Notas iniciais
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Alguns minutos depois de andarem pelo corredor, Freddie e Sam chegaram a um lugar amplo, que parecia ser ao ar livre pelo vento frio, mas ainda assim era escuro.

-A arena... –Freddie anunciou a si mesmo enquanto tirava a camiseta e o colete.

-Freddie, o que você tá fazendo? –Sam pegou o colete do garoto do chão- Vai tirar o colete? E se tiver um atirador escondido por aqui, com ordens do seu tio pra te matar?

-Não tem... –A voz de Freddie estava segura- Ele não tinha um atirador de elite quando matou meu pai. E até onde eu sei de histórias de família dramáticas, ele quer ter o prazer de me matar ele mesmo. Sam, esconda-se e não deixa que meu tio te veja.

-Eu não acho que essa seja uma boa ideia... –Sam mordeu o lábio, alternando o olhar para a arena vazia e para o moreno ao seu lado.

-Olha, pro meu tio, você tá morta. O atirador de elite te acertou em cheio. Você é meu elemento surpresa. Vai ser a minha distração pra quando eu... –Freddie respirou fundo, tentando achar a palavra certa- Quando chegar a hora.

-Ok, só... Toma cuidado, tá bem? –Sam pediu antes de beijar Freddie.

-Tá bem... –Sussurrou nos lábios da loira- O mesmo pra você...

Sam balançou a cabeça antes de se afastar até um canto escuro, longe da vista de qualquer um da arena. Freddie respirou fundo enquanto colocava a camiseta de volta e jogava o revolver no chão, segurando a espada na mão direita. O garoto queria uma luta limpa entre ele e Lorde Henry.

-Ok, lá vou eu... –Freddie respirou fundo uma última vez antes de entrar na arena.

Depois dos 10 segundos mais tensos e silenciosos da vida de Freddie ali, no meio daquela arena, ele gritou.

-Lorde Henry! Estou aqui. Apareça...

-Ora ora, sobrinho... –Henry apareceu em meio a escuridão- Achei que ia desistir de lutar depois da perda terrível que teve. Eu lamento de verdade... –Ele colocou a mão no peito, fingindo tristeza.

-Eu não desistiria dessa luta... –Freddie encarou o tio, que também trazia uma espada- É o que a Sam queria que eu fizesse. Não desistir do meu destino...

-E pelo que vejo, será do modo antigo, não? –Lorde Henry agitou sua espada no ar- Espero que saiba usar essa espada, garoto. Odeio lutar com gente despreparada para a morte.

-Prepare-se pra engolir essas palavras, tio... –O olhar de Freddie destilava raiva enquanto erguia sua espada- En garde.

Logo Freddie e Henry iniciaram uma batalha feroz. As espadas dançavam no ar, repicavam barulhentas, criando pequenas faíscas no ar. Freddie parecia estar no controle, mas viu que não ia aguentar muito tempo. Henry tinha mais experiência em combate. Mesmo assim, não desistiu tão fácil da luta, mas isso não bastou. Lorde Henry, com um movimento, jogou a espada de Freddie para o outro lado da arena e colocou sua espada na garganta do garoto.

-Onde será que eu já vi isso antes? –Henry fez um semblante pensativo antes de soltar uma risada feroz- Ah, sim, foi assim que seu pai esteve antes de morrer pela minha espada...

Naquela hora –parecia até clichê– Freddie viu sua vida inteira passar diante de sues olhos: os anos de obsessão por Carly, que acabaram resultando em nada, os momentos que passou com os amigos nas gravações e ensaios do iCarly, os três últimos meses que viveu despreocupado e apaixonado ao lado de Sam...

Sam. Naquele momento, a um segundo da morte, lembrou da sua demônia loira, que estava esperando pra agir em algum lugar daquela arena. A garota que sempre o agredia verbalmente e –em raras vezes­– fisicamente, que acabou por se tornar seu amor eterno. Era ela quem invadia sua mente naquele momento. “Se eu tiver que morrer agora, morro com você no pensamento, Sam...” Freddie pensou, de olhos fechados, como se aquilo ajudasse a fixar a imagem da loira em sua mente “Eu te amo, Sam...

-Hey, General Cicatriz! –Freddie e Henry ouviram um grito de garota, vindo de uma das entradas da arena. O homem se esqueceu do sobrinho por um segundo e se virou, chocado- Solta o nerd.

