Um Novo Mundo.
23 Capítulo 23 - Eles chegaram!
Notas iniciais
Narração Isobel
A melhor coisa que eu fiz hoje, no quesito de alegre e divertido, foi conversar com Beth. Ela tinha a voz doce e calma, um sorriso espontâneo que fazia-nos rir apenas de olhar. – Até agora não temos nenhum problema, aqui na fazenda. – Ela se ajeitou no chão, sentando-se que nem um índio. – Isso é bom.
– Você já saiu daqui?- Perguntei enquanto me encostava na árvore. Ela negou. – Lá fora é horrível, mesmo eu não tendo enfrentado grandes hordas. – Suspirei – Não é mais a mesma coisa, queria eu estar agora sentada na frente do computador e vegetando lá mesmo! – Ela deu uma gargalhada.
O momento que eu estava passando com ela, estava sendo muito divertido. Beth estava conseguindo tirar de meus ombros a preocupação, colocando no lugar um sorriso. – Eu me pergunto se aqui será a mesma coisa... – Pegou umas pedrinhas e jogou para longe. – Bel... Você já perdeu alguém? – Assenti calmamente. – Aqui na fazenda, sempre foi muito pacato, mas quando isso se alastrou nós também perdemos muita gente... Meus avós, alguns primos que estavam morando conosco temporariamente. – Ela mordeu seu lábio.
– Não é bom ficar recordando disso. – Falei em um sussurro. – Por que, mesmo eu parecendo arrogante falando isso, mortes será o nosso destino agora. – Passei uma mão na outra. – Estamos cercados de morte, essas coisas... — Ela me olhou inocentemente e concordou.
– Bom... É melhor nós entrarmos, já está esfriando. – Ela riu. – Estamos no verão, mas a noite continua fria! – Deu uma leve risada, só para descontrair.
– Quando você acha que eles irão chegar? — Ela virou para mim e continuou a andar.
– Quem? Seu grupo ou o Otis e o homem que eu esqueci o nome? — Eu sorri.
– Ambos. – Ela colocou uma de suas mãos em seu queixo e ali alisou.
– Espero que os dois cheguem logo, é uma vida que está em jogo! Mas seu grupo, talvez chegue mais hoje de noite. – Beth fez um bico com a boca. – Ao menos se alguma coisa acontecer... – A reprendi com o olhar. – Não que isso vá acontecer! – Fiz um estalo com a boca, enquanto entravamos na casa.
– Tudo bem... Ser otimista não está em alto esses dias! – Eu sorri.
Entramos na casa e o clima automaticamente mudou, e o peso caiu sobre meus ombros novamente. Sentei no sofá enquanto Hershel, Patricia e Rick estavam trancados em um quarto.
Todos levantaram de suas cadeiras, menos Hershel, quando um troteado foi ouvido do lado de fora da casa. – Rick, vá com calma! – Patricia tentou fazer com que ele se acalmasse, esqueci-me de mencionar? Rick havia feito uma transfusão de sangue, antes mesmo de Lori chegar.
Junto com quase todos, fui para o lado de fora e vi Lori descer do cavalo, junto com a moça chamada Maggie. Ela foi correndo para os braços de Rick. – Era uma cena tanto linda de se ver.
Ainda bem que ela havia chegado rápido. – Onde está Carl? Onde está meu filho? – Ela disse nervosa, Rick a conduziu para dentro da casa, e eu apenas fiquei sentada nos degraus da frente da casa.
– Vai ficar ai? – Beth preocupada perguntou. Assenti sem ao menos olhar para ela.
Queria ficar sozinha por um tempo, eu queria passar por cima de tudo isso. Se algo acontecer com Carl, eu não quero ver. – Coloquei minhas mãos em meu rosto e fiquei assim por um bom tempo.
Já estava ficando cada vez mais escuro, e nada do nosso grupo, e nada de Otis e Shane. – Por mais que isso pareça egoísta de alguma forma, quero que os dois cheguem mais rápido, pois eles são os mais importantes agora.
Mesmo eu estando morrendo de saudades de Mariana e George. Suspirei e entrei na casa, eu estava cansada, isso não eu poderia negar. Subi em um dos quartos e adormeci na cama.
Acordei e a primeira coisa que eu pensei, foi sobre a chegada deles. Pela janela poderia se ver que era a calada da noite.
Uma sensação subiu e eu levantei correndo, apenas passei as mãos no rosto e corri para a sala. – Hey! – Falei logo que cheguei ao último degrau, ali estava apenas Shane, todos já estavam entrando em ação para conseguir deixar Carl vivo.
– Ninguém do grupo chegou? – Perguntei preocupada para Maggie. Ela negou e passou a mão pelos meus ombros, suspirei pesadamente e aceitei o carinho.
– Chegaram logo, logo. – Shane respondeu passando a mão em seu cabelo, eu não tinha percebido antes, mas muitos dali choravam, até mesmo Maggie. Pensei perguntar o porquê, mas resolvi deixar... Otis não estava presente, talvez ele tenha morrido.
Não havia nenhum sinal dele, essa era a única explicação, ao menos que ele esteja dando uma volta pela fazenda. – Carl continuava deitado e inconsciente, com a mesma cara de anjo.
Oh, como eu precisava de Mariana aqui para me dar um abraço e me reconfortar. E meu pai também.
– Eles chegaram! – Gritou um menino loiro que estava ao lado de Beth, apontando para uns carros que vinham na escuridão. Meu coração foi a mil, oh, como eu esperava ver aqueles rostos conhecidos novamente. Sentir-me segura com eles novamente.
Os carros, o trailer e o Daryl em sua moto chegaram perto. O primeiro a descer fora George que veio correndo a minha direção. A maioria deles tinham a expressão facial abalada, e outros, como Daryl e George estavam exalando fúria. – Pai, o que houve? – Ele me abraçou e ficou assim por um tempo, eu tentava entender o que estava acontecendo. Mas não obtinha nenhuma resposta.
Desvencilhei-me de seu abraço e encarei todas as pessoas que acabaram de chegar. – Por que todos vocês estão com essa cara de que alguém morreu? – Joguei as mãos para o alto. – E alias cadê a Mariana? – Perguntei já me estressando.
E foi então que a ficha caiu. – Ela morreu? – Perguntei com a voz falha, Daryl negou e veio ao meu lado também.
Os dois, George me olhava com uma face dolorida e Daryl continuava com sua carranca. – Filha... – Ele acariciou meu braço. — Nós temos que conversar.
Fale com o autor