Um Príncipe em Minha Vida
30 When You Need a Friend...
Notas iniciais
Sam acordou meio atordoada na manhã seguinte. A perna machucada ainda a incomodava, mas ela já tinha sentido dores piores sem reclamar. Estranhou não ver Freddie na cama, mas logo se lembrou que seu príncipe acordava cedo, mesmo quando era final de semana. Esfregando os olhos com uma mão só, sentiu algo na mão direita quando passou a mão pelo lado de Freddie. Um bilhete escrito na letra elegante dele.
“Olá minha carnívora favorita.
Tive que fazer umas compras. Estamos quase sem nada na geladeira (por culpa sua, devo dizer). Eu volto logo.
Com amor,
Freddie.”
Sam sorriu de canto enquanto saía da cama e ia em direção ao banheiro tomar um banho.
A loira saiu do banheiro enrolada em sua toalha e quase se assustou ao ver a figura morena sentada na cama, com um sorriso malicioso.
-Bom dia, demônia loira... –Freddie se levantou, ainda sorrindo pra Sam.
-Bom dia, príncipe nerd... –Sam bufou de alívio antes de dar um selinho em Freddie- Voltou rápido, hein... Fez as compras?
-Fiz sim. Shelby tá lá embaixo, arrumando as coisas na cozinha.
-Shelby? –Sam estranhou- O que ela tá fazendo lá?
-Eu já tava saindo pro mercado e ela apareceu pra me escoltar... –Freddie revirou os olhos, enlaçando a cintura de Sam- “Você não pode ficar saindo sozinho depois do que aconteceu ontem, elemento...” –Completou, imitando a voz da morena rígida.
-Eu espero que você tenha comprado mais gaze... –Sam apertou os lábios enquanto encarava sua perna ferida- Minha perna tá um horror...
-Não tanto quanto essa cicatriz aqui... –Freddie apontou para o arranhão na bochecha, agora uma fina linha semi-cicatrizada- Mas se tá precisando de um curativo novo, a gente pode pedir pra Shelby fazer...
-NÃO!!! –Sam quase gritou, mas logo voltou ao normal- Você podia fazer em mim. Não sabe primeiros socorros?
-Claro que sim. Vou pegar a caixa de primeiros socorros da minha mãe e já volto... –Freddie beijou a testa de Sam antes de ir embora, mas a mão da loira na dele o deteve.
-Nem pensar. –A garota sorrira do mesmo jeito que Freddie sorrira a pouco- Fiquei tempo demais sem sua dose de nerdisse...
Sam enganchou seus dedos nos cabelos de Freddie, puxando-o para si. Logo o beijo calmo e doce deles se intensificou, se tornou urgente, sedutor, uma verdadeira necessidade para os dois. Freddie apertava o corpo de Sam contra o dele, sentindo os cabelos molhados da garota molharem seu peito. Sam lutava pra manter os olhos abertos e não gemer enquanto Freddie subia a sua mão pela coxa úmida dela. Freddie abriu os olhos, mordendo o lábio inferior de Sam enquanto sua mão subia cada vez mais rápida pela perna da loira.
-Ah, Freddie... –Os lábios de Sam se abriram em um “o” perfeito quando Freddie deslizou seus dedos entre as pernas dela- O que você tá fazendo?
-Você andou me provocando esse mês inteiro... –A voz de Freddie estava rouca de desejo, fazendo a loira tremer- Agora é minha vez...
Freddie empurrou Sam em direção a parede, sem tirar seus dedos da intimidade dela. O moreno abaixara um pouco a toalha da loira, revelando os seios rijos dela. Sem conseguir se controlar, abocanhou o seio direito dela enquanto apertava o esquerdo com fúria.
Sam gemia descontroladamente enquanto Freddie a masturbava. Ela queria que ele fosse mais rápido, mas ele estava fazendo lentamente só para torturá-la. O nome do moreno –o nome normal e o nome de príncipe– era gemido pela loira sem parar, dando a Freddie uma sensação de poder incrível. Ele sempre fazia o que Sam mandava. Agora era ele quem ditava as regras.
-F-f-f-freddie... –Sam suspirava engasgada- Pára, por favor... Tem... Tem gente lá embaixo...
