Um Príncipe em Minha Vida
33 Keeping Secrets Safe
Notas iniciais
No final das aulas, Sam saiu bocejando da aula de álgebra quando viu Freddie perto do seu armário, de braços cruzados, um pé apoiado em um dos armários de baixo e um sorriso de tirar o fôlego.
-Como foi a soneca de álgebra? –Freddie perguntou antes de dar um selinho em Sam.
-Muito boa, obrigada pelo interesse... –Sam revirou os olhos antes de guardar o livro de álgebra no armário- Então, vai me levar pro clube de esgrima antes de ir para a horda de nerds?
-Infelizmente não... A reunião do Clube AV foi cancelada por que alguém fez uma bagunça na sala do clube e vai demorar pra limpar tudo por lá e veio pouca gente hoje do clube de arco e flecha... –Freddie deu de ombros.
-Mas então o que você vai ficar fazendo o dia todo? –Sam falou de dentro do armário, pegando o PearPod dela- Quer dizer, ninguém que não tenha reunião de clubes pode ficar depois da aula e as reuniões dos seus clubes foram canceladas...
-Não se preocupe, Srtª Carnívora... –Freddie puxou Sam pela cintura- Vou fazer umas coisas na cidade e volto a tempo pra te buscar. Prometo...
-É bom mesmo... –Sam desenhou a lateral do rosto de Freddie com os dedos antes de beijá-lo- Eu já vou pra esgrima, ok?
-Tá bom. Acerte uns idiotas com o florete por mim, ok? –Freddie gritava enquanto via sua namorada correr com o florete na mão. Ele balançou a cabeça enquanto fechava o armário de Sam. Agora ele podia fazer o que estava planejando desde que pedira Sam em namoro há exatamente um mês atrás, mas precisava de uma ajuda... Profissional.
Os garotos da equipe de futebol americano dos Bulldogs de Ridgeway já estavam saindo do treino quando um deles reparou em uma figura morena de braços cruzados na saída do campo.
-Hey, o que o Benson tá fazendo aqui? –Um loirinho que jogava na posição de atacante apontou Freddie, que olhava para os garotos.
-Freddie? –Matthew se virou e olhou o garoto.
-Não vai me dizer que o nerd vai entrar pro time? –Um garoto negro caçoou, tirando o capacete.
-Não zoa com ele não. Ele é da equipe de arco e flecha e de esgrima. –Matthew encarou Freddie, enquanto ele o apontava da saída do campo- Se você não tiver seu braço cortado por uma espada, vai ter sua testa perfurada por uma flecha...
-Eu não tenho medo dele... –O loiro que reparara em Freddie já andava em direção a ele, estralando os punhos.
-Se eu fosse você, teria medo. –Matthew ficou de frente para o amigo de time- Você sabe quem é a namorada dele e sabe que se mexer com ele, a Puckett vai estraçalhar seus miolos enquanto o Freddie corta sua garganta... E eu ajudo colocando tudo o que sobrar em um buraco. Quer mesmo mexer com ele?
-Calma aí, Carter. A gente só tava falando, só isso. –O garoto levantara os braços, se defendendo- Já que você tá tentando proteger o rei dos nerds, vai lá falar com ele...
-Escolha interessante de palavras... –Matthew murmurou- Eu vou lá...
Matthew andou metade do campo em direção a Freddie, que descruzou os braços.
-E aí, Gabriel. O que tá fazendo aqui?
-Preciso da sua ajuda pra uma coisa e é pra agora. Seu treino já terminou?
-Terminou faz uns minutinhos, mas e você? Devia estar no Clube AV, não?
-A reunião do Clube AV foi cancelada e soube que cancelaram o treino no clube de arco e flecha agora. –Freddie deu de ombros- Então, pode dar um pulinho na cidade comigo?
-Mas eu ia dar uma carona pra Carly e...
-Ela pegou carona com a Shelby e a Melanie. Eu vi...
