Um Novo Caminho
15 Um Casamento e Um Funeral
Notas iniciais
Sirius nunca pensou que poderia terminar fazendo algo tão estupidamente tolo e irracionalmente romântico, digno do maior Hufflepuff da história, ele pensava mortificado enquanto olhava para Andrômeda.
– Você vai usar isso contra mim pelo resto das nossas vidas, certo? – O animago perguntou, desolado.
– Eu? O que te faz uma coisa tão maliciosa a meu respeito, querido primo? – Andrômeda questionou, sem desviar os olhos do pergaminho que usava para anotar a lista que coisas que teria que fazer em velocidade recorde.
Sirius revirou os olhos.
– Porque eu te conheço, casada com um nascido trouxa ou não… você ainda é uma Black, e uma slytherin ainda por cima!
– Então, acho que vai ter que aprender a lidar com as repercussões de lidar com serpentes taimadas, certo? Afinal, planeja se enrolar com uma das mais perigosas crias da casa de Salazar. – Ela disse, com um sorriso maquiavélico.
Sirius gemeu interiormente, mas manteve a postura estóica. Ele nem tinha se casado ainda e previa que Severus ia ser sua perdição, de várias maneiras diferentes. Ele se dirigiu a janela, podia ouvir as crianças brincando do lado de fora da casa, a Escócia era um lugar lindo, principalmente a parte mágica. Era uma pena que Harry e Draco fossem ter seus corações partidos tão brevemente.
– Eles vão superar, crianças são mais fortes do que você imagina. – Andrômeda disse.
– Sim, eu só queria que não fosse necessário. E obrigada por ficar com eles.
– Dora e Ted vão amar cuidar dos seus protegidos, ela sempre quis irmãos caçulas. – Ela comentou, olhando criticamente para sua lista.
– E você não? – Ele perguntou.
Andrômeda olhou pra ele levemente divertida.
– Espere até ter seu próprio herdeiro Black, quero ver se quer repetir a dose. Merlin sabe que deu errado para nossos pais. – Ela disse, sorrindo.
– Não posso tirar sua razão. – Ele disse, pensando sobre como irmãos Black podiam ser tempestuosos. – Mas acho que todo aquele sangue Hufflepuff do seu marido daria um jeito nisso. – Ele zombou.
– Três palavra Sirius: anel de ligação. Mais Hufflepuff que isso, só se o casamento fosse público e todo o mundo mágico te visse ajoelhado e…
Sirius gemeu alto, interrompendo-a e fazendo-a rir, isso ia ser um pesadelo.
X~X~X
Remus não sabia o que fazer quando via Lucius tão deprimido. O loiro tinha acabado de sair do banho e olhava fixamente para a escova de cabelo, sem se mover para pentear os fios úmidos. Pacientemente, o lobisomem se aproximou e tomou o objeto das mãos do companheiro e passou a pentear os longos fios sedosos.
– Sabe o que meu pai quis falar com Black antes dele levar os meninos?
– Sei. – Remus respondeu, simplesmente.
– Vai mesmo me fazer perguntar? – Lucius parecia mais azedo que o normal.
– Ele queria que Sirius tomasse uma providência rápida para agarrar Severus antes que ele morra, sabe como seu pai é. Aparentemente ele pensa que se Severus não se casar enquanto ele olha, Sirius nunca vai ser capaz de tirá-lo do laboratório de poções tempo o suficiente para arrastá-lo para a cerimônia. – Remus disse, brincando para fazer Lucius relaxar um pouco.
– Ele está certo, Severus só atende alguns compromissos sociais porque meu pai pede, ele já passou da idade em que um portador tradicional estaria casado. – Lucius disse. – Meu querido Severus precisa de um empurrão, algumas vezes. Além disso, ele é um portador, deveria achar um bom homem e ser feliz.
– Verdade, mas você era um portador e se casou com Narcissa. – Remus apontou.
