Um Novo Caminho
26 Terceiro Ano
Notas iniciais
Remus sorria para Lucius enquanto os dois viam Fenrir assinar um contrato de prestação de serviços com o próprio Ministro. O homem cheirava a medo, o que claro, deixava os lobisomens presentes divertidos, Lucrécia McNair e o chefe do Wizengamot estavam presentes também.
– Eu espero que essa parceria resulte na captura dos comensais fugitivos.
– E eu espero que eu possa matar alguns. – Fenrir disse, sorrindo maldosamente quando viu Fudge estremecer.
– Por favor, se for impossível refrear seus instintos rogo para que não mate os mais importantes, precisamos de informação. Mas, se quiser arrancar os braços do meu irmão pode ficar à vontade. – Lara disse.
Fenrir riu.
– Oh, o velho Walden, vou cuidar dele e mandarei lembranças de sua parte, madame.
Lara sorriu, e olhou para Martin, que estava silencioso atrás de seu alfa.
– E eu gostaria de um guarda-costas lobisomem, seu beta me parece adequado.
A luxúria que emanava da mulher fez Fenrir rosnar e Martin sorrir nervosamente, seu alfa era ciumento e podia muito bem dar uma surra na bruxa descarada.
– Ele é meu. – O alfa disse, terminantemente.
– Vocês lobos, não sabem dividir. – Ela disse, sussurrante, apenas para os ouvidos lupinos.
Fenrir rosnou de novo, e Remus viu que era hora de intervir.
– Acho melhor começarmos a rastrear, não acho boa ideia dar a Bellatrix tempo para reagrupar.
– Está bem filhote, mas precisamos esperar pela madrugada, não estou com vontade de ter que fugir de uma horda de magos querendo minha cabeça. – Fenrir disse, ainda olhando feio para a mulher mais velha.
– Não é provável. – Lara disse. – A maior parte da população os teme, mas sua missão é passar despercebido, não queremos alertar o inimigo de nossas armas.
Fenrir, Martin e Remus rosnaram quando ouviram o termo, eles não eram armas de ninguém.
– Vamos usar o termo aliados, Lara, não queremos que o clã pense que somos como o inimigo. – Lucius disse, diplomaticamente.
– Por mim, dá igual. – Ela disse, dando de ombros e ignorando a tensão dos homens na sala, até deu uma piscadela para seu amante ministro.
X~x~X
Narcissa estava impressionada, ela sabia que Bellatrix era sem dúvida uma bruxa excepcional, ainda que desequilibrada pelos anos na cadeia mais dura do mundo bruxo, mas o nível de engenho e eficácia dos feitiços e planos de sua irmã foram um fator surpresa.
– Esse seu olhar de surpresa me ofende, Cyssa. – Bella disse, fazendo um beicinho de criança.
– Pensei que teria que cuidar de você, mas vejo que vou ter que cuidar de mim mesma para não ser pega no meio dos seus planos. – Narcissa replicou.
– Oh, eu não faria nada malvado com a minha irmãzinha. – Bella disse, com voz doce. – Mas não te contei nem a metade do que tenho planejado, afinal, seus instintos maternais podem interferir por vezes.
– Irmã, se machucar meu filho como parte dos seus planos, vou arrancar sua pele um centímetro por vez enquanto te escuto gritar. – Narcissa disse, com um sorriso calmo.
– Eu não esperaria menos. – Bellatrix disse, com os olhos brilhantes. – E não pretendo machucar seu dragãozinho, ele é um puro sangue orgulhoso, não viu que quase fez o meio gigante ser demitido?
Narcissa fez uma careta, os informantes dos comensais no Ministério tinham dado um relatório completo sobre o ocorrido, e ela teve que se contentar com uma vingança através de Lucius.
– Um maldito hipogrifo na escola! Juro que às vezes me arrependo de não ter deixado Lucius mandá-lo para a Alemanha.
– Oh, isso me lembra de uns assuntos internacionais que preciso tratar. – Bella disse, saindo da sala saltitante.
