Um Novo Mundo.
37 Capítulo 37 - Adeus á vida.
Notas iniciais
Narração Isobel
Eu estava extasiada com o momento, eu não tinha palavras, eu não conseguia me expressar.
Não, não podia ser. Não!
Enchi meus pulmões, tentei estabilizar minha respiração. Mas todo o esforço que eu estava tendo para conseguir fazer algo tão fácil, algo que nem precisava pensar para realizar, tudo era em vão. – Minha garganta estava embargada, eu não estava raciocinando direito. Não parecia real.
Acho que levaram essa brincadeira longe de mais, por que todas essas pessoas ao meu redor não jogavam os braços para o alto e com sorrisos bobos em seus rostos falariam: “É TUDO UMA BRINCADEIRA, SE RECOMPONHAM, VAMOS LÁ, OLHEM AQUI!”.
Por quê? Por que isso teve que acontecer? Por que toda essa desgraça e todo esse maldito vírus teve que acontecer? E de todos os porquês, o principal deles: por que eu não ia dormir? Afinal tudo isso é um sonho, eu posso fazer tudo o que eu quero, e nada me afetaria. Afinal tudo é apenas a merda de um sonho.
A merda de uma vida no meio do caos, a merda de um pesadelo do qual eu definitivamente não poderia ir dormir e acordar, o qual eu tinha certeza que estava vivendo.
O mundo conspirava contra nós. Ele queria nos devorar, e depois apenas cuspir tudo aquilo que não servia mais para o espaço e finalmente dizer adeus à vida. – Todos ao meu redor tinham olhares assustados. A minha esquerda tinha uma mãe devastada, e em aqui, embaixo de meus pés, a minha sombra, a terra em que eu pisava, todo o meu ser sentia mais um pedaço tirado dele. Arrancado de suas mãos cruelmente, sem ao menos se importar.
Ela não precisa disso de qualquer jeito, apenas mais um... Alguém insignificante. – Fiquei em meus joelhos, encostei minha cabeça e deixei que toda aquela terra entrasse e explorasse meus fios. Eu não me importava de qualquer jeito.
Eu só as queria de volta.
–
A manhã estava nublada, bem diferente de todas as outras. Parecia que dessa vez o frio havia ganhado, pois eu congelava debaixo do fino lençol que me cobria da cabeça aos pés. Eu estava encolhida, tentando achar a temperatura desejada encostando-me a meu corpo. – Hoje eu não sabia o que vestir. Eu tinha apenas uma blusa de manga comprida e uma calça jeans que provavelmente estava imunda jogada do outro lado do quarto. – Levantei da cama e encostei os pés no chão, o frio deles com o contado do gelado do piso me fez estremecer.
Meus pés estavam úmidos e gelados.
Fiz um pequeno esforço e tirei a minha bunda da cama, caminhei até minha calça (que estava jogada e imunda do outro lado do quarto) e a vesti por debaixo da camisola. Abri uma das gavetas da cômoda e vi minha blusa de manga comprida embrulhada em um dos cantos, a vesti e joguei do mesmo jeito a camisola ali dentro.
As vestes estavam geladas, e por mais que eu já estivesse com frio. O calor que a camisola proporcionava para meu corpo tinha se ido.
Fui até o banheiro e lavei meu rosto. Olhei-me no espelho e não vi alguma diferença. Essa era a minha cara nos últimos dias, olheiras profundas debaixo dos olhos e a desanimação estampada. Meus olhos estavam vermelhos, cansaço? Ou eu havia chorado durante meu sono?
Sai do quarto e desci as escadas, rondei toda a extensão da sala, mas não encontrei nem sequer uma alma viva ali. Sai da casa e olhei aos arredores, e os encontrei perto do celeiro. Pareciam preocupados com alguma coisa, a caminhada até lá seria cansativa, mas sentia que valeria a pena.
Desci os degraus brancos e me comecei a andar, mantinha os braços cruzados tentando afastar o vento gelado que batia contra meu rosto. A cada passo eu conseguia escutar melhor o que eles falavam. Porém o que eles falavam vinha à base de gritos.
Principalmente de Rick e Shane, alguns se metiam, mas o principal estava ali. – Você quer que durante a noite seu filho seja devorado por uma dessas criaturas? Quer colocar o grupo em risco? – Shane gritava os pulmões, parecia ter folego o suficiente para sustentar cada grito por um minuto.
– Essa é a minha fazenda, quem todas as decisões aqui sou eu! – Hershel, que antes eu nem tinha percebido ali, falou com a mesma intensidade.
Eu cheguei perto, mas ninguém havia me notado. Discussões e mais discussões, até quando o ápice de tudo chegou, eu ainda tentava entender o que estava acontecendo, eu havia dormido de mais? Perdido toda a historia, ou aconteceu ao meu redor e eu apenas não abri os ouvidos? Eu não sabia.
Shane pegou um machado e caminhou até o celeiro, cortou algumas correntes e deixou que a porta abrisse por si mesma. Todos ficaram em posições, eu dei um passo para trás já sabendo o que tinha ali dentro.
Beth tinha os olhos atentos em tudo. – A porta se abriu e saiu um por um. Walkers, vários deles, andando lentamente e não chegando perto o bastante para nos morder. Todos caiam inconscientes no chão, cada um com uma bala ou mais na cabeça.
Eu os vi caírem no chão, Beth colocando as mãos em sua face e chorando, Maggie abraçando seu pai vendo tudo o que acontecia. Eu me perguntei o porquê eles tinham em cárcere alguns zumbis.
Todos abaixaram as armas, se viraram para sair, até que a porta se mexeu novamente, eles não apontaram as armas, não. Eles esperaram.
A porta se mexeu novamente, batendo na outra e fazendo um barulho de madeira se chocando, em qualquer hipótese aquilo seria apenas o vento. Mas não era. Uma pequena mão parecia fazer força para abrir a porta, uma perna fina saiu. Eu comecei a me desesperar, Carol caiu de joelhos no chão e antes de sua cabeça chocar com a terra, Daryl a segurou.
A porta se abriu mais um pouco e mais um deles saiu. Só que o ponto principal de tudo isso, é que o mais um deles andava devagar, ninguém tinha coragem de apontar a arma para a pequena testa, os olhos mortos e os pequenos grunhidos saindo da boca pálida. Ninguém tinha coragem o suficiente para meter uma bala naquele walker.
Por que apesar de toda a matança que teve, nós nunca conseguimos matar aqueles que verdadeiramente amamos, mesmo já estando mortos.
O ponto principal de tudo isso, é que o mais um deles era a Sophia.
Fale com o autor