– Sim, mas porque ela era minha amiga e essa aliança era conveniente. Eu não estava atraído o suficiente por nenhum homem na época, e queria um herdeiro. – Lucius explicou, dando de ombros. – Por falar em Narcissa, ela mandou uma carta, perguntando se quero que ela leve Draco por um tempo.
Remus rosnou ante tal possibilidade, o que fez Lucius sorrir de lado.
– Ela é a mãe, sabe disso, não é? – O loiro provocou.
– Racionalmente sim, tente explicar ao meu lado primitivo porque você está sequer cogitando mandar nosso filhote para aquela harpia. – Remus retrucou, de cara azeda.
– Ela ama Draco, escreve regularmente para ele e para mim para saber da evolução do filho, o fato de ela não amar cuidar de crianças não faz dela um monstro. O seu problema é que você é ciumento. – O loiro disse.
– Meu problema é que ela não dava a mínima para o filho!
– Narcissa nunca quis ser mãe, ela era muito independente e livre. Desconfio que nunca teria se casado se os pais não a pressionassem tanto. Depois do fiasco com Andrômeda, eles não deram espaço para mais um escândalo na família, e uma Black solteira e festeira, seria um escândalo. Unimos o útil ao agradável quando nos casamos.
– Não me peça para entender. – Remus disse, terminando de penteá-lo. – Mas não quero que ela leve o Draco, posso não me controlar se isso acontecer, não somos vinculados ainda e posso reagir a isso como um desafio ao meu bando.
– Tudo bem, além disso, se Severus vai se casar, Draco deve estar aqui.
– Sim, mas não na cerimônia, que será no quarto de Abraxas. – Remus disse. – O que acha de providenciar uma túnica bem bonita para o seu amigo? – O lobo perguntou, envolvendo o loiro com seus braços fortes.
– Acredito que está me subestimando se acha que já não o fiz. – Lucius disse, rendendo-se ao abraço do lobisomem.
X~X~X
Severus estava em seu quarto, ele tinha deixado a enfermeira vigiando o sono febril de Abraxas, que tinha teimado em se esforçar o dia todo, se recusando a descansar e reclamando sobre as bolhas em seu corpo, que não deixavam de incomodar, mesmo que estivessem cobertas por uma loção feita pelo próprio Severus. O pocionista não queria nem pensar em como seria quando o patriarca atingisse a fase em que teria delírios e dores insuportáveis vindo das pústulas, nenhuma poção poderia aliviar isso, por isso mesmo ele não fez nenhum escândalo quando entrou sorrateiramente no quarto e ouviu a conversa entre Abraxas e Black. Tinha sido algo muito interessante.
– Então velhote, queria se despedir de mim?
– Algumas pessoas pensariam que você poderia ser educado com um homem doente Black. – Abraxas respondeu, de mau humor.
– Por que eu deveria? Você só estragou todos os meus planos, como vou levar seu pupilo arisco para o altar sem você lá para arrastá-lo pelas orelhas? – Sirius questionou.
– Novamente, pensei que pudesse conquistar Severus por si próprio.
– Claro que posso, esse não é o ponto. Seu menino bonito iria correr para o outro lado do mundo no momento em que percebesse que está gostando realmente de outra pessoa, é como caçar um coelho, difícil pra caralho. E o coelho não tem uma varinha e um vasto repertório de feitiços perigosos pra jogar na minha bunda.
– E como você pega o coelho? Suponho que um auror treinado possa fazer isso. – Abraxas provocou, fazendo Severus sorrir.
– Claro que posso! Eu o encurralo e o pego de surpresa, a questão é ser silencioso e sorrateiro, usar o ambiente a seu favor e não deixar a presa perceber o golpe até ser tarde demais. – Sirius disse.
– Então está dizendo que as qualidades de slytherin nos fazem mehores caçadores do que vocês, gryffindors desmiolados? – Abraxas provocou, apesar de ter perdido parte do efeito, pela voz mais suave e contida devido a doença.
– Eu certamente não disse uma coisa dessas!