Narcissa soltou um suspiro pesado, ela não esperava essa vivacidade da irmã, na verdade, ela tinha contado com uma recuperação lenta mágica e fisicamente, mas como sempre, sua irmã tinha sido imprevisível e se recuperado em tempo recorde, antes mesmo de seu marido. Bella era incontrolável sem o Lorde, e ela só tinha esperanças de que pudessem trazê-lo de volta antes que a Black mais velha pudesse colocar todos os seus planos em ação, ia ser um banho de sangue se isso acontecesse.
X~x~X
Harry não gostava de ser o centro das atenções, mas naquele ano quase tudo na escola convergia para chamar a atenção sobre ele. A fuga de prisioneiros tinha deixado o mundo mágico de cabelo em pé, afinal, tinham comensais a solta, e os rumores do retorno de Voldemort já começavam a se espalhar como erva daninha, silenciosa, mas efetivamente. E só para coroar esse ano maravilhosamente bom, Draco estava uma fera com ele, só para variar. Agora, ele gostaria de saber porque seu irmão o estava culpando por tudo, desde Bicuço ficando louco e o atacando, até o soco que Hermione acertou na cara dele quando estavam discutindo sobre a execução do hipogrifo, que Lucius tinha pedido ao Ministério. Um sorriso maldoso apareceu nos lábios do moreno enquanto ele se lembrava da cena.
Harry estava triste pela sentença de Bicuço, e irritado também, mas Lucius Malfoy não era do tipo de homem que deixasse um ataque ao seu filho passar em branco, nada disso. Ele, Hermione e Neville tinham tentando consolar o pobre Hagrid, mas o meio-gigante estava chorando feito criança e muito triste pela perda eminente do amigo. O trio de leões saiu da cabana do professor desanimados, Hermione estava possessa.
– Tem certeza de que não pode convencer Malfoy?
– Qual deles? – Harry perguntou. – Draco está machucado, e ele odeia sentir dor, não vai ter simpatia pro Bicuço ali. E meu pai não negocia quando o assunto é nossa segurança, se eu argumentar de novo sobre isso ele é capaz de me dar umas palmadas.
– Fale com o Remus então, ele é razoável. – A menina disse, se lembrando do aspecto doce e gentil do homem.
– Mione, meu pai Remus é um lobisomem… ele arrancaria a cabeça do Bicuço a dentadas na próxima lua cheia se meu pai Lucius deixasse.
– Sério? – Ela perguntou, incerta.
– Muito, sério, sei que Draco foi um idiota e não seguiu bem as instruções do Hagrid, mas tem que entender que do ponto de vista dos meus pais, o Hipogrifo atacou o filhinho deles numa aula que deveria ser segura. Remus é um lobisomem, ele simplesmente teria matado Bicuço ali mesmo se estivesse aqui no momento, e Lucius teria amaldiçoado o Hagrid também, depois de depenar o pobrezinho do animal, sério, teríamos nos dado melhor se o Charlie estivesse dando aulas para os terceiros anos, mas Hagrid pegou os anos iniciais justamente porque o diretor achou que seria mais fácil pra ele. – Harry disse. – Além disso, meu pai Remus acha que o hipogrifo reagiu mal a magia de Draco por algum motivo.
– Porque ele é um idiota pomposo, até o hipogrifo podia saber disso. – Neville resmungou, fazendo Harry sorrir, o menino tímido já estava cultivando garras de leão há algum tempo.
– Melhor do que ser um arremedo de mago, até um squib poderia fazer melhor que você em algumas aulas. – A voz arrastada de Draco chegou até eles.
Harry revirou os olhos, o loiro vinha acompanhado de Ron, Vincent e Greg. Draco ainda tinha o braço numa tipoia, e parecia muito irritado.
– Pelo menos ele não foi idiota o bastante para provocar um hipogrifo e depois deixar o pobre animal ser sacrificado! Honestamente, Malfoy, você tem que fazer alguma coisa! Daqui a pouco vão marcar a data da execução. – Hermione gritou, explodindo de revolta.
– Aquela galinha gigante me atacou! Ele é perigoso e…
– Vamos lá, Draco, você não seguiu as instruções e ofendeu o Bicuço. – Harry interrompeu o irmão.