-Ok, vamos... –Matthew balançou a cabeça- Mas vou tomar um banho antes. Não vou sair por aí fedendo...
-Tá bom, Benson, o que a gente tá fazendo aqui na joalheria, hein?
Freddie e Matthew tinham estacionado em frente á Watson’s, a joalheria mais cara de Seattle. O Benson olhava pra fachada do lugar, decidido, mas o Carter ainda estava confuso.
-Bom, eu tô pensando em fazer uma surpresa pra Sam e quero comprar uma coisa especial pra ela...
-Tá, e o que eu tenho a ver com isso?
-Meio que nada, mas... –Freddie fez uma careta, encarando um volante- Você tem mais experiências com garotas do que eu. Você podia me dar uma dica do que dar pra uma garota...
-Eu nunca dei nada pra nenhuma das garotas que eu namorei... –Matthew olhou pra fora do carro- Por que eu nunca senti que nenhuma das garotas era “a” garota, sabe? Até a Carly aparecer...
Freddie se virou pra Matthew, completamente surpreso.
-Eu sempre gostei da Carly, mesmo antes do webshow de vocês, mas nunca tive coragem de chegar nela e dizer um “oi”, mesmo com a minha popularidade. –O garoto continuara a falar- Eu tenho que dizer que tinha um pouco de raiva de você. Você sempre teve coragem pra dizer a ela que a amava, mesmo ela te dando um fora toda vez. Ficava torcendo pra ter metade da coragem que você tem só pra dizer “oi” a ela...
-Mas agora você a tem... E eu tenho a Sam. Tudo está como deveria ser... –Freddie disse pasmado, com um sorriso no rosto. Só agora ele tinha visto a verdade daquelas palavras. Seu destino estava ligado com o da demônia loira. Sempre esteve.
-É, e hoje não consigo me imaginar sem ela na minha vida. Lembra aquele dia que eu fui ao apartamento da Shelby e vi a Carly toda machucada? –Com um aceno de cabeça de Freddie, Matt prosseguiu- Me deu um gelo no coração vê-la toda ferida, senti como se meu mundo estivesse morrendo. Mas depois, com ela nos meus braços, mesmo com todos aqueles cortes e aquele olho roxo, ela ainda era a minha Carly, a garota pela qual eu me apaixonei perdidamente. A garota que torna minha vida infinitamente melhor, a garota pela qual eu levaria um tiro pra salvá-la... –Matthew terminou com um sorriso sonhador no rosto, que logo se tornou confuso ao ver Freddie dando um riso tímido- O que foi que você tá rindo?
-Nada, é que... –Freddie respirou fundo, parando de rir- Você e eu pensamos parecido quando se trata das nossas namoradas. Eu também sou capaz de levar um tiro, de me jogar em um tonel de ácido, de servir de alvo pra um atirador de facas cego, enfim, sou capaz de tudo pela Sam. Assim como eu sei que ela faria a mesma coisa por mim... E essa é a parte que me preocupa...
-Por quê?
-Olha, não tem como nenhum de nós saber, mas quando meu tio souber em definitivo da minha existência, vai acontecer outra guerra em Concordia. Outro derramamento de sangue inocente e desnecessário. E eu sei que todos que eu amo e me importo vão tentar me proteger. Você, Carly, Melanie, Shelby, Sam... E eu não quero que ela, nem ninguém se sacrifique por mim. E se a Sam entrar nessa guerra... –Freddie apertou os lábios e os olhos, tentando reprimir uma lágrima que ameaçava sair enquanto se lembrava do pesadelo recente- Eu não vou suportar perder ela, Matt, eu não vou mesmo... Quer saber? Foi legal você ter vindo comigo aqui hoje. Tava precisando dizer isso, ou eu ia explodir...
-Não se preocupa, Gabriel... –Matthew pôs a mão no ombro do Benson- Quando precisar desabafar, eu tô aqui. Somos aliados agora, não é?
