Um Novo Mundo.
24 Capítulo 24 - Não tão a característica
Notas iniciais
Narração Mariana
Pra eles não parecia o suficiente eu ser o dinheiro pra abrir o pedágio, tinham que me drogar durante a viagem, para que depois eu só acordasse amarrada em uma cadeira em uma sala escura.
Meus pulsos eram pressionados pela corda atrás, assim como meus pés e em minha boca jazia uma fita. – O que iremos fazer com ela? – O máximo que eu conseguia ouvir eram sussurros, que passavam despercebidos pela fina parede.
Eu estava em um quarto escuro, com a sensação de cegues, amarrada em uma cadeira, sem ao menos conseguir regular a minha respiração ou limpar as lagrimas secas e as que novas que teimavam em cair. – Iremos mostra-la para... – Um barulho de algo caindo no chão, impediu-me de escutar o nome. Eu parecia uma mosca presa entre uma janela e outra, apenas escutando e esperando que alguém me tirasse dali. – E então saberemos o que fazer.
– Caralho, tu não deveria ter feito isso! – Um dos homens advertiu o outro. – Se isso der errado, eu juro que estourarei seus miolos! – Apenas passos do homem se distanciando e a porta sendo aberta com violência.
Corpo grande, farda militar e rosto como se tivesse queimado um dos lados em um acidente. – Olha se não é ruivinha... – Ele riu da própria piada enquanto chegava mais perto. – Por que está chorando? Ninguém irá te fazer nenhum mal... – Ele adiantou a última palavra e tocou em meu rosto.
Tentei esquivar e grunhi um pouco através da fita. – Cala a boca! – Ele disse dando um forte tapa em meu rosto, me fazendo cair da cadeira.
– Tão frágil. – Levantou-me novamente. – Talvez eu devesse lhe matar, esse mundo é demais pra você... – Ele tirou uma faca do bolso e então a porta abriu novamente.
– Ei, cara o que ‘cê ‘tá fazendo?! – O homem menor, com óculos e roupa que deveria ser social passou a mão no rosto. – Ele chegou, e quer explicações sobre isso! – Apontou para mim e cruzou os braços. O maior guardou a faca e olhou para trás antes de bater a porta com força e me lançar um sorriso de escarnio.
Por que há pessoas tão más no mundo, o que estamos vivendo não é o suficiente? – Homens têm seus desejos, um tanto obscuros ás vezes, mas... Eu só quero encontrar um lugar para ser feliz sem ter que me preocupar com esses zumbis e homens idiotas o suficiente para se tornarem criaturas horrendas. – Será que eles irão vir atrás de mim? Meu pai será que está tentando me achar. E Daryl?
Ele pode parecer arrogante e estupido, bom... Parecer não, ele é. Mas uma coisa que eu aprendi nesse mês e algumas semanas, foi que Daryl Dixon odeia violência contra as mulheres.
Lamentar-se não vai me tirar daqui, com toda a certeza não irá.
Ótima hora para criar uma hashtag: pray for Mariana. – Incredível como eu sou, eu e minhas piadas infames em horas não tão boas.
Queria voltar uns anos atrás e beijar a minha mãe, meu pai e Isobel. Dar-lhes um tchau com a mão e sair da porta da nossa humilde casa e me direcionar a faculdade, pensando em quantos problemas de relacionamento me cercavam. Amizades falsas, amores não correspondidos. Perdas, sofrimento, felicidade, risos. – Tudo tão simples, tudo ao nosso dispor. – Era só gritar e pedir para a mamãe: “Você tem cinco reais para me emprestar? É que eu irei sair com as minhas amigas hoje, e iremos dividir a conta”. Eu deveria ter amado ela mais, ter dito “me desculpe” nos dias que trocávamos palavras não tão amigáveis, ou quando eu a contrariava e no final ela estava certa. Deveria ter dado mais valor às pequenas coisas, mas que me faziam bem. Deveria ter saído do computador em algumas noites e ido à sala e olhado o filme sem graça com eles.
Deveria ter sido em muitas vezes mais paciente com Isobel. E mais verdadeira com algumas pessoas. – Eu me arrependo perdidamente de alguns gestos que ainda me martirizam, e que doeu muito no peito de alguns. – O tempo não se pode voltar, e muito menos mudar.
Se eu tivesse um gênio da lâmpada, com certeza tudo já estaria ao normal novamente. Problemas banais e outros que nós deveríamos se importar mais. Infelizmente aquela “vida de merda”, agora está no passado. E eu imobilizada em uma cadeira.
Tentei me levantar da cadeira ou pelo menos fazer uma força para sair dali, mas o máximo que eu consegui foi quase cair novamente no chão e isso não teria explicações, talvez piorar meu destino.
A porta abriu novamente e os dois homens estavam ali novamente. – Ele quer te ver. – O menor chegou e desamarrou meus pés e o maior obrigou-me a levantar.
Recusei em continuar a andar, mas isso só me resultou um empurrão forte. – É melhor a senhorita colaborar. Escapou de uma, de duas não se tem certeza. – Estremeci com a ameaça do fardado. Resolvi colaborar, antes mesmo que ele me jogue na parede e me crave a faca.
A minha única esperança era a faca em minha cintura, como eu não havia lembrando disso antes?
Passamos por algumas portas até chegar a uma principal. – Chegamos. – Abriram a porta e um sentimento estranho me invadiu.
Tantas coisas me esperavam dentro daquela sala, não sei realmente o que imaginar. Minha salvação? Ou o meu fim? – Ela está aqui. – Voz firme, vários homens armados, preparados para atirar. Parecia que eu havia me alistado no quartel, e agora iria passar pela fase de testes. Oh, como eu queria evitar a fase de testes; pigarrearam chamando a atenção do homem com cabelos grisalhos e com o mesmo estilo de roupa dos outros, mas não tão a característica.
O fizeram virar, e isso foi um choque. Como se um raio tivesse caído no mesmo lugar cinco vezes, não apenas duas. Eu estava surpresa, e assim também parecia ele.
Parece que eu havia mesmo cavado a minha própria cova. – Você? – E em milésimos a surpresa se tornou um sorriso maléfico, e isso me fez querer pular da janela e correr até meus pés sangrarem, mas pelo menos eu estaria longe dali. – Ora, ora, se não é a vadiazinha.
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