Um Novo Caminho
30 Desfechos Pt. 2
Notas iniciais
Harry nunca admitiria em voz alta, principalmente perto de seus pais, mas a última prova do Torneio Tribuxo o deixava animado. A ideia de ter que entrar no labirinto e lutar pela taça contra seus oponentes era excitante, ele sabia que seus pais estavam preocupados com um possível ataque dos comensais fugitivos, mas ele não acreditava em tal coisa, mesmo porque, quem seria insano o bastante para atacá-lo na frente de meio mundo mágico? Isso sem falar que seu padrinho tinha colocado metade dos aurores existentes e aposentados na segurança, não, ele pensou, hoje seria apenas um dia para experimentar com todas as aulas de combate que teve com Charlie, Lucius e Sirius, seria divertido.
– Por que está sorrindo? – Cedric perguntou a seu lado.
– Porque eu vou ganhar de você! – Harry disse, alegremente. – E vai ter que dizer pra sua namorada que perdeu pra mim, e que eu sou o verdadeiro campeão de Hogwarts, e que ela deveria ter saído comigo.
Cedric sorriu e se inclinou para o rapaz mais novo.
– Ou eu só poderia oferecer a mim mesmo como recompensa para nosso adorável campeão, e ser seu amante escandaloso?
Harry corou até a raiz dos cabelos e começou a gaguejar, sem saber como responder a isso.
– Rita iria amar. Na verdade, tenho certeza de que ela vai dizer que sou seu amante e que Hermione nos propôs um trio na próxima edição. – Cedric completou, sorrindo de orelha a orelha por ter vencido as provocações.
Harry socou-o no ombro.
– Você é um idiota.
– Não me culpe, você começou, Cho ainda me amaria mesmo que eu perdesse. – Cedric disse, com um olhar apaixonado. – O que não vai acontecer, baixote.
– Ei! Eu tenho uma altura normal. – Harry disse, irritado.
– Claro, por isso todos são mais altos que você. – Cedric disse, rindo mais ainda quando Harry fez um beicinho. – Ah, vamos lá, você vai crescer logo.
Harry cruzou os braços e ficou resmungando sobre amigos malvados e valentões, era uma imagem muito bonita na opinião de seus pais na arquibancada.
– Só seu filho poderia passar tanto tempo confraternizando com o inimigo, que por acaso é um Hufflepuff. – Lucius disse, revirando os olhos e baixando o binóculo.
– Por que eles são sempre meus filhos quando você está irritado com algo que eles fizeram? – Remus perguntou, divertido.
– Porque obviamente tiram essas ideias horripilantes da sua má influência. – O loiro explicou, calmamente.
– Sério? E sobre aqueles feitiços que peguei Harry praticando? Aqueles altamente suspeitos?
– Não sei nada sobre o assunto, pergunte ao rapaz Weasley dos cabelos bonitos. – Lucius desconversou, fazendo Remus rosnar levemente.
– Andou olhando demais para os cabelos do Bill, não acha?
– Não só os cabelos. – Lucius provocou.
– Você vai pagar por isso… lentamente e muitas vezes. – O lobo prometeu junto a orelha do loiro e fazendo-o estremecer de antecipação.
– Será que podiam não fazer isso em público? – Draco pediu, chegando até onde eles estavam, agarrado na mão de Ron.
– Não estávamos fazendo nada. – Lucius disse. – Ao contrário de um par de jovenzinhos que foram pegos por Severus fazendo coisas indevidas na biblioteca.
Ron ficou exatamente da cor de seus cabelos, coisa que fez Lucius sorrir enormemente.
– Eu te disse que ele ia contar. – Ron disse ao namorado, acusadoramente.
– Era um beijinho de nada! – Draco protestou veementemente, se sentando. – Tanto que ele nem nos tirou pontos ou nos castigou, papai só está tentando te embaraçar, não dê atenção.
– Eu não sou fácil. – Ron murmurou.
Lucius perdeu o sorriso, arrependido da brincadeira ao ver o rapaz tão mortificado.
– Draco, troque de lugar com Ron, quero falar com ele. – O loiro demandou, desconfiado do que causava o desconforto do rapaz.
Draco obedeceu, nunca era bom ignorar uma ordem de Lucius dita naquele tom de voz.
– Remus, garanta nossa privacidade, por favor.
– Claro, amor. – O lobisomem disse, sacando sua varinha e lançando um feitiço de silêncio ao redor dos dois, possibilitando uma conversa particular no meio da arquibancada, e dando de ombros ao ver como Draco o encarava. – Não olhe para mim, eu não leio os pensamentos do seu pai.
