Um Outro Caminho

3 Dividindo sentimentos


Notas iniciais
Eu disse que não ia postar mais se não tivesse comentários, mas como esse aqui já estava prontinho eu vou posta-lo e esperar pra ver se continuo ou não. Boa leitura ♥

“Eu sempre dizia “bem” — mesmo quando não estava tão bem assim.” — Extraordinário

–Olá Oween! — gritei ao avista-lo alguns metros à minha frente.

–Bom Dia, Ivy! — respondeu ele se voltando para mim.

–Bom dia nada. Por que você não me ligou? Fiquei preocupada. — resmunguei.

–Obrigado, mas não precisava se preocupar e eu não tenho seu número. — respondeu ele dando um meio sorriso — E seu pé? Está melhor?

–Dane-se meu pé. Sua mãe... você foi vê-la? Ela está bem?

–Eu fui. — respondeu-me ele secamente voltando-se para frente e retornando à caminhada.

–Oween, espera. — falei pegando seu braço, e notando, pela primeira vez, uma tatuagem tribal.

–Esperar o que? -perguntou ele me encarando novamente com um olhar estranho — Olha só, a gente se conhece há um dia. E não foi por escolha minha, eu te atropelei, te ajudei e só. Isso não nos torna amigos tá legal? — murmurou ele livrando seu braço e seguindo seu caminho sem mim. Como ele poderia usar meu próprio argumento contra mim?

–Aconteceu alguma coisa? — perguntou Sophie, parando ao meu lado.

–Eu estava me perguntando a mesma coisa. — sussurrei, fitando Oween se afastar.

–Seu pé, melhorou?

–Sim, está melhor. — falei passando o peso do corpo de um pé pro outro. -Você sumiu ontem, por onde andou?

–Adivinha? Lily. — Sophie e sua mania de responder as próprias peguntas — Ela é um saco! Por que de todas as pessoas da nossa sala eu tive que ser dupla logo dela?

–Destino. — sussurrei.

–Hã? Que história é essa?

–Ah você sabe. Não acredito em acasos, então é destino.

–Tipo, Oween te atropelar e depois estar na mesma sala que você e ser sua dupla?

Eu ignorei a pergunta da Sophie, não poderia responde-la. Afinal, que destino é esse que coloca um garoto tão problemático no seu caminho? — Okay, quem sou eu pra dizer que alguém é problemático? — Um garoto que chega já mexendo com sua vida.

–Sempre achei estranho você não acreditar no amor, mas acreditar em destino. Não faz sentido. — sussurrou Sophie.

– Desde quando eu faço sentido? — falei rindo e Sophie riu comigo.

Caminhamos em silêncio até a escola, Sophie com a cabeça baixa e alguns passos à minha frente. É incrível como ela me conhece bem e sabe quando me ouvir ou simplesmente quando um assunto está me incomodando. Somos amigas desde que me lembro, ela sempre esteve ao meu lado, inclusive na manhã em que minha mãe nos deixou, éramos tão pequenas, e eu sei que ela não entendia porque minha mãe estava indo embora, mas ainda assim ela ficou ao meu lado e está comigo até hoje e sempre vai estar e essa é a única coisa da qual tenho certeza.

–Obrigada, Soh. — sussurrei colocando a mão sobre o ombro dela fazendo-a parar na porta da sala de aula.

–Por que? — perguntou ela confusa.

–Por tudo. Sabe, você sempre aguenta minha bipolaridade, meus problemas... e tudo mais.

–Hey, para com isso. Somos amigas eu te apoio, você me apoia. É tipo, se uma cai a outra cai junto, entende? Preciso de você tanto quanto você de mim, somos o alicerce uma da outra. — falou Sophie sorrindo. Ela sempre foi assim, doce, sonhadora. Sorri de volta pra ela e entramos.

Oween já estava sentado no seu lugar, com a cabeça apoiada na mão e olhando pela janela. Caminhei devagar até a minha mesa e me sentei tentando não incomoda-lo, eu sei que ele não quis ser rude, só estava preocupado com sua mãe.

–Bom dia, turma! Muitos aqui já me conhecem, mas para aqueles que escolheram, ou não, cursar o último ano do ensino médio aqui, meu nome é Marisa, nada de senhora, só Marisa e sou professora de Artes.

Marisa é mais do que uma simples professora, ela é do tipo que se torna amiga de todo mundo, como uma irmã mais velha. Ela ainda é bem jovem e realmente estilosa. Seus olhos são tão azuis que até lembra o céu em um dia sem nuvens.

