Um Novo Caminho
28 Primeiras Provas
Notas iniciais
Lucrécia tinha a mão em sua varinha só por precaução, ela sabia quando uma serpente estava recuando para planejar o melhor ângulo de ataque. Lucius Malfoy estava fazendo isso.
– Vamos Lucius, não há nada que o Ministério possa fazer, é um contrato mágico, infelizmente o menino Potter vai ter que competir, no momento em que seu nome saiu da Taça ele foi vinculado ao torneio.
– Cancele essa porcaria e problema resolvido. – Lucius disse, com voz gelada.
– Você não pode estar falando sério! – Fudge exclamou. – O Ministério gastou uma quantia considerável para tornar essa competição possível, as ligações diplomáticas e econômicas implicadas são muito importantes para…
– Não faça isso. – Lucrécia disse, quando viu Lucius girar a cabeça de cobra em sua bengala.
O loiro olhou para a bruxa seriamente.
– Eu não ia fazer nada, só sair daqui antes de que o ar carregado de estupidez me contamine. – Lucius disse, se dirigindo a porta. – Espere pela minha demissão amanhã.
– Oh, pelo amor de Merlin! Não seja infantil, ele é o menino-que-viveu! É claro que vai correr perigos o tempo todo, ele está destinado a matar você-sabe-quem! Não pode ter esperanças de que o rapaz…
– Cale-se antes que piore as coisas, idiota. – Lucrécia disse, cortante.
– Eu já entendi perfeitamente. O Ministério não vai proteger meu filho, o que é azar o seu, claro. – Lucius disse, olhando para Fudge. – Se algo acontecer para o meu rapaz, quando eu terminar, a ruína será o último dos seus problemas.
E como sempre, saiu com sua túnica revoando atrás de si.
– Ele sabe como fazer saídas dramáticas. – O Ministro disse.
– Você não pode ser estúpido assim. – Lucrécia disse, irritada. – Lucius Malfoy foi seu aliado por muitos anos, acredite em mim quando digo que você não queria ter feito dele seu inimigo.
– O que ele pode fazer? Eu sou o Ministro, ele pode ter dinheiro, mas eu ainda tenho mais poder. – Fudge disse, irritado com as implicações do que Lucrécia dizia.
– Se essa é a sua visão, merece o que vai acontecer. E não pense que eu vou ficar entre você e a vingança do Malfoy, eu te disse que esse torneio era uma ideia de merda. – A grande dama disse, saindo do gabinete e deixando o homem perplexo pelo linguajar.
X~x~X
Harry odiava a sensação de se sentir encurralado. E era exatamente assim que sua participação no Torneio Tribruxo o fazia sentir, como se sua vida não pudesse ser normal, como se ele não tivesse controle nenhum sobre o que acontece. E era por isso que ele estava olhando o lago como se a água tivesse culpa de todos os seus problemas.
– Ei, companheiro. Tudo bem? – Charlie Weasley perguntou, se sentando a seu lado na grama. – Não está meio tarde para estar fora do castelo?
– Estar num torneio suicida tem lá suas vantagens. – Harry brincou.
Charlie ficou sério.
– Sua primeira prova… vi alguns conhecidos por aqui, se prepare para lidar com dragões.
– Dragões? – Harry perguntou num sussurro. – Dragões de verdade?
– Temo que sim. – O ruivo disse.
Harry só podia se lembrar de como Norberto tinha sido destrutivo e violento enquanto era um filhote.
– Eu vou morrer…
– Não seja dramático, age como se não tivesse um domador de dragões à disposição para te ensinar vários truques. – Charlie disse, sorrindo lentamente.
Harry respirou mais suavemente.
– Eu te beijaria, mas minha namorada tem um gancho de esquerda invejável. – Disse, com evidente alívio.
– Ela pode me beijar por te manter vivo, mas não acredito que você vai estar tão feliz depois que terminamos. – Charlie disse, sorrindo. – Bill é o professor bonzinho comparado comigo.