Draco deu um suspiro frustrado, sem saber o que seu pai estava falando com seu namorado, que parecia realmente constrangido, sem poder fazer nada, o loiro apenas voltou a agarrar-lhe a mão.
– Vocês dois são tão bonitinhos juntos que sempre tenho vontade de provocá-los, peço desculpas pelo meu comentário, foi altamente inadequado.
– Não foi nada, não deveria ter deixado o idiota me beijar na biblioteca.
– Deveria sim, e no armário de vassouras, e atrás das estátuas, em qualquer lugar desse castelo. – Lucius disse. – O que sua mãe disse sobre portadores não é verdade.
Ron ficou da cor de seu cabelo novamente, tentando lidar com o fato de que Lucius tinha adivinhado o motivo de seu acanhamento, coisa que nem Draco tinha feito.
– Mas… não temos que…
O homem mais velho suspirou, muito tentado a ter uma conversa com Molly, a mulher nunca parava de enfiar caraminholas na cabeça dos filhos?
– Pode me perguntar o que quiser, Ron.
– Ela diz que como sou um portador tenho que me comportar para não ser… uma puta.
– Não tem nada de errado em beijar seu namorado em público ou ter intimidade com ele quando estão sozinhos. Não precisa se casar virgem se não quiser, ninguém com dois neurônios vai pensar mal de você por isso, desde que se sinta confortável com o que está fazendo com Draco, deve continuar experimentando. É perfeitamente normal na sua idade sentir tanto desejo, são os hormônios. Não é algo ofensivo ou da conta de ninguém.
– Nem para as tradições dos sangue puro?
– Não. É verdade que tendemos a namorar pouco, já que os casamentos geralmente são arranjados e a discrição sobre arranjos fora do casamento, ou noivado, é apreciada, mas não temos uma restrição sobre sexualidade, isso é uma invenção dos trouxas. Eles eram divertidos até inventarem o pecado. – Lucius disse, fazendo uma careta. –O importante é se divertir, não o deixe te pressionar para fazer nada que não se sinta confortável.
– É do Draco que estamos falando, ele acha que sou feito de cristal. – Ron disse, sorrindo. – Ele é extremamente cuidadoso e gentil.
– Bom. – Lucius disse, cutucando Remus, que retirou os feitiços. – Agora, vamos ver meu filho vencer esse bando de incompetentes.
Draco balançou a cabeça.
– É, vamos torcer pra sorte dele ainda estar funcionando bem, eu odiaria que ele disparasse um feitiço nele mesmo e isso fosse parar nos jornais. – O loiro disse, fazendo com que todos rissem, Harry tinha feito algo do tipo numa sessão de treinamento e Draco nunca o deixaria esquecer disso.
X~x~X
Harry olhou para Cedric, sorrindo e balançando sua varinha.
– Então, eu acredito que só sobramos nós.
– Grande dedução, tampinha. – Cedric respondeu. – É agora que devemos duelar até a morte?
– Prefiro deixar os diretores verdes de raiva, ganharíamos os dois se pegamos a Taça ao mesmo tempo, certo?
– Sim, gostei da sua ideia, Potter. – Cedric disse, sorrindo. – Mesmo porque, meu pai veio me ver, e ele odiaria saber que ando batendo em crianças.
– Ei! Não me faça mudar de ideia, seu idiota. – Harry riu, pensando na cara que Lucius faria ao saber que ele decidiu fazer um acordo para empatar com Cedric. – Meu pai é um slytherin que provavelmente vai me acusar de causar-lhe um pequeno infarto com isso aqui.
– Oh, irritar Lucius Malfoy é um bônus, ele vive irritando meu pai também.
Harry deu de ombros.
– É uma característica familiar, agora, que tal pegarmos essa taça? Quero os louros da vitória, eu ouvi que ser um campeão pode me fazer muito popular com as garotas.
– Eu vou dizer para sua namorada, aquela com um gancho de direita fenomenal. – Cedric disse, com um sorrido fácil.
– Oh, e eu vou dizer a Cho que você me seduziu na banheira dos prefeitos.
– Mas eu não fiz isso! – O rapaz mais velho disse.
– Huffle tolinho, eu cresci sentado nos joelhos de Lucius Malfoy enquanto ele negociava com meio mundo mágico, posso fazer sua namorada acreditar que tirou toda minha inocência e me largou. – Harry disse, com um sorriso malicioso. – Agora, me alcance velhote.
– Inocência? De onde?
Cedric estava rindo quando começou a correr com Harry até a taça, as risadas ecoavam no labirinto, alegres e despreocupadas, isso é, até que tocaram o metal ao mesmo tempo, então, tudo virou um borrão de medo e escuridão.
