Notas iniciais
Pode falar, voltei rápido. Só para esclarecer, dividi o capitulo em 2 porque ficou tipo... gigante. Aproveitem o presentinho de natal.

Severus odiava ver seu marido tão mal. O grande e poderoso auror tinha voltado da missão pelo anel como um homem quebrado. Ele podia sentir o marido estremecendo a seu lado na cama.

– Deveria ter sido eu. – Ele disse, pelo que deveria ser a miléssima vez.

– Moody sempre foi um homem pragmático, e apesar de não falar, gosta de seus alunos como se fossem filhos. Você é um dos preferidos, não esperava que ele te deixasse beber veneno e usar um anel amaldiçoado, certo?

– Era minha responsabilidade! Harry é meu afilhado, James contava comigo... e agora, Alastor está... Merlin, Severus, ele está morrendo.

– Não ainda, vamos lutar contra isso. Já preparei a poção, ela deve retardar os efeitos da maldição e Lucius e Lupin estão trabalhando para anular a maldição, odeio ser o otimista aqui, mas tem que pensar positivo.

Sirius deu um sorriso amargo.

– Decida-se, amor, ou quer que eu seja um realista sem coração ou um otimista esperançoso.

– Só seja um bom marido e me obedeça.

– Claro. – Sirius disse, meio sorrindo e finalmente passando um braço a seu redor. – Como se sente tendo que cuidar daquele velho paranoico?

– Ele insiste que quero envenená-lo com a poção, penso que terei que usar a imperius na próxima vez.

– Ah, só mencione que vai chamar Doty, a secretária do nosso chefe, aquela mulher o deixa mais temeroso que Voldemort.

– Deve ser uma senhora adorável, talvez a convide para o chá.

Sirius estremeceu pensando em seu marido e a sisuda bruxa se unindo e confabulando.

– Melhor usar a imperius, amor.

Severus riu e beijou a testa do auror.

X~x~X

Lucius e Remus não gostavam de preocupar os filhos mais do que necessário, e por isso, lamentaram o equívoco que os levou a pensar que Sirius estava ferido, quando finalmente puderam normalizar suas rotinas, tendo encontrado feitiços de contenção para que Alastor melhorasse drasticamente, eles esclareceram tudo com os meninos, que não ficaram satisfeitos.

– Por que não me deixaram ajudar a destruir essas coisas? — Harry perguntou, colérico.

– Porque você tem que estudar, não correr atrás de objetos cheio de magia negra, se concentre em melhorar sua nota de poções, isso é assunto para um aluno de quarto ano. – Lucius disse, com voz firme.

– Ele matou meus pais e me fez de alvo a vida toda, é meu problema! – Harry gritou, fazendo com que Draco e Remus se alarmassem, ele geralmente nunca se exaltava com Lucius.

– Harry… – Remus disse, em tom de advertência.

– O quê?! – O jovem questionou ainda com voz elevada. – Eu realmente sou a porra da parte mais interessada nessa situação! Eu a vejo morrendo em meus sonhos e ele ri, ele ri! Eu não ligo o quanto querem me proteger, isso é minha vida... é minha vingança. – Ele finalizou, saindo e batendo a porta.

– O que diabos foi isso? – Lucius questionou, aborrecido pelos maus modos do menino.

– O diretor. – Draco esclareceu, com cara de poucos amigos ainda. – Eu pensei que quando fossem fazer algo do tipo me avisariam para que eu pudesse lidar com o cabeça quente, mas não, vocês resolvem fazer tudo escondido, e fazer o idiota começar a acreditar no velho gagá.

– Dumbledore é tudo, menos gagá. O velho é esperto como uma raposa e letal como um escorpião. – Remus disse, se sentando. – O que ele fez?

– Ele e Harry tem passado um tempo juntos ultimamente, fotos e entrevistas para o Torneio Tribobo, e quando o velho tem oportunidades como essa ele enche Harry de conversas sobre os pais dele, não só como eram, mas de como é o dever do Harry vingá-los.

– Maravilhoso, tudo o que precisámos agora, de Harry numa crise rebelde alimentada pelo diretor. — Remus resmungou.

– O problema não é esse. – Lucius disse, calmo. – O problema é que essa sede de vingança fará nosso filho provocar e provavelmente irritar um dos magos mais poderosos do mundo.

– Mas... pensei que tivessem destruído todos os objetos. – Draco disse, confuso. – E ele é um maldito espectro, podemos só exorcizá-lo e pronto.

– Isso seria uma realidade muito mais aprazível, infelizmente, temos Bellatrix tentando trazê-lo de volta. – Lucius disse, lentamente.

– Quão provável é isso?