– Isso não é verdade! – Draco teimou.
– Você é como um menino de três anos de idade, um daqueles mimados e inconsequentes! – Hermione disse. – E um daqueles malvados que gosta de matar bichinhos inocentes!
Ron olhou para Harry, o ruivo segurou o braço bom de Draco e o moreno abraçou a cintura da menina.
– Ok, vocês dois, já podem parar de…
– Escuta aqui, sua minhoca de sangue ruim. Eu…
Harry não sabia que Hermione podia ter tanta força, mas a garota se desvencilhou dele com facilidade assustadora, e arremeteu contra o loiro, que ganhou um soco que só não o derrubou porque caiu nos braços de Ron.
– Mione! – Harry e Neville exclamaram ao mesmo tempo.
– Que é?! – Ela respondeu, com aquele olhar maníaco que só as mulheres podem fazer. – Ele me chamou disso pela última vez, isso é, se o ilustre herdeiro Malfoy não quiser terminar o dia sem um único dente nessa boca suja!
Harry não aguentou e começou a rir, acompanhado de Neville, até os dois gorilas pessoais de Draco sufocaram risadinhas, mas foi Ron quem fez uma cara muito feia para Hermione enquanto começava a arrastar Draco para o castelo, o loiro soltava palavrões nada condizentes com seu status, na verdade, se Lucius sonhasse com essa linguagem sendo usado pelo seu filho, lavaria a boca dele com um feitiço de bolhas de sabão. Narcissa certamente faria pior.
– Eu estou falando com você, Harry! Por que está sorrindo como um bobo?
O rapaz sorriu para Hermione, que o olhava com o cenho franzido.
– Só me lembrando de como foi engraçado quando você socou Draco.
– Você não parecia muito divertido quando foi correr atrás dele pedindo desculpas. – Ela espetou.
– Eu não devia ter rido na cara dele, foi rude… e não condizente com a adoração com a qual ele está acostumado a ter da minha parte.
Hermione riu.
– Sua adoração é irritá-lo e entrar numa disputa de feitiços numa base regular. – Ela disse.
– Filhos únicos não entendem. – Harry disse, como se fosse a única explicação do mundo. – Ron nem pisca quando começamos a nos enfeitiçar.
– Verdade. – A menina aceitou. – Escute, me empresta o Mapa do Maroto?
– Por quê? – Harry perguntou, mas já pegando o pergaminho velho no bolso. – Meu pai Remus quase surtou de alegria quando soube que os gêmeos me deram isso, ele pensou que estava perdido para sempre, mas ainda não pude convencê-lo a me dar a capa de invisibilidade do James, ele acha que vou aprontar.
Hermione riu.
– Mas você iria, já desencaminhou o pobre Neville, não posso imaginar o que vocês dois fariam com algo desse tipo. Já são terríveis só com o mapa.
– O que nos leva a pergunta de novo, por que o quer? Não está planejando nada contra o Draco, verdade? Porque senão…
– Só preciso dele para uma pesquisa, estou tendo uma aula extra e os encantos no pergaminho são fantásticos.
– Ah, ok. – Harry disse, perdendo o interesse, Hermione tinha várias aulas extras aquele ano. – Só não vá fazer nada que o estrague, é uma lembrança muito preciosa para o meu pai e pro meu padrinho.
– Eu sei, eu sei, vou ter tanto cuidado como se o mapa fosse um bebê.
– Não, cuide como se fosse um livro, você não sabe nada de bebês, se tivermos filhos provavelmente vou ter que alimentá-los e trocá-los enquanto você lê livros e me diz que estou fazendo tudo errado. – Harry brincou, antes de se dar conta das implicações do que tinha falado.
Hermione riu, e Harry corou quando ela se inclinou para dar-lhe um leve beijo nos lábios.
– Não pense que vai me convencer a ter sexo só porque fica dizendo coisas bonitinhas.
– Eu não disse por isso! – Harry disse, envergonhado momentaneamente, enquanto ela saía da Torre rindo. – Ainda que não seria má ideia.
