Um Novo Caminho
27 Jogadas Perigosas
Notas iniciais
Remus estava apreciando a calma do fim de verão, da sacada de seu quarto podia ver Draco e Ron sentados debaixo de uma das macieiras do jardim. O loiro tinha passado por seu ajuste logo no começo das férias, e agora, os dois estavam mais próximos que nunca, podendo dividir uma experiência como essa.
– Está espionando as crianças? – Lucius perguntou, abraçando suas costas.
– De longe, acho que os dois já tiveram bastante lidando com Bill e Charlie na escola esse ano. – O lobisomem disse, sorrindo.
– Ah, os irmãos Weasley fizeram de sua missão pessoal impedir que os dois se aproximassem esse ano. Uma besteira na minha opinião, já que os dois não estão com pressa de ficarem íntimos. – Lucius disse, muito calmo.
– Não podemos dizer o mesmo de Harry e Hermione, esses dois sim são apressados em quase tudo.
– Ela é uma mocinha irritante, mas bastante sensata, eu não me preocuparia se fosse você.
– Eu não preocupo, criei filhos bastante respeitáveis, muito obrigado.
Harry escolheu esse exato momento para lançar um feitiço na árvore e fazer todas as maçãs caírem sobre Draco e Ron, e sair voando e rindo loucamente.
– Claro, Lupin. Muito respeitáveis. – Lucius zombou.
– Esse comportamento aviltante é influência sua. – O lobo disse, repetindo a frase que Lucius usou milhares de vezes se referindo a ele e Sirius.
– De jeito nenhum, sou um Lorde. – O loiro negou.
– Sim, meu Lorde em uma linda coleira. – Remus concordou, enlaçando a cintura do outro e beijando-o.
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– Por que vocês não podem ir? É tolice. – Ron reclamou, esparramado na cama de Draco, com seu pijama de seda negra, presente de Lucius no último natal.
– Nem você vai conseguir fazer meus pais acreditarem que é seguro ir para o Mundial de Quadribol, Ron. Há muitos comensais soltos, minha tia é traiçoeira e esperta demais para a maior parte dos aurores.
– Eu pensava que a tia Muriel era a pior parente do mundo. – O ruivo disse.
– Sempre podemos nos casar e colocá-las na mesma mesa durante o banquete.
Ron engasgou de rir pensando nessa cena.
– Merlin, você é retorcido.
Draco sorriu, agradecido.
– Faço o que posso. – O loiro disse, com um cabeceio aristocrático.
Ron sacudiu a cabeça e se espreguiçou.
– Estou tão cansado, não devíamos ter passado tanto tempo voando atrás do Harry.
– Seu problema é que comeu demais no jantar.
– É que estava tão gostoso. Papai e Percy tentam, mas eles não cozinham como a mamãe. – Ron disse, com uma sensação agridoce.
– Você a viu?
– Algumas vezes, mas não foi bom. – Ron disse. – Sempre começa bem, ela é legal, ela cozinha, mas ai começa a reclamação dos gêmeos e do papai e de como não a deixamos chegar perto do Percy.
– Ele não quer vê-la ainda? – Draco perguntou, estranhando, Percy era um leão dócil e propenso a perdoar.
– Papai não quer que ele a veja. – Ron disse. – Ele disse que Percy é muito mole com ela.
– Pensei que todos os leões fossem. – Draco disse, sorrindo.
Ron sacudiu a cabeça, analisando sua família de gryffindors.
– Charlie e Bill já estão mais calmos, Percy está bem, já está lidando com o que ela fez mais realisticamente, os gêmeos ainda estão fulos. Ginny já gritou o bastante com ela e estão bem agora… mas papai? Ele não vai esquecer nunca.
– Meu pai não esqueceria nunca também. – Draco disse.
– Sua mãe não faria algo assim, e ela mataria alguém que tentasse. – Ron disse. – Sinto falta dela.
– Eu também. – Draco disse, realmente saudoso de Narcissa.