– Com sua tia? Eu não estranharia se ela estivesse cozinhando a poção ela mesma nesse momento. – Lucius disse, com humor sombrio.

– Pelas calcinhas de Morgana! – Draco explodiu. – Por que ninguém prendeu essa doida até agora mesmo?

– Os aurores são bons, mas com Rabastan os escondendo... só veremos os demais comensais quando eles saírem da toca, como aconteceu no Mundial de Quadribol. – Remus explicou. – Seu tio Sirius já tentou até feitiços de localização de sangue, eles tem fortes barreiras que impedem o rastreio.

– Ele tentou com a minha mãe? – Draco perguntou, franzindo o cenho.

Remus se moveu, incômodo, mas Lucius era mais prático.

– Claro que tentaram, mas sua mãe é esperta, claro que não deixaria rastro, igual a irmã.

– Bom, eu odiaria ter o trabalho de tirá-la da cadeia. — Draco disse, resoluto e se levantando, com ar muito digno. — Se me dão licença, preciso ir enfiar juízo na cabeça do meu irmão caçula.

– Ele fica tão bonitinho quando age com maturidade. – Remus disse, sorrindo como um bobo.

– Meu filho não é "bonitinho", ele é uma verdadeira beldade, Lupin, use seus adjetivos plebeios com outro. – Lucius disse, fazendo Remus rir.

X~x~X

Os dois se olhavam como predadores, avaliando e sondando, os olhos cinzentos enfrentando os castanhos com frieza, refletindo os sentimentos do olhar que encarava.

– Ah, pelo amor de Merlin! Parem com isso, estão parecendo dois meninos de quatro anos se encarando pelo último biscoito. – Ron disse, quando entrou na sala de aula abandonada, onde Draco e Hermione estavam.

– O último biscoito sempre era meu. – O loiro disse, confiante.

– Como se seus elfos deixassem os biscoitos dos principezinhos acabarem. – Ron disse, zombando. – Se foquem que esse é um acordo de mútua ajuda para o benefício do Harry.

– Já descobrimos como Rita-que-irrita faz para saber detalhes que nenhum amigo do Harry conta. – Hermione disse, vitoriosa para o ruivo. – Só estávamos discutindo sobre o que fazer.

– Já? Mas como? – O ruivo questionou, surpreso.

– Somos os dois magos mais inteligentes da nossa geração. – Os dois disseram aos mesmo tempo.

– E modestos também. — Ron murmurou. — Enfim, me iluminem com sua inteligência e revelem o dilema que assola duas cabecinhas geniais. — Finalizou dramaticamente.

Draco revirou os olhos.

– Ela é uma animaga ilegal.

– Em forma de besouro. — Hermione completou. — E eu estava tentando dizer a esse idiota que não podemos esmagá-la.

– Por que não? É só um besouro no fim das contas, ninguém saberia já que ela não é registrada, se alguém descobrir podemos até alegar completa ignorância sobre o assunto – Ron disse, só para ver a cara da castanha.

Hermione arregalou os olhos, chocada.

– Isso seria assassinato! Sério, não podem fazer isso, já sei que ela é uma vaca mentirosa, mas...

– Ok, Hermione, ok... não precisa hiperventilar, só estava brincando e Draco também, ele faz muitas piadas, é só que você leva a sério. – O ruivo explicou.

– Não acabe com a minha diversão, Ronald. – Draco pediu, fazendo beicinho, coisa que fez o ruivo ter uma vontade insana de mordê-lo bem ali na frente de Hermione, que limpou a garganta, fazendo os dois a olharem.

– Vai haver um baile esse ano, acho que é a ocasião perfeita para desmascará-la.

– Humilhação pública, Granger? Que slytherin da sua parte.

– Ela humilhou um monte de pessoas, e nem foi por uma notícia real, é só para vender jornal.

– Eu não tenho problemas com isso, sua função é vender jornais, mas ela poderia escrever sobre algo mais substancial que o caso imaginário do Harry com o Cedric. – Ron disse. – Ela poderia ter falado sobre a corrupção no Minsitério, sobre como Bellatrix e seus comensais ainda estão soltos e atacando em aldeias isoladas, mas não, ela escolhe escrever sobre fofocas e rumores que não tem nada de verdade.

Draco achava extremamente atraente quando Ron falava com tanta paixão sobre alguma coisa.

– Eu sei, motivo pelo qual a quero desmoralizada. Harry me convidou para o baile, alguém convidou você? – Ela perguntou para o ruivo.

– Viktor quer ir comigo. – Ron disse, para a total surpresa de Draco.

– E como ele ficou quando você disse que vai comigo? – Draco perguntou.

