Um Novo Mundo.
22 Capítulo 22 - Singela, mas útil faca
Notas iniciais
Narração Mariana
– Vamos, apressem-se, não temos todo o tempo do mundo! – Exclamou Daryl, com a voz carregada de raiva.
Definitivamente não era culpa dele, iriamos arriscar nossas vidas indo em direção o que a super mulher do cavalo disse. Mas se minha irmã está com eles, eu iria até o fim do mundo. Não se pode apenas abandonar os que nós amamos.
O fato é que nós já estávamos quase preparados para partir para a busca do velocino de ouro. – Talvez não seja exatamente sobre isso, mas nós resolvemos não esperar pelo amanhã e sim partir logo antes do anoitecer. Acho que a cavaleira não queria dizer sobre monstros malditos da noite, mas sim no caso de se perder, sabe... Faróis chamam a atenção. – Nós sabemos Daryl, não precisa colocar mais pressão! – Amy falou convencida, ultimamente ela andava enfrentando ele. Uma coisa que eu em mil anos não faria.
Ele grunhiu nervoso, mas logo Dale abanou uma bandeira branca e calmamente disse:
– Estamos prontos, podemos embarcar e ir. – Ele ajeitou o chapéu de pescador na cabeça. – Vocês tem certeza disso? Pelo menos sabem o caminho? – Glenn abaixou a cabeça.
– Nós temos ideia para onde vamos, pelo visto parece ser fácil de achar. – Cruzei os braços. – Vamos arriscar nessa. — Olhei para meu pai e juntos entramos em um carro, dessa vez iriamos juntos.
Eu temia que se eu chegasse lá, e Isobel também estivesse ferida.
A estrada estava solitária, tirando alguns walkers que teimavam em ir atrás de comida. Garanto que antes desse caos ter se alastrado, esse lugar era bem movimentado. A vista é ótima. – Com certeza eu teria prazer de ter passado por aqui antes... Deveríamos ter viajado mais. – Olhei para George ao meu lado, que sorriu melancolicamente.
– Eu sempre fui muito ocupado com o trabalho. – Ele deu uma olhada pela janela e continuou a seguir o trailer a nossa frente.
Ele realmente era, e isso muitas vezes era um problema para nossa família, mesmo nós sendo felizes. – Você já está ficando morena novamente. – Ele riu passando uma das mãos em meu cabelo, enquanto a outra pousava no volante.
Meu cabelo estava seco e sujo, a tinta vermelha não parecia uma dadiva agora. A raiz morena estava à mostra, suspirei. – Se ao menos nós tivéssemos um condicionador para um banho de creme! – Caímos na risada.
Então parei e fiquei pensativa, Isobel e a mamãe faziam falta no banco de trás. – No que tanto pensa? – Ele ainda mantinha o sorriso no rosto. Eu o admirava, oh se admirava. George é o tipo de homem que faz rir nas piores ocasiões e sempre te consegue por mais autoestima.
– Michelle. – Seu nome passou como um sussurro pelos meus lábios, fazia tempo que não falava seu nome. O sorriso no rosto de meu pai logo se desmanchou.
– Mariana, posso lhe dizer uma coisa? – Assenti, enquanto ele tomava ar. – Sua mãe... Michelle, ela não morreu da melhor forma, mas ela sempre estará em nossos corações, e com certeza ela está em um lugar melhor, nos observando e nos guiando. – Ela tem até sorte de não estar vivendo isso, claro.
Eu não chorava mais, e nem queria. Sempre fui uma pessoa dura na queda, eu sei superar. Ela continuará sendo minha mãe, mas agora é hora de seguir em frente e lutar pela sobrevivência.
O dia já estava escurecendo, o sol já dizia tchau e a lua chegava dando boas vindas. Eu conseguia sentir que estávamos perto da fazenda. Eu não sei o que me espera lá, não sei se conseguirei resistir mais uma morte.
