Um Outro Caminho

2 Cuidando um do outro


Notas iniciais
Mais um capítulo! o/ Boa leitura ♥

“O que estava sentindo não era bem tristeza, era dor. Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra.” — Quem é Você, Alasca?

Tivemos duas aulas tediosas de física e uma de literatura, simplesmente a melhor. A Srtª Louise, professora de literatura, passou um trabalho, — sim. No primeiro dia de aula- nós, cada dupla -no caso eu e Oween — teríamos que escrever uma redação. Não bem uma redação, poderia ser um poema, poesia, enfim, poderíamos escolher o estilo do texto, mas o tema foi escolhido por ela. "Amor: Na adolescência e na idade adulta". Péssimo tema na minha opinião.

Temos quinze dias para escrevermos o poema. Oween escolheu, ele disse que poema seria mais fácil.

–Intervalo, finalmente! — exclamou Oween quando chegamos ao jardim da escola.

–Que isso! Primeiro dia de aula e você já se cansou? — falei com sarcasmo.

–Claro! Escola cansa...

–Sorte que não atropelaram você na entrada... imagine só.

–Sem graça! — disse ele me dando um soquinho no braço.

Nós caminhamos até um banco, na sombra de uma árvore. Me sentei e ele se sentou ao meu lado. Seu cabelo "bagunçado" voava com a leve brisa.

–Cade sua amiga? — perguntou-me ele fitando o chão e brincando com uma pulseira macrame, que ele usa no braço direito, verde e vermelha e com alguns detalhes em preto e amarelo mostarda.

–Tentando resolver detalhes do trabalho com a Lily, elas não se dão muito bem. — murmurei, tentando me concentrar na música que estava ouvindo. — Yesterday (Beatles)

–Ah... Lily... aquela loira que se veste...

–Feito a barbie?! Sim, é ela. — revirei os olhos -Francamente, tudo o que ela quer é chamar atenção.

Oween riu.

–O que foi?

–Nada... — disse ele sorrindo -Engraçado não acha?! Eu te atropelo e agora viramos amigos.

–Amigos? Nós? O que? -Olhei para ele rindo sem graça -Quer dizer, somos dupla na aula, mas não escolhemos isso.

Oween ficou em silêncio por um tempo, ainda mexendo na pulseira, aparentemente chateado.

–Mas estamos passando o intervalo juntos...

–Claro! Porque eu torci o tornozelo, por culpa sua. Então você é obrigado a me ajudar a andar.

–Obrigado? Só me chamou para vim com você porquê acha que eu sou obrigado a te ajudar?

–É. E eu não acho, você é.

Ele olhou para mim rapidamente, seu olhar era um misto de raiva, tristeza e decepção.

–Hey, o que você está fazendo? — perguntei quando ele se levantou.

–Vou encontrar um lugar para passar o intervalo. Um lugar onde ninguém me use. — disse e saiu caminhando lentamente, cabisbaixo.

–Oween? — chamei, mas ele me ignorou e continuou andando.

Francamente, os garotos são tão idiotas. Eu não fiz nada errado. É claro que ainda não somos amigos, acabamos de nos conhecer, e eu não estava usando ele, não foi isso.

Me levantei e sai a procura de Oween, às vezes mancando e outras dando pulinhos, ainda era difícil andar. Procurei ele pela escola toda — e não foi nada fácil, com esse tornozelo torcido — mas não o encontrei, estava quase desistindo quando me lembrei:

O terraço! É claro, como não pensei nisso antes?

Quando cheguei no terraço, o encontrei sentado com as costas contra a parede e a cabeça apoiada nos joelhos.

–Oween? — chamei baixinho.

–O que você quer? — perguntou-me ele em um tom seco.

–Me desculpa... você... eu não estava te usando. Quer dizer... bom, só achei que seria justo você me ajudar já que a culpa foi sua.

Ele assentiu.

–E... nós não somos amigos, ainda, isso não quer dizer que não podemos ser. — sussurrei -Hey?! Para de drama...

Ele levantou a cabeça devagar, seus olhos estavam vermelhos.

–Estava chorando? — perguntei incrédula -Por quê? Isso é bobagem.

–Não estava chorando pelo o que você disse.

–Por que, então? — perguntei.

–Minha mãe e meu irmão mais velho... eles sofreram um acidente de carro. — sussurrou ele, recomeçando a chorar.

–Oh, sinto muito. Eles... — não consegui terminar a frase.

–Não. Meu irmão está bem, só sofreu alguns ferimentos leves. Mas, minha mãe... está em coma.

–Sinto muito, Oween... sinto muito... — sussurrei me abaixando para abraça-lo.