Os dois ficaram em silêncio até que o loiro ouviu Ron começar a ressonar, sorrindo, o loiro chamou um dos elfos para colocar o ruivo debaixo das cobertas, já que não havia nenhuma maneira de Draco conseguir isso sem acordar o amigo.
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Remus e Lucius evitavam que os meninos soubessem de suas movimentações sobre o Lorde e os comensais, por isso, se encontravam com Fenrir e Martin nos calabouços quando os rapazes já estavam dormindo.
– Por que essas caras? – Remus perguntou assim que os viu.
– Tivemos um encontro desagradável com McNair, ele estava comprando ingredientes numa transação obscura nos arredores de Hogsmeade. – Fenrir disse. – Muito perto da escola, por isso resolvemos enfrentá-lo.
– Não foi exatamente agradável, um dos nossos batedores está em estado crítico. – Martin disse.
– Isso é estranho, há lugares mais discretos e menos vigiados para negociar ingredientes especiais, há excelentes fornecedores no continente que não iriam perguntar nada. – Lucius disse.
– Deve ser porque o Ministério está monitorando as viagens internacionais. – Remus disse.
– Não podem controlar as chaves de portais ilegais ou os meios trouxas, acredite, até o Lorde podia lidar com isso quando necessário. – Lucius disse, sombrio. – É provável que minha ex-cunhada esteja usando um dos esconderijos de emergência no mundo trouxa.
– Então nos diga onde ficam.
– Eu não sei, o Lorde era muito cuidadoso, Rabastan era quem sabia da localização de todos os esconderijos funcionais, ele nunca ia para a batalha, ele era um dos estrategistas. – O loiro continuou contando. – Muitos dos presos e capturados o culpam pelo desleixo de ter acompanhado a Bella e Rodolphus naquela noite.
– Se ele era o responsável por esse tipo de plano, ele não deve ter se divertido em Azkaban. – Remus disse.
– Provavelmente não, mas te garanto que seu irmão e Bella já o estão curando de tudo o que possa ter-lhe afetado por culpa deles. Os irmãos são muito unidos, se é que me entendem, e Bella sempre adorou esse carinho todo.
Remus fez um som de nojo.
– Sério? Eu não precisava dessa imagem na minha cabeça, eca! Isso é insano.
Lucius revirou os olhos para a infantilidade de Remus.
– Ninguém naquela família é são, amor, por um motivo ou outro.
– O que nos deixa numa situação bastante desconfortável, já que precisamos destruir o item que está no cofre de Bellatrix, certo? – Severus disse, saindo das sombras e fazendo Lucius praguejar.
– Diabos! Por que continua sendo tão sorrateiro?
– Estava esperando para ver se você ia tagarelar sobre informações interessantes.
– Não, e não se preocupe, Sev, seus segredos estão a salvo comigo. – Lucius provocou. – E a informação que eu estou compartilhando é útil as bolinhas de pelo e por consequente aos meus interesses.
– Não sei porque estão tão calmos, o plano falhou, não podemos resgatar a Taça no cofre da maluca. Ninguém jamais pôde roubar Gringots. – Fenrir rosnou.
Lucius fez um esgar de desprezo.
– Não seja tolo, desconfio de que teria direto para a casa dos leões se tivesse ido a Hogwarts. – O loiro disse, com tom condescendente. – Ou seria um lindo Huffle com essa ingenuidade toda.
Fenrir rosnou e Lucius sorriu maldosamente, ele gostava de provocar o lobisomem, só não o deixava gemendo a seus pés porque Remus ficaria absurdamente irritado. Os dois tiveram sua briga mais séria e mais longa justamente por causa do feitiço de submissão que Lucius tinha sobre Fenrir.
– Lucius.
– Alfa.
Os dois lobisomens tinham usado o mesmo tom de admoestação, coisa que fez Severus revirar os olhos, por ele Lucius e Greyback podiam passar a noite trocando farpas ou feitiços, era sumamente divertido, mas estavam ficando apurados com o quesito tempo.
