Um Novo Jack, O Estripador.
1 Parte 1.
Peter Grimes tem uma boa vida. Nada perfeito, claro. Mas tem uma boa vida, uma ótima vida. Peter Grimes tem 32 anos, solteiro, mora com a mãe que sofre da doença de Parkinson e tem casos leves de bipolaridade. Peter Nunca teve uma namorada, não uma de verdade. Se apaixonar? É claro, quem nunca? Sofrer? Muito mais do que qualquer humano merecesse.
– Bom dia, mamãe – Diz Peter, mas fica sem resposta. Que tal panquecas para o café? Creio que ainda reste mel. Panquecas com mel para você, certo? É claro, nossa preferida.
– É claro, filho. Panquecas com mel para mim. Farei um chá hortelã para nós – Diz Lourdes, levantando-se e indo até o armário de mantimentos.
Lourdes, vamos falar sobre Lourdes. Lourdes, mãe solteira, perdeu a mãe com apenas 19 anos, em seu primeiro ano da faculdade de Psicanálise. Foi um evento trágico para toda a família, principalmente à Lourdes, que não pode comparecer ao enterro. Isso a levou a momentos difíceis, o resto do ano, para ela, de fato já havia acabado. Um ano depois, exatamente um ano depois, conheceu Ethan, seu primeiro namorado, sua primeira paixão, seu primeiro e único marido. Foram extremamente felizes juntos, viajaram por mais de 15 países, tiveram um filho, que ela veio a ter que cria-lo sozinha. Quando Peter fez 2 anos, seu pai, em um check-up semestral ao médico, descobriu que estava com câncer. Câncer próstata em um estado terminal. Morreu oito meses depois de iniciar os tratamentos quimioterápicos.
Lourdes nunca tentou um novo amor, mesmo sendo jovem. Criou seu filho o melhor que pôde, até que, quando Peter fez 21 anos, estava no terceiro ano da faculdade de psicologia, sua mãe descobriu o Mal de Parkinson, e teve que parar de trabalhar. Foi um momento extremamente difícil para mãe e filho. Ele não podia largar a faculdade, então mudou o turno. Cuidava da mãe de manhã, deixava algum familiar cuidar dela de tarde e de noite, para assim, poder estudar de noite e manter um trabalho de administrador de um velhote rico, com isso sustentar a mãe e a si mesmo, porém, nunca mais teve tempo de amigos ou relacionamentos sérios, tudo dependeria da faculdade, para poder dar um futuro bom a mãe. Ficaram assim durante alguns anos, mas, como já dito, Peter terminou a faculdade. Formado em Psicologia abriu um consultório, e deu uma boa vida a mãe e a ele. Uma casa boa num bairro muito valorizado de Yorkshire, Inglaterra.
– Peter, vou visitar Elizabeth mais tarde, tudo bem? Provavelmente passarei na biblioteca para comprar algum livro, as redes televisivas não passam nada de bom hoje em dia – Disse Lourdes, ao tomar mais um longo gole de chá. Pode me emprestar o carro?
– Claro mamãe. Não tenho nada de melhor para fazer hoje, acho que vou dormir. As chaves estão do lado da televisão – Diz Peter, um tanto quanto preocupado pelos problemas de Parkinson da mãe, porém feliz em saber que ela estava controlando muito bem a doença.
E assim se concretizou. Algumas horas depois do café, Lourdes pegou as chaves e abriu a porta.
– MAMÃE! CALMA, CALMA, MAMÃE! – Diz Peter, gritando e correndo em direção de sua mãe – Vai mesmo sair sem me dar abraço e um beijo? – Lourdes sorrindo, foi até o filho, beijou-o, abraçou fortemente, e disse um longo “Eu te amo” respondido pelo filho com as mesmas palavras. Fora a última vez que Peter vira sua mãe.
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