X~x~X
Harry odiava a sensação de impotência que ele sentia após o ataque dos dementadores durante o jogo de quadribol. Ele mal podia tirar a o grito de sua mãe da cabeça. A imagem se repetia vezes e vezes sem parar, e ele amaldiçoava os malditos bichos, foi essa sensação que o fez procurar Bill Weasley na sala de Defesa.
– Oh, olá Harry, se sente melhor?
– Madame Pomfrey me encheu de chocolate, já me sinto bem.
– Ninguém fica bem depois de ser perseguido por um bando de dementadores.
– Eu não podia me defender. – Harry disse, com raiva. – Eles só chegam perto e eu fico paralisado, eles me assustam e eu odeio isso.
– Não devia ficar envergonhado, Harry. Dementadores existem para fazer as pessoas enfrentarem suas piores dores.
– Eu sei, mas preciso saber me defender. – O rapaz disse, decidido.
– Claro que precisa. – O ruivo disse. – Mas exijo disciplina e dedicação, lançar um patronus requer concentração e habilidade… e não sou conhecido por ser molenga.
– Eu estou pronto, quando podemos começar?
– Agora é um excelente momento. – O professor disse, sorrindo.
X~x~X
Fudge estava transpirando e irritado quando saiu da conferência de imprensa. Ele tinha sido alvejado devido ao ataque dos dementadores num jogo de quadribol da escola. Como diabos ele ia adivinhar que os dementadores poderiam ir atrás de Harry Potter? O velho mago pensava que estava velho demais para esse tipo de coisa, sorriu quando viu Percy esperando por ele, o jovem batia o pé no chão com impaciência.
– Já sei que estou atrasado com os relatórios e…
– Auror Black está ai dentro com Lucius Malfoy e Remus Lupin. – O rapaz disse. – Eles parecem bastante ferozes, sugiro que seja humildemente arrependido e que reconheça que a ideia dos dementadores cercando a escola foi péssima.
– Não foi uma péssima ideia. – Fudge teimou. – Não é minha culpa que as criaturas tenham enlouquecido.
– Finja que foi, e use isto. – Percy disse, entregando-lhe uma pasta. – Lucrécia trouxe um relatório dos Inomináveis, aparentemente, os dementadores não enlouqueceram, o ataque não foi por acaso. Alguém os controla agora, os aurores tiveram que aumentar seu efetivo em Azkaban, os dementadores que tinham ficado para cuidar dos presos restantes saíram da prisão, temo que os comensais que fugiram planejam uma nova fuga para os que ficaram na cadeia ou uma fuga em massa para desesperar todo mundo.
– Isso não pode acontecer, peça para chamar Moody… vou precisar de um plano com os aurores, isso é, se eu sobreviver a essa reunião. – O Ministro reclamou, secando a testa com um lenço.
– Faça o que eu disse, e seja humilde e arrependido. – Percy disse, laçando um feitiço de refrigeração no patrão.
– Um dia Percy, você será o Ministro. – Fudge disse, sorrindo. – Deseje-me sorte.
Percy tentou não estremecer quando o Ministro abriu a porta de seu próprio gabinete. O rugido que Sirius Black soltou não o assustou, mas a voz sedosa e friamente calma de Malfoy o petrificava, e mais uma vez, o ruivo agradeceu aos céus que os dementadores não finalizaram seu ataque contra Harry, só Merlin sabia o que aqueles três teriam feito se o rapaz tivesse sido beijado.
X~x~X
Draco não estava propriamente alegre com Harry, mas quando viu o moreno sentado nos jardins sem uma trupe de leões ao redor se aproximou para saber como iam as coisas.
– Ei, testa-rachada. – Draco o chamou. – Você está bem ou tem mais dementadores atrás de um beijinho seu?
– O que posso fazer se beijo bem? – Harry respondeu, entrando na brincadeira e rindo ao ver Draco franzir o nariz ao se sentar na grama sem algo que protegesse suas roupas. – Estou bem, nada de fãs ou dementadores tentando me agarrar.
– Claro, que fã maluca tentaria te beijar sabendo que sua namoradinha é propensa a se comportar como uma mulher das cavernas e sair batendo nas pessoas?