– Não podia dizer isso porque você não me convidou. – Ron disse, dessa vez preocupado com a cara de cachorro chutado que Draco fez por dois segundos. – E eu não sabia se ia querer…

– Nós fazemos tudo juntos, claro que eu queria ir com você! – Draco gritou, exasperado com o difícil que Ron estava sendo.

– Isso é diferente, é um encontro! – Ron disse, irritado com a reação do loiro. – E estou indo com Bill comprar uma camisa nova que combine com a túnica que a sua mãe me deu, te chamaria pra ir comigo, mas você está muito chato.

Hermione ficou meio perdida vendo como o ruivo batia a porta ao sair.

– Eu pensei que ele te pedir para ir com ele, me desculpe. – Ela resmungou.

– Ele claramente prefere aquele búlgaro feioso.

– Feio ele não é… – Ela disse, e sorrindo ao ver a cara feia do loiro. – Mas Ron gosta de você, dá pra ver pelo jeito que ele te olha. Só faça alguma coisa sobre isso.

– Por que eu? – Draco reclamou.

– Você é um Malfoy, pensei que o lema da família era conseguir o que querem. – Ela disse, saindo também. – Planejamos mais sobre a Rita-que-irrita depois.

Draco bufou.

– Maldita Granger… e maldito Ron e seus olhos bonitos, eu nunca devia tê-lo segurar minha mão há tantos anos. – Draco reclamou, se lembrando de um piquenique que tiveram quando eram pequenos, era sua primeira lembrança do ruivo.

X~x~X

Remus sabia que Lucius apreciava grandes bailes, mas eles nunca puderam fazer um na mansão devido as restrições para a segurança de Harry, era uma pena que seus dois filhos tivessem exigido que ele não fosse um dos professores encarregados de vigiar os alunos.

– Fico pensando o que esses dois estarão aprontando que não me querem por perto.

– Eles pretendem flertar, beber ponche batizado com uísque de fogo e provavelmente dar uns amassos no armário de vassouras. E essas coisas não podem acontecer se tiverem o papai-lobo por perto. – Lucius brincou.

– Oh, ótimo! Agora quero ir e espiar o baile. – Remus retrucou.

– E perder a massagem que tenho em mente pra você? – Lucius sussurrou em seu ouvido. – Providenciei óleos e pedras quentes só para o seu deleite.

– Hummm… acho que os garotos vão ficar bem. – Remus disse, mudando de ideia.

X~x~X

Draco chegou no baile depois que a festa já tinha começado. Ele gostou disso porque teve todo o salão olhando para ele, e sabia que tinha boa parte do público admirando sua beleza. Estava usando uma túnica de gala, escolhida por sua mãe antes de partir, era de um tom de cinza grafite, quase negro, os detalhes eram em fios de ouro, e ele usava uma camisa de cambraia branca e botas novas de pele de dragão. Ele viu Granger agarrada ao braço do irmão e se dirigiu até lá.

– Pelas bainhas da saia de Morgana! Você pesquisou e finalmente descobriu para que serve uma escova de cabelo! Parabéns. – Draco disse, fingindo uma grande emoção.

– Oh, pelo amor de Merlin, pare de implicar comigo.

– Mas foi um elogio, Mione. – Harry disse, sorrindo para Draco que fazia uma careta. – Adotei o método do Ron, vou ser um dicionário Draco-Mione, assim ela não fica brava a cada dois segundos.

Draco bufou e Hermione sorriu.

– Oh, você estava sendo simpático todo esse tempo.

– Ele é bastante doce quando se acostuma. – Harry disse.

– Eu não doce! E com certeza nunca fui simpático com você Granger, só que esse ano você está menos insuportável.

– Oh, digo o mesmo! – Ela disse, quando a orquestra terminou uma música e a professora McGonagall anunciou a dança dos campeões.

– Droga. – Harry resmungou.

– Isso vai ser tão divertido, Potty. Já contou a Granger que tem dois pés esquerdos para dançar?

– Não seja ciumento só porque teve que vir ao baile sozinho. – Hermione disse. – Harry não pode ser ruim assim.

Draco riu com vontade.

– Vá conferir, só não reclame depois e diga que não avisei.

Hermione fez uma careta pra ele e arrastou um Harry desanimado atrás dela, mas Draco reconheceu que a leoa de cabelos domados e vestido ajustado era até que bonitinha. O loiro sentiu um impulso muito plebeu de socar a cara de Krum quando o viu dançando todo juntinho de Ron, e teve que contar unicórnios quando viu as mãos do búlgaro dançando nas costas do ruivo, que se esquivou para dar um giro, Ron era bom dançando, diferente de Harry, que insistia em olhar para os próprios pés e mesmo assim pisava na barra do vestido da namorada ou em seus dedos expostos numa sandália delicada.