– Vamos lá, Lucius, eles são inocentes, eles não nós. – Severus disse, fazendo os lobisomens estreitarem os olhos. – Tolos como eles acreditam nas propagandas do banco, garanto que eles acreditam quando o Ministro diz que está tudo controlado e que o retorno do Lorde não passa de boatos.
– Ei! – Martin disse. – Eu não sou ingênuo.
– Você é menos que eles, mas acredita que Gringots é inexpugnável. – Severus disse.
– Tão tolo. – Lucius disse, sorrindo.
– Ninguém nunca o fez. – Martin teimou.
– O mais recente foi o Lorde. – Severus disse, com sua voz arrastada. – Na comunidade Slytherin é uma prova de maestria.
– Os duendes nunca o teriam deixado escapar. – Remus disse, chocado. – Teria sido um escândalo.
– Não é como se os duendes fossem tolos, do que adianta ter um banco que é roubado a cada geração? Se eles divulgassem cada incidente desse tipo não teria mais um knut guardado em seus cofres. – Lucius disse. – Não é fácil, mas não é impossível.
– Eu sempre soube que Slytherin era um covil de ladrões… você treina pequenos delinquentes. – Fenrir disse, apontando o dedo para Severus.
Severus fungou, indignado.
– De jeito nenhum! Meus alunos são mestres no engano. Pequenos delinquentes tem em Gryffindor, um bando de arruaceiros escandalosos… se fosse por conta de vocês garanto que iriam roubar o banco em plena luz do dia, de preferência da maneira mais visível e humilhante para os duendes.
– Montados num dragão, provavelmente, porque adoram o perigo irracional. – Lucius secundou o amigo, com ar de pena pela ineptude dos leões. – Não se preocupem, vamos fazer isso rápido e indolor, Bella nem vai desconfiar de nada.
– E nenhuma palavra para o meu marido, ele vai ser Chefe dos Aurores um dia e precisa de negação plausível. – Severus disse, muito calmamente.
– Pobre cachorro fedido, não imagina que é casado com um ladrão. – Fenrir disse.
– Facilitador de acesso é o termo adequado, lobo sarnento. – Severus corrigiu, orgulhosamente.
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– Pai, por favor, eu quero vê-lo. – Harry implorou com os olhos cheios de lágrimas.
Lucius suspirou, com o coração apertado.
– Seu padrinho está em St. Mungo, não quero te levar lá por motivos óbvios.
– Isso não é justo. – Harry disse, mais magoado que revoltado.
– Não posso te levar a um prédio que é uma zona de aparição liberada, assim que ele for para Grimmauld Place vou te levar para vê-lo, é uma promessa.
– Não pode ficar me trancando em casas protegidas por Fidelius para sempre! – Harry disse, desanimado. – Ou pretende que eu não termine os estudos?
– Bem, já que tocou no assunto… – Lucius disse, com cara de despreocupado, coisa que não enganou Harry.
– Não! Nem pense nisso, eu não vou ficar em casa! Os comensais não podem entrar em Hogwarts, o diretor precisa de mim absolutamente vivo para me usar contra o Voldemort.
Lucius estremeceu com o uso do nome do Lorde, mas suspirou, resignado. Remus também tinha sido contra a ideia de manter os meninos em casa, coisa que faria com que percebessem os planos e artimanhas que eles tinham em andamento contra os comensais. Draco teria uma síncope se soubesse que planejavam emboscar Narcissa para chegar até os fugitivos, claro, isso era uma tarefa extremamente difícil.
– Está bem, ninguém nunca me dá ouvidos, não sei porque me preocupo em tentar proteger essa família. – Lucius disse, dramatizando.
– Pai, eu não sou o lobisomem bobo que você tem enrolando no seu dedo mindinho. – Harry pontualizou.
Lucius fez um beicinho, exatamente aquele que Draco herdou, e deu seu melhor olhar magoado para o adolescente.
