Notas iniciais
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Ridgeway High, 10:35 da manhã, um mês depois

Quem olhasse o grupo do iCarly, que circulava rindo pelos corredores do colégio, acharia que nada mudou, mas se reparasse bem no casal distinto que faziam Freddie Benson e Sam Puckett, veria que tudo estava mudando depressa demais.

Logo que Freddie descobriu ser o Príncipe Gabriel, se envolveu mais em outras atividades extracurriculares. Além do clube AV –que ele fez questão de permanecer–, ele agora era membro dos clubes de arco e flecha e esgrima da escola, surpreendendo a todos no Ridgeway. Era como se ele tivesse nascido pra ser espadachim ou arqueiro. Suas esquivas e investidas na esgrima eram incríveis, assim como tinha uma mira de atirador de elite. Podia acertar uma cereja na cabeça de alguém sem nem piscar –e ele fez isso. Gibby foi a cobaia para o teste.

Já Sam não parecia ter mudado tanto, mas tinha mudado sim. Suas notas estavam aumentando devagar –e estranhamente, as notas que aumentavam eram exatamente nas mesmas matérias que ela tinha aula com Freddie. Também tinha entrado na aula de esgrima, mas não por que ela não soubesse. Ela só tinha entrado para ajudar Freddie, mas acabou que ele não precisava de muita ajuda, mas ainda assim Sam ficou no grupo.

Os dois pareciam mais apaixonados do que nunca, sempre arrancando gritinhos de Melanie e Carly toda vez que via Freddie e Sam de mãos dadas. Carly, aliás, estava mais aérea do que de costume, já que Matthew Carter a tinha pedido em namoro, logo depois do jogo que trouxe a vitória aos Bulldogs de Ridgeway –o time da escola. Logo Carly soube que Carter tinha um irmão gêmeo, Griffin, que estudava em outro colégio, e estava mexendo os pauzinhos pra juntar ele e Melanie. Os dois se encontravam vez ou outra e Carly estava andando pelos corredores do colégio, com um sorriso triunfante no rosto.

Perto dos armários, Freddie e Sam conversavam, enquanto esperavam o sinal para a outra aula.

-Não sabe o quanto estou nervosa por você... –Sam sussurrou enquanto procurava o livro de álgebra, que lhe servia de travesseiro –álgebra era uma das matérias que ela não tinha com Freddie, por isso ela aproveitava a aula pra dormir- Sabia que só falta um mês pra você fazer 18 anos? Eu não quero que você vá embora pra Concordia...

-Não se preocupe quanto a isso. –Freddie deu de ombros- Daqui a um mês teremos férias de primavera e o começo vai cair exatamente na semana do meu aniversário. Nós dois iremos pra Concordia. –Os olhos de chocolate de Freddie brilhavam decididos- Tem algumas coisas que vou resolver por lá.

-Que tipo de coisas?

-Segredo, meu amor, segredo... –Freddie sorriu antes de dar um selinho em Sam- Vamos, eu não posso me atrasar na aula...

-Eu posso... –Sam riu, fechando o armário- Até por que eu só vou pra aula de álgebra pra dormir...

Freddie deu mais um beijo rápido em Sam antes de irem pra suas salas de aula. O que nenhum dos dois sabia era que alguém os observava curioso, mas em especial observava Sam.

-Ah, não. Hoje não... –Sam murmurava dengosa enquanto Freddie deixava um rastro de beijos em seu pescoço. Os dois tinham acabado de sair de um treino do clube de esgrima e estavam dentro do Bentley de Freddie.

-Vai, por favor. Você não precisa fazer isso. –Freddie murmurou no pescoço da sua loira demoníaca- Eu posso fazer as cópias pra Carly e Melanie depois. Fica comigo, sim?

-Nem pensar. Mesmo que eu queira ficar com você... –Sam mordeu o lábio, reprimindo um gemido- E eu quero muito... Não dá. Eu prometi isso pra elas e eu tenho que entregar tudo hoje.

-Hmmm, a loira preguiçosa tá ficando responsável, é?

-É, a Srª B disse bem quando falou que você tá me influenciando...

-Tem certeza? –Freddie arqueou a sobrancelha, segurando a perna de Sam que estava enganchada em sua cintura- Você tá afundando em álgebra...

-Ah, mas não é que eu não goste de álgebra. É a álgebra que não gosta de mim. –Sam levantou as mãos, defendendo-se- Por que você acha que eu durmo nessa aula? É por que ela me pôe pra dormir...

-É, assim como a aula de biologia, a aula de geografia... –Freddie levantava os dedos, contando as aulas.

-Cala a boca, príncipe nerd... –Sam deu um tapa no peito de Freddie antes de beijá-lo- Anda, deixa eu sair. Logo eu volto pro Bushwell, prometo... –A loira sorrira antes do moreno a beijá-la uma última vez antes de sair do carro, quase se rastejando.

-Espera. E a sua mochila? –Freddie perguntou enquanto arrumava a camiseta no corpo- E o florete?

-Leva com você. Não vou precisar dela mesmo... –Sam deu de ombros- Te vejo em casa...