– Vou mostrar isso numa penseira para o papai, ele vai rir até perder o fôlego e… contratar outra professora de dança. – Draco disse para si mesmo, esperando o momento de agir.

Assim que a música terminou, houve uma salva de palmas para os campeões e seus pares, Draco não esperou nem que terminassem de aplaudir, ele caminhou até Ron, causando um certo frisson no salão, ele ignorou Krum e a mão do búlgaro segurando o braço do seu Ronald.

– Então, a próxima dança é minha? – Draco perguntou, fazendo uma reverência formal e tomando a mão do ruivo.

– Claro, não se importa, não é Viktor? Tenho certeza que precisa dançar com mais algumas pessoas também. – Ron disse, polido, mas já segurando a mão de Draco, que lançava olhares mortais para o apanhador búlgaro.

Ron acompanhou Draco sem nem olhar de novo para o búlgaro, que bufou, obviamente desgostoso com a derrota, mas logo dando de ombros e abraçando uma garota francesa para dançar, era um baile afinal de contas.

– Acha que esses dois finalmente vão ficar? – Hermione perguntou para o namorado, depois de se sentar, massageando os dedos esmagados. – Harry, está me ouvindo? Harry? – Quando ela ergueu a cabeça para olhar para o seu par, ela viu o que o tinha tão distraído.

Draco, ao contrário do irmão adotivo, era um exímio dançarino, ao som de uma valsa, ele e Ron rodopiavam pelo salão harmoniosamente, chamando a atenção de todos, mais ainda quando eles literalmente passaram a dançar flutuando sobre o salão. Draco conduzia Ron pelo ar, suas túnicas esvoaçando numa mistura linda de ritmo e magia.

– Exibido. – Ron disse, olhando para baixo e sorrindo.

– Não gosto de compartilhar, o búlgaro idiota já estava muito cheio de si. Eu sou o cara para encontros inesquecíveis.

– Você nunca me convidou para um encontro. – Ron disse.

– Eu não preciso. Você é meu há muito tempo, pensei que era algo bastante óbvio. – O loiro com sua arrogância costumeira, enquanto dava um último giro no ar e pousava no chão do salão.

– Não sou seu brinquedo. – Ron disse, mau humorado.

– Não, é meu namorado, e Malfoys não dividem.

Ron corou levemente.

– Você nunca me beijou.

– Quer que eu faça isso aqui? – Draco perguntou, sua boca tão perto da do ruivo que podia sentir o hálito dele se misturando com o seu.

– Por quê? Tem algo mais em mente?

– Claro. – Draco disse, segurando a mão do ruivo e arrastando-o para fora do salão, deixando boa parte dos alunos suspirando pela dança mais romântica que tinham visto em muito tempo, Hermione incluída.

– Oh, isso foi tão fofo, não acha Harry? – Ela questionou, cutucando o namorado, que ainda estava olhando para o ponto onde o mais novo casal da escola tinha estado.

– Sim, sim… – Harry disse, confuso. Por que desde que Draco tinha tirado para dançar ele sentia esse aperto no estômago? Seria um mau pressentimento?

X~x~X

Ron tentou evitar sua decepção quando Draco o arrastou para as masmorras, ele estava esperando uma surpresa romântica, como um piquenique noturno ou um passeio pelo lago, até a torre de astronomia, seria clichê, mas melhor que o salão comunal, mas Draco estava arrastando-o para o quarto deles, coisa que fez Ron ficar com um nó no estômago, Draco não estava pensando em… ele poderia, poderia?

– Hum… Draco, o que vamos fazer no quarto? – Ron perguntou.

– Com medo de que eu vá me aproveitar de você? – O loiro questionou, arqueando uma sobrancelha.

– Claro que não, só com medo de que tenha que azarar suas bolas até o fim da noite.

Draco fez um beicinho ao segurar a maçaneta do quarto dos dois.

– Eu tenho todo esse trabalho e você fica me ameaçando. – O loiro disse, com sentimentalismo ao abrir a porta.

Ele tinha feito um dos elfos arrumar um jantar romântico à luz de velas no quarto, que por ser nas masmorras e num período de frio intenso, estava frio mesmo com as magias de aquecimento. Ron sorriu imensamente e largou seu manto sobre sua cama, onde se sentou, Draco abriu o vinho e serviu aos dois.

– Você tem vinho de verdade? Está tentando me embebedar e me levar para a cama no primeiro encontro?

Draco revirou os olhos.