– Eu realmente estou te proteger, não tem a menor ideia de como me sinto cada vez que te vejo sair naquele trem.
Harry vacilou, se sentindo péssimo.
– Ah, sinto muito, pai. Eu sei que sou um punhado, mas prometo que esse ano vou fazer tudo que a Mione mandar para não entrar em encrencas.
– Promessa? – Lucius perguntou, ainda com olhos preocupados e levemente brilhantes de lágrimas.
– Sim, prometo! Nada de peripécias, até vou deixar a capa em casa se preferir, mas não chore.
– Eu não estou chorando. – Lucius disse, com voz embargada, abraçando o filho adotivo.
– Claro, claro. – Harry disse, dando tapinhas nas costas do pai. – Agora, vou mandar uma carta para a Hermione, ela deve estar surtando por notícias.
– Ok, e fique preparado, assim que Severus levar seu padrinho para casa, vamos vê-lo.
– Obrigado! – Harry disse, alegremente, beijando o rosto do pai antes de subir as escadas correndo.
– Isso foi bastante hábil, papai. – Draco disse, saindo de trás da porta.
– Não me diga que não consegue manipulá-lo quando precisa, é um leão, é mais fácil que roubar doce de Hufflepuff. – Lucius disse, estreitando os olhos para o filho.
– Claro que posso, mas me custa mais porque Granger vive do lado dele dizendo que estou sendo manhoso e mimado. – Draco reclamou, cruzando os braços.
– Você é. – Lucius retrucou, já sorrindo.
– Tio Sirius vai ficar bem? Você não está tentando nos enganar, certo?
– Acredite, Rodolphus levou a pior parte da briga, ele ainda deve estar gritando de dor. – O loiro mais velho afirmou, com um sorriso sádico. – O idiota tentou acertar Severus com um crucio bem na frente do vira-lata.
Draco sorriu.
– Isso é o que eu chamo de movimento estúpido… mas alguém viu o tio Sirius usando magia negra? Ele é um auror pelo amor de Merlin. – O adolescente disse, pensando no descuido do tio.
– Se um dia tiver a experiência do seu tio, o que eu não desejo, vai saber que nem toda magia condenável é necessariamente negra. Engenho e habilidade são as melhores qualidades de um mago, feitiços simples e cotidianos podem ser usados como um castigo digno do Lorde.
– Vai me ensinar isso um dia? – Draco perguntou.
– Claro, mas seu pai não pode saber.
Draco sorriu.
– Vai ser nosso segredo.
Quando Remus chegou em casa e viu seus dois loiros com cara de nunca ter quebrado um prato na vida, ele sabia que estavam aprontando alguma coisa. Seu lobo interno fez um som divertido, ele adorava quando Lucius fazia algo reprovável porque achava sumamente divertido castigá-lo.
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– Isso é insano, Kingsley! Como aconteceu? – Sirius gritou, de sua cama em Grimmauld Place.
– Aconteceu porque a Confederação Búlgara de Quadribol não quis nos escutar. As medidas de segurança que pedimos não foram seguidas, eles nos acharam paranoicos, aquele foi o resultado. – O auror respondeu, calmamente.
– Qual a contagem final? – Sirius perguntou.
– Acredite ou não, o pior foi por causa da correria, tivemos 104 feridos por pisoteamento, 32 falecimentos pelos mesmo motivo e, eles raptaram as veelas que eram as mascotes da seleção.
– Esse é o saldo total? – Sirius perguntou, coçando as bandagens em seu peito.
– Por agora, as vítimas dos feitiços de Bellatrix não morreram, mas ainda estão em St. Mungo gritando de dor. Não sabemos exatamente o que ela usou.
– Provavelmente alguma criação pessoal, Bella sempre teve um talento retorcido para criar feitiços escuros, e ela teve um monte de tempo ocioso em Azkaban. Merlin sabe que naquele lugar pensar em vingança é o que te mantém minimamente são.