-Eu não ligo... –Freddie riu baixo, sua respiração batendo no pescoço da garota- Eu não vou sair daqui até eu conseguir o que eu quero...
Agora Freddie explodia em velocidade, fazendo Sam bater as costas violentamente na parede. A garota mordia violentamente o lábio, tentando não gritar quando o orgasmo chegava devagar e devastador.
-Você... –Sam mais gemia do que falava- Você não devia ter feito isso, nerd...
-Tarde demais, loirinha... –Freddie sorriu vitorioso, beijando a têmpora de Sam- Anda, se arruma. Vou fazer o café da manhã e depois vamos cuidar dessa perna, ok?
Sam ficou estática enquanto via Freddie sair do quarto, ainda com o sorriso vitorioso no rosto. Ela se deixou cair devagar no chão, arrumando a toalha no corpo. Sam tinha que admitir que adorara o ataque surpresa de Freddie, mas em sua mente ela já tramava a vingança mais irresistível já pensada por ela. “Ah, você vai me pagar por essa, Freddie. Mas vai me pagar mesmo...”
Sam descera a escada –depois de se acalmar um pouco no quarto–, seguindo o cheiro de bacon frito e waffles que vinha da cozinha.
-Pensei que ia demorar mais tempo lá no quarto... –Freddie sorriu enquanto tirava o bacon da frigideira.
-Eu não sou que nem você, que não consigo me controlar... –Sam devolveu o sorriso, sarcástica, enquanto se sentava perto da bancada.
-Pra sua informação, Samantha, você ficou tanto nessa de me excitar o mês inteiro que desenvolvi meu auto controle... –Freddie ficou sério, estufando o peito.
-Aham, acredito... –Sam riu baixinho- Me passa um desse waffles, sim?
-Aqui... –Freddie passou o prato de waffles e a garrafinha de mel pra Sam- Então, depois de cuidarmos desse machucado, o que vamos fazer hoje?
-Temos o iCarly pra fazer hoje, lembra? –Sam encheu um dos waffles de mel e deu uma mordida- Só resta saber se a Carly não tá esgotada hoje. Ela saiu com o Matthew ontem...
-A gente pode ir lá depois do café, mas vai ter que colocar uma roupa decente... –Freddie murmurou, olhando as pernas de Sam que apareciam no short curto- Só eu posso te ver numa roupa curtinha dessas...
-Você é muito ciumento, sabia disso? –Sam balançou a cabeça antes de beijar Freddie- Mas eu te amo mesmo assim...
-Também te amo. E você sabe... –Freddie lambeu os lábios, sentindo o gosto de mel do beijo de Sam antes de beijar a testa da loira- Vou lá pra cima pegar o kit de primeiros socorros pra cuidar da sua perna, ok? –O moreno correu escada acima- E vê se come esse waffles, ouviu mocinha?
-Não precisava nem mandar! –Sam gritou meio de boca cheia, colocando mais uma mordida de waffles garganta abaixo.
-E aí galerinha... –Spencer sorriu, abrindo a porta pra Freddie e Sam- A Carly não tá em casa...
-Em primeiro lugar, já somos quase adultos, já devia para de chamar a gente de “galerinha”... –Freddie desenhou as aspas enquanto entrava no apartamento.
-E depois, a gente espera por ela. –Sam balançava a cabeça enquanto ia em direção a cozinha- Tem salaminho aí, Spencer?
-Você acabou de comer, Sam! –Freddie encarou a namorada.
-Eu sei, mas você não comprou salaminho... –Sam riu, com a geladeira aberta.
-Tá lá nos fundos da gaveta de frios. –Spencer apontou para o vazio- Tentem não bagunçar aí, pessoal. Tô no meio de uma escultura importante e preciso me concentrar nela...
-Que escultura é essa? –Sam fechava a geladeira, já com o salame gigante nas mãos.
-Uma escultura de golfinhos feita de pecinhas de Lego. Vou fazer pro Seattle Water Park e eles já me pagaram adiantado 5.000 dólares. –Spencer pulava feliz, perto da porta do quarto- Enfim, vou terminar a minha escultura, e vocês dois se comportem... –Sam e Freddie riam enquanto Spencer voltava a suas peças de Lego.