– Você disse: a questão é ser silencioso e sorrateiro, usar o ambiente a seu favor. Estratégia muito slytherin.
– Eu vou negar e você está morrendo, não pode espalhar isso por ai. – Sirius disse, dando de ombros, coisa que fez Severus querer quebrar-lhe o nariz, até que ouviu a risada suave de Abraxas.
– Você é perfeito pra ele, e o que vai fazer sobre isso? Quero vê-lo casado antes de morrer.
Severus apreciou ver como Sirius Black ficou boquiaberto e com cara de tonto diante disso.
– Mas… me desculpe velhote, mas você está nas últimas.
– Então, seja rápido.
– Como?! – Black rugiu. – A menos que eu faça um casamento surpresa e o jogue sobre os ombros para levá-lo ao altar seria extremamente difícil fazer seu querido Snape se casar comigo antes que os dois tenhamos cem anos.
– Acho uma excelente ideia, traga um oficiador aqui e tenha uma festa discreta lá embaixo, não se preocupe, farei olhos de moribundo e ele vai dizer sim. – Abraxas disse, com toda a calma, ignorando os olhos arregalados de Black, que claramente achava que ele estava insano.
– Claro, claro… – Mas nem mesmo Sirius Black era tão impertinente para provocar Abraxas Malfoy em seu leito de morte.
– E Black, se não o fizer primorosamente feliz, sabe que vou vir dos mortos e fazer sua vida ser miserável, certo?
– Estou ciente disso, mas não tenho medo de você. – Sirius disse, mostrando a língua para o patriarca, que revirou os olhos.
Ao pensar no quão infantil seu futuro marido poderia ser, Severus também revirou os olhos. Sim, ele teria trabalho ao lidar com o marido, mas deixaria Sirius e Abraxas pensarem que o tinham arrastado a um casamento surpresa, quando ele mesmo já tinha escrito uma carta com pedido formal ao auror quando Abraxas deixou escapar seu desejo de vê-lo casado antes de morrer. Os dois tolos pensavam que podiam manipulá-lo, mas no fim, ele terminaria com Sirius Black comendo na palma de sua mão, assim como Abraxas sempre tinha estado… ah, os homens que ele amava gostavam de pensar que o domavam, mas no final, ele sempre conseguia tudo o que queria, um sorriso amargo apareceu em seu rosto quando se deu conta de que nenhuma cara de manha ou olhares magoados conseguiriam impedir Abraxas de partir, a vida era muito injusta no final das contas.
X~X~X
Harry e Draco estavam desconfiados, eles não eram tolos e sabiam que alguma coisa estava acontecendo, os adultos estavam agindo estranho. Claro que os dois eram facilmente distraídos pelos exuberantes irmãos Weasley, que estavam naquela viagem com eles e Sirius. Os maiores Bill e Charlie tinham levado os menores para voar em escova e Harry tinha achado o máximo, os gêmeos eram meio assustadores e já tinham feito Ron chorar, dizendo que iam usá-lo para testar sua nova brincadeira, Percy tinha puxado as orelhas dos dois e acalmado Ron, que agora estava perto Draco, já que Harry estava ocupado, voando de novo com Bill. O ruivo não parava de lançar olhares descarados para o loirinho deitado no cobertor a seu lado.
– Por que está me olhando assim? – Draco perguntou, mais curioso que aborrecido, já que o menino tinha sido muito agradável o tempo todo.
– É que você não parece um monstrinho mimado e malvado.
Draco fez beicinho.
– Claro que não! Quem te disse isso?
Ron ficou tão vermelho quanto seu cabelo.
– Foi a minha mamãe… desculpe.
Draco parecia ofendido, mas depois deu de ombros.
– Minha mamãe diz nas cartas que eu não deveria me misturar muito com vocês, mas eu não ligo. Às vezes mães dizem coisas tontas. – O pequeno Malfoy disse, balançando a mãozinha aristocraticamente.