Carl nesses dias que passei com ele tinha se mostrado um menino doce, que eu adoraria ter como irmão. Ou até mesmo mais, dependendo de Isobel. Pode não parecer, mas eu até tenho pena de algumas pessoas que possam estar lutando pelos arredores do mundo, e sozinhas.
Eu ainda mantinha meu modo humilde, assim como outras pessoas também. – Hoje nós brincávamos com a sorte quando saímos de nosso aconchego, para até mesmo procurar água ou comida.
Eu tenho um grupo, mesmo sendo um fardo para eles, eu sou mais uma humana em meio de milhões ou até mais de mortos que estão andando pela Terra. Eu quero ser útil, eu quero sair para caçar, eu quero proteger.
– Droga! – Alguém gritou alto demais, o som vinha do trailer. Olhei tentando procurar alguma resposta no rosto de meu pai, mas o que eu via ali era apenas confusão.
George abriu a porta receoso, não sabíamos se eram walkers ou até mesmo outro tipo de ameaça. – O que houve? – Seu tom saiu um pouco alto demais, e em um “shio” o mandaram ficar quieto.
Daryl ajeitava a besta em suas mãos e olhava para frente. – Não sei lhes dizer direito. – Ele olhou para mim e para meu pai. — Em um momento eu estava em minha moto e no outro um machado quase acertou a minha cabeça! – Nos entreolhamos.
– Humanos?- Perguntei.
– Ao menos que esses bichos tenham aprendido a usar armas! – Falou com um tom de deboche. Bufei com raiva, pelo menos ele poderia ser pacifico uma vez. – Vamos continuar o caminh... – Antes mesmo que terminasse a frase, uns cinco homens armados saíram de trás das árvores.
Meus olhos se arregalaram, enquanto alguns tiravam suas armas e apontavam para eles, até mesmo parecia uma disputa entre gangues, cada um com armas nas mãos.
Tentando passar despercebida, coloquei minha mão dentro do carro e peguei uma pequena faca, a colocando presa em minha cintura. – Quem são vocês? – Glenn disse firme segurando uma pistola.
– E isso é pergunta que se faça moleque? – Um dos homens disse com arrogância. – Isso não importa a nenhum de vocês, aqui é o nosso domínio. – Cuspiu no chão.
Um silêncio se instalou, enquanto o dia ficava cada vez mais escuro. Estava uma tensão no ar, e o medo se alastrou em mim. Querendo ou não, eu estava com medo de morrer. – Queremos a garota. – Disse convicto.
– O que? – Daryl cuspiu as palavras.
– Queremos a ruivinha, é nossa troca pela passagem. – Alguns homens fizeram menção de vir em minha direção.
Eu conseguia sentir minhas mãos tremerem e a pulsação em meus ouvidos. – Nunca! – Daryl quase berrou. Mais dois homens saíram das árvores a minha costa e vieram em minha direção pegando meus braços.
Meu pai fez menção de vir, mas apontaram uma arma para sua cabeça... Uma não, duas.
Eu estava com o olhar apavorado, com toda a certeza. – Eu não estou pedindo, caçador. – O cara brincou com a arma em suas mãos. – Eu lhes dou passagem, mas a garota vem comigo, por bem ou por mal. – Os caras começaram a me arrastar, meu coração pulava de meu peito, a adrenalina corria por minhas veias.
Alguns tentaram avançar, mas foram impedidos. Se ao menos eu tivesse um dos braços livre para poder pegar a singela, mas útil faca.
Comecei a chorar desesperadamente enquanto tentava escapar. – Não, não! – Gritava enquanto aqueles dois caras apertavam meus braços me arrastando mata adentro.
– Foi um prazer conhecer vocês, rapazes. – Dando uma risada sarcástica, eles me colocaram dentro de um carro, que estava estacionado atrás de umas plantas.
– Mariana! – Amy gritou exasperada.
Os dois homens entraram comigo, e mais um foi para o volante. – Eu me ataquei na janela tentando escapar, mas fui impedida e imobilizada nos braços do homem. O carro começou a andar, e eu não conseguia ver pela janela.
Isso não pode estar acontecendo. Não pode.
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