Harry revirou os olhos.
– Severus Snape foi meu tutor por anos, me dê algum crédito.
X~x~X
– Draco Lucius Malfoy! – Harry esbravejou, assim que viu o loiro pelos corredores do castelo.
– Que foi? – O loiro respondeu de mau humor e cara de pouquíssimos amigos, coisa que fez o moreno parar e repensar sua raiva, provocar Draco quando o loiro estava de mau humor era praticamente suicídio.
– Ah… eu... – Harry sacudiu a cabeça e focou sua atenção no objeto ofensor preso na camisa do irmão. – Ahá! Eu sabia que tinha sido você. – Esbravejou apontando para o bottom.
– Claro que fui eu, quem mais teria tanta criatividade? – Draco disse, olhando para o rosto sorridente de Harry no bottom. – O que foi? Não gostou da foto que eu escolhi?
– Você está atacando Cedric! – Harry disse, irritado, apontando para o bottom onde aparecia uma foto de Cedric com a frase “Diggory fede” antes de seu rosto com a frase “Potter, o verdadeiro herói de Hogwarts” – Ele é legal e queria participar no torneio, merece mais que eu.
Draco cruzou os braços e Harry sabia que teria que lidar com uma birra monumental.
– Por que está gritando comigo?! Estou tentando te ajudar, fiz bottons a noite toda para calar a boca daqueles texugos linguarudos e convencidos, que estão colocando a escola contra você!
– Mas Cedric é um dos poucos amigos que não estão me chamando de convencido e falso campeão! Ele não…
– Ah, pelo amor de Merlin! Ele é o inimigo. Nessa porcaria de torneio tem que pensar nele como o apanhador do time adversário, claro que ele não é tão lindo quanto eu, mas…
– Claro que ele é lindo, não viu como tem meninas com esses bottons só para babar na foto dele? – Harry disse, só para irritar o loiro.
– Pelos cabelos de Morgana e Circe! O que diabos deu em você e no Ronald? Você todo irritado porque fiz um bottom para te defender e aquele ruivo imbecil e desmiolado babando naquele gigante búlgaro!
Harry entendeu num instante o que tinha deixado Draco tão irritado ultimamente. O loiro detestava dividir, e Ron sempre tinha sido uma exclusividade sua.
– Se refere a Krum? Seu apanhador preferido até ontem?
– Bem, ontem ele não estava todo meloso pra cima do meu na… amigo. – Draco se corrigiu.
– Você precisa beijá-lo. – Harry disse, resoluto. – Ainda que, se ele não gostar pode te dar um soco, ou pior, chamar Charlie e Bill.
Harry sorriu maliciosamente quando viu um rubor leve no rosto de Draco.
– Você certamente sabe como beijar alguém, certo?
– Se até um testa rachada com cabeça de vento como você pôde beijar alguém, obviamente eu posso fazer isso. – Draco disse, muito dignamente, se virando exatamente como seu pai e padrinho, amaldiçoando que não estava usando uma capa para fazer esvoaçar.
– Já beijou alguém… tá bom! – Harry zombou para o corredor vazio, pelo menos um aspecto engraçado ia ter no torneio, Draco podia se livrar de Krum antes da primeira prova se o búlgaro se engraçasse demais para o lado de Ron.
X~x~X
Draco entrou nos quartos de Remus fungando alto e preparado para fazer uma manha grandiosa, mas parou quando viu seu pai na sala com um copo de uísque. Ele estava passando muito mais tempo ali desde que tinha desistido do trabalho no Ministério.
– Deveria bater antes de entrar. – Lucius disse, sorrindo.
– Estava distraído, me desculpe.
– Distraído pensando em ganhar uns doces do lobo bobo? – Lucius perguntou, dando um gole em sua bebida.
– Um pouco. – Draco disse, sorrindo para o pai. Era irritante como Lucius podia lê-lo tão facilmente, mas bastante reconfortante também. – Eu só queria um pouco de atenção.