– Seu marido continua no hospital tentando ajudar com esses casos, os medimagos estavam com medo de um dano permanente no sistema nervoso dos pacientes.
– Todos ingleses?
– Não, são vinte e dois no total, ela se focou principalmente nas mulheres e crianças. É tão doente. – Kingsley disse, com um sabor amargo na boca. – As crianças mal podiam respirar, mas ainda gritavam. Temos três aurores em condição crítica, não sei se o Stilman vai aguentar.
Sirius fez uma careta de desgosto.
– Ela está tentando disseminar o pânico na sociedade, quando a população está com medo as coisas saem de controle. Lucius e Severus não poderão ser vistos nas ruas, só Merlin sabe o que uma multidão assustada poderia fazer. – Sirius disse. – Meu marido não pode ficar desacompanhado e…
O animago foi interrompido pelo marido em questão, que entrou no quarto acertando a porta na parede e com cara de poucos amigos.
– Eu não sou a porra de uma donzela em perigo, seu vira-lata estúpido! Eu fui um comensal da morte, braço direito do Lorde! O que deu na sua cabeça para se meter entre Rodolphus e eu?! – O pocionista bramou.
Kingsley resolveu que era um excelente momento para bater em retirada.
– Hum… eu preciso… er… ajudar Moody a organizar o reforço nas patrulhas, sabe como é, ver os aurores vai ajudar a manter a população mais tranquila. Até mais, Severus.
– Suma logo, antes que eu resolva te azarar daqui até o inferno! – Severus retrucou, com um olhar maligno e Kingsley aparatou no mesmo minuto.
– Amor, já não falamos sobre essa sua mania de assustar os rapazes? – Sirius tentou brincar.
– Não estou no humor para brincar, ela deixou duas garotinhas catatônicas, era demais para elas. – Severus disse.
– Conseguiram reverter o feitiço então?
– Sim, ela modificou uma maldição haitiana, imagino que onde quer que estejam eles tem acesso a textos bastante raros.
– Um dos esconderijos antigos?
– Provavelmente, com Rabastan ao lado dela é o mais provável. – Severus disse, ainda com os olhos flamejantes. – Nunca mais interfira nas minhas lutas.
– É a porra do meu primeiro instinto, cacete! Não posso fazer nada contra isso.
Severus nunca foi dado a machucar o marido propositalmente, mas Sirius precisava colocar suas prioridades no lugar.
– Eu sou um adulto, um Mestre Pocionista e especialista em Artes das Trevas, eu não preciso da sua proteção. Você tem um trabalho para fazer, você tinha crianças para proteger hoje e falhou com elas porque estava mais preocupado em dar uma de herói em uma situação controlada. Eu me casei com um homem capaz de confiar nas minhas habilidades, um homem com o mínimo de controle, quando você estiver bem, quero que vá ao hospital, vá e olhe para as crianças… suas ações hoje contribuíram para aquilo, e só Merlin sabe o que mais a louca vai fazer. Vá, e deixe a imagem na sua memória, porque eu nunca vou esquecer.
Severus saiu do quarto antes de ver as lágrimas silenciosas que caíram dos olhos do marido. O pocionista fechou a porta com cuidado e respirou fundo ao mesmo tempo em que algo se quebrava no quarto. Ele sabia que Remus estava esperando no corredor e que tinha escutado tudo.
– Isso foi cruel, Severus. – O lobisomem disse.
– Ele precisa se focar, Bellatrix era a tarefa principal. Se ele a deixasse escapar de novo por minha causa, ele iria me culpar e nosso casamento estaria envenenado para sempre, você sabe disso.
Remus assentiu.
– Vá consertá-lo, Lucius não vai conseguir segurar os meninos por muito tempo e eles não precisam ver meu marido nesse estado lamentável.
– Vá ajudá-lo com os rapazes, Harry não precisa ver Sirius numa de suas crises.