– De verdade? – Ron parecia confuso, mas acreditou quando Draco assentiu vivamente, fazendo seus cabelos claros se bagunçarem. – Então quando ela diz para não dar atenção quando Percy está chateado porque é birra, posso ir consolá-lo?
– Claro! Ele é seu irmão, ele veio te ajudar com os gêmeos, certo? – Draco parecia muito indignado.
– Isso faz sentido. – Ron disse, e sorriu brilhantemente. – Obrigado!
Um gritinho estridente de Harry assustou os dois meninos, que sorriam um para o outro, já que Ron tinha acabado de dar um beijo estalado na bochecha branca de Draco. Os dois meninos viram como Harry corria até o cobertor e plantava as mãozinhas nos quadris, exatamente como fazia Remus quando ele e Draco estavam sendo levados.
– Ron! Você não pode beijar o meu Draco, ele é meu.
– Mas ele também quer ser meu amigo agora. – O ruivo protestou, magoado que Harry não quisesse dividir o loiro.
– Sim, ele pode ser seu amigo. – Harry disse, revirando os olhos, isso coisa de Severus.
– Então, qual é o problema? – Draco e Ron perguntaram ao mesmo tempo, fazendo Harry bater o pé irritado.
– Eles tem razão Harry, Draco pode ganhar beijos de outros amigos, isso não quer dizer que você está sendo deixado de lado, Ron pode beijá-lo também se quiser. – Percy disse, achando a situação mais engraçada do que o livro que tinha estado lendo.
– Você não quer roubar Draco de mim? – Harry perguntou a Ron, parecendo muito sério.
– Não, gosto de ser amigo dos dois, assim não vou ter que brincar só com os gêmeos, sabe como eles são. – Ron disse, baixando a cabeça, seus irmãos podiam deixá-lo aterrorizado às vezes.
– Tudo bem então! – Harry disse, alegremente. – Tenho certeza que meu papai pede pro seu papai pra te deixar dormir lá em casa.
Percy balançou a cabeça, sorrindo, as crianças podiam ser tão engraçadas. Mas ele teria que falar com o pai sobre os gêmeos, essas piadas e brincadeiras usando Ron de cobaia estavam ficando muito perigosas, ele esperava que o pai escutasse, já que sua mãe o tinha taxado de reclamão e fracote quando ele falou com ela. Era tão difícil ser o mais velho… ele era quem cuidava dos caçulas, já que Bill e Charlie sempre estavam ocupados com outras coisas. Pelo menos ali estava tendo um descanso, ele sorriu de novo quando Ron bocejou e veio se deitar a seu lado, a cabeça apoiada em seu colo, piscou confuso com o flash, e viu seu pai atrás de uma câmera muito sorridente.
– Se eu não soubesse diria que você é um portador, você é muito bom com seus irmãos. – Arthur disse, bagunçando seus cabelos. – Meu menino responsável.
Percy corou, ele gostava de ser elogiado, e ficou curioso, o que seria um portador?
X~X~X
Sirius não podia dizer que estava surpreso quando viu a tensão em Lucius Malfoy quando ele saiu da lareira ao lado de Andrômeda, afinal, ela era a irmã renegada de sua ex-esposa.
– Então, acho que vocês dois já se conhecem. Andy, você se lembra de Lucius, certo?
– Malfoy. – A mais velha disse, com um aceno de cabeça aristocrático.
– Black. – O loiro respondeu.
– Tonks. – Andy corrigiu.
Sirius gemeu.
– Por mais que eu ame vocês dois disputando pra ver quem é o mais pomposo, preciso que se unam para arrumar isso aqui para um casamento. – O auror disse.
– Eu poderia fazer isso sozinho. – Lucius disse, azedo.
– Eu sei! Mas isso te impediria de ficar com seu pai, certo?! – Sirius gritou. – Agora faça o favor de dizer aos elfos para obedecerem a Andy antes que eu resolva te…
Um leve pigarro atrás de Sirius o fez congelar.
– Desculpe Padfoot, mas será que você está gritando com meu companheiro?