– O que aconteceu? – Lucius perguntou, dando tapinhas no sofá, chamando Draco para se sentar.
– Ronald está tendo uma espécie de paixonite idiota por aquele buscador búlgaro. E Harry está sendo tonto, fiz lindos bottons pra apoiá-lo… – Disse, mostrando seu trabalho, que fez seu pai sorrir amplamente. – … e ele ficou preocupado com os sentimentos do Huffle feioso.
– Essa habilidade em transformações complexas deveriam refletir nas suas notas. – Remus disse, entrando na sala enxugando os cabelos e usando só um roupão.
– Deixe o menino em paz, sabe que a velha odeia as serpentes. – Lucius disse, defendendo o filho com um argumento que não convenceria nem um aluno de primeiro ano.
– Você o está mimando. – O lobisomem disse.
– Ele está tendo problemas amorosos, dê-lhe uma folga.
Remus rosnou mais alto do que pretendia.
– Que problemas? Que amores? Draco, você é só um filhote.
Os dois loiros reviraram os olhos.
– Harry tem uma namorada. – Draco disse, com irritação.
– Ele é um… – Remus se interrompeu. – Você está certo, vou me vestir.
– Ele ia dizer algo brutalmente machista e irritante, certo? Provavelmente sobre eu ser um portador. – Draco perguntou.
– Sim, vou castigá-lo mais tarde, e lembrá-lo que portadores e mulheres são tão letais e autossuficientes quanto alfazinhos superprotetores. – Lucius disse, de bom humor.
– Droga! Eu poderia ter usado isso para ganhar aqueles chocolates belgas da reserva dele. – Draco disse amuado. – Precisarei deles para isca… acha que posso convencer o Sev a envenenar o búlgaro?
– Por que não fala com Ron e resolve isso?
– O quê? Ele pensaria que estou com ciúmes. – Draco disse.
– Você está, vocês dois estão namorando? Seja sincero, por favor.
– Não… nós nunca nos beijamos. Eu nunca beijei ninguém, não sei como fazer. – Draco confessou, envergonhado. – Pansy certamente me beijaria, mas não sei… eu só quero beijar o Ron.
– Beijos são uma questão de ajuste. – Lucius disse. – Acredite em mim, vai achar a maneira correta. Além disso, a genética está do seu lado, Malfoys são excelentes beijadores.
Draco assentiu, muito sério, ele iria se livrar do apanhador búlgaro.
– Mudando de assunto… li no jornal que pediu demissão. Foi por que o Ministro não tirou Harry do torneio?
– Sim.
– Vamos nos vingar? – Draco perguntou.
– Claro.
– Ótimo.
Remus deu uma espiada na sala e resolveu que não era seguro voltar ainda, aqueles dois estavam muito angelicais para seu gosto.
X~x~X
Lucius estava segurando a mão de Remus discretamente no palanque do Torneio Tribruxo, e quando Harry entrou na arena, o lobisomem podia jurar que o loiro quebraria seus dedos, tamanha a força com que os apertou.
– Lucius, amor, se vai partir meus dedos, seja piedoso e use um feitiço. – O lobo pediu, fazendo piada.
– Quieto, Harry está entrando e vai ter que roubar um ovo de uma besta gigante e irritada. Seja um leão corajoso e aguente. – Lucius disse, sem tirar os olhos do seu filho adotivo e sem perder a pose indiferente, ninguém que o visse pensaria que estava um feixe de nervosismo.
– Vai dar tudo certo, ele é sortudo.
Lucius bufou.
– Prefiro que ele seja esperto. – Lucius espetou.
Remus discordava, mas não ia discutir isso quando Lucius tinha sua mão tão firmemente agarrada ou ia terminar o dia tomando uma poção para calcificar os ossos. O loiro só soltou seus dedos quando viu como Harry tinha o ovo firme entre suas mãos depois de um show de habilidade ao voar e usar feitiços de contenção muito elevados para sua idade.