Severus assentiu, ele e Remus eram quem lidavam com o estresse pós traumático que o animago tinha desenvolvido após o ataque dos dementadores na Floresta Proibida, eram menos frequentes agora, mas nos primeiros meses tinha sido uma luta constante, e agora, Severus o tinha empurrado para isso novamente.
– Não se culpe, Severus, ele precisava ouvir isso. Às vezes, Sirius se esquece do que precisa fazer, ele não tem o seu pragmatismo.
– Eu duvido que alguém tenha, mas guerra é algo frio e insensível, não há lugar para esse tipo de comportamento.
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Narcissa realmente não apreciava ter que ir aos aposentos da irmã, principalmente para dar notícias ruins, mas ela não tinha escolha, era urgente. Não se tinham passado nem 48 horas desde o ataque no Mundial e eles já tinham retaliações frustrantes.
– Bella? Preciso falar com você. – Narcissa disse, batendo na porta.
– Estou ocupada. – A voz lânguida e praticamente gemida da irmã revelou exatamente com o que.
Narcissa não estava com paciência para lidar com esse tipo de comportamento, por isso, sacou sua varinha e abriu a porta. Bella estava na cama, Rabastan tinha a cabeça entre suas pernas enquanto seu irmão mais velho estava com as mãos ocupadas com os seios da esposa.
– Isso foi rude, Cyssa. – Bella disse, fazendo beicinho, mas sem um pingo de embaraço. – Estou brincando.
– Eu posso ver, mas temos um problema. McNair e Olden foram presos, seus planos com a poção foram por água abaixo. – Narcissa informou, Olden era o pocionista que Bella tinha arrastado para fora de Azkaban para ajudá-la com a volta do Lorde e agora estavam sem ele e sem Walden.
Bella literalmente chutou o cunhado para sair da cama.
– Esses dois incompetentes! Não posso confiar em ninguém para fazer as coisas direito, oh Cyssa! Eles estragaram meus planos. – Bella disse, como uma menininha triste, não como uma mulher nua e recém-saída da cama.
– Temos o dinheiro da venda das veelas no mercado negro, talvez é a hora de sairmos da ilha e buscarmos opções no continente.
Bella franziu o nariz.
– Não confio nos russos, eles nos deixaram apodrecer em Azkaban.
– Não temos muita escolha, temos? – Narcissa disse, sempre prática.
– Vamos lá, então. – Bella disse, colocando um roupão e olhando com um beicinho para a cama. – Cuide do seu irmão por mim, Rab, ele acabou de se recuperar de segurar Sirius para mim, merece um prêmio.
– Sim, eu mereço. – Rodolphus disse, puxando o irmão para seus braços.
– Vocês são tão pervertidos. – Narcissa disse, entre fascinada e enojada.
– Devia experimentar, irmã, posso emprestá-los se quiser.
– De jeito nenhum. – Narcissa respondeu, para a diversão da irmã, que gargalhou.
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Deixando o Profeta Diário de lado, o Ministro finalmente soltou um suspiro cansado.
– Finalmente tivemos uma vitória. – Ele comentou para seu assistente.
– Sim, senhor.
– O que está te incomodando, jovem Percy?
– Acho que devia ouvir Moody e cancelar o Torneio. – O jovem disse, resoluto.
– Isso não é possível. – O Ministro gemeu, repetindo o que tinha explicado anteriormente aos aurores. – Você sabe que há anos que estamos tentando voltar a ter boas relações com a comunidade mágica no continente, sempre fomos acusados de isolamento e uma política retrógada. Sabe como foi difícil lidar com os franceses? Não temos exatamente as melhores relações.
Percy revirou os olhos, era inconcebível que os magos e muggles ainda tivessem birras de guerras e conflitos tão distantes no tempo.
– Só estou dizendo que o Torneio é uma má ideia nesse momento, pelo menos sob a nossa responsabilidade. Por que não podemos mudá-lo para a França?