Freddie zapeava a TV dos Shay, procurando um programa interessante enquanto Sam cortava lentamente o salame e comia a fatia, melancólica.
-O que foi, Sam? –Freddie encarou a loira.
-Só tava pensando uma coisa... –Sam cortou mais uma fatia de salame- Não se devemos contar pra Carly e Spencer a verdade. Sabe? Depois que você fizer 18 anos... Você viu o que aconteceu com nós dois ontem, eu não quero que eles se machuquem por nós...
-É, eu não posso dizer que não andei pensando nisso... –Freddie desligou a TV- Quero poder esconder esse segredo dos dois, se bem que vai ser complicado, com os informantes do meu tio em cada esquina, prontos pra pegar qualquer um que conheça meu segredo... E a última coisa que eu quero é que mais alguém se machuque...
Sam balançava a cabeça, concordando, quando o telefone tocava Smile. Era Melanie ligando pra ela.
-Oi, Mell...
-Você e Gabriel, venham ao apartamento da Shell imediatamente. –A voz de Melanie soava tensa.
-Por quê, o que aconteceu?
-Só venham pra cá, sim? –Melanie insistiu- Shelby tá aqui com a Carly, cuidando dos ferimentos dela...
-O QUE ACONTECEU COM A CARLY? –Sam gritou no telefone, angustiada. O que podia ter acontecido a sua melhor amiga?
-Venham, por favor! Ela não pára de fazer perguntas e preciso de vocês pra responder pra ela...
-Tá, a gente já tá indo... –Sam desligou o telefone, sentindo seu mundo desabar. O pior pesadelo de Sam não podia estar acontecendo. “Não a Carly. Não a minha amiga...”, repetia pra si mesma, angustiada.
-O que aconteceu com a Carly? –Freddie perguntou, igualmente angustiado. Claro que ele não era mais apaixonado pela morena escandalosa, mas ainda assim se preocupava com ela- Sam, fala logo, tá me deixando nervoso...
-Melanie disse pra gente ir ao apartamento da Shelby... –A voz de Sam soava quase baixa- A Carly tá lá...
Em dois minutos Freddie e Sam já estavam dentro do apartamento de Shelby, chocados com a cena que viam: Carly meio deitada no sofá, com arranhões na bochecha e no braço, junto com um corte perto do ombro direito e um olho meio roxo.
-Tava indo fazer as nossas compras quando vi um elemento de vermelho segurando a Carly na maior violência... –Shelby franzia os lábios enquanto fazia a sutura no braço da Shay- A sorte é que eu consegui pegar ele antes de fazer algo pior com ela. O lado bom é que a Carlotta vai ficar bem, já o lado ruim...
-Podem me explicar que história é essa de príncipe? –Carly grunhiu no meio de um grito reprimido por culpa de Shelby- E quero saber por que aquele maluco me atacou. O que foi que eu fiz pra ele?
Freddie, Sam, Melanie e Shelby se encararam, sem saída.
-É, nossa estratégia de “deixar a Shay de fora” já era... –Sam suspirou.
-Que história é essa, me deixar fora de quê? –Carly já estava sentada direita no sofá, ainda machucada.
-Carly... –Freddie suspirou, franzindo os lábios- Se a gente te contar um segredo, você promete guardar ele como se sua vida dependesse disso?
-Se eu fosse você, pensava mesmo antes de concordar, Carly... –Melanie se aproximou da amiga- O que Freddie falou não é só uma metáfora. Esse segredo pode depender mesmo da sua vida...
Um longo minuto em silêncio se fez no apartamento. Carly olhava o braço, já suturado, pensativa.
-Ok, eu prometo... –Carly levantou o braço direito, em sinal de juramento.
-Bom, agora não dá pra voltar atrás... –Freddie contorceu o rosto em uma careta antes de sentar na mesa de centro, de frente pra Carly- Escuta, eu descobri que sou na verdade, herdeiro do trono de um país muito longe daqui. Meu tio quer a minha cabeça e quer ferir qualquer um que conheça meu segredo. Por isso aquele cara de vermelho te atacou hoje. Por isso está aqui, no apartamento da Shelby, com mais machucados que a noiva cadáver...
-Isso é uma brincadeira não? –Carly arregalou os olhos- Onde tá a câmera, gente?