– Você o ensinou e não me contou? — Lucius perguntou.
– Claro que não, mas te disse que Charlie Weasley estava dando dicas de como lidar com os dragões.
– Isso não foram dicas, isso foi… perfeição. Sem danos a mãe e o ovo intacto, meu rapaz tem um talento real para voar.
– James estaria muito orgulhoso do filho, ele voava com Harry quando o menino era só um bebê de colo. – Remus contou, saudoso.
– Irresponsável. – Lucius disse, levemente ciumento.
Remus sorriu.
– Seu pai me mostrou fotos de como você e Narcissa usavam accios para fazer o pequeno Draco voar pela sala.
– Perfeitamente seguro. – Lucius assegurou, franzindo o nariz. – Devo um favor ao rapaz Weasley, vou cuidar disso.
Remus viu o loiro se afastar, e riu, Lucius não gostava muito de falar de James e Lily, e não porque estivesse desgostoso com os dois por algum motivo, mas pelo simples fato de que não gostava de dividir Harry com as lembranças de outros pais. Remus olhou para o céu e pensou em seus amigos.
– Espero que saibam como fui eficiente para arrumar um pai tão bom para o Harry, engula essa James, ele é mais responsável que você.
X~x~X
Harry e Draco sorriram um para o outro quando o moreno alcançou o irmão depois da prova.
– Boa jogada, testa rachada! – Draco disse, alegre.
– Obrigada, mas devo tudo ao Charlie.
– Vou me lembrar disso. – O loiro disse, sério. – Posso ver o ovo?
– Sim, só não tente abrir, o barulho é insuportável. – Harry disse, passando-lhe o ovo dourado.
– Tanto trabalho por isso, papai podia ter te comprado um. – Draco brincou, sorrindo.
Harry podia adivinhar que o loiro tinha visto algo que não gostou no momento em que seu sorriso azedou e ele franziu o nariz. O moreno ouviu a risada de Ron e Krum e entendeu qual era o problema.
– Ele é uma estrela internacional de quadribol, você não pode enfeitiçá-lo.
Draco pretendia retrucar, mas o grupo ruidoso chegou perto dos dois, e Harry e Krum passaram a discutir a prova amigavelmente, Ron sorria olhando o novo amigo búlgaro, que logo percebeu que era fuzilado pelos olhos cinzentos de Draco. O buscador já estava cansado da animosidade do loiro, ele gostava de ser adorado e não desprezado.
– Ei, Harry. – Krum disse, com o sotaque carregado. – Deixou seu irmãozinho delicado cuidar do ovo? Tem certeza de que ele não vai deixá-lo cair? Não é muito pesado para você, Malfoy?
Harry nunca tinha visto o búlgaro ser tão ríspido com ninguém, e franziu o cenho, ele não gostava de ninguém falando assim com Draco, mas já tinha aprendido que o loiro não precisava de heróis.
– Oh, claro que não! Não seja tolo. Quem seria idiota o bastante para quebrar um ovo? Ou fazer uma mãe dragão pisotear ovos raros? Mas não se preocupe, Krum, sei que ninguém vai te culpar pelas pobres criaturas que nem nasceram… ainda que tenha sido uma vergonha a forma com que seu diretor te deu a maior pontuação, mas entendo que você seja muito delicado para lidar com a pressão por si só.
Harry ouviu os amigos de Krum fervilhando de indignação, mas não foi rápido o bastante para evitar o raio que acertou Draco pelas costas, horrorizado, Harry viu como seu irmão se transformava num furão totalmente branco, que era lançado contra o chão de pedra devido ao impulso do feitiço, quicando várias vezes.
– Draco! – Harry e Ron gritaram ao mesmo tempo em que Krum e seus amigos explodiam em gargalhadas.
– Isso vai ensiná-lo a respeitar mais um mago da sua importância. – Karkaroff disse para Krum, surgindo do nada.
– Foi você?! – Harry perguntou, colérico.