-Não pode ser... –Lorde Henry murmurou intrigado, enquanto via Sam entrar com um porte de guerreira. Na mão direita estava uma espada e na esquerda, a sua arma favorita: a meia de manteiga- Você está morta! Deveria estar...

-É, eu devia estar morta, mas acho que seu atirador de elite errou o alvo. –Sam sorriu de um modo dolorido e cruel- Quem está morta em meu lugar é minha gêmea.

-Mas... Mas...

-Pare de gaguejar, Lorde Besta, e largue o Freddie. –Sam levantou a espada em direção ao pescoço de Henry- Ninguém tortura esse nerd moreno ao não ser eu...

-Ok, mas vai se arrepender de ter cruzado espadas comigo, garotinha. –Henry já armava o golpe, mas Sam foi mais rápida e bateu a meia de manteiga no pulso do homem, fazendo-o largar a espada. Era a deixa perfeita pra Freddie pegar sua espada de novo, mas quando ele finalmente alcançara a espada viu Sam se esquivar de um dos golpes da espada de Henry, caindo e batendo a cabeça com força no chão, desacordando.

-Onde estávamos? Ah, sim, eu estava a ponto de te matar... -Lorde Henry riu enquanto voltava a lutar com Freddie. Ele não conseguia se concentrar mais na luta. Ficava olhando Sam desmaiada no chão, sem se mexer.

Por um segundo, pensou em desistir de tudo, se arriscar a morrer só pra ver como Sam estava, desistir de seu trono e deixar seu tio vencer, mas foi quando uma voz gritou em sua cabeça. Uma voz que não esperava ouvir de novo.
Era a voz de Sam em seu pesadelo, o primeiro pesadelo que teve antes de tudo aquilo ter acontecido. Bem antes até de ele admitir que estava apaixonado por ela.

-"Freddie... Não vai embora. Você tem que me ajudar. Tem que ficar aqui. É o seu destino."

Logo depois ouviu a voz de Melanie em sua mente, quando ela ainda estava agonizando, à beira da morte.

-"Você não pode desistir agora. Você tá tão perto de conseguir libertar Concordia. Esse é o seu destino, assim como é meu destino ir embora agora. Proteja seu reino. E a minha irmã. Me prometa isso..."

Aquilo tudo deu ao garoto uma força desconhecida. Ele não podia largar mão de tudo agora que estava tão perto de libertar seu reino –e sua vida– das mãos do seu tio.
Freddie correu pra se esquivar de um dos ataques do Henry e pegou a meia de manteiga da Sam que estava caída ao lado dela. Ele não sabia como usar aquilo direito, mas já tinha visto Sam usar aquela meia centenas de vezes. Girou algumas vezes no ar e soltou-a desajeitadamente, fazendo-a cair na cabeça de Lorde Henry, deixando-o atordoado. Era a oporunidade que ele esperava. Com a espada, atacou na base da espada do tio, fazendo-a voar para o outro lado da arena.

-É... Quem diria que manteiga pode sim machucar uma pessoa... -Freddie sorriu, segurando a espada. Caminhou em direção a Henry, que estava de joelhos.
-Pronto, pequeno príncipe... -A voz de Lorde Henry transbordava raiva e amargura- Me mate. Cumpra seu destino... Eu sei que você quer isso...

Freddie encarou o homem, a raiva no olhar um do outro era quase palpável. O moreno levantou a espada, pronto para dar o golpe final, o golpe que salvaria seu reino...

-O quê? -Henry se espantou ao ouvir a espada sibilando ao seu lado.
-Te matar não vai fazer de mim uma pessoa melhor que você, tio. -Freddie franziu a testa- Claro, se eu te matasse agora, eu libertaria meu reino, mas me tornaria você. E eu não vou viver a minha vida carregando esse fardo. Por isso eu não posso te matar...
-Mas eu posso... -Freddie levantou a cabeça e viu Sam, atrás de Lorde Henry com sua espada nas mãos- Eu preciso vingar a Melanie e a minha família pelo que ele fez. Além disso, não vou ficar com remorso por ter matado um verme desses... -A loira deu de ombros, levantando a espada.

Na hora que Sam iria cumprir sua vingança, tanto ela quando Freddie ouviram um sibilar estranho e logo depois, Lorde Henry caira de olhos abertos. Sua testa estava ensanguentada, consequência da flecha fincada em sua cabeça. O pesadelo de Concordia estava morto, mas aquilo não importava. O que importava pra Sam e Freddie era: quem tinha matado Lorde Henry?

Notas finais
^^