiagem leve. Seu vestido de baile preto ia até um pouco abaixo do joelho, deixando mostrar os sapatos vermelhos de salto alto –o que impressionou Freddie, já que nunca havia a visto usando nada ao não ser All Stars–, mas isso não quer dizer que ainda não tinha um toque da Sam normal: Freddie olhou para os braços de Sam. Ela usava luvas de esqueleto sem dedos.
-O-o-o-o-o... -Freddie perdera a fala. Era incrível como Sam parecia tão linda em um vestido de festa.
-Perdeu a fala, nerd? -Sam empurrou Freddie de brincadeira- Você tá bonitão.
-Valeu Sam. Você também tá... Muito linda...
-Obrigada, Freddie... -Sam corou e ficou calada por um minuto antes de voltar a ser ela mesma- E então, não vai colocar meu corsage?
-Eu posso? -Freddie levantou a caixinha de plástico. Sam sorriu de lado e estendeu o pulso direito. Ele tirou a rosa vermelha da caixa e colocou no pulso dela com o maior cuidado. Sam ficou admirando a rosa no pulso dela e olhou Freddie. Ele a analisava de cima a baixo, mordendo o lábio.
-E-e-então? -Sam gaguejou- Vamos? Estamos perdendo a festa.
-Ok, vamos lá. -Freddie correu para o outro lado do carro para abrir a porta para Sam. Logo o Bentley de Freddie seguia para o Rigdeway High.
Freddie e Sam já estavam na porta do Rigdeway High, todo iluminado e enfeitado. O som do rock explodia pelas janelas do colégio. Sam balançava a cabeça devagar no ritmo da música.
-É, essa festa vai ser boa.
-Concordo. -Freddie entrou na fila das fotos, pronto para tirar sua foto com Sam para o anuário.
Claro, ele nunca imaginava um dia tirar uma foto junto com a loira preguiçosa, mas ele estava isso por um motivo. Um motivo que ele tinha esquecido momentaneamente enquanto ele sorria segurando a mão de Sam, que também sorria, vendo o flash da câmera o cegar por um instante. Quando a visão dele voltou, viu uma garota dourada da cabeça aos pés. Ele não sabia quem era até ver Matthew Carter rindo de alguma coisa que a garota dissera.
-Carly? -Chamou a atenção da garota de dourado, que se virou sorrindo.
-Freddie, Sam! -Carly correu pra abraçar os amigos. Ela estava toda vestida de dourado, no melhor estilo red carpet. No pulso esquerdo, uma rosa cor de champanhe- Minha nossa, vocês dois estão muito fofos. Sam, olha só pra você. O que fez com a minha amiga?
-O que você fez com a minha amiga, esposa da estatueta do Oscar. -Sam retrucou animada.
-Ah, foi ideia do Matt. Ele combinou de virmos de amarelo. Bom, na verdade a única coisa de amarelo nele é a flor da lapela. -Carly já estava no embalo pra falar mais do seu par- Ele disse que pediu pra usar amarelo por que essa cor realça meus olhos.
-Sério? -Freddie voltara a terra e lembrou por um instante o por que de ter convidado Sam para aquele baile, mas naquele momento o plano todo parecia ser inútil. Carly estava feliz por ele e Sam estarem juntos- Bom, eu não acho...
-Nem eu, amiga. Você parece mais que saiu de um ovo, sabe? -Sam riu- Estilo Lady GaGa...
-Sam! -Carly empurrou a amiga de leve antes de voltar para Matthew, que a chamava para a pista de dança.
Sam olhou para Freddie, que parecia meio triste. Também pudera, ele tinha vista sua deusa tão feliz com outro cara. O modo com ela ria, como se deixava ser abraçada por outro cara. Freddie pensava se devia mesmo investir em algo que, talvez nunca desse certo. Sam também estava meio triste. Começava a perceber porque Freddie convidara ela para o baile, mas não ia deixar aquilo estragar a noite dela.
-Anda, Freddoritos, vamos dançar. -Sam puxava Freddie pela mão, indo para a pista de dança.
-O quê, dançar? Você e eu?
-A menos que tenha convidado mais alguém pra vir com você... -Sam sorriu enquanto ouvia a música agitada mudar pra uma música mais lenta. Ela sabia que música era aquela. E Freddie também.
-Darling I Do? -Freddie levantou uma sobrancelha surpresa enquanto ele enlaçava a cintura de Sam e ela cruzava as mãos em seu pescoço.