X~x~X
Harry acordou com uma tremenda dor de cabeça, isso era um efeito comum depois de ter sido vítima de um desmaius potente e um enervate em seguida. Abriu os olhos lentamente, já sabia que estava preso por algo envolvendo seu dorso, mas estava suspenso, já que seus pés balançavam no ar. Levou alguns segundos para focar na mulher com sorriso demente a sua frente.
– Como Narcissa tem uma irmã com um cabelo tão pavoroso, só Merlin sabe. – Harry soltou, sem se preocupar em seguir os conselhos de Lucius para agir humilde e docemente se um dia se deparasse com Bellatrix.
A mulher sorriu ainda mais largamente, seus dentes não eram uma visão bonita depois de tantos anos em Azkaban, tinham manchas e cáries horríveis.
– Eu não vou comentar sobre esses dentes porque fui ensinado a ser gentil… mas sério, uma poção consertaria tudo isso.
Harry a viu girar a varinha, ainda com um sorriso lunático no rosto, ela começou a cantarolar, seu corpo se movendo com a melodia, e o rapaz começou a duvidar da fama da mulher, ela era só louca, bem, pelo menos foi isso que ele pensou até que ela praticamente cantarolou um crucio nele. A garganta de Harry ardia dos gritos, a dor que tinha sentido ainda ecoava em seus ossos, quando pôde respirar normalmente se deu conta de que Bellatrix estava muito perto dele, a varinha pressionada firmemente em sua bochecha.
– Quanto tempo pensa que foi? – Ela perguntou, sorrindo. – Garanto que pensa que foi muito tempo, talvez um quarto de hora ou mais, certo? Mas só foram dois minutos, aprendi a desfrutar mais depois que enlouqueci aquele par de idiotas, ah, mas só de me lembrar da expressão vazia na cara dos Longbottom… valeu cada ano na cadeia. Só um pouco de compensação por você ter feito meu Lorde partir.
– Você é louca. – Harry disse, sua voz saindo irregular devido aos gritos fortes. – Uma louca obsessiva com um mago que foi morto por uma criança! Seu precioso Lorde não passa de um inseto, ele não pode vencer uma criança!
A expressão feliz da mulher sumiu, Harry viu seu semblante fechar e seus olhos escurecerem.
– Você é o inseto de sangue ruim aqui… filho de uma alpinista e um traidor do sangue, você não é nada! Você não tem o direito de falar sobre ele! Ele era muito mais digno e poderoso do que você jamais será! – Ela gritou, possessa.
– Já que não tem ninguém aqui para me repreender por meu vocabulário, tia Bella… – Ele disse, provocativo, se ia morrer pelo menos teria irritado a vadia. – … vou ser sincero, você soa como uma puta sentindo falta do cafetão violento, seu marido sabe que fica toda animada com Voldemort? Oh, espera, pelo que ouvi ele pode gostar de ser a cadelinha do desgraçado também.
A risada dessa vez não veio de Bellatrix, o que fez Harry olhar a seu redor e perceber que estava num cemitério. Dois homens estavam afastados da árvore onde ele estava preso, um deles recostado preguiçosamente numa lápide enorme, era o que estava rindo.
– Sério, o garoto tem a língua de Lucius, é hilário. – Rabastan disse. – Suponho que a genética não forme caráter depois de tudo.
– Ele pode falar como Luc, fingir ser arrogante e frio como ele, mas sabe como diferenciamos um gryffindor imbecil de um verdadeiro puro sangue? Só precisamos fazê-los implorar como uns bebezinhos sem honra. – Rodolphus disse, andando até um canto escuro, de onde arrastou o corpo inconsciente de Cedric.
– O que está fazendo? Deixe-o em paz, ele não tem nada a ver com isso! – Harry voltou a gritar, a dor em sua garganta e corpo esquecidas.
– Viu só, irmãozinho? Já começou. – O mais velho riu, olhando para sua esposa, que tinha os olhos brilhando. – Se importa, amor? Você sabe, torturar gryffindors não tem graça, eles tem essa mania de resistir e superar, mas fazê-los assistir enquanto me divirto com o amiguinho?
– Sim, sim, sim! – Bella disse, dando pulinhos. – Harry vai assistir, porque toda vez que ele desviar o olhar ou fechar os olhos você vai quebrar um osso do amiguinho… ou cortar os dedos, você decide querido.
– Não! Não faça isso! Ele…
Harry não podia falar devido a uma mordaça que Bellatrix invocou sobre sua boca.