– Isso é vinho élfico suave, dificilmente alguém pode acabar bêbado com isso, e não vamos ter toda a garrafa. Agora, pare de se preocupar com a sua modéstia e aproveite o jantar.

Ron sorriu, dando um gole no vinho doce e decidindo que iria fazer exatamente isso. Ele esperou Draco beber também, só então agarrou o loiro pelo colarinho e o atraiu até ele, e seu auto proclamado namorado, sendo a boa serpente que era, não desperdiçou a oportunidade, sem pressa ou afobamento, aproximou seus lábios dos de Ron, mas sem realmente encostar no ruivo, ele sentia o hálito quente e doce do amigo se misturando com o seu. Podia sentir sob seus dedos como o coração do outro batia forte, exatamente como o seu, achou muito natural empurrar o peito de Ron, fazendo-o recostar-se em sua própria cama, no canto que tinha seu cheiro e era familiar como um lar. Nenhum dos dois se sentia ameaçado, observado ou nervoso ali, era natural, como respirar, por isso, Draco tomou um tempo passeando com seus lábios pelas sardas no rosto de Ron que tanto quis beijar por tanto tempo, fazendo o ruivo suspirar pela proximidade e pela intimidade do ato, os cabelos de Draco estavam fazendo cócegas em seu nariz, mas esse era um detalhe irrelevante. O mundo explodiu numa miríade de sensações para os dois jovens quando seus lábios se tocaram pela primeira vez, os lábios macios dos dois se amoldaram de maneira natural, Draco recostado sobre Ron, sentiu as mãos do ruivo apoiadas em suas costas, os dedos que acariciavam a linha de sua coluna se cravaram em seus ombros quando mordiscou os lábios cheios do ruivo suavemente, matando uma vontade que tinha há séculos.

– Já querendo me maltratar? – Ron murmurou, fazendo sua melhor carinha de inocente, sua boa ainda colada a de Draco.

O loiro não sabia que podia ser tão rapidamente afetado se Ron fizesse uma voz manhosa e uma carinha de anjo corrompido, sentiu uma onda de excitação esmagadora e se preparou para sair de cima do ruivo, mas o demônio ruivo tinha outros planos endiabrados, e com a segurança de quem segue um instinto natural, apoiou-se em seus cotovelos para com a ponta de sua língua delinear o contorno dos lábios de Draco, que o deixou livre com essa exploração, até que Ron começou a realmente sugar seu lábio inferior com certa gula, coisa que o fez reagir institivamente e pressionar seus quadris contra os dos ruivo, ao mesmo tempo em que capturava a língua atrevida de Ron, sugando-a com lentidão e deleite, saboreando o vinho e o gosto particular que era só do ruivo. Ron, logo devolveu sua iniciativa, enroscando sua língua com a de Draco, fazendo-as se movimentar no ritmo lânguido dos amantes. Os dois continuaram desse modo por um tempo que lhes pareceu eterno, até que Ron notou as pontas geladas dos dedos do loiro por baixo de sua camisa, acariciando suas costelas, lembrando-o de certas convenções sociais, ele afastou sua boca da do loiro, que não escondeu sua decepção.

– O quê? – Draco perguntou, confuso.

– Temos um jantar, e não sei se quero ser seu prato principal… talvez a sobremesa. – Ron disse piscando e empurrando o loiro de cima dele. – Hum… eu vou ao banheiro me refrescar.

Draco começou a rir quando se deu conta de que não só tinha tido seu primeiro beijo, mas sua primeira sessão de amassos com Ron numa mesma noite. Seu pai tinha razão, era uma questão de ajuste… e ele pretendia se ajustar muito mais, logo que sua respiração voltasse ao normal, e que certas partes animadas do seu corpo deixassem de ser inconvenientes.

X~x~X

Hermione mal podia conter o sorriso ao ler o Profeta naquele manhã, aliás ela tinha acordado Harry e alguns de seus amigos com sua felicidade muito extravagante para horas tão tempranas. Tudo tinha saído como planejado e o plano de Draco tinha dado certo, a imbecil tinha seguido a ela e Harry para fora da festa, pensando que os flagraria em ato ilícito, mal sabia que os dois usaram uma passagem secreta para despitá-la e que ela acabou entrando em sua forma animaga numa sala com onde McGonagall e Dumbledore estavam com os diretores estrangeiros, nem é preciso dizer que os feitiços de sigilo a barraram e que McGonagall usou um feitiço para retorná-la a forma humana. Hermione teria pagado para ver a cena da diretora de sua casa colocando Rita em seu lugar e a denunciando ao Ministério. Uma carta a Kingsley Shacklebolt tinha conseguido fazer com que ela fosse interrogada e soltasse que usava sua transformação para espiar as pessoas e obter notícias, agora, ela era o escândalo.