Harry riu do ar ofendido de Draco.
– Não seja rancoroso, tio Severus até te deu uma loção para acabar com o olho roxo, Madame Pomprey se recusa a tratar ferimentos de lutas, você sabe.
Draco bufou de mau humor, e se ajeitou melhor na grama ao lado de Harry, ainda se sentindo desconfortável acabou por se mudar para o meio das pernas do moreno, deitando-se sobre o peito de Harry.
– Confortável o suficiente vossa alteza? – O moreno perguntou.
– Você é meio ossudo, mas dá para o gasto. – Draco disse, rindo. – Ron é mais macio.
– Ron não joga quadribol! – Harry disse, meio ofendido. – Buscadores tem que ser magros e agéis, aliás, devia parar de comer doces se quiser me vencer algum dia.
Draco soltou uma exclamação indignada e socou o ombro de Harry.
– Eu não sou gordo! Eu sou mais magro que você!
– Falso magro isso sim. Acredite no cara que você usa de travesseiro constantemente.
– Um travesseiro horrível, vou procurar o Ron, ele me entende e não me ofende. – Draco disse.
– Oh, não sei se seria seguro, Bill e Charlie parecem pensar que você é um sério perigo ao bem estar moral do irmãozinho deles.
– Dormimos no mesmo quarto, se eu fosse corromper o Ron com certeza seria longe dos olhos desses intrometidos. – Draco disse, com confiança.
– Ah, isso quer dizer que finalmente fizeram alguma coisa? Então… ele beija bem?
– Não seja tolo, nem todo mundo tem os hormônios em ebulição como você. – Draco disse sorrindo.
– Eu sou um adolescente normal, não tenho culpa se você é pudico! – Harry se defendeu, rindo.
– O que isso quer dizer, Harry Potter? Lucius e Remus vão arrancar suas bolas se fizer deles avôs antes do tempo. – Sirius disse, surgindo do nada e fazendo os dois adolescentes pularem de susto.
– Pelas barbas de Merlin, Sirius, de onde você saiu?!
– Do salgueiro lutador, mas isso não é importante! Vocês dois não deviam estar sozinhos aqui fora, já para dentro do castelo.
– Por quê? – Draco perguntou, confuso.
– Um dos comensais fugitivos tomou o controle dos dementadores, foi por isso que eles te atacaram, Harry.
– Isso é possível? Eu pensei que os dementadores estivessem ligados a Azkaban. – Harry disse.
– Eles são criaturas escuras, estavam confinados a prisão porque lá, lhes é permitido se alimentar dos presos, mas esse tipo de controle é algo que só magia das trevas pode conseguir. Preciso que tomem cuidado redobrado agora.
– É tia Bella, não é? – Draco perguntou. – Minha mãe disse que ela era a bruxa mais forte ao lado de Voldemort.
– Vamos dizer que eu não tenho nenhuma vontade de duelar com a minha prima para descobrir qual de nós dois é mais forte.
– Mas você é o melhor auror da sua geração. – Harry disse, espantado, seu padrinho nunca tinha sido humilde.
– Bella é fruto de uma criação tradicional, aqui… – Ele disse, gesticulando para o castelo. – Ela só aprendeu coisas que não usava, meu tio a ensinou tudo sobre Artes das Trevas, e ela sempre foi uma leitora ávida da biblioteca de sua casa.
– Então, podemos deduzir que é ela quem comanda os comensais que fugiram? – Harry perguntou, andando ao lado do padrinho e de Draco rumo ao castelo.
– Meu pai e o padrinho eram os principais do Lorde, tia Bella vinha logo depois, como os dois desertaram, é lógico que ela esteja comandando agora. – Draco disse, sombrio.
– Não precisam se preocupar com nada, garotos, estamos cuidando de tudo. Se ouvirem uivos não se preocupem, os lobisomens do seu pai Remus estão na floresta.
– Fenrir está aqui? – Harry perguntou, interessado.
– Não na floresta, ele e Remus estão rastreando juntos os comensais que fugiram.
