Um Novo Mundo.
34 Capítulo 34 - Insônia.
Notas iniciais
Narração Mariana
O tempo em que ficamos no terraço, Rafael se mostrou atencioso. Pelas poucas horas que eu passei com ele, eu poderia dizer que era o namorado perfeito. Espere... Quem disse namorado? – Enfim, ele sim estava sendo um bom rapaz. Aquele que toda mamãe iria querer ter como genro, é esse o nome certo? Eu nunca sei direito como denominar as outras pessoas.
Após ficarmos um tempo ali, apenas ao som dos walkers, e a lua brilhante, nós voltamos ao mundo real e saímos da pequena fantasia que estávamos vivendo naquele instante. Nos beijamos pela última vez e cada um foi para seu respectivo quarto, descansando pelo longo dia cansativo.
– Eu poderia estar dormindo á muito tempo... – Sussurrei ao vento, incrível como mesmo tudo isso tendo acontecido, eu continuava reclamando, mesmo onde não tinha o que reclamar. Tirei meu calçado novamente, e sem tocar mais em nenhuma peça de minha roupa, finalmente me atirei na cama.
Passei as mãos e apertei as cobertas, me arrumei de lado e senti um estranho aroma doce delas. Pareciam recém-lavadas e arrumadas com paixão. – Eu mal queria pensar em quem se deitou aqui pela última vez. – Inalei o ar querendo sentir mais a doçura vinda da mais bela ferramenta que eu tinha naquele momento.
Pisquei pela última vez no dia e fechei meus olhos, eu parecia ter despertado na hora em que Rafael bateu em minha porta, mas quando ele me deixou aqui novamente, foi como se nada tivesse acontecido. Ao contrario de muitas pessoas, eu não conseguia ficar pensando no que acontecera, eu só queria fechar os olhos e desfrutar do momento que eu tinha para ficar sozinha, meu real momento de descanso.
Mas infelizmente, eu abri os olhos novamente. Sentei-me na cama e observei o quarto, parecia o exato lugar onde pessoas felizes viveriam o resto de suas vidas, no belo pequeno apartamento.
E foi então que eu pensei em Amy, como será que ela está? Andrea está cuidando bem de sua irmã? – Eu sempre costumei a pensar mais em minha família, em quem sempre permanecia ao meu redor. Mas Amy parecia diferente para mim, exatamente como uma irmã.
Nunca pensei que fosse me aproximar á alguém, como eu me aproximei de Amy. – Passei a mão em meus cabelos e levantei da cama, eu realmente não podia ter insônia agora, malditos pensamentos.
Abri uma janela que tinha ao lado de uma pequena escrivaninha e observei os corpos mortos, que estranhamente andavam. Pois é, eu nunca pensei que um dia eu veria isso. Tipo, o que? Você disse mortos andando? HAHA, vira e sussurra para a amiga do lado: “Ela está nas drogas novamente!”. – Afastei-me dali quando percebi que um deles me encarava, eu achava aquilo desconfortável, eu sentia que a cada segundo que passava e ele me encarava, era mais um segundo que algum deles poderia passar as mãos em minha cintura e morder meu ombro.
– Aah... – Soltei o ar pela boca e em vagos passos andei até o banheiro, abri a porta e olhei-me no espelho, apenas o pequeno momento foi o suficiente para me deixar com belas olheiras em baixo de meus olhos, como se eu tivesse passado muita sombra marrom, então tentara arrumar e então a situação só piora.
Mantinha os cabelos desarrumados, a raiz escura aparecendo e a tinta vermelha se esvaindo aos poucos, forcei um sorriso e tentei arrumar as madeixas. – Você poderia ter nascido mais bonita. – Cocei a lateral de minha cabeça e comecei a abrir algumas gavetas que ali tinham.
A primeira não tinha nada a menos do que uma pequena aranha e uma escova de dentes podre. A fechei e abri outra, onde tinha uma delas intocável, ainda fechada no pacote. – Aleluia! – Ri enquanto fechava novamente, apenas tinha as duas. Mas pelo menos uma delas era a necessária.
Deixaria a exploração para o outro dia. – Sentei-me no vaso com a tampa fechada e coloquei minha cabeça apoiada em minhas mãos.
Realmente será um problema se eu ficar menstruada antes de irmos a algum mercado. – De todos os meus pensamentos, esse era um dos que mais se destacavam. Digamos que é o medo de toda a garota em um apocalipse zumbi.
Rolei os olhos e me levantei, eu estava inquieta, eu poderia tomar todos os calmantes e remédios de dormir que existiam na face da Terra, mas nenhum deles faria eu “aquietar o facho”.
Abri a porta do box e entrei no pequeno espaço, olhei para o chuveiro e molhei os pés da água que ainda não tinha se ido pelo ralo ou apenas secado. – De todos os deuses espalhados pelo universo, algum deles poderia me responder o que exatamente eu estava fazendo ali?
– Argh! – Saí correndo do banheiro, quase escorregando com a água que deixava meu andar escorregadio. Joguei-me na cama e fechei os olhos, propensa a adormecer e acordar no dia seguinte. Ou seria o correto dizer: acordar daqui a algumas horas?
Fazia de tudo para que eu não abrisse os olhos e forçadamente eu dormisse. Meus olhos pareciam ter colado, eu não me atrevia a piscar, não agora, eu sentia que eu estava quase adormecendo. – Eu virava, me retorcia, apreciava a escuridão. Mas nada estava me fazendo sentir confortável.
Chutei as cobertas e abri os olhos, olhei para o teto e amaldiçoei a todos os meus pensamentos, a tudo que estava me fazendo permanecer acordada. A exatamente tudo que estava acontecendo.
Levantei pela segunda vez da cama e sai do quarto, sem nenhum calçado. Me chamem de louca, por que sim, eu estava exposta a tantas doenças. – Subi as escadas e fui ao terraço, o qual eu estava mais cedo.
O ar havia mudado, estava mais gelado do que antes, mas estava gostoso. Meu cabelo se esvoaçava e parecia sentir mais o vento do que eu estava sentindo. – A vida já foi melhor. – Disse altamente e claramente para que todos escutassem.
Sentei-me no pequeno muro e deixei que minhas pernas balançassem por sua conta. Eu poderia dizer que a única coisa que eu queria fazer agora, era voltar para casa.
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