-Conhece essa? -Sam perguntou enquanto ela e Freddie se mexiam ao som da música.
-Ela tava na playlist do meu Pearpod, você não viu?
-Não. Eu não sabia que você curtia músicas românticas, Freddito.
-Eu só ouço algumas, mas essa é uma das minhas favoritas... -Freddie sorriu enquanto Sam praticamente o abraçava.
-É a minha favorita também... -Sam sussurrou no ouvido de Freddie- Se você contar isso pra alguém eu arranco seu braço.
-Seu segredo tá salvo comigo. -Freddie abraçou Sam docemente. Os dois continuaram a dançar abraçados até a música acabar.
O resto do baile foi muito divertido, mas Freddie não conseguia aproveitar a diversão. Ele percebia que Carly nem se importava por ele ter ido ao baile com outra garota, mas o pior não era isso. O pior era como ele se sentia por ter usado a Sam. Ele estava se achando o garoto mais desprezível da face da Terra. Com tanta coisa na cabeça, ele saiu pra tomar um ar na estufa do clube de jardinagem, no último andar do colégio. Freddie já estava lá um bom tempo pensando quando Sam chegou.
-E aí, Freddie? -Freddie olhou pra Sam. Ela tinha tirado os sapatos, provavelmente pra subir os três lances de escada, mas ele sabia que a garota nunca conseguiria se acostumar as saltos altos- O que aconteceu?
-Nada, -Mentiu- só vim aqui tomar um ar. A festa tava muito sufocante.
-Não é por isso não... -Sam se sentou do lado dele- Eu sei por que você tá assim...
-Sam, eu...
-Não vem com essa Benson. -Sam olhou pra ele, agora revelando a raiva que estava sentindo- Pode parecer que eu não te conheço, mas te conheço sim. Eu sei por que você tá aqui. E sei por que você me convidou pra esse baile.
-Olha Sam, me desculpa. -Freddie reprimiou uma lágrima de culpa- Eu juro que não quis...
-Escuta, Freddonho, eu não quero te ver triste, ok? Eu sei como é você gostar de alguém que não te corresponde... -Freddie estranhou a voz de Sam, tão falhada, tão magoada. Ele achou que foi pelo que ele fez com ela, o que o fez se sentir ainda pior- Mas isso não significa que vou te perdoar. Você me usou. Isso eu não vou deixar passar.
-Sam, eu peço desculpas, de verdade... -Freddie pegou a mão de Sam e a olhou fundo nos olhos- Eu não quis te usar, de verdade, mas eu não tava pensando direito.
-É, dá pra ver...
-O que eu quero dizer é que... Eu faço qualquer coisa, o que você quiser, pra você me perdoar pelo que fiz...
Um sorriso se formou nos lábios de Sam. Agora estava acontecendo exatamente o que ela queria: fazer o nerd se ajoelhar aos pés dela pra pedir perdão.
-Qualquer coisa que eu quiser? -Sam perguntou só pra confirmar.
-O que você quiser.
-Eu quero que você me leve pra sair. -Sam se levantou, mas as mãos dela ainda estavam entrelaçadas nas mãos de Freddie- Só você e eu, sem nenhum plano maluco, sem ninguém usar ninguém pra nada.
Freddie engoliu seco. Sair com a Sam? Isso seria muita loucura. Mas por outro lado, ele tinha saído para o baile com ela, e ele tinha que admitir que aquilo tinha sido... Legal.
-Onde, quando e que horas? -Suspirou meio derrotado, mas curioso.
-Petroccini, sexta-feira e você me pega no mesmo horário que me pegou hoje. -Sam respondeu decidida- Não precisa de tanta produção. Eu quero te ver com o memso jeito de nerd bobão de todo dia, ok?
-Tá, tudo bem. Acho que vai ser legal sair com você. Hoje, mesmo com tudo o que aconteceu, foi muito bom.
-Legal.
-Legal... -Freddie encarou seu All Star enquanto Sam mexia em seu corsage- Bom, o baile já tá acabando e eu não queria sair daqui sem ter tido uma última dança...
-Quer ir descer pro ginásio? -Sam apontou para as escadas.
-Quer dançar a última música comigo?
-Pode ser, patetão... -Sam riu enquanto Freddie segurava a mão dela. Os dois já estavam descendo a escadaria quando Sam voltou a falar- Olha, se vou ter que dançar com você de novo, vai ter que esperar um minuto até eu colocar os meus sapatos de volta.
-Tudo bem... -Freddie sorriu- Eu espero.
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