– Quantos foram exatamente? No Profeta só deram importância a tia Bella e para o rato traidor. – Draco disse.
– Doze no total, o problema é que fugiram os mais perigosos. Bellatrix, os irmãos Lestrange, Peter, Dolov, que era um dos pocionistas de Voldemort e assim por diante. Não acreditamos que estejam todos juntos, os rastros se separam segundo os lobisomens.
– Menos mal, o problema seria se estivessem juntos e planejando ataques, certo? – Draco perguntou.
– Não necessariamente, podem estar separados para complicar uma captura, mas podem estar trabalhando juntos, é complicado. – Sirius disse com ar cansado. – Eles pelo menos poderiam me fazer o favor de não armar nada de madrugada, há dias que não durmo uma noite toda com meu marido.
– Oh, pobrezinho do cachorro, está carente. – Harry disse, provocando o padrinho.
– Vamos pedir ao Severus pra levá-lo pra passear e coçar atrás das orelhas dele.
Sirius não deu-lhes tempo para correr, se transformou em cachorro e passou a atormentar os dois adolescentes, que fugiram pelo castelo com o enorme cão e seu encalço.
X~x~X
– Essa é a ideia mais estapafúrdia que já ouvi. – Hermione disse para Neville.
– Sério? Você é que passou horas reclamando da morte do pobrezinho. – Neville disse.
– Ele está certo, e eu gostei da ideia. Hagrid vai estar com meu padrinho e os lobisomens na Floresta Proibida, então não vai poder levar a culpa. Só temos que libertar o Bicuço.
– Mas tínhamos que fazer isso direito! Ele sempre vai ser um fugitivo. – Ela disse, fazendo beicinho.
– É uma criatura mágica, Mione, não é como se precisasse ir ao Beco Diagonal para fazer compras. – Harry argumentou junto ao seu ouvido com a voz baixa. – E às vezes, temos que dobrar as regras para fazer alguma coisa boa.
Hermione pensou que era muito injusto que Harry pudesse dobrá-la falando ao seu ouvido, devia ter uma explicação lógica de porque ela tinha vontade de abraçá-lo e fechar os olhos.
– Podemos ir salvar o Bicuço ou vocês querem privacidade? – Neville perguntou, com a voz envergonhada.
– Vamos usar o mapa, mas ainda assim podemos ser vistos lá fora. – Ela disse. – Mas acho que vale a pena, vamos lá.
– Ótimo! – Harry disse.
Chegar até o local onde o hipogrifo estava acorrentado foi fácil, e como sempre, Hermione era a encarregada de desfazer as proteções mágicas do cadeado e parecia estar indo muito bem.
– Sério, você tem talento para ladra profissional. – Harry zombou.
– Verdade, acha que ela pode enganar os duendes? Podíamos comprar uma ilha se roubássemos Gringots. – Neville brincou.
– Engraçadinhos. – Ela resmungou, liberando finalmente o cadeado, ao mesmo tempo em que ouviam uivos profundos e assustadores vindo da floresta. – Ei, calma rapaz!
Bicuço, já livre das correntes, estava agitado e dando coices ao ouvir os uivos. Harry se aproximou e passou o braço por seu pescoço, murmurando docemente e logrando acalmar o animal. Os três amigos ouviram guinchos vindo da floresta, o som era horrível, como se os lobisomens estivessem em uma dor profunda, podiam ver as figuras negras e sombrias tentando chegar perto do castelo e sendo combatidas por focos de luz.
– Os dementadores voltaram. – Harry disse. – Sirius está lá, ele odeia dementadores por causa do tempo que esteve preso.
– Harry, nem pense nisso! Você ainda não pode lançar um patronus corpóreo. – Hermione começou, mas percebeu tarde demais que o amigo já montava no hipogrifo e voava rumo a floresta. – Seu idiota! Quando voltar eu vou te matar!
– Caramba, Mione! Vamos atrás dele?
– Vamos avisar os professores, não podemos enfrentar os dementadores com nada que conhecemos, é preciso saber o patronus. Eu vou matar aquele imbecil! – Hermione disse, já correndo rumo ao castelo com os olhos cheios de lágrimas.