– Oh, não faça acusações desse tipo, sr. Potter, claro que eu não faria tal coisa com um aluno. – O homem disse, mas sua cara de satisfação desmentia a negativa.
– Meu pai vai saber sobre isso. – Harry disse, petulante, igualzinho a Draco.
– Eu não tenho medo do lobo mau. – O diretor disse, baixinho.
– Mas deveria ter do ex-comensal. Lucius Malfoy realmente odeia quando mexem com seus filhos… e espero que não esteja trabalhando com os comensais que fugiram, Karkaroff, não sei se sabe, mas Narcissa pode ser uma verdadeira harpia quando se propõe. – Harry ameaçou baixinho, desejando que a loira ficasse sabendo disso, e se sentindo satisfeito quando viu o homem hesitar, só não continuou porque Ron o puxou pela manga.
– Harry! Vamos logo, eu acho que ele se machucou. – Ron disse, com o furão aninhado em seu colo.
X~x~X
Lucius realmente ficou furioso, na verdade, furioso não descreve o estado no qual o patriarca Malfoy se encontrava, seu rosto tinha manchas vermelhas e suas narinas estavam dilatadas, uma veia pulsava perigosamente em sua testa. Harry teve medo de que ele fosse caçar Karkaroff para matá-lo na frente dos alunos das três escolas bruxas mais importantes da Europa.
– Seja racional. – Remus disse antes que o loiro pudesse se mover, sua voz rouca, seus olhos já naquele tom de amarelo inumano. – Eu vou pegar Minerva para ajudar, ela é a especialista nisso, vamos pegá-lo depois… do sei jeito, sorrateiro e eficiente.
– Você está certo, mas isso foi uma provocação, uma mensagem para mim. – Lucius disse, enfurecido. Um antigo comensal atacando seu filho dentro da escola era algo que lhe roubava o ar de tanta raiva que sentia. – Vou dar-lhe um aviso também. – Continuou dizendo, girando a cabeça de sua bengala.
– Eu sei que você vai, mas está assustando os meninos. – Remus disse, apontando para Harry e Ron. – Só fique aqui e se acalme, vou dar um jeito de fazer Draco voltar ao normal.
– Eu posso gostar dele assim. – Ron disse, com voz brincalhona, quebrando a tensão. – Ele é fofo, macio e tãoooooooooo gostoso de apertar.
Harry riu quando o furão deu um guincho e mordeu a mão do ruivo.
– Oh, Draco sempre tão amável.
– O que faço com vocês, crianças? – Lucius perguntou para o nada, mas com um sorriso fraco no rosto.
– Ei, sr. Malfoy, agora que já curou os ossos quebrados do furãozinho, podemos colocar umas roupinhas nele? – Ron perguntou, com um olhar muito astucioso para o amigo transformado.
– Vou encolher minha gravata e pegar a câmera, ele vai ficar adorável com as cores da minha casa. – Harry disse, emocionado pela oportunidade única.
– Desculpe-me? – Lucius disse, olhando os dois adolescentes com uma sobrancelha arqueada. – Por que eu deixaria que vocês dois tivessem esse tipo de material comprometedor do meu filho?
– Por que vai ser engraçado? – Harry perguntou, sempre ingênuo.
– Porque vai ser muito divertido de mostrar as fotos para os nossos filhos? – Ron disse, corando. – E o senhor é quem vai desfrutar mais disso, afinal, é o avô quem passa mais tempo entregando os podres dos pais para os netos.
– Esse é um bom argumento. – Lucius disse para Harry. – Você tem até seu pai voltar para tirar as fotos.
O moreno pegou Draco do colo de Ron com cuidado, Lucius tinha consertado os ossos quebrados, mas ele ainda estava com medo de machucar a versão animalesca do loiro. Ron ia segui-lo, mas Lucius o parou com um gesto de mão.