– E acha que existe alguma possibilidade dos pais ingleses aceitarem tirar seus filhos de Hogwarts? É o lugar mais seguro do mundo para eles, a magia do castelo e Dumbledore deixam os comensais fora de lá.
– Devo mencionar que Voldemort esteve no colégio por um ano como professor de Defesa? – Percy perguntou, de forma sarcástica.
– Estou te deixando muito tempo com a Lucrécia. – O Ministro disse, de mau humor. – Está feito, o mais perigoso do Torneio são as provas e não os comensais. Eu tenho outro assunto para falar com você.
– O que foi dessa vez? – Percy perguntou, desconfiado.
– É sobre seu irmão Willian.
– O que tem ele?
– Sabe que precisamos de mais efetivo no corpo de Aurores, tivemos quatro baixas no Mundial, dois morreram e dois vão ter uma recuperação longa.
– Bill nem fez o treinamento. – Percy disse, com receio. – E ele está trabalhando em Hogwarts esse ano.
– Moody vai colocá-lo sob a tutela de Sirius Black e Kingsley Shacklebolt, seu irmão vai ser incorporado num regime especial. Willian é um especialista em maldições, nós precisamos dele.
– Eu não gosto disso. – Percy disse. – Ele estava seguro como rompedor do Gringots.
– Ninguém da família Weasley poderia ficar de fora dessa guerra.
– Não, nós não ficaríamos. – Percy disse, triste. – Lucrécia tem razão, estamos ficando sem opções.
– Tiramos os recrutas da Academia mais cedo, temos um plano forte de rondas e os lobisomens continuam na caça dos fugitivos. Vai dar certo. – O Ministro disse, tentando acalmar o rapaz.
– Pelo menos capturamos dois. – Percy aceitou, sorrindo. – Tivemos sorte nos interrogatórios?
– Não, nem um pouco. Eles tem feitiços de vinculação e sigilo, Bellatrix colocou runas de contenção na língua deles.
Percy arregalou os olhos, chocado.
– Como?
– Ela queimou as marcas, ela é insana.
– Ela precisa voltar para Azkaban.
– Isso meu caro, nos ganharia a guerra. – O mago mais velho disse, cansado. Sem o Lorde em cena, Bellatrix era a maior ameaça do mundo mágico.
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Harry sabia que a primeira coisa que Draco faria na estação era correr para abraçar Ron, claro que o loiro diria que andou graciosamente, mas ele correu. E ficou verificando o ruivo para ferimentos, coisa que fez Molly fazer um esgar de nojo, principalmente quando o herdeiro Malfoy beijou amorosamente a bochecha do amigo, claro que só para provocá-la.
– Por que está encarando Ron e Malfoy? Vai ser o irmão ciumento esse ano? – Uma voz suave perguntou atrás do rapaz.
– De jeito nenhum, só estava vendo como meu irmão é bom provocando Molly.
– Oh, seu irmão é bom provocando todo mundo. – Hermione disse, abraçando-o. – Mas Molly merece tudo o que acontecer, Ginny me contou a história.
– Sim, ela merece.
– Eu tenho um tio desse jeito, ele foi preso quando era mais novo, ele e a turma de torcedores de futebol bateram num cara saindo de um bar gay. – Hermione disse. – Ele nunca aprendeu, ele sempre diz que o rapaz teve o que mereceu.
– Parentes idiotas, todos nós temos.
– O seu está logo ali. – Hermione apontou para Draco, sorrindo.
– Sério, vocês dois tem que parar com isso.
– Ele começou.
Harry riu, porque essa era exatamente a mesma coisa que Draco dizia dela.
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Remus estava sorrindo da cara de espanto de seus filhos quando o viram sentado na mesa dos professores de Hogwarts. O lobisomem teve que engolir a bile que lhe subia pela garganta cada vez que falava com o diretor para fingir ser um bom e leal leão para conseguir o trabalho como professor de Defesa. A única coisa boa na situação era que ele podia ver seus filhos diariamente, os dois estavam crescidos e isso o fazia ter saudade dos dois bebês que cuidou.
