Um Novo Mundo.
32 Capítulo 32 - O retorno de Veronika.
Notas iniciais
Narração Mariana
Ainda com os batimentos cardíacos acelerados, peguei a chave que trancava a porta e saí do quarto. – Creio que trancar a porta quando se sai de algum lugar onde suas coisas habitam, e esse lugar se encontra dentro de uma “pensão”, não seja a melhor decisão. Principalmente quando você está em um apocalipse zumbi, onde a qualquer minuto algo possa acontecer e você precisará pegar suas coisas, no meu caso, a porta estaria trancada. E com a euforia do momento eu deixaria a chave cair, e talvez eu conseguisse sair dali viva, ou talvez só abandonasse as poucas coisas que eu tinha e as coisas que seriam necessárias futuramente.
Vejam só, eu pensava em possibilidades não tão boas até quando eu estava nervosa. – Tudo pronto? – Rafael me olhou ainda amedrontado, talvez tivesse medo que eu fosse mudar de ideia de repente, ou apenas dizer que eu tinha compromissos, então o “dar o fora”.
Respirei fundo colocando a chave em um dos bolsos traseiros da calça. – Claro! – Sorri abertamente e enlacei meu braço no dele, gesto bonito, considerado uma bela aproximação. Eu queria que ele relaxasse, e o gesto parecia ter funcionado da melhor maneira.
De Rafael recebi um lindo sorriso, aberto e estranhamente branco á luz das lâmpadas fracas. – Então vamos... – Ele começou a andar mais depressa, parecia querer que chegássemos lá rapidamente. O lá que eu não sabia onde era. – Espero que você goste de sentir o friozinho da noite.
Andamos pelo corredor e chegamos àquelas portas corta fogo, ou portas exit, como preferir. Entramos no mesmo e começamos a subir as escadas rapidamente, eu tentava controlar a minha respiração, para que nenhuma parte de meu corpo começasse a doer ou eu simplesmente caísse de joelhos pedindo por uma pausa. “Desculpe, eu estou muito cansada”.
Eu ainda mantinha meu braço envolto do dele, algumas vezes me apoiava, mas finalmente chegamos ao destino. – Lindo, não? – Que no caso era nada mais, nada menos do que o terraço do que eu chamava de pensão.
– É que aqui que você se refugia? – Soltei-me de seu braço e dei a volta no local, me encostando em um dos muros e observando o local, vários walkers pareciam ter surgido das covas e andavam despreocupadamente por ai. Apenas esperando o momento para ter o lanchinho da noite.
Ele se encostou ao meu lado e passou uma de suas mãos por uma mexa de meus cabelos. – Bom ás vezes... – Sua voz saia lenta e reconfortante.
– Então você faz o papel do menino excluído, ou do homem muito trabalhador que tem uma vida muito cheia e complicada, e sempre vai ao final do dia, refletir no terraço de sua casa ou apartamento. – Ele me olhou e riu passando a mão em uma de minhas bochechas. Eu conseguia sentir o calor saindo de seu corpo.
Ele se aproximou, tão perigosamente que eu conseguia sentir sua respiração em meus lábios. – E você é a garota que chega e muda a vida do homem ou menino, certo? – Rafael se aproximou mais de meus lábios e lá deixou um pacato selinho, mas então se afastou rapidamente. – Desculpe...
– Não, tudo bem! – Segurei uma de suas mãos e a acariciei.
Ele se arrumou no muro cuidadosamente para que não fizesse barulho, e não chamasse a companhia da noite para nos matar. – Então você gosta de livros? – Aquela pergunta saiu como uma flecha de seu arco, atingindo meu coração e me lançando para frente. Todos os momentos em que eu passei com Daryl voltaram, mesmo nós não tendo nada, e muito menos ele tendo algum interesse em mim. Eu acabei sentindo que aquilo com Rafael estava sendo errado.
– Sim. – Respondi, mas agora com um sorriso um tanto amarelo. Não era errado, não mesmo, nunca tive algo com o caipira para pensar algo assim. Eu deveria seguir para algo novo.
Ele deu-me outro selinho, tão rápido, um pouco envergonhado, mas foi algo para se considerar. – E qual é o seu preferido? – Respirei normalmente e lhe dei um beijo, fora lento e posso dizer que fora gostoso. Eu gostava de sentir os seus lábios nos meus.
Nos separamos e Rafael me olhava tão profundamente. – Olha, mesmo nos tendo conhecido praticamente hoje, eu realmente senti algo por você, Mariana. – Ele passou a mão em seus cabelos, o mesmo gesto de cedo, e corou como antes também. – Eu sei que você conheceu nesse meio tempo que passou por esses tempos difíceis, muita gente ruim, que te fez mal. – Assim como aqueles que me trouxeram para cá. – Mas eu quero que isso... – Apontou para mim e depois para ele. – Se torne algo bom.
Eu poderia chorar e fazer o maior escândalo como nos livros, mas eu não me sentia com ele como eu me sentia ao lado de Daryl, mas eu me sentia bem com ele. – Claro. – Fiquei na ponta de meus pés e lhe deu um vago beijo em seus lábios que estavam rosados. – Quer se sentar? – Perguntei sorrindo abertamente.
Mesmo receosa sobre isso, eu me sentia feliz por estar com alguém no meio de tudo isso, eu queria estar ao lado dele, por que pelo menos eu não estaria desprotegida de tudo. Pelo menos no meio tempo em que eu não estou com minha família.
Não, eu não estou o usando, quero dizer que eu ficarei com ele até quando não der mais, eu posso não sentir algo forte por ele, alias, nem o conheço direito. Mas eu quero ficar com ele.
Sentei no chão ao seu lado, e ele passou seus braços por meus ombros e me puxou ao encontro de seu corpo. Apenas fiquei sentindo o cheiro de sua veste, era tão bom.
Eu me sentia estranha, mas de uma maneira inexplicável eu me sentia confortável. – Acho que não lhe respondi... – Olhei em seus olhos e dei um dos meus melhores sorrisos, talvez ele nunca tinha ouvido falar, ou talvez nunca fosse interessado por esse tipo de historia, e até mesmo eu que não tinha terminado o livro, nem lido um terço dele. Mas desde o dia em que eu o ganhei tornou-se o meu favorito. – Veronika decide morrer.
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