– Draco é mais sensível do que parece, ele gosta de você, Narcissa sempre foi sua maior fã, eu posso quebrar seus ossos sem remorso. – Lucius disse. – Se quer o garoto Krum…
– Eu estou esperando seu filho fazer alguma coisa! – Ron explodiu, de mau humor. – Acha que é fácil fazer aquele búlgaro ficar com as mãos para ele mesmo? Bill e Charlie me disseram para fazer ciúmes nele, mas não deu certo.
– Deu certo, mas vocês dois são obtusos demais para fazer alguma coisa sobre isso. Só vá lá e o beije. – Lucius disse, isso tinha sido a parte fácil quando ele tinha a idade dos meninos.
– Fácil falar… nunca parece o momento certo. – Ron resmungou, fazendo Lucius se lembrar da conversa similar que tinha tido com Draco.
Lucius sorriu.
– Duas serpentes românticas… quem diria? – Lucius disse, com um meio sorriso. – Então espere seu momento mágico, ou faça-o acontecer. E continue usando o búlgaro, ele é uma boa conexão e deixa Draco louco.
– Eu vou fazer isso. – Ron disse, maroto.
X~x~X
Severus era um homem bastante razoável, pelo menos, ele pensava que sim, mas claro, casado com Sirius Black há tantos anos, alguma coisa do temperamento horrível do auror o tinha contagiado.
– Já pode tirar esse sorriso idiota da cara, Black. – O pocionista disse, para seu marido confortavelmente espalhado na cama.
– Não pode me culpar por sorrir como um idiota, quando foi você quem jogou Karkaroff na parede e o ameaçou de forma tão sexy.
– Ele transformou um dos meus alunos, que por acaso é também meu afilhado, na porra de um furão, ele merecia ser torturado. – Severus disse, percebendo o humor complacente do marido.
Sirius era uma bela visão, usando nada mais que uma cueca preta, pronto para dormir. Ele gostava de ser encurralado às vezes, e Severus gostava de tê-lo completamente indefeso.
– Devia ter me visto no banco com Lucius, ah, foi uma tarde memorável. – Severus disse, sentando-se sobre os quadris do auror. – Os duendes nos acham feios e muito frágeis, mas Lucius tem algo que eles amam mais que beleza, ele tem muito ouro.
– Eu já sei disso, o que vocês fizeram? – Sirius perguntou, levemente sem ar, já que tinha a bunda macia de seu marido rebolando suavemente em seu colo.
– Eu não posso te dizer, sr. auror, como espera passar na sabatina do Wizengamot um dia se tem esse tipo de segredo sujo na sua cabeça? – Severus perguntou, girando Sirius na cama, fazendo-o ficar de bruços e expondo sua bunda firme para uma inspeção. – O que aqueles velhos tolos e puritanos pensariam se soubessem que seu auror de ouro também adora ser fodido por um ex-comensal?
– Eles ficariam com inveja. – Sirius respondeu, engasgando com ar quando Severus tirou sua cueca, era raro quando o pocionista ficava nesse humor dominante, ele gostava de aproveitar as oportunidades, sendo assim, abriu suas pernas descaradamente. – Não sentiu falta de me comer, Sev? Estou carente aqui.
Um tapa firme estalou na pele branca do animago.
– Não me apresse, hoje, você é minha putinha. – Severus disse, seu polegar acariciando a entrada de Sirius.
Sirius gemeu pela primeira, mas não pela última vez naquela noite.
X~x~X
Draco não podia deixar de rir. Ele, Ron e Harry estavam debaixo de uma árvore do jardim da escola, fugindo do ambiente opressor da escola para o menino-que-viveu.
– Oh, a maneira como você a salvou! Merlin, Harry, você parecia estar carregando um saco de batatas e não sua namorada! – O loiro riu, olhando para o Profeta com a foto de Harry saindo do lago com Hermione jogada sobre um dos ombros, literalmente.
– Vá em frente, ria da minha desgraça nas mãos dessa filha de um troll. – Harry resmungou, irritado. – E essa doente já está dizendo que estou apaixonado pela Fleur só porque ajudei a resgatar a irmãzinha dela, é mesmo descendente de um troll, só pode.
