Um Novo Mundo.
33 Capítulo 33 - Um belo sorriso.
Notas iniciais
Narração Isobel
Eu continuava sentada no chão duro, olhando para o nada e com as nádegas dormentes. Eu sentia que cada segundo que passava, parecia um milênio, como se as pessoas tivessem morrido e depois ressuscitado, eu continuava o mesmo. Talvez tivesse virado um fóssil que ainda sentia a dormência em sua bunda. – Ah... – Soltei um suspiro, eu estava entediada, mais do que o normal. Queria que as coisas se movimentassem, que as pessoas já começassem a agir e gritar histericamente “ele acordou!”.
Bom... Talvez isso fosse um pouco escandaloso, mas obviamente haveria choro, para mim tanto faz, eu só queria ele. – Enfim, vamos sair desse assunto. – Levantei-me e andei até as escadas, no qual eu subi calmamente.
E apenas na pequena subida eu percebi como eu conseguia me lembrar de algumas coisas tão claramente, e outras eu sabia que tinha acontecido, mas eu não tinha a recordação em imagens. Era como se metade de minha memória fotográfica tinha sido apagada em meio tempo.
Ás vezes me pego pensando do quanto seria estranho caso nos lembrássemos do nosso nascimento, por exemplo, quando nós tivéssemos nosso primeiro ano e tudo que nós nos lembrássemos agora tivesse bem nítido, não apenas rabiscos de imagens, e nem mesmo a certeza se aquilo fora um sonho ou realmente é uma memória.
Isso é tão complicado. – Dou mais algumas horas, afinal ele tem a aparência cansada... – A cada degrau que eu subia a conversa que tinha logo se iniciado ia ficando mais baixa para meus ouvidos, eu sentia um novo peso em meus ombros. Um que eu não conseguiria tirar sem a ajuda de Carl.
Entrei no quarto com a vista pesada, eu ainda me sentia cansada da busca, meus pés latejavam a cada passo que eu dava, e eu sentia minhas costas arderem de cansaço. Teve uma parte em que andamos bastante, entre árvores e depois nos arriscamos em uma pequena cidade que tinha ali por perto. – Pelo menos nos esforçamos... – Joguei-me na cama sussurrando tais palavras para o vento, nós realmente tínhamos nos esforçado, mas não o bastante. Pelo menos era o que eu tinha em mente.
Fechei os olhos e deixei que Hipnos me levasse a um belo passeio em meus sonhos.
–
A casa embaixo de minha cama parecia bem movimentada, eu conseguia escutar o passo de algumas pessoas andando do lado de fora e outras gritando coisas indecifráveis. – O que...? – Levantei-me travada, enquanto colocava os pés no chão eu sentia meu ombro com um mau jeito, eu não estava conseguindo o endireitar, ele parecia travado no mesmo lugar e doía cada vez que eu o forçava.
Andei meticulosamente até o banheiro, onde lavei a cara e no segundo seguinte as mãos. – Isobel! – George batia um tanto agressivamente em minha porta, sequei as mãos e corri para abri-la, não estava trancada, porém era um gesto de educação bater antes de entrar, o que meu pai seguia como se dependesse sua vida. – Vai demorar muito? – Ele me encarou e disse ofegantemente. – Acho que tem alguém que gostaria de te ver, e assim ao contrário! – Ele tinha o semblante feliz, parecia que o tinha animado, mas no fundo eu ainda conseguia captar a tristeza.
– Vamos lá! – Disse nervosamente já imaginando o que seria.
Desci as escadas tropeçando em meus próprios pés, enquanto papai descia calmamente. Cheguei até o final da escadaria e olhei para dentro do quarto, caminhei até a porta e o vi já vestido, com uma blusa azul e uma calça de coloração bege.
Eu tinha dormido a tarde toda, provavelmente até o meio –dia, estava ameno lá fora, não estava tão quente, mas também não tão frio. Mantinha-se o clima dos dias passados. – O qual eu realmente estava adorando. – Carl virou-se para mim e abriu um belo sorriso, no qual eu devolvi.
Senti meus olhos encherem de lagrimas, mas não deixei nenhuma cair, evitava piscar pelo fato. – Oi. – Carl proferiu tal palavra calmamente, andei até sua direção e o enlacei em um abraço.
– Rick já lhe viu? Lori? – Perguntei ainda nervosa, tinha minhas mãos tremulas. Eu ainda não conseguia entender o porquê de eu ter perguntado tal coisa, tão óbvio.
– Sim. – Me abraçou mais forte, inalei seu cheiro de banho recém tomado, e devolvi a mesma força no abraço.
Eu não queria mais o soltar. – Senti tanto sua falta.
– Eu estive aqui o tempo todo. – Ele me largou e brincou com a situação. Passei a mão em meus olhos e lhe dei um soquinho no ombro.
– Você entendeu o sentido, seu bobão! – Ri, uma coisa que eu não estava fazendo frequentemente desde o dia em que ele levou o tiro, e ficou menos frequente quando chegaram e disseram que Mariana havia sido entregue, sumido, raptada.
Havia tantas palavras, mas nenhuma delas conseguia descrever o que eu sentia agora. Eu ainda estava parada na frente dele, apenas observando seu rosto, o vendo ter suas próprias ações novamente, ainda tendo alguns movimentos cautelosos por ter alguns pontos na barriga.
Eu sentia que metade do peso que habitava meus ombros havia saído, Carl havia me ajudado a tirar metade dele, deixando mais fácil a sobrevivência e o andar.
Mas ainda havia uma parte que era pouca, porém ainda afetava meu psicológico, e eu ainda enfrentaria noites de insônia, nas quais eu realmente não estava morrendo para conseguir dormir sem ao menos fechar os olhos.
Passei uma de minhas mãos do cabelo dele, e senti a maciez, ainda não sabia qual era a sua formula mágica para se manter tão bem, ele parecia tão renovado, e tinha a aparência calma.
– Ei, onde está sua irmã? – Ele tossiu logo após perguntar, todo aquele alivio que eu tinha em meu coração se esvaiu, e ele pesou novamente.
– E-ela... – Respirei fundo, sentia minhas mãos tremerem mais ainda, as juntei com a intenção de não chamar a atenção. O olhei calmamente, mas eu já sentia meu coração aumentar as batidas, engoli em seco, não estava nervosa em o contar, mas sim estava nervosa em desmoronar em sua frente. – Ela... – Mordi um dos lábios e senti minha voz falar. – Ela foi sequestrada.
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