– Cuidado, Lupin, vão te cair babas. – Severus disse a seu lado.
– Você tem que parar de usar legimência em mim.
– Não preciso disso para leões, está escrito na sua cara. – Severus disse.
– Isso é verdade, meu jovem. – McGonagall disse, sorrindo. – Estou tão orgulhosa de tê-lo conosco. Albus me disse como teve que lutar com a junta escolar para permitir sua contratação, são uns tolos.
– Na verdade, foi bastante fácil. A junta não estava feliz com o fato de que o diretor ia contratar um impostor. Graças a Merlin Lucius pediu uma inspeção em cada professor para evitar o fiasco como o de Quirrel. – Severus disse, venenosamente.
McGonagall franziu os lábios, desgostosa, ela não gostava da má publicidade para a escola.
– Isso foi um incidente horrível. – Ela disse e se virou para conversar com o diretor.
– Não tive tempo de falar com Sirius sobre o que aconteceu. Como está Moody?
– Ele vai ter uns anos sendo zombado e lembrado por seus preciosos pupilos como um auror deve sempre estar alerta. – Severus disse. – Eu nunca pensei que poderia vê-lo corando.
Remus riu ao imaginar a cena, mas parou quando o diretor se levantou para fazer o discurso do começo do ano, a mandíbula do lobisomem caiu quando ele ouviu sobre o Torneio Tribruxo e quando viu as escolas estrangeiras chegarem aos salões.
– Como não sabemos disso? – Remus perguntou, surpreso, enquanto aplaudia o anúncio.
– Parece que o tempo do nosso Ministro com Lucrécia o está ensinando a guardar segredos. – Severus disse, aplaudindo desanimadamente. – Tenho um mau pressentimento nisso.
– Eu também, do que adiantou toda a revisão no corpo docente de Hogwarts se Durmstrang está aqui em peso? – Remus rosnou. – Isso é um pesadelo operacional.
– Maldito Fudge! Ele só nos complica a vida. – Severus disse. – Vamos precisar de mais olhos em cima do Harry.
– Lucius vai ter um ataque.
– Tudo o que ele fizer contra o idiota será justificado.
– Oh, minha preocupação é com um enfrentamento entre ele e Lucrécia.
– Uma briga interessante se quer minha opinião.
– Vocês serpentes são tão retorcidas.
– E você nos ama por isso. – Severus disse, maliciosamente.
Remus bufou, claro que ele fazia, mas não admitiria nem amarrado.
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– Um Hufflepuff?! Nosso campeão é um Hufflepuff? – Draco exclamou, totalmente escandalizado.
– Ele pode sorrir e ficar amigo de todo mundo, talvez o deixem ganhar. – Pansy disse, sorrindo.
– Isso é embaraçoso! – Draco disse, desconsolado.
– Pelo menos ele é bonito. – Ron disse.
Draco olhou feio para o ruivo.
– Ele não é bonito, talvez um pouco agradável de olhar, mas não bonito.
– Claro, Draco. – O ruivo concordou, fugindo do assunto.
Os slytherins estavam tão focados em zombar do campeão da escola que perderam o momento em que outro nome saiu do Cálice, só se dando conta do silêncio sepulcral no salão. Draco arregalou os olhos quando o diretor disse o nome de Harry novamente e o moreno foi em direção ao diretor. Isso só podia ser brincadeira.
– Isso não é possível. – Ron disse. – Ele é menor, não pode competir.
– É um contrato mágico, é a porra de um contrato mágico. – Draco murmurou. – Merlin, ele vai ter que competir.
Ron nunca tinha visto Draco tão pálido, mas resolveu brincar.
– Pelo menos agora temos um campeão que não é um Hufflepuff. Podemos fazer bottons.
– Corra Ronald. – O loiro disse, já pegando sua varinha.
– Foi uma piada! – Ron gritou, mas já estava se apressando para fora do salão.
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