-A gente não ia brincar com algo sério assim, Carlynha... –Sam se sentou no sofá e arregaçou a perna direta da calça, mostrando o curativo- Fui atacada ontem por um desses caras, mas fui salva por Freddie. Eles querem achar Freddie pra entregar pra versão humana do Tio Scar e sabe-se lá o que ele vai fazer com o príncipe se o acharem...
-Então é verdade? –Carly se recostou no sofá, em choque- Você é o Príncipe Gabriel que o cara tava perguntando?
-É, eu sou Gabriel... –Freddie balançou a cabeça- Mas agora que te contamos isso, você não pode se desviar do seu juramento.
-Claro que vou guardar esse segredo. –Carly segurou a mão de Freddie e Sam- Fiquem tranquilos, a Shay aqui vai zipar a boca quanto a isso... –A garota fez um gesto com os dedos unidos perto da boca, “zipando-a”.
Freddie e Sam respiraram mais aliviados enquanto abraçavam a amiga. Shelby guardava o kit de primeiros socorros enquanto Melanie corria para a porta, que tocava.
-Quem pode ser? –Sam franziu a testa- Quer dizer, como a gente vai explicar quando virem a Carly machucada?
-Nós não avisamos só a vocês sobre a Carly... –Shelby reapareceu na sala- Tem mais alguém na cidade que sabe do segredo de Gabriel, mas estão bem mais protegidos do que nós...
A porta se abrira, revelando um garoto alto, moreno e de profundos olhos azuis angustiados, com a jaqueta amarela e preta dos Bulldogs de Ridgeway, parado no peitoril da porta.
-Matthew Carter? –Sam e Freddie exclamaram, surpresos.
-E aí, Samantha. Gabriel... –Matthew apertou as mãos dos dois, que ainda estavam de boca aberta- Como é que tá a minha Carly?
-Machucada... –Carly murmurou, se levantando com dificuldade, caindo nos braços de Matthew- Mas... Como você soube?
-É o que queremos saber... –Freddie alisou a camiseta, ainda surpreso.
-Meu pai era da Guarda Real de Concordia, assim como o pai da Sam e da Melanie. –Matthew deu de ombros enquanto segurava Carly em seus braços- Sei desse segredo desde que eu era pequeno. Eu fiquei te vigiando desde a primeira série sem você perceber, mas eu não ia dizer nada até que você soubesse do segredo...
Freddie encarou o quarterback meio envergonhado, pensando em como o odiava quando ele estava com Carly, invejava até mesmo a popularidade dele, mas naquele momento, nada daquilo importava.
-Valeu cara... –Freddie riu pelo nariz, fechando o punho na direção de Matthew.
-De nada, Gabriel... –Matthew sorriu, batendo seu punho fechado no punho de Freddie.
-Então agora... –Melanie abraçou Carly e Matthew, que ainda não se soltaram de seu abraço- Estamos juntos pra proteger Gabriel. Eu, Shell, Carls, Matt, Sammy e... Ahn, Matt, o Griffin sabe também?
-Claro que sabe... –Matthew deu de ombros.
-Ok, sou eu, Shell, Carls, Matt, Sammy e Grinn. A Armada de Concordia, pronta pra proteger o Príncipe Gabriel...
-Eu gosto dessa ideia... –Freddie sorriu, beijando a cabeça de Sam.
-Eu também, mas Mell, –Sam encarou a irmã, com uma expressão divertida no rosto, substituindo a preocupação anterior que a assombrava- Grinn?
-Ah, qual é? –Melanie ficou vermelha, diante das risadas da galera- Como se você não tivesse um apelido fofo pro Freddie...
-Tenho sim... –Sam sussurrou- Príncipe nerd...
A galera continuou a rir, mesmo quando Freddie dera um selinho em sua demônia loira, mas na cabeça dele, as ideias fervilhavam. Agora mais gente estava na linha de fogo. Antes era só Shelby, Melanie e Sam –era ela quem mais o preocupava. Não suportaria perder um amigo, mas não suportaria perder Sam–, agora entravam na conta Carly, Matthew e Griffin. Aquilo estava tomando um rumo perigoso demais. Alguém logo iria se ferir mesmo por culpa dele. Freddie apertava Sam em seus braços, ainda alimentando essa ideia.
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