-Ok... –Freddie murmurou enquanto ligava o carro, saindo do estacionamento do colégio.

-Não se preocupa, Mell, já tô com as cópias que vocês pediram... –Sam tentava arrumar os papéis em sua mão enquanto falava no telefone com a irmã- Já vou aí rapidinho entregar tudo...

-O Gabriel tá com você?

-Não, mandei ele ir na frente. Não queria que ele ficasse entediado em ter que esperar 10 minutos por duas cópias de Hamlet. Se bem que isso não seria um tédio pra ele... –“Que namorado mais shakespeariano eu fui arranjar...”, Sam pensava enquanto terminava de organizar as folhas- Enfim, eu já vou pra casa, mas antes eu vou pegar um shake...

-Ah, Sammy...

-O quê? Eu tô com fome sabia? –Sam reclamou- E além disso, o shake vai enganar meu estômago até eu voltar pra casa...

-Ok, só não me suje as cópias, sim? –Melanie ordenou.

-Claro, irmãzinha... –Sam retrucou sarcástica- A gente se vê...

Sam estava a poucos metros do Bushwell Plaza, exatamente perto do Smoothie Groove. Já estava entrando, com água na boca, já sentindo o gosto do milk shake de banana e papaia quando sentiu um braço a imobilizar e algo frio chegar perto de sua garganta. A lâmina de um punhal.

-Fique quietinha, Srtª Puckett, e você não se machuca...

-Me solta, seu maluco... –Sam sussurrou, pronta a aplicar um de seus golpes no estranho, mas só pelo aperto no seu pescoço ela pôde notar que ele com certeza era mais forte que ela. “Maldita a hora que eu disse pra deixar minha mochila com Freddie...”, Sam pensava silenciosamente, “Se eu tivesse com ela aqui, pegava a minha meia com manteiga e nocauteava esse doido...”. Ela prestou mais atenção no que o estranho vestia. Um uniforme militar vermelho, estilo Príncipe William, mas ao invés de medalhas de honra e coisas da nobreza saltando da roupa, tudo o que ela via era uma coroa ensanguentada no lado esquerdo.

-Tá olhando o quê, loirinha?

-Nada, só tô pensando em como te nocautear... –Sam falou calmamente. O homem estranho que a ameaçava podia ser mais forte que ela, mas com certeza sucumbiria a um chute bem dado em suas partes sensíveis.

-Você não pode fazer nada comigo. Por que se não, o Príncipe Gabriel vai sofrer as consequências...

Sam congelara por dentro. A roupa, a coroa ensanguentada bordada com tanto realismo que parecia que o sangue bordado iria pingar nela a qualquer momento. Ele era de Concordia. Sabia do segredo de Freddie.

-Você não sabe quem ele é. –Ela continuou calma, como se o punhal no pescoço não a intimidasse- Nem nunca vai saber. Não enquanto tiver gente aqui leal ao segredo dele...

-Mas será que ele será leal a você, Melanie Puckett? –O homem riu cruelmente enquanto Sam franzia a testa. “Esse doido deve achar que sou a Mell...”- Assim que o principezinho subir no trono ele vai te esquecer completamente. Ele não vai dar atenção a uma plebéia marrenta como você. Então, seja boazinha e venha comigo...

-Nem pensar... –Sam pegou na mão esquerda do homem, a que tinha o punhal, e a imobilizou enquanto dava um chute forte entre as pernas dele. Era a deixa perfeita para Sam fugir. Correu até as pernas cansarem, mas não foi o bastante. Logo o estranho soldado –ou o que quer que fosse– logo a alcançou.

-Epa, epa... Onde você vai, loirinha marrenta? –O homem soltara uma risada diabólica enquanto esmagava o punho de Sam com a mão.

-Solta ela agora!

Se controlando pra não choramingar por culpa do pulso protestando de dor, Sam olhou por trás do soldado e viu Freddie, segurando o florete da aula de esgrima.

-E o que você vai fazer, garotinho? Vai me atacar?

-Em primeiro lugar, pra você é Vossa Alteza... –Sam olhou aterrorizada para Freddie. Como ele tinha coragem de revelar um segredo desses?- E em segundo, sim, eu vou te atacar. Por quê? Tá com medo de um “garotinho”? –Freddie riu sem humor, desenhando as aspas no ar com a mão livre.

-Não sabe com quem você tá mexendo...

O homem avançara em Freddie com o punhal fazendo Sam pular pra trás de medo, mas ela viu com alívio o moreno se desviar do golpe antes de desacordar o soldado batendo o punho do florete na nuca dele.

-Sam... –Freddie falou devagar, sem tirar a ponta do florete da cabeça do homem desmaiado na calçada- Você tá bem, meu amor?

-Tô, mas... Como chegou aqui? E por que se revelou? Vai saber quem ele era? –Sam perguntou com lágrimas contidas nos olhos, esfregando o punho dolorido.

-Ele não vai ter como saber... –Freddie sorriu, abraçando Sam- O golpe que eu dei dele ativa o centro de memória dele. Ele vai esquecer os últimos 10 minutos que esteve consciente, incluindo como ele te pegou aqui e como ele soube do meu segredo... Ai, caramba, olha sua perna, Sam...