– Não ofenda os trolls, Harry, Rita Skeeter é um insulto ambulante. Não sei como a deixam se chamar de jornalista, pelo amor de Merlin. – Ron reclamou.
– Obrigado, Ron, é bom saber que alguém me apoia. – Harry disse, sorrindo para o ruivo.
– Não seja tolo, Ron não está rindo comigo porque ela também atacou Percy algum tempo atrás, se lembra?
– Oh, sim, essa cadela. – Harry disse, ele também se lembrava de como ela tinha escrito um artigo sobre como portadores podiam ficar histéricos sem o “tratamento” adequado e usado Percy como exemplo, defendendo Molly das acusações do filho.
– Devia ter deixado os gêmeos lidarem com ela na época. – O ruivo disse, sombrio.
– Papai vai fazer alguma coisa, ele já estava doente de raiva por causa do torneio, mas quando os artigos dela começaram todo o tipo de rumor sobre Harry ser criado por um lobisomem e um ex-comensal… nunca o vi tão bravo. Isso vai acabar mal para ela.
– Não quero que ele faça nada estúpido. A vaca conseguiu fazer todo mundo se lembrar da guerra e do terror que sentiram na fase final, Dumbledore nunca esteve tão contente, aposto que está na cama com ela. – Harry disse, ainda irritado com todas as insinuações do diretor durante o torneio.
– Eca! Harry, amigo, eu vou precisa de um obliviate para tirar essa imagem da minha mente! – Ron dramatizou.
– Não desse jeito, seu tarado! – Harry riu. – Eu quis dizer que ele deve ser a fonte misteriosa que ela cita.
– Ou seu querido Diggory, quem mais poderia contar sobre vocês dois e a banheira dos prefeitos? – Draco perguntou, sarcasticamente. – Oh, mas a cara da cabelo de piaçava quando leu aquele artigo…
Draco voltou a rir e Harry fez uma careta para Ron que tentava se manter sério. O título do Profeta tinha sido “O menino-que-viveu-para-ser-promíscuo”, era sobre um possível relacionamento entre ele e Cedric, e o pior era que até mesmo a namorada do Hufflepuff, Cho Chang tinha sido vista chorando e se lamentando por ter sido trocada por Harry.
– Não sei se gosto muito de você, Draco. – Harry disse.
– Cale a boca, você me ama, sou seu irmão mais velho, vou dar um jeito nisso, não se preocupe. – Draco disse, tentando engolir as risadas.
Harry emburrou, ele detestava quando Draco o provocava pro ser o mais velho e mais alto, era tão injusto que ele tivesse crescido tanto.
X~x~X
Remus se considerava especialmente bom para pesquisas, mas ninguém poderia se igualar a Hermione Granger, e foi por isso que ele pediu a ajuda da garota num tema que tinha ficado a seu cargo e que ele não tinha evoluído. Severus e Lucius tinham feito sua parte e Sirius e seus dois amigos aurores estavam prontos para lidar com a deles, mas ele ainda estava no escuro sobre sua missão para enfraquecer aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Seu orgulho ficou um pouco ferido, mas seu alívio foi grande, quando depois de três dias a menina surgiu com a localização que ele precisava.
– Como você descobriu isso? – Ele perguntou, estupefato.
– Não posso dizer qual, mas foi graças a um fantasma. – Ela disse, orgulhosa. – Agora, já podem achar o diadema de Ravenclaw está naquela sala onde eu e Harry vamos…
A menina corou, o que fez Remus sorrir.
– James, o pai de Harry, também costumava levar Lily para aquela sala para namorar, eu entendo.
– Bem… hum… era só isso, professor? – Ela perguntou, embaraçada.
– Sim, muito obrigada Hermione. – Ele disse, com seu sorriso habitual.
A garota ia sair da sala, mas mal deu dois passos e voltou a encarar seu professor.