***

O intervalo já havia acabado, a quarta aula devia estar quase no final. Oween ainda estava ao meu lado no terraço, seus olhos vermelhos e inchados. Meu pé começara a latejar, parecia que vespas o estavam atacando, mas eu permaneci em silêncio até Oween falar comigo.

–Seu pé... ainda está doendo? — sussurrou ele ainda fitando o chão.

–Só um pouco.

Ele sorriu. Mas seu sorriso torto mal apareceu dessa vez.

–Você mente mal sabia? — ele levantou a cabeça e seus olhos encontraram os meus -Está doendo, eu sei. Você andou a escola toda atrás de mim, sem ter alguém em quem se apoiar, e ainda subiu a escada até aqui. Você certamente precisa ir para enfermaria.

–Não, Oween... — comecei, mas ele me interrompeu no meio da frase.

–Venha! Vamos lá, se apoie no meu ombro como mais cedo. Okay?

Assenti e me levantei com dificuldade.

–Olha, sério, você não precisa fazer isso. Estou bem.

–Mas seu pé não. — cotestou ele.

Descemos para o pátio e caminhamos até a enfermaria em silêncio. Oween ainda estava triste. Não. Ele estava completamente abalado e eu não tinha ideia de como ajuda-lo, se algo acontecesse com meu pai eu não saberia o que seria de mim.

***

–O que houve com o pé dela? — perguntou Lucy, a enfermeira da escola, assim que entramos.

–Ela caiu vindo para a escola e acho que torceu o tornozelo. — explicou Oween.

–Meu Deus, por que esperou tanto tempo para vim à enfermaria? — perguntou-me ela pegando sua caixa de primeiros socorros, analgésicos e um tubo comprido, que eu deduzi ser uma pomada.

–Sente-a aqui por favor. — pediu ela à Oween apontando a maca no canto da parede esquerda.

Oween me levou até ela e eu me sentei, ele ficou em pé ao meu lado fitando o chão, sem me olhar nenhuma vez.

–Vai ficar tudo bem. É só uma torção. O seu tornozelo está um pouco inchado, mas só porquê você demorou para me procurar.

Eu apenas assenti enquanto ela passava uma pomada transparente e gélida no meu tornozelo.

–Você vai à pé para casa?

Assenti de novo.

–Hum... isso não é muito bom. Você já forçou esse tornozelo demais por hoje, precisa descansar, ficar de repouso o resto do dia e passar essa pomada a cada duas horas okay?

–Sim. — sussurrei.

–Vou te dar um tubo dela e você não pode se esquecer de passa-la, tudo bem? — ela não esperou minha resposta e prosseguiu -Se você não usa-la de duas em duas horas e não repousar pode ser que amanhã ainda esteja dolorido e inchado.

–Uhum. — concordei.

Lucy me olhou com preocupação, parecia que ela estava falando com uma criança e não com uma garota de dezessete anos.

Revirei os olhos e falei:

–Relaxa, eu vou passar a pomada na hora certa e vou descansar, okay? Eu tenho dezessete anos, não sete. Sei me cuidar.

–Ela só está tentando ajudar, Ivy. — sussurrou Oween com a voz embargada. Ele logo voltaria a chorar. -Vou cuidar dela. Somos vizinhos.

A enfermeira olhou para ele em dúvida por um instante e assentiu.

–Você pode leva-la para casa?

–Posso. Eu cuido dela. — respondeu ele pegando minha mão e a colocando em seu ombro

Eu permaneci sentada, com a mão dele na minha e esta em seu ombro.

–Tudo bem então. Toma. — disse Lucy pegando um tubo da pomada e entregando à ele -Vou escrever uma dispensa para os dois, assim você pode ajuda-la a caminhar até em casa.

Ela seguiu até uma pequena escrivaninha ao lado da porta e começou a escrever, retornando uns dois minutos depois.

–Aqui está. Leve-a direto para casa e cuide para que ela comece o repouso assim que chegar. Pode não parecer muito, mas a dor irá piorar se você não cuidar e continuar forçando-o, entendeu Ivy?

–Sim, entendi. Obrigada. — murmurei ao me levantar.

–Obrigado. — agradeceu Oween.

–Você não precisa me levar até em casa. — sussurrei ao passarmos pelo portão, já fora da escola -Você deveria aproveitar a dispensa e ir até o hospital visitar sua mãe.

–Isso não vai ajudar em nada.

–Oween, você deveria ficar com seu pai, seu irmão, eles precisam de você. Eles são sua família, já eu sou só a garota que você atropelou com o skate. — falei em uma tentiva falha de faze-lo sorrir.

–Está bem. Eu te levo em casa, vou para minha, tomo um banho gelado e aí sim, vou até ao hospital.

–Tudo bem, que seja. Só vá até lá.

Notas finais
O título do capítulo ficou meio "bah" q shaush mas e a história, vocês gostaram? Me digam nos comentários. Beijos