–Ivy? — ouvi Oween sussurrar e olhei para ele — Me desculpa, eu não quis te tratar daquele jeito... eu só...

–Relaxa tá legal? Eu sei, deve estar sendo difícil para você.

Seu sorriso torto apareceu por bem menos de um segundo e logo sumiu. Ele pegou a minha mão por debaixo da mesma, o que me deixou um pouco constrangida, mas logo percebi que ele só estava tentando me entregar um bilhete, fechei minha mão com o papel nela, e quando Marisa se sentou em sua mesa para organizar o conteúdo de seu portfólio eu o abri e o li embaixo da mesa.

Passar o intervalo no terraço?

Essa era a única frase no bilhete.

Olhei para Oween e sorri, passando-lhe o bilhete de volta, com a seguinte resposta:

Okay!

***

Tivemos duas aulas com a Marisa e uma de Filosofia com o Fredy, e logo o intervalo chegou. Sophie teve que se juntar outra vez a Lilian (Lily) para resolverem o estilo da redação que iriam fazer, o que com certeza não seria resolvido até o fim do intervalo, enquanto Oween e eu subimos para o terraço.

–Eu gosto desse lugar. — sussurrei com os olhos fechados, enquanto meu cabelo dançava com o vento.

–Eu também. É calmo, isolado e tem essa brisa, sei lá, ela parece diferente aqui.

–É, isso. — concordei.- Oween? — falei voltando-me para ele, que se sentara junto a parede do lado direito da porta de ferro que dava para as escadas.

–Oi? — perguntou ele sem olhar para mim.

–O que você tem? Quero dizer, da para perceber que sua mãe não é o único problema. — indaguei me sentando ao seu lado

–Eu não fui vê-la ontem. — confessou ele, olhando para seus pés.

–Por que?

–Porque meus pais se divorciaram há uns dois meses, meu irmão ficou em Orlando com minha mãe e eu vim para cá com meu pai. Eu queria vê-la, mas não é possível, não agora.

–Sinto muito por tudo isso, vai ficar tudo bem. — falei pegando a mão dele.

–Obrigado! — sussurrou ele sorrindo, ainda sem olhar para mim.

–Sabe poderia ser pior.

–Pior? Como?

–Sua mãe poderia ter abandonado você e seu pai sem nenhum motivo aparente, mesmo você tendo só seis anos de idade. — falei com a voz rouca. Era estranho contar isso pra ele, só nos conhecíamos há dois dias, mas eu não pude evitar, as palavras apenas saíram.

–Ivy… — sussrrou ele finalmente olhando pra mim. Abaixei a cabeça com medo do que veria em seus olhos.

–Não fale nada, já tem pessoas demais sentindo pena de mim e por onze anos.

Sorri sem entusiasmo para ele, que apoiou a cabeça em meu ombro. Permanecemos assim até o fim do intervalo, de mãos dadas com sua cabeça em meu ombro.

E eu posso dizer que nunca me senti tão feliz.

***

As duas últimas aulas — de história com a senhora Sabah — foram bem tranquilas e logo bateu o sinal que nos libertava de mais um dia cansativo de aula. Coloquei minhas coisas na mochila e me levantei pra ir embora, então percebi que Sophie ainda estava na sala, presumi que, talvez, ela não fosse se reunir com Lily hoje e fui falar com ela.

–Vai para casa hoje, Sophie? — perguntei me aproximando da carteira dela.

–Vou sim. — respondeu ela voltando-se para mim com um sorriso no rosto — Poderíamos ir ao cinema ou vai passar a tarde com seu amado Oween? — brincou ele. Palhacinha.

–Para de graça, Soh! — falei dando um soquinho em seu braço.

–Okay, Okay! Mas e o que me diz do cinema? Topa?

–Claro! Mas... — murmurei voltando-me para Oween que terminava de guardar seus materiais.

–Tá... ele pode ir. — indagou ela rindo — Hey, Oween? Quer ir ao cinema hoje à tarde?

–Claro! — respondeu ele, exibindo seu sorriso torto.

–Você tem chat friend? Para que nós possamos lhe avisar onde nos encontrar.

–Sim, é Oween Harris.

–Assim? Só isso? — perguntou Sophie.

–É, só isso. Por quê? — perguntou ele arqueando a sobrancelha direita.

–Nada. Então a Ivy te adiciona lá e te avisa ok? Agora tenho que ir, vejo vocês mais tarde. — disse Sophie, já perto da porta.

–Tchau. — respondemos juntos.

Notas finais
E aí? O que acharam? Se quiserem que eu continue a postar é só comentar. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.