-Claro que somos... –Freddie colocou a mão no ombro de Matthew, com um sorriso no rosto, até que se lembrou do que Sam lhe dissera mais cedo- Escuta, sabia que o Griffin usa um medalhão bem esquisito?
-Ah, sei disso... –Matthew balançou a cabeça enquanto tremia por dentro- Eu nunca vi esse medalhão, mas diz ele que é lembrança do nosso pai. Ele era da Guarda Real de Concordia, morreu tentando salvar o reino. Ele foi um herói... –Matthew levantou a cabeça, orgulhoso- Um dia quero ser como ele. Quando eu terminar a faculdade vou me mudar pra Concordia e entrar para as Forças Armadas de lá. Quem sabe o futuro rei não me garante um lugar na Guarda Real? –Ele riu, dando uma cotovelada de brincadeira em Freddie.
-Por mim você seria da Legião de Honra. –Freddie riu junto com Matthew enquanto pegava algo da mochila dele –a carteira e o PearPhone– e colocava tudo no bolso da calça- Vamos lá, vamos entrar na joalheria. Ah, mais uma coisa... –Freddie segurara o garoto pela manga da jaqueta- Vamos combinar de deixar essa conversa aqui?
-Com toda a certeza. –Matthew acenou com a cabeça, concordando- Vamos.
Sam tamborilava os All Stars no cimento do estacionamento, meio impaciente. Tinha acabado de sair do clube de esgrima estava esperando Freddie no estacionamento há 5 minutos e nada dele aparecer. Foi quando ela ouviu o ronronar suave do Bentley do Benson e se surpreendeu ao ver Matthew sair do carro quando Freddie estacionou.
-Valeu por tudo hoje, Matthew... –Freddie falou de dentro do carro, deixando sua voz abafada.
-Não foi nada, Freddie. A gente se vê amanhã... –Matthew fechou a porta do carro, indo direto para a Land Hover dele, estacionada do outro lado estacionamento.
-E aí, esperou muito por mim? –Freddie saiu do carro com um sorriso sapeca nos lábios.
-Imagina, só uns trinta minutos... –Sam revirou os olhos, dando um beijo no moreno.
-Que bom, por que sua espera será recompensa... –Freddie correu com Sam até o outro lado do carro e abriu a porta pra que ela entrasse e correu até o volante, fechando a porta.
-O que você fez, hein?
-Bom, eu fui até a joalheria com o Matthew hoje por que nós dois queríamos fazer algo especial pelas garotas que amamos. –Freddie se contorceu até o banco de trás, onde pegou uma pequena sacola azul turquesa escrita “Watson’s” em uma letra elegante- Nem vi o que o Matthew comprou pra Carly, mas eu comprei uma coisinha especial pra você... Na verdade são duas coisas, mas prefiro te dar essa aqui primeiro.
-Ah, Freddie... –Sam ficou de boca aberta, enquanto pegava a sacola das mãos de Freddie, trêmula- Não precisava ter feito isso. Não precisava gastar tanto comigo...
-O dinheiro não importa. O que vale é a intenção. Não é o que dizem? –Freddie deu de ombros, com seu sorriso ainda estampando o rosto.
-Tá bom, mas eu tô avisando, ainda acho que não precisava ter... Oh, meu deus...
Freddie quis rir da reação de Sam, de boca aberta segurando o estojo. Os olhos azuis reluziam o brilho do ouro branco do pesado pingente, que fazia um trançado complicado, prendendo um rubi e uma safira na superfície.
-É um relicário. –Freddie olhou a joia, ainda na expectativa- Abre e olha...
Sam, ainda trêmula, teve um pouco de dificuldade em abrir o pingente, mas quando o fez, sentiu seu coração se derreter. De um lado, tinha uma foto recente dos dois, quando Melanie os pegou no meio de um beijo. Do outro, uma inscrição pequena.
