Um Príncipe em Minha Vida
31 Presságios-Parte 1
Notas iniciais
O corredor da escola parecia escuro demais, silencioso demais. Freddie encarou as paredes pálidas do Ridgeway, lotada com cartazes coloridos, normal como sempre fora, mas ele podia sentir algo estranho no ar. Podia ouvir gritos desesperados e sons de tapas vindos da única sala iluminada ali. Infelizmente, era a sala de detenção da Sam. Hesitante, caminhou devagar até a sala e viu algo que gelara seu coração: Sam estava pendurada pelos pulsos, com a roupa rasgada e ensanguentada, assim como seus cabelos loiros, cheios de sangue nas pontas. Seu rosto estava completamente vermelho e inchado, com cortes espalhados pela bochecha e testa. Seus olhos azuis estavam vermelhos, contendo o choro. Aquilo estava partindo o coração de Freddie mais do que ele poderia suportar, mas aquilo estava longe de acabar.
-Anda, loirinha... –Um homem de farda negra, com o peito cheio de medalhas de honra em volta do bordado da coroa ensanguentada se dirigia a Sam com um chicote em mãos- Isso pode acabar quando você quiser. Só me diga onde Gabriel está e você está livre.
-Prefiro saltar de bungee jump sem equipamento de proteção em direção a um rio de ácido do que trair o meu príncipe... –Sam sussurrou, com um sorriso decidido no rosto ferido.
-Ora, pra quê você quer manter a salvo um garoto que nem sequer veio te salvar... –O homem lançou uma risada tenebrosa enquanto atirava o chicote no rosto de Sam. Aquela cena fez Freddie ver vermelho. A vontade dele era entrar lá, salvar Sam e rasgar a cara do homem com o chicote- Pela última vez, eu estou perguntando... ONDE GABRIEL ESTÁ?
-Não vou dizer... –Uma lágrima caia do rosto de Sam, misturada ao sangue do rosto dela- Prefiro morrer do que ver Gabriel cair nas suas mãos...
-É uma pena, Samantha... –O homem sussurrou com uma falsa solidariedade, sumindo do campo de vista de Freddie- Acabou de selar seu destino. Foi uma honra te conhecer, Princesa Puckett...
-Eu te amo, Freddie... Sempre te amei... –Sam virou a cabeça em direção da porta, dando de cara com os olhos castanhos assustados de Freddie- Tome cuidado...
Freddie lutou pra não gritar enquanto ouvia o estampido de tiro. Se deixou cair sentado perto da porta, com o coração destroçado. Quem quer que fosse aquele homem, ele o faria pagar caro por ter torturado e matado a razão de sua existência.
Ele não sabia por quanto tempo esteve ali sentado, chorando em silêncio, quando ouviu alguém sair. O assassino de Sam saiu da sala furioso, mas satisfeito com a morte que conseguira. Saiu sem olhar pra trás, para a sorte de Freddie. Era a hora perfeita pra acabar com ele, mas como faria sem nenhuma arma? A vingança de Freddie teria que ficar para outro dia. Agora ele tinha que tirar o corpo de Sam da sala.
De lábios franzidos e uma dor terrível no peito, Freddie entrou na sala e viu o corpo inerte de Sam no chão. Dessa vez ele não se conteve. Se jogou no chão de joelhos, pegou o corpo da sua amada loira e gritou alto, como se ele quisesse que toda o estado de Washington soubesse da sua perda. Suas lágrimas caiam no rosto de Sam, que morrera de olhos abertos. Freddie a encarou uma última vez. Os golpes do chicote rasgaram fundo as maçãs do rosto da garota, que estavam inchadas por conta dos tapas que levara toda vez que se recusava a dizer onde Freddie estava. Um buraco negro e sangrento destacava-se na testa de Sam, como se gritasse “morte” para o moreno. Mas ainda assim aquela era sua Sam, sua demônia loira, que transformara a vida dele em um paraíso perfeito. Agora, ali no lugar que serviu de palco para a morte da sua amada, Freddie podia gritar sua dor o quanto quisesse.
-SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAM!!! –Freddie gritava, seu rosto estava molhado pelas lágrimas.
-Freddie, acorda, tá tudo bem? –Sam chacoalhava Freddie, meio sonolenta.
-Ah, meu deus... –Freddie abrira bem seus olhos castanhos, tendo certeza que estava acordado. Olhou Sam que estava ao seu lado, preocupada. Nada de cortes horríveis ou uma bala alojada na cabeça. Ela ainda era sua Sam, o rosto sem uma cicatriz, somente um ruginha de preocupação na testa- Sam...
-O que foi? Teve aquele pesadelo de novo? –Sam já sabia que Freddie anda tendo pesadelos envolvendo ela –Freddie logo a acalmou dizendo que Sam não o estava torturando no sonho.
-Tive um pesadelo, mas não é o mesmo... –Freddie se sentou na cama, passando a mão na testa tentando se acalmar- Foi muito pior...
-Fica calmo, tá? –Sam segurou a mão de Freddie- Escuta, vou pegar um copo de leite lá na cozinha pra você, ok? Só me deixa pegar uma blusa... –Sam deu de ombros enquanto apontava pra si mesma. Só estava usando um sutiã branco e o short do pijama.
-Tá bom... –Freddie suspirou enquanto via a loira sair do quarto.
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