– E em vias de me ameaçar fisicamente, devo dizer. – Lucius acrescentou, olhando maquiavelicamente para o auror.
– É verdade? – Remus perguntou ao amigo, numa voz enganosamente doce.
– Sim, mas…
– Não no rosto amor, não queremos um noivo com um olho preto. – Lucius disse, ao ver Remus estampar o amigo contra a parede. – Se me acompanha, sra Tonks, vou te apresentar aos elfos.
Andrômeda fez seu melhor esforço para ignorar o fato de que o ex-marido de sua irmã era aparentemente o atual companheiro de um lobisomem, que por acaso estava se engalfinhando com Sirius na sala, provavelmente mais para acalmar o animago do que para vingar o loiro, mas isso não vinha ao caso.
– Presumo que manterá o noivo longe dos preparativos para o casamento surpresa? – Ela perguntou, secamente.
– Claramente, presumo que já providenciou as joias do ritual.
– Isso é óbvio. – Ela disse. – Posso não ser Narcissa, mas sei perfeitamente como fazer um casamento memorável.
– Ela faria melhor, claro, mas está viajando.
– E não gosta de Severus porque ele é mestiço. – Andrômeda alfinetou.
– E ele desaprova você pela deslealdade à família, estamos todos empatados.
Andrômeda se segurou para não azarar o loiro, mesmo porque podia sentir as proteções da mansão vibrando a seu redor, qualquer um que atacasse um Malfoy dentro dessas paredes não sobreviveria para contar a história.
– Vou poder conhecer meu sobrinho? – Ela perguntou, vendo uma foto do menino.
– Sabe perfeitamente que deve perguntar isso a Narcissa. – Lucius disse.
– Então, a resposta é não. – O homem era irritantemente leal a ex-mulher, o que a deixava intrigada, ela odiava não entender as pessoas completamente.
X~X~X
Severus tinha terminado de preparar uma poção com fortes analgésicos para Abraxas, pretendia fazê-lo beber, nem que para isso tivesse que lançar uma império no patriarca teimoso. Ele também não gostaria de ficar drogado no fim da vida, mas era torturante ver o homem que tinha como pai aguentando as pústulas doloridas para nada além de ser teimoso.
– Sr. Snape. – A enfermeira disse, ela ia saindo do quarto. – Ele está sofrendo, a loção não ajuda muito, só impede que se torne contagioso e evita a necrose, e ele nem me escuta quando peço para tomar alguma coisa, o sr. Lucius está lá dentro tentando convencê-lo.
– Ele vai tomar isso, quer queira, quer não.
Quando entrou no quarto, Lucius estava praticamente chorando, seu pai piorava a olhos vistos e ele tinha que se contentar em enxugar o suor da testa dele com panos úmidos, enquanto o via sofrer.
– Escute aqui Abraxas Caliendo Malfoy, nós não somos obrigados a vê-lo definhar em dor, vai tomar essa poção agora ou eu vou te lançar a império para que o faça.
– Ok, tomo a poção. – O patriarca disse, depois da explosão de seu pupilo.
– Toma?! – Lucius e Severus perguntaram ao mesmo tempo, ambos surpresos.
– Claro, se meus meninos estão pedindo. – Abraxas disse, depois sorriu. – Claro que Severus vai ter que ir com você e vestir algo bonito para me deixar feliz, sabe como sempre me desgostou ele só usar negro, arrume algo bonito para vesti-lo e tomo toda essa coisa.
Severus franziu o cenho, e olhou intensamente para os dois loiros.
– Não pode haver nenhuma armadilha muito perigosa em me arrumar um pouco, mas se eu ver alguma câmera, vou enfeitiçar os dois. – O moreno disse, cortante, saindo para o quarto de Lucius, onde provavelmente ia ser arrumado como uma boneca trouxa.
– Ele sabe de alguma coisa. – Lucius disse ao pai quando o amigo saiu do quarto.
– Ele é um slytherin, deve saber que estamos aprontando alguma coisa. Agora, vá lá e o apronte, Black deve estar quase pronto.
