Um Príncipe em Minha Vida
50 Somethings Are Meant To Be-Parte 1
Notas iniciais
Freddie e Sam ligaram suas lanternas, iluminando a arena, quando viram um vulto em um dos camarotes da arena. Um garoto alto de olhos verde escuros, segurando um arco preto, com um olhar decidido, dolorido e vingativo.
-Griffin? –Freddie franziu a testa, reconhecendo o garoto.
-Eu prometi minha lealdade a ele, e em troca ele prometeu que não ia machucar quem eu amava... –Griffin falava sombrio, enquanto descia de rapel por uma das faixas negras que enfeitavam a arena- Ele matou a minha Melanie e em troca eu o trai. Estamos quites agora...
-Foi por isso que se uniu a ele? –Sam perguntou, sentindo-se um pouco tonta.
-Eu fiz isso pra salvar meu irmão. –Griffin murmurou- Lorde Henry ameaçou matar meu irmão e a minha mãe se eu não fosse o informante dele. Mas aí eu conheci a Mell... –O olhar dele se tornou distante, sonhador- O jeito como ela falava sobre a sua família, Gabriel, a lealdade e a inteligência com que ela fazia os planos para a Armada de Concordia... Isso sem falar que a cada dia que passava eu me via mais apaixonado por ela. Quis voltar atrás, mas era tarde demais. Henry disse que mataria Melanie se eu desistisse de ser informante dele. E a última coisa que eu queria era que a Melanie morresse.
-Então você matou Lorde Henry... –Sam encarou Griffin- Por vingança?
-Você fala como se não fosse matá-lo pelo mesmo motivo. –Freddie retrucou sarcástico.
-Eu não ia deixar Freddie matá-lo de qualquer maneira. Foi como ele disse, matar Henry não o tornaria melhor que ele, mas também não ia deixar você matar ele, Sam. Sei que a Melanie não ia querer isso...
-Bom, eu nem sei como agradecer, Griffin... –Freddie estendeu a mão para Griffin, que a apertou meio sem jeito, selando uma nova aliança entre os dois.
-Freddie... –Sam sussurrou, a voz meio fraca- Eu não tô me sentindo bem...
Freddie se virou a tempo de amparar Sam, que desmaiara em seus braços. A cabeça dela tinha uma mancha de sangue fresco que crescia aos poucos, manchando o cabelo loiro dela.
-Sam, responde, amor... –Freddie virou o rosto de Sam pra ele. Griffin chegou perto da loira, preocupado.
-A hora que Lorde Henry empurrou Sam... –Griffin mordeu o lábio, preocupado- Ela deve ter batido a cabeça com força e machucado. Se não a levarmos pro hospital imediatamente nem sei o que pode acontecer...
-Ela tá respirando... –Freddie aproximou seu rosto do rosto de Sam, ouvindo a respiração fraca dela- Me ajuda a levar ela pro hospital...
-Ok, vou pegar um dos Guardians da garagem daqui e já vamos pra lá... –Griffin se levantou e pegou a lanterna das mãos de Sam.
-Um dos Guardians?
-Seu tio adorava Mercedes-Benz... –Griffin deu de ombros- É até bem confuso pra saber qual carro pegar e usar...
-Ah, sim... –Freddie balançou a cabeça enquanto segurava Sam nos braços e seguia Griffin. Antes mesmo de deixar a rena, deu uma última olhada no lugar de sua batalha épica. Sua espada estava fincada no chão, ao lado do cadáver de Lorde Henry- E o resto é silêncio... –Murmurou antes de correr atrás de Griffin, deixando o último pesadelo de sua vida pra trás.
Hospital Geral de Concordia, três dias depois
Os gritos pareciam se multiplicar na escuridão em que Sam estava mergulhada. Melanie, Carly, Matthew, Shelby, Griffin... Freddie. O grito dele parecia se destacar ainda mais, mas era diferente quando era ele gritando. Era como se ele estivesse a guiando pra fora de toda aquela agonia, a puxando pra fora da escuridão...
-Já se passaram três dias... –Um sussurro tenso e rouco foi ouvido. A loira reconheceria aquele sussurro mesmo se estivesse morta. Era Freddie, mas ele não parecia que estava falando com ela- Ela já não deveria ter acordado?
-A Srtª Puckett esteve sedada por muito tempo. É normal que ela não acorde por alguns dias... –Uma outra voz soou naquele lugar quieto demais. Uma voz feminina desconhecida- Se acalme, Gabriel. Quando chegar a hora ela vai acordar. Paciência, Vossa Alteza...
Alguns segundo se passaram sem que Sam soubesse o que estava acontecendo. Ela ainda ouvia, de olhos fechados, um suspiro cansado e um barulho de portas se fechando. A garota soltou um pigarro fraco, o que fez sua garganta arranhar. Ela abriu os olhos e deu de cara com os olhos cor de chocolate de Freddie, a encarando fixa e preocupadamente.
-Oi estranho... De novo... –Sam sussurrou, fazendo sua garganta arranhar ainda mais. Ela estava seca de sede.
-Oi estranha... –Freddie sorriu fracamente, dando um beijo na testa de Sam- Você me preocupou bastante, sabia? Por um segundo eu achei...
-O que aconteceu? –Sam perguntou, tentando se sentar na maca do hospital- Eu tô com sede... E fome...
