Eram aproximadamente 16:00 de uma tarde cinza, Yorkshire estava normal, era esse o normal de Yorkshire. Peter escuta o telefone tocar, é a ligação de um policial.

– Olá. Com quem falo? – Diz o policial, seguido de uma resposta de Peter, que parecia não entender o que havia ocorrido.

– Sr. Grimes, por favor, não posso entrar em detalhes. Venha para o Departamento de Policia Central, está certo? Venha rápido – E assim desliga o telefone.

Peter ficou imaginando o que houve por uns 15 minutos. Fala sério. Pra que precisam de um psicólogo na delegacia? – Pensou Peter. Para que precisariam de mim lá? E, enfim a ficha caiu. Algo ocorrera com sua mãe.

Peter não se troca, apenas desliga a televisão, calça um par de tênis, e vai para a delegacia o mais rápido possível. Peter não parava de se tremer, estava amedrontado. O que aconteceu com a mãe? Uma crise de Parkinson na rua? Uma briga com uma pobre idosa? Peter já ouvira falar disso, alguns adolescentes atormentavam algumas velhas senhoras. Peter não quis pensar nisso. Só de imaginar que alguém possa ter assustado sua mãe, maltratado, assaltado ela! Oras, o que ele faria com esse pequenos moleques pirraceiros? Peter não gostava de pensar nisso ou em coisas assim, já pensou muito isso na infância. Maltratar alguém. Não, maltratar não, torturar alguém. Isso. Torturar. Peter não gostava de pensar nisso, tinha nojo disso. Imaginar isso o faria dele um monstro, um terrível e monstruoso Peter. Mas o desejo não saía dele, não totalmente.

Por fim, Peter chegou à delegacia. Foi a recepção mais próxima e perguntou de sua mãe. A recepcionista de lá não entendeu, afinal, aquilo não era um hospital, era uma delegacia. Peter tentava confronta-la, dizendo que haviam ligado para ele e pedido para tal comparecer lá. Ainda tinha muito para discutir, já estava ficando nervoso, Peter odeia ficar nervoso. Até que um policial o chama com um grito. Ele era alto, tinha os olhos largos, olhos aparentemente tristes. Não tinha cara de ser um policial velho, como aqueles de televisão, era só um novato de lá, e, como nos filmes, provavelmente ficava apenas para os casos mais bobos e simples, do tipo comprar café para toda a delegacia, e leva-los, de mesa em mesa. O nome dele era Otto Letham.

– Olá. Creio que o senhor seja Peter Grimes, não? – Disse Otto, com uma cara de um cão que caiu do caminhão de mudança.

– Oi. Sim, sou Peter. Onde está minha mãe? – Diz Peter, apreensivo.

– Sr. Grimes, não sei como dizer isso. É a primeira vez que faço isso. Sempre fico com os piores serviços desse departamento...

– ONDE ESTÁ MINHA MÃE? – Diz Peter, mesmo imaginando a resposta.

– Sr. Grimes, sua mãe está morta. Houve um terrível acidente de carro próximo à livraria, com uma moça da vida. Ela estava bêbada e em alta velocidade. Sua mãe havia acabado de ligar o carro quando houve a colisão. Tentaram leva-la para o hospital, mas já era tarde demais. Meus pêsames, Sr. Grimes. Por favor, se puder me acompanhar você pode identificar o corpo e programar o...


Era o fim. O mundo de Peter caiu. Peter acabara de perder a única coisa que lhe era importante. Sua mãe era mais importante que tudo. Apenas sua mãe, só isso. Acaba de perder seu bem mais precioso, aquilo que fez desistir de toda uma vida feliz de um adolescente normal, acabara. Tudo isso por culpa de uma moça-da-vida, as famosas "prostitutas". Dizer que era isso que o afastava de sua insanidade pode ser correto, eu não sei. A única coisa que é certo dizer é: Um sentimento de vingança acabará de nascer em torno seu coração. Decore esta data. 31 de agosto de 2011. Assim surge o novo Jack, o Estripador.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.