– Black pode esperar, ele não vai conseguir mesmo uma noite de núpcias decente por um tempo. – Lucius disse, maliciosamente.
– Oh, sim, nosso querido Severus provavelmente vai fazê-lo sofrer com a espera. Cuide para que Black ande na linha com ele, sim?
– Black vai se comportar, ou vou dizer ao Remus, perto da lua cheia cabe resaltar, que ele me apalpou.
Abraxas riu, até começar a tossir, seu filho era um homem retorcido, e seu maior orgulho.
X~X~X
Sirius entrou no quarto de Abraxas ao lado de Arthur para encontrar o velho sentado ereto, em uma pilha de travesseiros, ele não parecia febril, e estava usando um pijama elegante, coberto por um roupão cor de sangue bordado com fios de ouro.
– Estou um pouco dopado Black, por isso, peça a seu oficiador para não demorar ou posso cair dormindo no meio da cerimônia e se isso acontecer…
– Vai voltar dos mortos e me assombrar, eu sei. – Sirius disse. – Arthur vai ser rápido, não é amigo?
– Sim, tenho que chegar em casa na hora do jantar ou Molly vai ficar uma fera.
– Pelo amor de Merlin homem, aprenda a não temer sua mulher! Ou pelo menos disfarce, Black morre de medo de Severus, mas não deixa todos verem isso. – Abraxas disse ao ruivo.
Sirius ia começar a gritar sobre essa mentira quando ouviu a porta se abrir e Remus entou, junto com Andrômeda, seu amigo estava usando uma elegante túnica cor de palha, e sua prima, estava linda, num vestido simples e elegante.
– A festa está pronta nos jardins, as crianças estão sendo assistidas pelos elfos e os convidados vão começar a chegar em aproximadamente quarenta minutos. – Ela informou ao patriarca Malfoy.
– Bom, eu sempre achei você a mais adequada para senhora dessa casa, se tivesse tido mais juízo…
Andrômeda não era Sirius, não iria contrariar um velho em seu leito de morte, só sorriu de lado, e acenou com a cabeça. A porta se abriu de novo, e primeiro, entrou Lucius, bonito demais para seu próprio bem, na opinião da ex-cunhada, em uma túnica azul celeste que privilegiava seus cabelos claros.
– Senhores, o noivo já está aqui. – Ele disse, abrindo a porta para Severus.
– Noivo?! Noivo de quem, loiro desmiolado? – Severus bradou, entrando na sala.
O queixo de Sirius caiu. Severus estava com os cabelos soltos, livres da oleosidade das poções, enfeitados com um pente com uma esmeralda oval gigantesca. Seu rosto parecia lindamente irritado e corado, o que favorecia a figura esbelta envolta numa túnica branca cerimonial, com runas de proteção e fertilidade bordadas com fios de ouro à mão. Ele estava deslumbrante.
– Meu noivo, claro. Seu papai quer te ver casar antes de morrer, por isso, seja um menino bonzinho e venha aqui se tornar meu para sempre.
Severus olhou para Black com os olhos flamejantes, e o auror teve que resistir a tentação de se encolher, ele sabia que ficava intimidante e sexy em sua túnica de gala, o vermelho dos aurores iria ser um contraste lindo com o branco da túnica de Severus nas fotos, isso se ele sobrevivesse para ver os registros do casamento. Severus olhou para Abraxas e depois para Sirius.
– Vou fazer isso, mas vou passar o resto da vida me vingando Black. – Disse, estendo a mão para o auror e indo parar na frente da cama de Abraxas, para que o patriarca tivesse uma visão melhor.
– Tudo o que quiser, querido. – Sirius murmurou, beijando sua mão, o que fez seu coração acelerar, tonto que ele era. – Pode começar Arhur.
O ruivo sorriu, e pigarreou ante de começar a falar, sua voz soando estranhamente forte e decidida.