-O que significa isso? –Sam deslizou o dedo na inscrição- “Hic et nun”?
-É latim... –Freddie pegou a corrente, tirando o pingente das mãos de Sam- Significa “aqui e agora”.
-Freddie, isso é... É lindo... –Sam esfregou os olhos rapidamente, tentando enxugar uma lágrima antes que ela caísse.
-Eu... Posso colocar em você?
-Claro... –Sam sorriu antes de virar as costas pra Freddie, que afastava devagar os cabelos loiros da nuca dela e colocava o colar. Sam admirava o pingente brilhando em seu peito, agora deixando algumas lágrimas emocionadas escaparem.
-Pronto... –Freddie fechou a corrente, dando um beijo na nuca de Sam- Deixa eu ver como ficou...
Sam se virou, secando o rosto, encarando Freddie com um sorriso. Seu rosto parecia se iluminar, como se o pingente de ouro branco fosse um sol particular.
-Você tá linda... –Freddie só a encarou, encantado. Sua mão acariciava de leve a bochecha da loira.
-Obrigada... –Sam sorriu- E o meu outro presente, hein? Achou que me esqueci, né?
-Não, nem pensei nisso. Vou te dar seu outro presente, mas em outra hora. Você vai saber logo quando...
-Eu não gosto de ficar curiosa. Isso vai me deixar sem sono hoje, quer apostar quanto? –Sam fez um beicinho, que Freddie brincava com os dedos dele.
-Eu não quero apostar nadinha... –O moreno mordia o lábio dele levemente, enquanto com a mão livre brincava com os cachos de Sam. Ela fechou os olhos, já sabendo o que viria a seguir, mas Freddie a surpreendera, sugando devagar a pele do seu pescoço.
A loira deixava escapar um ofegar surdo enquanto Freddie distribuía pequenos beijos pelo pescoço dela, subindo pelo queixo dela até chegar no canto da boca de Sam. Ela suspirara de antecipação, mas ele queria torturá-la um pouco mais. Com um sorriso diabólico, Freddie mordeu o lábio inferior de Sam delicadamente, mas ao mesmo tempo sensual. Com um balanço de cabeça meio impaciente, Sam abaixou o rosto, finalmente beijando Freddie. As mãos dele já desceram para a cintura da garota enquanto ela agarrava firmemente a nuca de Freddie, fazendo o moreno aprofundar o beijo cada vez mais. Suas línguas dançavam como duas najas, as mãos dos dois estavam descontroladas pelos corpos um do outro. Quando se separaram do beijo, estavam completamente sem ar, tontos, mas ao mesmo tempo, se sentiam tão bem como nunca. Os lábios um do outro tinham se tornado uma droga viciante para ambos, a presença um do outro tinha se tornado uma necessidade, um desejo.
-A gente vai ter que parar com isso... –Sam balançou a cabeça, meio tonta- Se alguém nos pegar, o que vamos dizer?
-Nada. Só diga que seu namorado é maluco e resolveu te dar um beijo no meio do estacionamento... –Freddie riu, girando a chave.
-Você é maluco, sabia disso, príncipe nerd? –Sam fez uma careta, bagunçando ainda mais os cabelos de Freddie- Mas mesmo assim, eu te amo...
-Eu também te amo, demônia loira... –Freddie dera um selinho em Sam antes de voltar à atenção para o volante- Vamos, temos que voltar pra casa... Tenho que ligar pra minha mãe. Faz tempo que ela não manda notícias...
-A minha também. –Sam apertou os lábios, preocupada- Isso tá me deixando maluca...
-Se acalme, tá? Depois que falarmos com as nossas mães vai ficar tudo bem. Vou falar que nós vamos pra Concordia resolver as coisas...
-É, e eu nem sei que tipo de coisas você vai resolver...
-Tudo ao seu tempo, impaciente... –Freddie sorriu antes de arrancar com o Bentley pra fora do estacionamento do Ridgeway.
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