Um Novo Mundo.
40 Capítulo 40 - Eu sei torturar formigas.
Notas iniciais
Narração Mariana
Rafael sentou do outro lado do carro na hora de voltar para o abrigo. Eu não sei o que ele sentia, mas com certeza ele estava com muito receio sobre Summer, a menininha sentada ao nosso meio, ainda tinha os olhos inchados e ainda estava agarrada ao travesseiro. – Onde conseguiu ele? – Me dirigi a ela, tentando tirar toda a tensão que com certeza estava em sua volta, e descontrair um pouco.
Porém ela só se encolheu mais, e me deu uma resposta muito curta. – Minha mãe me deu. – Ela nem me olhara, continuava com os olhos focados no caminho á frente. Suspirei alto, abri a boca para falar mais alguma coisa, porém acabei desistindo. Talvez mais tarde, ou daqui alguns segundos ela quebre esse gelo entre nós.
Eu conheci Summer quase na mesma semana eu que eu conheci Charles, um garoto do ensino médio, ele era um dos únicos que andavam comigo naqueles tempos difíceis de antissocialíssimo e dificuldade de fazer amigos, a única diferença, é que eu não conheci Summer na escola. Eu a conheci enquanto estava voltando para casa. Não foi em um dia ensolarado, porém ela estava brincando na rua. Ela era bem menor, e usava um vestidinho amarelo fazendo jus ao nome. Eu estava voltando da escola, com o guarda-chuva engatado no ombro, estava caindo o céu, mas ela continuava brincando ali fora, a única companhia dela era a lama e um cachorro molhado.
Os dois pulavam. De uma forma o cachorro ria junto com ela, e aquilo tinha melhorado meu dia 100%.
Os tempos foram passando, Summer, à menina que eu nunca tinha notado na vizinhança até aquele dia na chuva, estava se mudando. Eu estava saindo para fazer um trabalho com Charles, e vi ela sentada na calçada chorando, o cachorro sentando perto dela, ele uivava cada vez que ela soluçava. Eu como uma metida fui até ela, segurei a mochila nas costas e sentei ao seu lado. – Tudo bem? – Summer passou a mão nos olhos e me olhou.
– A gente vai ter que se mudar e eu não vou poder levar... – Ela nem terminou, eu entendi ela. No inicio eu achei algo bem idiota, mas eu a entendi.
– Se vocês estiverem procurando alguém para cuidar dele, fique sabendo que a nossa família está disposta, e ainda mais, eu amo cachorros. – Peguei a sua mão pequena e a acariciei. – Eu entendo, vai ficar tudo bem, daqui a pouco você volta pra cá e o vê de novo.
Ela sorriu, e abraçou o cachorro de lado. – Mas agora eu tenho que ir, sabe como é! – Eu dei uma risadinha e levantei.
E foi isso. Meio bobo, mas foi isso mesmo. E depois eu nunca mais a vi, eu acabei por não ficar com o cachorro, eu não sei que fim acabou tendo. Mas foi isso. – Saindo das memórias e adiantando um pouco o tempo, nós finalmente chegamos. Descemos do carro, ela andava depressa, querendo um tanto que fugir da gente, na real, eu a entendo nisso também, eu também me senti assim quando fui ameaçada por aquele brutamonte. – Será que ela vai se adaptar? – Olhei para Rafael e ele sorriu.
– Claro que vai, você não se adaptou? Aahnn aahnn?? – Ele segurou a minha mão e nós rimos juntos.
– Retardado! – Ele colocou a mão no peito fingindo estar ofendido, então parou e depositou um beijo em meus lábios. Eu sorri enquanto começávamos um verdadeiro beijo, mas fomos interrompidos por um dos capangas.
– Os pombinhos vão arrumar um motel ou vão esperar ser comidos? – Meu rosto se contorceu em uma careta. – Já estamos indo, não precisa se preocupar! – Gritei de volta. Pude ver ele rolar os olhos e entrar novamente.
– É melhor nós irmos... – Apontei para porta, mas Rafael franziu o cenho.
– Para o motel? – Eu o olhei e revirei os olhos. Ele fez um bico e eu dei um tapa em seu braço e começou a andar, eu soltei uma gargalhada, mas logo tapei a boca, capaz de um walker me escutar e realmente vir me comer. Continuei com um sorriso de canto, e entramos no lugar, o corredor se estendia e sentando em uma cadeira estava o mesmo cara que nos chamara pra dentro.
– Pensei que vocês nunca mais entrariam! Enfim, Merle meio que fez uma convocação, então é para todos estarem lá agora, quer dizer, ontem, né. – Ele resmungou algumas palavras. – Até os mais fracos, todos. – Ele me olhou e virou e entrou na sala.
– Auch! Essa doeu.
– Dan é legal depois de um tempo, mas ele é assim, frio por fora, um coração mole por dentro. – Rafael suspirou.
– Apaixonado por ele? – Eu, sim, tinha ficado irritada com as indiretas dele, mas eu não tinha deixado transparecer até agora. Rafael riu e colocou a mão no meu ombro e entrou na mesma sala que “Dan” tinha entrado.