– Você está desfrutando muito disso… aliás, esse plano foi muito sly. – Harry disse, desconfiado, apesar de feliz por finalmente ter se livrado da bruxa, não por muito tempo, ele imaginava, mas pelo menos até o fim do torneio.

– Oh, coisas acontecem quando me junto com seu irmão. Ele é bastante engenhoso… me pergunto se ele já acordou ou se está enroscado com Ron ainda. – Ela disse, sorrindo.

– Ei! Eles só começaram a sair ontem. – Harry disse, estranhando seu próprio incômodo com a perspectiva.

– Eu sei, só estou brincando. – Hermione disse. – Não fique ciumento, eles não vão te abandonar só porque estão namorando. Vocês rapazes, sempre com medo de perder a atenção dos amigos, não é como se Ron não gostasse de voar atrás de bolas como vocês dois também. – Ela completou, revirando os olhos.

– Sim, você está certa. Não sei o que me deu. – Harry disse, aliviado por ter uma resposta racional para seu comportamento.

X~x~X

Ron acordou sorrindo, o que era raro, geralmente ele acordava com preguiça e de mau humor, mas teve que sorrir como um idiota quando se lembrou de como foi sua noite anterior. Draco tinha sido perfeito, apesar de não tê-lo dado mais nenhum beijo, aquele casto de boa-noite não contava, pensando no que deveria fazer sobre isso, ele olhou para a cama de Draco e decidiu que deveria cobrar de seu namorado beijos mais efetivos, com um feitiço para refrescar sua boca, para não fazer barulho indo até o banheiro, o ruivo escorregou de sua cama e se dirigiu a do loiro. Draco dormia pacificamente, apesar de sempre ter sido o madrugador, eles tinham ido dormir e o seu namorado, Ron estava gostando muito de repetir esse título mentalmente, precisava de oito horas de sono pelo menos ou ficaria insuportável. Claro, que Ron não estava preocupado com isso nesse momento, escorregou para baixo dos cobertores do loiro, adorando o calor do local, já que andar descalço pelas pedras da masmorra, mesmo que só alguns passos deixaram seus pés frios. Muito descaradamente, o ruivo colocou seus pés entre os de Draco, fazendo o loiro acordar quase que instantaneamente.

– Seus pés estão frios. – Draco reclamou, com os olhos semiabertos e voz sonolenta.

– É dever do meu namorado esquentar meus pés.

– Quem disse?

– Eu, nesse namoro vamos seguir minhas regras. – O ruivo disse, descarado e provocador. – Sou o mais qualificado para isso… já sabe, tive muita experiência com idiotas arrogantes lidando com Viktor.

Draco abriu os olhos rapidamente, perfeitamente alerta.

– E isso quer dizer? – O loiro perguntou, se esticando como que se preparando para atacar.

– Que tive dois pretendentes igualmente bonitos e arrogantes, só não sei se Viktor beija bem, talvez eu deva experimentar… e ele certamente não teria problemas com a regra de esquentar meus pés.

Ron sabia que Draco podia ser uma coisinha ciumenta e possesiva, mas não esperava que o loiro fosse tão rápido e forte o bastante para virá-lo na cama e ficar por cima dele.

– Eu já te disse: Malfoys não dividem. E eu sei o que você está querendo entrando na minha cama com essa carinha bonita amassada e todo charmoso.

– Sério? O que poderia ser? – Ron perguntou, mesmo que sem graça pelo elogio.

– Eu. – Draco disse, sorrindo, antes de juntar sua boca a do ruivo e encontrá-la refrescante como uma manhã cheia de orvalho. Ele estava certo, depois de tudo.

Ron não se importou com a arrogância do loiro, ele gostava de quase tudo sobre Draco, principalmente da maneira com que o loiro sugava sua língua, isso o fazia estremecer inteiro, e ele tinha certeza que seu namorado endemoniado tinha percebido isso na noite anterior. Draco era um provocador, sempre tinha sido e adicionar a intimidade física na relação dos dois era sumamente excitante, e novo. Quando o loiro se afastou, Ron sorria.

– É, pode ser que eu quisesse isso sim. – Ron disse, corando pelo que iria pedir a seguir. – Posso te tocar? – Pediu timidamente.

– Hum? Já estamos nos… ah! – Draco disse, entendendo o que o ruivo queria dizer e corando também. – Claro que pode… quer dizer, se quiser.

Ron gostou de ver Draco deslocado para variar, ele tinha sido o mais ativo na noite anterior, mas o ruivo tinha planos também, ele vinha fantasiando sobre isso há um bom tempo, por isso, começou a brincar com a gola do pijama do loiro.