– A lenda é verdade? Sobre quem usar o diadema ter a disposição os conhecimentos de Rowena? É por isso que precisam dele? – Sua curiosidade era visível.
– Quem dera, te garanto que esse objeto não traria bem nenhum para ninguém que o usasse. – Remus disse, sombrio. – Talvez um dia possamos te contar sobre isso.
– Então é sobre Voldemort e Harry, espero que ajude a protegê-lo. – Ela disse, arguta.
– Vai, não vamos deixar nada acontecer, não se preocupe.
– Bom. – A menina disse, sorrindo e o fazendo se lembrar de Lily com todo aquele ar sábio e sério.
X~x~X
Sirius gostava de trabalhar com Moody e Kingsley, mesmo que a missão fosse tão clandestina.
– Não podemos ficar atrás daquelas serpentes. – Kingsley disse. – Eles já deram um jeito de pegar a Taça e o diadema.
– Meu irmãozinho já deu cabo do medalhão de Slytherin anos atrás, e Harry destruiu o diário quando tinha 12, o que mostra o quanto sou boa influência. – Sirius se gabou.
– Me lembro de que ficou histérico como uma menininha quando soube do que eles tinham feito. – Kingsley brincou.
– Sim, não pode me culpar por ser um padrinho preocupado. – Sirius disse rindo.
– Oh, parem já de fofocar como duas colegiais. Temos uma missão aqui, os inferi mataram seu irmão, Black, só Merlin sabe que tipo de armadilha o Lorde colocou para proteger esse maldito anel. Vamos logo, esse lugar está me dando arrepios. – O auror mais velho comandou.
Kingsley e Sirius deram de ombros e pararam de falar, ninguém era melhor para lidar com armadilhas das trevas do que Moody, seu corpo prejudicado era a prova de que ele podia sobreviver a muitas coisas.
– Sorte para nós. – Sirius disse, numa espécie de prece antes de ir atrás do maldito anel.
X~x~X
Harry e Draco estavam preocupados. Remus tinha estado ausente das aulas por quase uma semana e Lucius também não tinha mais dado as caras na escola, Severus por ser chefe de casa ainda estava lá, mas andava com os nervos à flor da pele e parecendo um morto vivo de tão cansado. Ele era uma tumba e acabava gritando e amaldiçoando toda vez que perguntavam o que aconteceu.
– Alguma coisa muito ruim aconteceu. – Harry disse. – E posso apostar que tem a ver com Voldemort.
Draco estremeceu, ele sempre tinha odiado a facilidade com que Harry dizia aquele nome.
– Eles não estão dizendo muita coisa, então, alguém se machucou. – Draco disse. – Provavelmente Sirius, ele é o idiota que faz tudo de cabeça.
– Oh, pelas bolas de Merlin, o que ele poderia fazer? Ele já foi acertado por um comensal insano esse ano.
– Eu não sei… talvez beber veneno ou colocar um anel amaldiçoado? – Draco perguntou, brincando e gritou quando Harry deu-lhe um forte soco no braço.
– Quer saber o quê? Não teve graça, aliás, devíamos fazer como Severus nos gritou hoje e irmos cuidar das nossas vidas, tenho que treinar com Charlie, ele acha que preciso de presteza em duelos para a última prova.
– Você precisa, é um fracote. – Draco provocou, mas sem achar graça realmente, a tensão ia matá-lo.
– Posso chutar sua bunda ossuda a qualquer momento.
– Dificilmente poderia lidar com o que papai andou me ensinando. – Draco disse, enfeitando muito as aulas de Lucius, até agora ele só tinha lido livros e pergaminhos velhos.
Harry arregalou os olhos.
– Isso é legal, vão ter que me incluir nas aulas.
– Por quê?
– Ou conto ao pai Remus. – Harry disse, sorrindo largamente.
– Isso foi muito sly da sua parte.
– É a convivência. – Harry disse, piscando charmosamente e correndo para o castelo, Charlie ia arrancar sua pele por estar atrasado.
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