– Vamos nos divertir enquanto nossos outros amigos não chegam, nosso querido sr. Potter precisa estar conosco para ver nosso mestre retornar, mas esse texugo irritante não passa de diversão. – Ela disse, seus olhos assustadoramente sãos, nenhum vestígio da loucura saltitante. – É hora de começar a pagar.
Harry queria poder gritar quando Cedric acordou com um enervate, queria poder dizer que sentia muito enquanto assistia seu amigo ser torturado por Rodolphus e Bellatrix, queria poder desviar o olhar, fechar os olhos e tentar não ver… porque ele tinha certeza de que se lembraria dos gritos e do sangue do seu amigo pelo resto da sua vida.
X~x~X
– Vocês dois precisam se acalmar! – Sirius gritou, fazendo Lucius e Remus pararem de gritar um com o outro e com o Ministro. – Obrigada pela atenção, não foi culpa de nenhum dos dois, e apesar de eu me sentir inclinado a arrancar a pele do Ministro eu mesmo, temos que nos focar em encontrar Harry.
– Como acha que isso é possível? – Lucius perguntou, à beira de um ataque histérico. – Eles o levaram com a porra de uma chave de portal, ele pode estar na China! E eu não posso rastreá-lo, porque as regras imbecis do Torneio sobre artefatos mágicos me fizeram tirar os anel da família que ele usava com o feitiço de rastreamento, e não vamos nos esquecer de que Bellatrix tem o melhor especialista em feitiços de camuflagem e anti-rastreamento de que temos notícia! Rabastan podia fazer com que ele estivesse na sala ao lado e irrastreável para a maioria dos feitiços. – O loiro gritou, com lágrimas de ira escorrendo por seu rosto atordoado.
– Eu sei, mas não podemos entrar em pânico. Meus aurores estão interrogando Igor Karkaroff agora mesmo, se ele souber o que aconteceu, vamos poder ir atrás do Harry.
– Por que Karkaroff? E por que você não o está interrogando? – Remus perguntou, sua voz rouca, seus olhos amarelados ao extremo, o lobo estava no limite.
– Os aurores seguem regras fielmente, uma delas é que não podemos espancar ou torturar os suspeitos, dizem que faria de nós pessoas más. – Sirius zombou. – E bem… o motivo foi porque Severus mandou.
– Então, causa provável não é um problema, mas tortura sim? – Lucius perguntou.
– Ele tem a marca, excluindo você e Severus, é causa provável suficiente para a Corte.
– Claro. – O loiro disse amargamente.
Severus se aproximou, suas vestes esvoaçando atrás dele.
– Seu filho e o namoradinho deram um enorme trabalho, tive que trancá-los no salão comunal… e Minerva teve o mesmo problema com a senhorita Sabe-Tudo.
– Por que está tão malditamente calmo?! – Lucius perguntou, ele estava praticamente tendo um ataque de nervos.
– Por que eu me preocuparia? Se Bellatrix levou Harry ela vai mantê-lo vivo, se não for porque deseja dá-lo de presente ao Lorde será porque é uma sádica que sabe perfeitamente como torturar alguém por horas.
– O Lorde não está de volta. – Lucius disse.
– Não, mas a cada objeto que destruímos o deixamos mais perto do mundo material para uma invocação, ela é insana e tem uma obsessão pouco natural com ele, aposto minha mão direita em que ela vai trazê-lo de volta hoje. E nesse caso, quando nossas marcas queimarem, vamos até lá e arrancamos a cabeça da vadia.
– Soa como um plano pra mim. – Lucius disse, acariciando sua bengala, onde estava sua segunda varinha.
– Mas… e Voldemort? Vocês dois estão insanos? – Sirius rosnou.
– Eu pretendo que meu marido auror vá direto atrás de mim, afinal, ele pode fazer isso porque nos ligou numa cerimônia pomposa e cheia de magia vinculativa. Nem mesmo o Lorde pode lidar com um ataque dessa magnitude, ele é forte, mas não é Merlin. Bellatrix não pode ter reunido uma força considerável, ela conta com a volta do Lorde para reunir os comensais.
– Vou chamar meus rapazes e montar um plano para quando…
Sirius não terminou de falar, porque Lucius e Severus agarraram seus braços grunhindo de dor.
– Vamos logo, ele não pode ter tempo de matar meu filho! – Lucius disse, desaparecendo quase no mesmo instante, seguido por Severus.
– Vamos atrás deles! – Remus gritou, obviamente descontrolado.
– Primeiro tenho que chamar os aurores, espere aqui! – Sirius disse, saindo correndo.
