Um Novo Mundo.
31 Capítulo 31 - Até debaixo da terra.
Notas iniciais
Narração Isobel
Nós andamos, dirigimos, procuramos até debaixo da terra, mas nem um sinal de Mariana. – Procuramos, andamos e dirigimos até a lua á procura de Sophia, e nem um sinal dela.
Estava escuro e nós estávamos cansados, principalmente eu que tive que aguentar de pé, uma coisa que eu não aguentava tão facilmente como eles. Eu sempre me cansava fácil, sempre foi como se eu fosse uma idosa jovem, sempre com preguiça de tudo, desanimo pra sair e “curtir a vida”. – Acabamos por voltar para a fazenda, meio receosos por não continuar a procurar, e eu com uma dor no peito.
No caminho eu só pensava na possibilidade de encontrar ela na próxima busca. Estávamos a sua procura, como a de Sophia. Eufóricos para uma resposta do destino, uma resposta equivalentemente boa. – Aquele tipo de resposta que todos esperam receber quando estão passando por maus bocados. – Andar de volta á fazenda, foi como deixar a minha mãe morta no estacionamento, correndo por nossas vidas.
Porém eu ainda tinha um resquício de esperança. Quando deixamos Michelle para trás, foi algo que tivemos que fazer. Eu deixei um pedaço de mim para trás, mas foi preciso. – Não que eu esteja totalmente superada, isso ainda vai ser um buraco negro em meu coração, sugando toda a esperança para o “infinito inexistente”, belas palavras.
– Estamos quase lá, garanto que mais cinco minutos e chegamos. – Rick falou sem muita animação, Daryl parecia querer socar alguém. Quer dizer, ele sempre mantinha essa pose, então, não sei exatamente o que ele sente, ninguém sabe.
Shane ao meu lado parecia ter perdido toda a esperança que nem mais tinha, por ele, em minhas palavras, não iria mais a procura de ninguém. “Provavelmente já está mortos, por que iremos perder tempo atrás deles?”, eu sentia os seus pensamentos martelando em minha mente.
Tinha que deixar isso de lado, deixar de pensar pelos outros. Inventar coisas e depois querer discutir com razão. Anotem isso, acontecerá muito. Basicamente é normal, um defeito meu e que quase metade, ou talvez agora menos da população mundial, ou apenas eu tenho.
Passamos por várias árvores, uma estrada de barro e finalmente o portão da fazenda. – Eu nunca imaginaria que eu iria morar em uma fazenda antes. Sempre quis, alias, mas nunca nessas condições. – Queria me atolar em pizzas, voltar a encher o saco das minhas poucas amigas da escola e fazer as tarefas com vontade e outras forçadamente.
Quer dizer... Eu sempre fui muito estudiosa, já pensei em me formar em algo relacionado a ciências, ah, tanto estudo perdido. Ou talvez eu use com um futuro filho meu, para ensiná-lo algumas coisas. – Franzi a testa e soltei um riso bobo enquanto Daryl descia da caminhonete e corria para abrir o portão.
Em tanto caos eu ainda pensava em ter um filho (onde Mariana se encaixava como tia). – Pode vir! – Olhei para cima e Daryl acenava o mandando dirigir, Rick parou logo ao seu lado e o mesmo subiu novamente no carro.
Andamos até a frente da grande casa, onde Carol e George, principalmente, esperavam roendo as unhas.
Descemos do carro, dei de ombros em um sinal mais conhecido como “achamos nada”. – Droga! – Meu pai exclamou e deu meia volta passando furiosamente a mão em seus cabelos, Carol já se desmanchava em lágrimas.
Daryl passou por nós com sua besta em mãos. – Da próxima vez vem com a gente, grandão. – E se foi a sua barraca, que se localizava perto de o que deveria ser uns velhos muros, que agora estavam totalmente desmanchados. Ou apenas uma churrasqueira feita de tijolos, que agora não existia mais.
Meu pai grunhiu e entrou na casa, logo o segui, assim como algumas outras pessoas. – Carl já acordou? – Perguntei a Amy e Lori que jaziam sentadas no chão na porta do quarto onde Carl estava.
Lori olhou-me. – Ele acordou hoje de tarde, mas voltou a dormir. Disse estar muito cansado. – Ela passou a mão nos cabelos e Amy continuou a falar.
– Nem sei como ele ainda tem sono! – Ela deu uma risada gostosa. – Depois de passar horas desacordadas... – Passou a mão no rosto e parou de rir no mesmo momento. Amy parecia minha irmã e metade das pessoas que eu já conheci, tentava transformar o ambiente tenso em um ambiente confortável. – Desculpe. – Olhou para Lori, que apenas assentiu, e continuou a olhar o vazio.
Sentei-me junto a elas, e comecei a passar a mão em meus sapatos, queria ficar acordada até o momento que Carl acordasse, queria ver seus olhos abrindo para mim.
A imensidão azul que tinha abaixo de suas pálpebras, olhando diretamente para mim, abrindo um lindo sorriso e dizendo o quanto sentiu saudades de mim enquanto esteve desacordado. Por mais que não tivesse sonhado, ou sentido nada.
Eu queria escutar as palavras saindo de seus lábios, eu já sentia saudades de sua voz, do tocar inocente em meu braço, do sorriso e do olhar de preocupação quando qualquer coisa que possa dar o risco de morte para a vida de alguém, ou qualquer outra coisa. Alguém tropeçar em uma pedra e cair... Sempre gostei do olhar de Carl.
Sempre fui apaixonada pelos seus olhos, pelo sorriso, pela maneira de andar. Até mesmo a maneira singela de respirar, o modo em que seu peito subia e descia, o modo de como ele ficava ofegante quando corria de mais, como ele perdia o folego quando falava rápido de mais, ou subia as escadas depressa.
Eu sentia a falta de seus braços ao redor de meu corpo, a maneira que ele me apertava em seu abraço. No modo que ele sussurrava no meu ouvido como era especial eu estar ali com ele, depois de tudo que passamos juntos na escola e até mesmo agora.
Eu me sentia bem ao lado dele, da mesma maneira que eu me sentia bem ao lado de Mariana e até mesmo da minha melhor amiga na escola. Mas tudo parecia tão ruim sem ele acordado, sem ele ao meu lado.
Carl para mim, ele era meu tudo. Ele é uma das razões para eu viver. E eu o quero de volta.
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