– Eu sempre quis te tocar. – Ron disse, beijando-lhe o queixo. – A melhor parte de jogar quadribol era te ver só de toalha no vestiário, ou usando aquelas cuecas brancas apertadas, provocando todo mundo e mostrando seu corpo. – O ruivo pontuava suas palavras com leves mordidas no pescoço do loiro, ele queria testar e saber se Draco tinha um ponto fraco.

Draco começou a sentir-se muito quente, ele não sabia que seu doce Ronald podia ser tão… descarado, e ele estava gostando. Institivamente segurou sua respiração quando sentiu os dedos do ruivo desabotoarem seu pijama expondo seu peito, o ar frio do quarto não o incomodou naquele momento.

– Hum, acho que não estou à vontade por baixo agora. – Ron disse, reflexivo, fazendo Draco se deitar de costas e se sentando descaradamente nos quadris do namorado.

Draco teve alguns segundos de sanidade para pensar que deveria pedir mais conselhos para seu pai sobre essa coisa de namorar, mas isso tudo foi para o inferno quando sentiu os lábios de Ron beijando seu peito e seus dedos acariciando sua barriga tonificada. O loiro praticamente ronronou quando Ron, depois de algum tempo de hesitação, começou a acariciar seus mamilos, que endureceram em resposta aos toques do ruivo.

– Os meus também são bastante sensíveis. – Ron confessou, começando a beliscar um dos montículos de carne, gostando de ver Draco estremecendo de prazer. – Não como você, infelizmente.

– No meu ajuste eu não podia usar uma camisa. – Draco contou.

Então Ron teve uma ideia que o fez se sentir decadente, sem muito pudor, se inclinou e beijou o mamilo com que tinha brincado, gostando de ouvir Draco gemer e empurrar seus quadris para cima, provocando sua ereção crescente também. O loiro agarrou os lençóis fortemente quando Ron começou a sugar o seu mamilo cuidadosamente, provocando com a língua e mordiscando-o.

– Desgraçado. – Draco grunhiu, se sentindo excitado e exposto, mas adorando cada segundo.

Ron riu contra seu peito, feliz por ser quem estava vencendo aquele combate imaginário. Claro, um Malfoy não gosta de perder, nunca, e Draco estava cansado de ser provocado, ele agarrou os quadris de Ron, puxando o namorado até que sua bunda estivesse encaixada sobre sua ereção, coisa que fez o ruivo soltar seu mamilo e corar furiosamente.

– Draco? – O tom do Ron era mais de curiosidade que de advertência, coisa que incentivou o loiro.

Draco girou novamente, colocando Ron debaixo dele e fazendo-o abrir as pernas levemente, seguindo seus instintos mais básicos, o loiro encaixou-se entre as pernas do ruivo, fazendo com que suas ereções estivessem pressionadas uma contra a outra, coisa que fez Ron ofegar de tesão. O tecido fino de seus pijamas era uma barreira quase inexistente, e foi o ruivo quem incitou Draco a se mover, friccionando seu membro endurecido contra o do namorado. Apenas as respirações aceleradas e os gemidos ocasionais podiam ser ouvidos no quarto, e rapidamente Draco cedeu, se liberando em suas calças caríssimas, pouco antes de Ron, que se pressionou com força contra sua pélvis enquanto gozava também. Draco escondeu seu rosto na curva do pescoço do namorado, pensando que nada podia ser mais perfeito que isso.

– Acha que teria sido melhor se estivéssemos sem pijamas? – Ron perguntou, distraído demais em sua nuvem de prazer para perceber o que estava insinuando.

Draco não aguentou e começou a rir, fazendo seu namorado corar fortemente e tentar sair debaixo dele, terrivelmente embaraçado.

– Oh não, não faça isso. Eu não estou rindo de você.

– Eu não sou fácil. – Ron murmurou, constrangido.

– Eu nunca disse isso. – Draco disse. – Eu estava feliz demais pensando em como sou sortudo por ter um namorado tão honesto, seria muito mais difícil se você não fosse sincero sobre o que gosta ou não.

– Então… seria uma boa hora para dizer que quero um banho? Ficar todo pegajoso não é romântico. – Ron disse, fazendo uma careta.

Draco riu de novo ao mesmo tempo em que batiam na porta, fazendo Ron dar um grito assustado se cobrir, mesmo que ele ainda estivesse de pijama completo. Severus não demorou a abrir o trinco e entrar no quarto, olhando criticamente para os dois jovens na cama.