-O que tem... Ai, que merda... –Sam murmurou irritada quando viu um corte feio em sua perna direita. Não era profundo, mas era grande. A meia e o All Star roxo estavam tingidos de vermelho- Esse idiota deve ter me cortado enquanto eu fugia dele.

-Vem, minha valentona... –Freddie fez Sam passar um braço em torno dele enquanto ele envolvia a cintura da loira- Vamos para o apartamento. Eu faço um curativo pra sua perna e pego um pouco de gelo pra sua mão...

-Minha mão tá boa... –Sam murmurou entre dentes, fingindo que sua mão não estava doendo tanto quanto estava.

-Ah, sei, e por isso você tava esfregando ela com uma cara de dor, né? –Freddie balançou a cabeça, sorrindo- Deixe de ser teimosa, Sam...

-Ah, Sam cadê as folhas que eu... Mas o quê aconteceu com você? –Melanie quase gritou ao ver Freddie em Sam na porta do seu apartamento- Sam, você tá sangrando... E você também Freddie...

-Eu? Mas eu não... –Freddie ia protestar quando sentiu algo queimar sua bochecha de leve. Um arranhão na bochecha esquerda, quase cicatrizando- Ah, deve ser o punhal. Não consegui me desviar completamente.

-Mas que história é essa de punhal? O que aconteceu?

-A gente pode entrar aqui? –Sam gemeu, já sentindo a perna protestar de dor- Tenho que falar uma coisa urgente.

-Entra, eu vou chamar a Shelby pra dar um jeito nesses ferimentos... –Melanie abandonou a porta, deixando Freddie e Sam entrarem, enquanto ela corria o apartamento procurando Shelby.

Sam estava sentada relaxada no sofá. Seus cachos loiros estavam sendo acarinhados por Freddie –que tinha um Band-Aid na bochecha– enquanto Shelby limpava o corte, pronto pra colocar o curativo. Melanie só andava de um lado pra outro, preocupada.

-Me diz de novo, Sammy, como era o cara que atacou você e Gabriel?

-Usava um uniforme vermelho sinistro, com uma coroa cheia de sangue bordada no peito... Ai, isso dói, Shelby!!! –Sam encolheu a perna furiosa quando Shelby colocou o algodão embebido em antisséptico na perna ferida dela.

-Me desculpe, Sam... –Shelby sorriu, tentando não fazer a perna de Sam se encolher por culpa do remédio.

-Ah, isso não é bom, não é bom... –Melanie mordia o lábio, voltando a andar de um lado pra outro.

-Por quê, Melanie? –Freddie encarou a loira nervosa- O que tem esse cara?

-Você não percebeu o detalhe, Gabriel? –Melanie foi pra cozinha e voltou com um copo de água- A coroa ensanguentada. Significa morte ao sucessor do reino, ou seja, você. Aquele deve ter sido um informante do seu tio...

Freddie e Sam se olharam, engolindo seco. Shelby apertara ainda mais a faixa na perna da garota.

-Um informante do meu tio?

-Eles devem ter desconfiado da movimentação dos informantes da sua mãe pra cá. Queria ver se conseguiam te achar...

-E conseguiriam se o Freddie não tivesse nocauteado aquele informante idiota. –Sam sorriu para seu amado nerd- Eu nem sabia que podia apagar a memória de alguém com um golpe...

-Táticas ninjas secretas... –Freddie deu de ombros- Tipo aquela que se você aperta a veia do pescoço do oponente pode até matar...

-Eu uso algumas dessas táticas... –Shelby murmurou enquanto saía do sofá e ia pegar gelo para a mão de Sam na cozinha- São ótimas pra quando eu tô sem equipamento tático...

-É, mas não vamos poder contar com essa sorte por muito tempo, gente... –Melanie sentou no outro sofá- O que aconteceu hoje foi quase sorte, mas também é um aviso. Esse foi o primeiro ataque e mesmo que eles não consigam nada com esse informante, seu tio vai lançar outros informantes pra cá. –A garota encarou Freddie seriamente- Você e minha irmã estão em sério perigo. Todo o cuidado é pouco. Só... Me prometam uma coisa? Tentem se manter vivos até o mês que vem, sim? –Freddie e Sam se encararam antes de acenarem com a cabeça- Quando o aniversário do príncipe chegar, vocês vão a Concordia e vão esclarecer tudo.

Sam franziu os lábios nervosa antes de agarrar o pescoço de Freddie, temerosa.

-Detesto admitir, mas Mell tem razão. Tivemos sorte agora. Mas e depois?

-Vamos lutar até o fim. –Freddie falou decidido- Eu faria isso por você e sei que você faria isso por mim...

-Eu também... –Melanie levantou a mão, ainda entre o nervosismo e a coragem.

-Sabe que eu também, elemento... –Shelby bateu continencia, sem pestanejar.

-Então é isso, garotas... –Freddie abraçou Sam- Está aberta a temporada de caça aos informantes...

Notas finais
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