E todos estavam ali. – Feche a porta. – Merle se apoiou em uma mesa. – Fizemos a nossa busca por alimento hoje, e acabamos voltando com algo a mais. – Mantinha a voz firme. – Isso, de alguma forma, nos traz mais responsabilidade, e mais uma boca para alimentar. Não, não iremos a expulsar, Mariana, não precisa entrar em pânico. – Revirei os olhos. – Mas você ficará no cargo de cuidar dela e trazer comida pra ela. – Merle limpou a garganta e continuou. – Mesmo tendo ido atrás de comida hoje, o estoque está muito pouco, nós precisamos de mais comida, e de mais munição. Porém, o negócio é o seguinte, todas as vendas e casa possíveis por aqui perto nós já limpamos, não é o suficiente, nós vamos ter que ir mais longe.
Ele parou e continuou. – Longe tipo, o outro lado da cidade. Tipo, outra cidade, foda-se, nós precisamos de mais suplementos e nós vamos atrás disso, eu quero os mais qualificados para cumprir essa missão, já que em lugares urbanizados dessa maneira tem muitos deles.
– Eu quero... – Todos ficaram eretos nessa hora, eu meio que temi. – Jonathan, Daniel, Victor, Rafael e Nate para ir comigo. Está decidido, era só isso, o resto pode cuidar de sua fuça aqui, circulando. – Merle voltou e sentou na poltrona, todos foram se retirando aos poucos, alguns foram consequentemente dormir, outros talvez se arrumar, outros ficar de vigia e alguns aproveitar ainda o que restava do dia.
Rafael e eu ficamos por último, e já quando eu saia, Merle me chamou, eu virei e o encarei. – Sim?
– Quero que vá conosco. – Ele falou firme. E eu engasguei.
– Merle, eu não sou qualificada para isso. – Minhas mãos começaram a tremer. – Eu ainda estou em treinamento, eu só atrapalharia.
– Eu não me importo, todos tem sua primeira experiência em campo, essa será a sua, melhor não vacilar, ruivinha. – Ele riu.
– Isso não é um jogo, Merle! Eu vou morrer lá! – Eu acabei por elevar o tom de voz.
– Não irá. E você vai ir. – Ele manteve a voz firme. – Fique feliz que seu namoradinho vai. – Eu bufei e já saindo, ele disse: Não se preocupe, ruivinha, eu não deixaria que nada acontecesse com você, alias, você precisa estar inteira quando eu encontrar o meu irmão.
Ele riu e eu nem olhei para trás, apenas continuei andando em direção ao meu quarto. Eu revirei os olhos novamente e fui pisando firme, até abrir a porta com raiva e acabar a batendo. – O que houve? – Me assustei a virar e ver Rafael sentando na beirada da minha cama.
– Nada, nada, ta tudo bem. – Andei até ele e sentei ao seu lado. – Na real que não está, Merle me pediu para ir junto com vocês, eu fico feliz que vá com a gente, mas eu estou com medo. –Rafael passou a mão em minhas bochechas e me deu um selinho.
– Eu vou te proteger.
– Você não entende, a última vez que eu estive em um lugar cheio dessas coisas, não acabou muito bem, e também eu nunca enfrentei um deles diretamente, e quando fiz, algo ruim quase aconteceu. Eu impedi, mas...
– Eu te entendo, e eu vou te proteger. – Eu o abracei forte.
– A única coisa que eu realmente sei fazer é torturar formigas. – Ele gargalhou, e eu deixei ser levada por sua risada.
– O que?? – Ele caiu para trás, e eu bati em seu peito.
– Para! É verdade, eu primeiro corto as suas pernas e deixo ela fugir por um bom tempo, depois eu esmago o corpo, menos a cabeça, e deixo ela agonizar. – Ele parou de rir, e me pegou pela cintura, me colocando em cima de sua barriga.
– Você é má, tenho sorte de não ser uma formiga. – Ele voltou a rir e eu fiz um bico e cruzei os braços. — Aaah, que amor, ficou magoada? – Ele ainda ria.
Cai ao seu lado e falei: Tem sorte mesmo de não ser uma formiga. – Continuei com meu bico e com os braços cruzados, ele se virou para mim e passou os braços ao meu redor.
– Tenho mesmo. – Então me beijou lento e com amor. Eu estava gostando mesmo de Rafael. Mesmo, mesmo. Ele era bom para mim, e me fazia esquecer os meus problemas. Fazia-me esquecer de todo o caos.
Ele apertou a minha cintura e aumentou a velocidade, e quando o ar acabou, nos separamos. Eu sorri para ele, e ele sorriu para mim. Eu o abracei novamente. – Rafael... – Eu sentia necessidade disso.
Nos separamos. – Fala.
Eu suspirei, e fechei os olhos, abri-os novamente e o encarei. – Rafael... – Abri a boca, mas eu estava tão incerta disso. Mas então um raio de coragem me atingiu, e eu finalmente falei. – Eu sei que eu te conheci há pouco tempo, mas Rafael... – Falei o seu nome pela terceira vez, ele me olhava tão ansioso. – Eu te amo. – Ele abriu o maior sorriso, e me beijou novamente, e me encheu de beijos no rosto.
– Eu também te amo, Mariana. – Meu sorriso aumentou, e toda aquela incerteza sumiu de meu corpo. – Meus sentimentos por ti só tem aumentando, e sinto que eu realmente te amo. Te amo, mesmo meeesmo! – Ele prolongou as palavras e eu ri.
– Obrigado por estar aqui comigo. – Assentiu e voltou a me beijar. E continuamos assim, até finalmente pegarmos no sono.
A única coisa que eu me duvido agora, não era sobre meus sentimentos em relação a Rafael, mas era, se eu realmente estava feliz e completa. Eu precisava da minha família ali. E eu estou disposta ao os encontrar, com ou sem a ajuda de Merle.
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