– Seu pai quer falar com você, Draco. E pelo grito de Ronald, imagino que terei que dizer-lhe que os dois precisam de conversas sobre controle de natalidade. – A voz de Severus era um misto de diversão e seriedade.

Ron queria sumir num buraco no chão, e Draco ficou da cor de um tomate.

– Sério, padrinho, não faça isso.

O sorriso de Severus ao sair fez os dois terem certeza de que ele faria.

X~x~X

Lucius não conseguia afastar o mal pressentimento que tinha sobre a última prova do Torneio, era mais visceral e incômodo do que as duas anteriores.

– Preocupado que eu vá perder para o Cedric? – Harry provocou, depois de ver o nervosismo do loiro.

– Meu filho perdendo para um Huffle? Não nessa vida. – Lucius respondeu. – Só não gosto de labirintos.

– Tenho bom senso de direção.

– Você se perde na mansão, Harry, e cresceu lá. – Draco disse, entrando na antessala de Remus. – É uma reunião de família? Onde está o pai Remus?

– Estava pesquisando, filhote. – Remus disse, franzindo o nariz fortemente quando entrou na sala segurando um livro. – Achei um feitiço para Harry usar na última prova, eles vão duelar num labirinto.

– Oh, algo como Ariadne usou para ajudar Teseu? – Draco perguntou.

– Sim, algo como isso?

– Por que estamos falando de mitologia grega? – Harry perguntou confuso. – Hermione adora os mitos trouxas, mas…

– Às vezes eu me pergunto se joguei galeões fora com seus tutores, Harry. – Lucius disse, olhando feio para o filho. – Ariadne era uma bruxa poderosa, assim como Dédalo, que construiu o labirinto.

– Harry é melhor com força bruta, papai. – Draco disse, sorrindo. – É por isso que ele precisa do nosso suporte.

– Certo… vá treinar com o Weasley dos dragões. Ele eu sei que você escuta. – Lucius disse.

– Mas Charlie é pior que Severus algumas vezes. – Harry choramingou. – Ele me fez repetir os movimentos de varinha dos feitiços para contenção dos dragões até meu pulso doer.

– Gosto dele, acho que deveria contratá-lo. – Lucius refletiu.

Remus riu da cara indignada de Harry.

– Leve este livro, ele vai saber o que fazer.

– Está bem. – Harry disse, dramaticamente, mas antes de sair sorriu para Draco. – Obrigado por lidar com aquele inseto jornalístico, irmão mais velho.

Draco deu de ombros, lisonjeado.

– Granger fez umas coisinhas também. – Ele reconheceu, magnânimo.

– Exibido… a parabéns por finalmente beijar o Ron. Espero que não tenha babado demais.

– Eca! Eu sou um beijador muito bom. – Draco protestou, irritado, mas Harry já saía rindo dele. – Harry é muito rude. – Draco reclamou, pegando uma xícara de chá.

– Rude seria te dizer que não importa se você tomou banho, ainda posso sentir o cheiro de sexo vindo de você. – Remus disse, com diversão evidente.

Draco se engasgou com o chá.

– Sexo? – Lucius perguntou ao companheiro.

– Não olhe para mim, pergunte ao filhote. Aliás, tenho que dar uma aula para o primeiro ano, se divirtam. – Remus disse, saindo apressado.

– Ah… hoje não é meu dia. – Draco reclamou, a perspectiva de explicar o que tinha acontecido a seu pai não era atrativa.

– Vamos lá, não pode ter sido tão trágico assim. Seu desempenho melhora com a experiência. – Lucius zombou, adorando provocar o filho. – É perfeitamente normal ser tão rápido nas primeiras vezes.

– Papai! Não é isso. – Draco disse, tentado a puxar seus cabelos por puro desespero.

X~x~X

Peter odiava Bellatrix, mas a temia até mais do que ao Lorde, por isso não reclamou nada quando ouviu qual seria sua parte no plano dela.

– Claro, estou profundamente honrado em ajudar a trazer nosso mestre de volta.

– Esse é o espírito, ratinho insignificante. – Ela disse, sorrindo insanamente. – Ainda bem que é mais inteligente do que alguns.

Claro que ele não diria não, tinha acabado de ver como ela torturava o pocionista russo até a morte por se recusar a ser um dos componentes para a ressureição do Lorde.

– Pare de assustá-lo, Bella, ainda temos mais o que aprontar para a grande noite. – Seu marido disse, mais racional que a esposa.

– Mal posso esperar, isso vai ser tão divertido! – Ela disse, beijando o marido apaixonadamente. – Ele vai voltar e vamos limpar o mundo mágico de uma vez por todas.

Notas finais
E então? O que acharam? Me digam.