-Você estar com fome não é nenhuma novidade... –O moreno revirou os olhos. Se antes tinha alguma dúvida de que Sam estivesse bem, ela agora tinha sumido completamente- E, bom, o que aconteceu... –Freddie mordeu o lábio antes de se sentar na beirada da maca, ao lado de Sam- Na hora que meu tio te jogou no chão, você deve ter batido a cabeça com força e quase que abriu uma cratera no ser crânio. Não se sentiu tonta depois que se recuperou do tombo lá na arena?
-Um pouco... –Sam deu de ombros- Mas achei que fosse acúmulo de adrenalina ou sei lá.
-Quem dera se fosse só isso... –Freddie murmurou, balançando a cabeça- Você tava sangrando baldes quando eu e Griffin te levamos pra cá, pro hospital. Tiveram que fazer uma sutura de emergência em você, baterias de exames, transfusão de sangue...
-Transfusão de sangue?
-Acredite ou não, perdeu muito sangue no caminho pra cá, mesmo com o Griffin dirigindo a 190 km por hora... –Freddie encarou Sam- Ferimentos na cabeça costumam sangrar mais do que qualquer ferimento em qualquer lugar do corpo.
-Eu já sabia disso... –Sam murmurou enquanto sentia algo incomodá-la na parte de trás da cabeça. Ela passou os dedos de leve, sentindo a sutura em sua cabeça.
-Por sorte não aconteceu nada mais grave com você. Só Deus sabe o quanto eu estava surtando com você aqui no hospital... –Freddie olhou pro lado, mordendo o lábio com força. Sam seguiu o olhar dele até um pequeno sofá do outro lado do quarto.
-Você dormiu aqui?
-É, dormi. E se eu ficar com dor nas costas eu vou culpar você... –Freddie brincou, rindo pela primeira vez desde que a guerra terminou.
-Senti sua falta enquanto estive sedada... –Sam murmurou, erguendo a mão até a cabeça de Freddie, acariciando os cabelos castanhos dele- Tanto que só sonhei com você enquanto estive dormindo a força...
-Sério? –Freddie sorriu- E você não devia estar com raiva por terem te forçado a dormir. Você ama dormir...
-É, mas só quando não me forçam a dormir. –A loira deu de ombros- E além disso, passei três dias a base de soro. –Sam encarou a agulha que injetava soro em sua veia direita, como se aquilo fosse uma praga- Eu quero comida de verdade. E bastante água...
-Bom, água eles podem te arranjar, já “comida de verdade”... –Freddie riu, desenhando aspas no ar- Eles não têm bacon aqui, se quer saber... Mas tem bastante mingau de aveia aqui...
-Argh, mingau de aveia... –Sam fez cara feia- Prefiro comer areia de gato...
-Sam Puckett está desprezando comida? –Freddie fez uma cara surpresa, fazendo Sam rir.
-É por que você nunca comeu comida de hospital, príncipe nerd... –A garota cruzou os braços, emburrada.
-E que tal um bolo gordo que a Carly trouxe pra você? –Freddie foi até a uma poltrona, onde estava uma jaqueta preta e tirou o pacotinho de bolo gordo- Mas vai ter que comer o mingau de aveia...
-Isso é injusto... –Sam fez biquinho enquanto encarava Freddie e o bolo gordo nas mãos dele- Ok, feito, mas eu só vou comer essa meleca de mingau com mais duas condições...
-Nada de bacon, ouviu? –Freddie fez uma cara séria, ainda segurando o bolo gordo- Os médicos disseram que você não pode comer nada pesado até estar totalmente recuperada.
-Não se preocupa. –Sam balançou a cabeça- Ok, eu vou querer uma garrafinha de mel, pra colocar sabor naquela coisa...
-É, acho que isso eles vão aceitar numa boa. E a outra condição?
-Eu quero um beijo... –Sam encarou Freddie intensamente- Eu passei três dias dormindo forçadamente, sem comer nem beber nada, só a base de soro, mas tudo o que senti falta foi o seu beijo. E, vamos concordar, três dias é muito tempo...
-E quem disse que eu não te beijei nesses três dias? –Freddie voltou a se sentar na maca de Sam- Mas foi estranho. Era como beijar um cadáver. Agora sei como Romeu se sentiu quando beijou Julieta no túmulo dela...
-Ih, alerta de namorado Shakespeariano dramático apitando... –Sam revirou os olhos- Vem cá, meu Shakespeare...
Freddie riu por um curto segundo antes de seus lábios se encontrarem com os de Sam. Era um beijo calmo, doce, mas aos poucos se tornou urgente, desesperado. A língua de Freddie pedia passagem, fazendo Sam entreabrir a boca um pouco. As línguas dos dois se enroscavam como se precisassem daquilo pra viver. Sam já sentia o corpo de Freddie pesar sobre o dela aos poucos. As mãos do moreno já procuravam furiosamente pelo corpo da loira. Sam já sabia bem o que viria agora. Em conflito com ela mesma, decidiu parar o beijo sem vontade nenhuma.
-Eu pedi só um beijo... –Sam fuzilou Freddie com o olhar- Além disso, o que os enfermeiros daqui do hospital vão pensar quando nos virem assim? Sabia que eu tô convalescendo? Eu acabei de acordar depois de três dias depois de um corte horroroso na minha cabeça.
-Verdade, foi mal... –Freddie passou a mão na cabeça, sem parecer mesmo culpado- Ainda teremos muito tempo pra isso.
-É isso aí. Agora chama os enfermeiros. –Sam bateu o dedo na ponta do nariz de Freddie- Tenho uma tigela de cola de aveia com mel pra comer antes de detonar meu querido bolo gordo...
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