Um Novo Mundo.
39 Capítulo 39 - Me desculpa, por favor.
Notas iniciais
Narração Isobel
E eu vi todos se desmancharem e a cara do fazendeiro Hershel se transformar completamente, ele estava surpreso, claro. E eu, bom, eu também estava, tirando o fato que a minha face estava molhada por todas aquelas lagrimas.
E eu gostaria de narrar essa parte de uma maneira diferente, do jeito que eu realmente me sinto. Eu queria que todos pensassem que eu estava bem, sem um pedaço, mas eu conseguia continuar depois do sequestro da Mariana. Mas eu não conseguia, eu queria ela aqui. Eu ainda tenho fé que ela esteja viva, assim como todos, mas eu sentia a falta dela, a cada suspiro, eu queria a abraçar, eu quero.
Eu queria que todos pensassem que eu estou bem, mas o problema é que eles acham que eu estou bem. Porque eu sempre demonstrei isso, eu parecia radiante por fora, mas por dentro eu estava desmanchando, até nos momentos mais felizes com todos aqui dentro. Eu queria ajuda, e eu queria até mesmo a menina que eu odiava na escola de volta, porque eu sabia que ela iria fazer eu me sentir viva.
Eu estou viva. Mas tudo oque eu sinto agora é o meu coração angustiado, e cada vez que ele bate eu o sinto doendo. Eu só queria um abraço, eu queria que todos compreendessem que as coisas que eu sinto não são besteira. Eu queria que todos entendessem. Só isso, não é pedir demais, ou é? – Isobel... – Não é. Eu queria chorar sem que todos me olhassem, eu queria gritar no meio da rua do jeito que eu me sinto para que todos escutassem, mas eu não queria que eles me julgassem ou rissem da minha cara. Menina tola.
Eu sempre criei a face da menina que sempre está feliz e sorrindo, mas eu não sou assim. Eu não levo tudo na brincadeira. Eu também me magoo, eu também me sinto triste. – Isobel! – Eu também penso sobre todas aquelas besteiras, e por isso mesmo que eu queria a Mariana aqui, porque ela, e todos os meus amigos que agora provavelmente estão mortos, tiravam da minha cabeça tudo aquilo que eu estava sentindo.
Eu estava feliz com eles, mas isso agora também foi tirado de mim. – Isobel! – Eu senti, então, meu ombro ir para trás, foquei os meus olhos no rosto de meu pai, ele estava preocupado. Eu parara de chorar, então eu foquei o meu olhar no chão, ela e mais outros estavam mortos. Definitivamente desta vez.
Que engraçado.
– Eu estou bem. – As palavras doeram, eu forcei um sorriso e me virei, eu, agora, precisava de um momento sozinha.
Eu caminhei, lentamente, quase parando, até a casa grande. Fechei os olhos e subi os degraus, abri as duas portas calmamente e subi as escadas.
Eu ainda não acreditava que eles tinham me dado todo aquele espaço em sua casa, eu abri a porta, calmamente, eu não tinha mais pressa para fazer nada. Eu vi a cama desarrumada, e a porta do banheiro fechada, a janela aberta e a cortina para fora. Eu engoli em seco olhando aquela janela.
Muito baixo.
Arrastei-me até a cama e deitei ali, de bruços e com a cabeça enterrada no cobertor. Eu não queria pensar, eu não queria sentir.
Minhas veias sentiam toda a pressão e a minha cabeça doía. E o pior que eu não tinha uma saída fácil para isso, porque apesar de tudo eu não queria decepcionar ninguém. Por que eu sempre pensei nas pessoas, eu sempre pensei no bem delas. E a pior coisa que eu poderia escutar de alguém, seria um você me decepcionou; você perdeu a minha confiança.
Eu não queria me sentir assim, eu queria a minha vida de volta.
Virei minha cabeça para o teto e o encarei, quem eu estou enganando? Eu não queria ficar sozinha. – Filha... – George parou na soleira da porta, eu sentei na cama, passei a mão em meus cabelos e o olhei.
Eu senti todo o peso voltando, e as lagrimas encherem os meus olhos novamente, desci da cama e corri em sua direção, quando meu corpo se chocou com o dele, a única coisa que eu consegui fazer foi o apertar mais ainda. Eu deixei tudo aquilo que eu estava sentindo marcado em sua blusa. Eu o apertei mais. Eu estava sentindo falta dele.
– Acalma, acalma... – Ele repetia enquanto passava a mão em meus cabelos, um simples gesto que consequentemente estava me fazendo sentir melhor.
– P-pai.
– Acalma, Isobel, vai ficar tudo bem, chegamos até aqui, não chegamos? – Ele parou de me abraçar e se agachou na minha frente, eu assenti, então ele continuou. – Eu te amo, muito mesmo, vamos ficar todos bem, você vai ficar bem. – Ele parou. – Perdemos pessoas importantes nessa jornada, mas pense, elas estão em um lugar melhor, e agora, a Sophia, está lá no céu com a mamãe, certo? – Eu concordei com ele, mesmo sabendo que não era verdade. Eu queria acabar por pensar que nem ele, mas eu não conseguia ser positiva desse jeito.
– Sim, elas estão. – Eu forcei um sorriso para ele, e enxuguei as lagrimas. Eu o abracei outra vez. – Pai, você fica aqui comigo hoje? – Ele sorriu e assentiu.
– Claro. – Ele balançou meus cabelos. – Tudo pela minha pequena. – Eu acabei soltando uma risada, o sorriso dele aumentou. – Mas agora descanse, eu vou voltar para lá e os ajudar com tudo, eu volto mais tarde e te trago algo para comer, pode ser?
– Uhm. – Ele me direcionou até a cama e me deitou, tirou os meus sapatos e colocou a coberta em cima de mim. Me deu um beijo na testa e fechou as cortinas, e deixou a janela entreaberta, vinha um vento gelado de lá.
Ele ia saindo, e fechando a porta. – Pai. – Eu o chamei, ele voltou e me olhou, apesar do que acabara de acontecer ele ainda tinha o olhar preocupado.
– Sim? – Ele ainda me encarava, eu dei um sorriso de canto, e com a maior sinceridade, eu disse:
– Eu te amo, pai. – Ele sorriu.
– Eu também te amo. – Ele então voltou a fechar a porta, e eu voltei a ficar sozinha, me virei, e trouxe comigo as cobertas até o pescoço, me concentrei em fechar os olhos e tentar deixar a dor de cabeça para longe. A sensação estava finalmente ótima.
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