– Sirius Órion Black, lorde da mui antiga casa dos Black apresenta sua intenção de se unir em matrimônio com Severus Tobias Snape, descendente da lendária e pura casa dos Prince e tutelado da pura casa Malfoy. Os mais antigos das casas aprovam a união? – Ele perguntou, com voz retumbante.
– Sim. – Andrômeda e Abraxas disseram ao mesmo tempo e em alto e bom tom.
A varinha de Arthur começou a brilhar, e fios brancos começaram a envolver Sirius e Severus enquanto o ruivo recitava um encantamento antigo.
– Então, eu pergunto aos jovens aqui presentes, Sirius e Severus, vocês dois unem suas casas, seu sangue e sua magia por vontade própria?
– Sim. – Sirius disse, olhando diretamente para os olhos intensos do noivo.
– Sim. – Severus respondeu, secamente.
– Et quod unio nusquam frangit magicae manet in aeternum. – Arthur recitou, fazendo Severus arregalar os olhos ao ver os fios brancos de magia se enrolarem em seu pulso e de Sirius mantendo suas mãos unidas. O pocionista não esperava por esse feitiço de união, ele era muito poderoso.
– Você é meu para sempre. – Sirius disse, quando os fios de magia sumiram, voltando a beijar a mão de Severus.
– Bastardo escorregadio. – Severus murmurou para ele.
– Sirius Black, para completar o ritual você deve como sabe, prestar o juramento para seu portador.
Severus quase se engasgou ao ver o auror se ajoelhar diante dele, e só sua criação à la Malfoy o impediu de ficar de boca aberta quando viu Andrômeda se aproximar com uma caixa de madeira e estende-la para o primo, de onde o auror tirou uma pulseira ligada a um anel, suas pedras eram esmeraldas escuras e bem talhadas, tudo incrustado na prata mais reluzente que Severus já tinha visto.
– Eu, Sirius Black, lorde da mui antiga casa dos Black, juro pela minha magia e minha honra que dedicarei minha vida a fazer Severus Snape di Black feliz, minha fidelidade e meu amor te pertencem para toda a eternidade, tomo essas pessoas como minhas testemunhas e ofereço esse presente como prova do meu amor.
Severus tentou fortemente evitar que seus olhos se umedecessem enquanto seu novo marido colocava a joia em sua mão esquerda. Aquele era um dos momentos mais emocionantes de sua vida, coisa que o impediu de se esquivar do beijo delicado, mas decidido que Sirius plantou em sua boca quando se levantou. Remus quebrou o encanto do momento, aplaudindo e dizendo ao amigo o quanto ele tinha estado bem. As felicitações do pequeno grupo começaram e Severus só tinha olhos para Abraxas, que o olhava com lágrimas contidas, quando ele se aproximou da cama.
– Você parece sob o feitiço da felicidade.
– Eu provavelmente sou, o vira-lata deve ter colocado alguma coisa nesse anel espalhafatoso.
– Sei que vai adorar esfregá-lo no nariz da sociedade. Vá lá, se divirta esnobando a alta sociedade bruxa, depois volte e me conte tudo.
Severus sorriu para o homem, pretendia fazer exatamente isso.
X~X~X
O que pouca gente soube foi que, depois da festa de casamento de Sirius e Severus Black, quando os noivos escaparam do burburinho dos convidados, eles não foram para o quarto nupcial preparado com esmero pelos elfos. Eles entraram nos quartos do patriarca, prontos para agraciá-lo com histórias divertidas da festa e dos rostos escandalizados de muitas matronas ao saber que estavam ali para comemorar o casamento de dois dos mais cobiçados solteiros da Inglaterra, o que os noivos encontraram foi Abraxas em sua cama pronto para ouvir as fofocas, não dormindo agitadamente como vinha fazendo, mas entregue a uma paz diferente, a paz dos que morrem sem arrependimentos. Sirius abraçou Severus fortemente quando ele caiu em um pranto desesperado e desolado, tinha sido um belo para um casamento, que na manhã seguinte teria um funeral.
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