Um Novo Mundo.
29 Capítulo 29 - Trinta minutos do destino.
Notas iniciais
Narração Isobel
O sol permanecia fraco no horizonte, o inverno dava seus primeiros suspiros, o dia permanecia instável, mas na sombra você provavelmente morreria congelado. – Eu permanecia sentada na velha árvore, que havia se tornado uma das minhas melhores amigas.
Eu podia dizer que o dia prometia, pelo menos para mim. – A rota para buscar Mariana não estava exatamente pronta, mas o caminho que já tinham designado iriamos fazer hoje, e no resto do dia eles iriam á busca de Sophia. Que era outra que eu estava louca para rever.
As horas que eu passava sem ver minha irmã, eu criava a ilusão que ela tinha ido ao mercado e encontrado um amigo no caminho ou apenas ficado muito tempo no banho. Não era uma boa coisa de se fazer, mas era o que estava me mantendo de pé agora. – Vamos, Isobel! – Daryl gritou ao longe, levantei as pressas e arrumei a faca que levava na cintura. Ou melhor, adaga.
Eu não sabia usar armas de fogo, então o melhor que eu poderia usar para me defender era uma arma de mão. – Sem mais nenhum segundo de espera. – Enganchei minhas mãos em meu bolso e subi na parte de trás de uma caminhonete, Shane veio que sentou ao meu lado, depois fechando a porta que fez um barulho alto.
Rick dirigia e Daryl ia ao seu lado vendo um mapa que tinha em mãos e algumas vezes olhava para fora da janela. – Nós vamos aonde? – Perguntei para qualquer um deles, uma resposta de apenas uma palavra estava em bom tamanho para mim.
Daryl parou de olhar o mapa e virou para trás me encarando. – Nós iremos começar a procurar de onde a deixamos, iremos dar uma olhada pela mata e caso encontrarmos alguma coisa iremos seguir dali... – Ele ajeitou-se no banco virando para o mapa novamente. – Ou iremos continuar a andar mais adiante. – Suspirei fundo e soltei o ar pela minha boca em um muxoxo.
Eu esperava que a viajem fosse longa, mas a verdade era que nem dava meia hora da fazenda. Eles tiveram muita sorte em “perder” ela á apenas trinta minutos do destino.
O caminho até aqui havia sido pacifico, mas quando chegamos ao exato ponto, alguns walkers davam seu primeiro “bom dia”. – Os ignorem. – Shane falou com sua voz rouca e séria. Desci do carro e passei minhas mãos em minha blusa, elas pareciam suadas do nervosismo, eu as mantive escondidas a todo o momento.
Entramos em uma floresta, com moitas gigantes e árvores que pareciam nunca acabar. – Lembra-se, Rick, que eles se arrancaram com um carro de porte grande? – Daryl analisava umas marcas na terra, que estava fofa, como lama.
Os outros dois assentiram, para mim o que fossem falar sobre o ocorrido iria ser novidade. Eu não estava presente. – Não devemos nem estar aqui então, perdemos tempo! – Shane carregava em suas mãos uma espingarda, dando mais a ele o ar de policial.
– Certo. – Rick passou pela minha frente e entrou novamente na caminhonete, todos os outros o seguiram e eu fiz o mesmo, sentei novamente no meu lugar.
– Continuaremos caminho, então? – Encostei-me ao banco da frente e encarei a estrada pelo vidro. – Para que lado eles foram? – Pulei do banco com a respiração acelerada quando um dos mordedores que estavam vagando por ali bateram na janela que se posicionava ao meu lado.
– Iremos seguir a nossa frente, eles a colocaram dentro do carro e continuaram nessa direção. – Rick apontou para sua frente, eu pessoalmente não gostava de escutar a historia dos homens maus pegando a pobre moça indefesa e a colocando dentro de um carro e a levando para longe.
Era como se fosse um conto de fadas, só que sem um príncipe encantado, e no caso os duendes ou bruxas más eram mortos-vivos. – Iremos achar ela, certo?! – Era uma pergunta retorica, mas eu esperava uma resposta deles.
– Claro que iremos. – Rick colocou sua outra mão no volante e continuamos o caminho, estávamos em silêncio, todos fazendo suas atividades destinadas.
Eu me sentia como um incomodo ali, cada um tinha tarefas a fazer e eu apenas ocupava um lugar no carro, eu queria ser útil naquele momento. Ter uma ideia louca e apontar para o mapa e gritar “ela com certeza está aqui”, mas o problema é que eu não sabia onde ela estava.
Gostaria de ser vidente, descobrir cada solução para cada problema que estávamos enfrentando agora. Por mais pequeno que fosse, que todos os problemas acabassem. Que a catástrofe não se alastrasse, que nós continuássemos a viver nossas vidas chatas, reclamando de tudo, não dando valor as coisas. Pelo menos era a vida que nós sempre deveríamos ter.
George sempre comentava algumas coisas sobre o fim do mundo, mas não era desse jeito, não era dessa maneira. Não esperava que aquilo fosse verdade, eu não acreditava. Como eu não acreditava que mais da metade da população humana e animal na terra se esvaísse por um “simples vírus”. Um simples vírus que ninguém sabe onde e como começou.
Se ao menos tivéssemos respostas. – A vida de cada um que está vivendo isso daria um belo filme, dependendo da categoria, poderia se encaixar em terror, suspense, drama ou simplesmente colocar um titulo como “A triste historia de um sobrevivente”.
A triste vida de um sobrevivente, a triste historia daquela pessoa que você vê querendo se defender sem ao menos poder ajudar, a triste historia daquela pessoa que tenta lhe fazer mal e acaba com um triste fim. A minha triste historia, a sua triste historia.
Pessoas vêm e pessoas vão, isso sempre será na vida, dependendo de como acontece. O fato é que pessoas tem que morrer para dar oportunidades às outras, isso é verdade, mas agora para quem exatamente estamos dando a oportunidade? Quantas pessoas estão esperando pequenos seres indefesos, sem destinos proclamados, sem saber em que mundo irá nascer? Eu espero que mais de duas pessoas.
Eu espero que haja mais sobreviventes, eu espero que isso um dia tenha um fim. Eu desejo que todos tenham o final que sempre desejaram, um final sem dor, um final sem sofrimento. Um final do lado da pessoa que ama. Um final feliz.
Fale com o autor