X~x~X
Harry acordou sem saber bem onde estava, por reflexo esticou a mão para pegar seus óculos na mesa de cabeceira, mas alguém os colocou em seu rosto por ele, fazendo-o ver que estava na enfermaria.
– Ah, numa escala de 1 a 10, o quanto eles estão bravos? – O adolescente perguntou.
– Muito além dessa escala, ainda que Remus esteja um pouco arrogante por seu patronus ser um lobo. – Severus disse, com uma careta. – Que coisa mais clichê, Potter.
– Ei, eu não posso escolher. O do Sirius é uma serpente, uma mamba negra, isso sim é clichê. – Harry riu. – O que é o seu?
– Não te interessa, se estivesse consciente quando chegamos teria visto. – Severus disse. – Você e Sirius nos deram um susto dos infernos, pensamos que os dois tivessem sido beijados.
– Sinto muito, eu demorei pra chegar ao Sirius. Ele está bem?
– Sim, mais com o orgulho ferido que qualquer coisa. Quando chegamos a maior parte dos dementadores já tinha fugido, seu patronus foi muito poderoso, Bill Weasley está satisfeito.
– Eu desmaiei quando eles chegaram perto, os dementadores fazem minha cicatriz doer. Eu posso ver quando ele a matou… eu a escuto gritar.
– Eu sinto por isso… ainda que Lucius vá te fazer lamentar muito quando for para casa.
Harry gemeu.
– Me adote, Sev.
– Tem certeza? Conheço dois ou três feitiços que te farão pensar antes de agir como um…
– Leão desmiolado? – Harry completou, rindo. – Eu sou um leão, vocês serpentes vivem esquecendo isso.
Severus bufou.
– Onde eles estão? Geralmente estão por aqui bufando e me dando sermões quando eu acordo.
Severus lançou feitiços de privacidade ao redor deles.
– Eles foram destruir um daqueles objetos. – Severus disse, sem nomear exatamente do que falavam, nunca se sabia quando o diretor estava aprontando das suas. – Um anel que pertenceu ao avô do Lorde.
– Isso é perigoso, não é? Com quem eles foram? – Harry perguntou, assustado.
– Moody e Greyback estão com eles, não se preocupe.
– Vocês tinham dito que ainda não sabiam como destruir essas coisas, como é possível que tenham achado algo tão rápido?
– Não é algo que Greyback goste de divulgar, mas em sua fase final, quando estava completamente levado pela loucura, o Lorde gostava de tê-lo com uma coleira a seus pés, o que um feitiço de Lucius possibilitava, e bem… o Lorde o considerava um bichinho de estimação e divagava como se Greyback fosse como Nagini, incapaz de contar seus segredos. Agora sabemos que veneno de basilisco é efetivo contra essas criações do Lorde, e também a espada de Gryffindor, mas não é como se pudéssemos pedi-la para o diretor.
– Já acharam todos?
– Ainda não, mas é um começo.
X~x~X
Bellatrix estava sorrindo como uma lunática enquanto lia os informes de um dos espiões do Ministério.
– O que está planejando, meu amor? – Rodolphus perguntou, a seu lado na cama.
– Coisas malvadas. – Ela respondeu, com um arrepio de prazer correndo por seu corpo enquanto o marido deslizava uma mão por suas coxas.
– Você fica tão sexy quando planeja coisas más. – Ele disse, insinuante, tinha que aproveitar sua esposa enquanto o Lorde não voltava, ela se dedicaria totalmente ao mestre quando isso acontecesse.
– Oh, posso brincar agora, porque estou muito feliz… o que acha de chamarmos seu irmãozinho? Ele parecia tão carente, tantos anos sozinho naquela cela, deve estar sentindo falta do nosso amor fraternal.
Rodolphus sorriu predatoriamente.
– Você é tão retorcida, amor.
– Tramar contra esses idiotas me excita… depois do que vamos fazer no mundial vai ter que me foder por horas.
Rodolphus riu, ele amava a guerra porque sua esposa a amava mais do que qualquer outra coisa e só um pouco menos do que ao Lorde.
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