X~x~X
Assim que sua essência voltou a seu corpo, Lorde Voldemort se sentiu estranho. Depois de anos vivendo num limbo brumoso, onde não podia sentir ou concatenar pensamentos por um longo período, ele podia sentir novamente. Ignorando as exclamações de surpresa e júbilo das pessoas, ele olhou para suas mãos, jovens, rijas e pálidas, ele tinha voltado melhor do que esperava, e totalmente nu, claro.
– Bella, minha querida, imagino que tenha providenciado minhas roupas e minha varinha. – Ele disse com voz preguiçosa, claro que tinha sido sua seguidora mais fiel a trazê-lo de volta.
– Sim mestre, claro mestre! – Ela sibilou, entregando-lhe os itens requisitados.
– Rodolphus e Rabastan, tão bom vê-los… oh, Bella, que menina má, arrancou a mão do nosso rato. – Ele riu, e olhou para o túmulo do pai. – E usou os ossos do velho maldito, o que torna esse rapaz me olhando com ódio em Harry Potter, estou certo?
– Sim senhor, o deixei vivo para que pudesse matá-lo. – Ela disse, alegremente, rodopiando e batendo palmas.
Harry sentiu o sangue pingando de seu braço, local onde Bellatrix cortou uma de suas veias com um punhal de prata e colheu seu sangue para o ritual. Ele estremeceu quando o homem se aproximou dele, em seus pensamentos, Voldemort era sempre um ser monstruoso, nada parecido com o homem de uns quarenta anos com bonitos cabelos castanhos e porte arrogante que se aproximou dele.
– Você tem os olhos da sua mãe, já te disseram isso? – O homem perguntou, com um sorriso cruel.
A resposta de Harry foi algo que fez com que todos os bruxos do local exclamassem chocados. O jovem cuspiu no rosto do Lorde das Trevas.
– Você tem olhos de um louco assassino.
– Seu pequeno pedaço de…
– Oh, fique quieto Peter, sua voz ainda me irrita. – Voldemort disse, limpando seu rosto num lenço que convocou. – Agora, penso que é hora de reunir meus comensais, alguns deles me devem explicações… ou vão pagar. Lucius vai ter que me dizer como diabos criou um selvagem que cospe nos outros, talvez eu o castigue por isso.
– Deixe meu pai em paz! Se tocar na minha família de novo eu vou te matar.
O Lorde ria da pirraça da criança enquanto apontava sua varinha na marca de Bellatrix, os primeiros que apareceram foram efetivamente Lucius e Severus, sem máscaras ou vestes apropriadas. O loiro parecia insano e sem perder tempo atacou Rabastan e Rodolphus com bombardas potentes, que os enviaram desacordados para o meio dos túmulos. Bella gritou e armou sua varinha, mas seu ataque ao loiro encontrou um escudo preparado por Severus.
– Parem com isso, agora mesmo. – Voldemort disse, numa voz que não admitia contestações.
Seus três comensais pararam de atacar, ao mesmo tempo em que ouviam a aparição de outros, propriamente usando trajes e máscaras, antes que o Lorde pudesse falar novamente, mais sons de aparição, dessa vez eram os aurores, coisa que desatou um pandemônio. Remus não perdeu tempo em ir até Harry, arrancando os galhos que o prendiam com as mãos nuas, sua força estava aumentada, seus olhos animalescos e suas unhas transformadas em garras, seu lobo não estava feliz que seu filhote estava sangrando, colocar Harry em segurança era a prioridade, então, quando o pegou, Remus amaldiçoou pelo escudo anti-aparição que o impediu de colocar Harry em segurança.
– Black! Cachorro imprestável, Remus tem que tirar Harry daqui! – Lucius bramou, enquanto atacava outro comensal.
– Eles não podem escapar! – Sirius respondeu, tentando parar Bellatrix, que girava em seus pés com uma graciosidade mortal, ela não duvidava em usar a maldição mortal em seus companheiros aurores.
Voldemort estava com uma tremenda dor de cabeça, sem paciência, e certamente não reestabelecido o suficiente para lidar com tantos aurores qualificados, mais Lucius e Severus, ao que parece, ele desfez a barreira.
– Vamos embora. Feridos e corpos devem vir também. – Disse simplesmente e desapareceu, seus comensais o seguiram em instantes.
A cena que ficou era triste, mas não devastadora. Harry viu Sirius se aproximar e checar os sinais vitais de três aurores, todos mortos.
– Cedric está ali. – Harry disse, apontando para um túmulo aberto. – Bellatrix o fez pensar que ia ser enterrado vivo antes de matá-lo, ela jogou um monte de terra depois que Rodolphus e Rabastan o torturam… eles podem fazer do jeito muggle também.
Lucius rilhou os dentes, mas não podia se aproximar muito. Harry estava sendo abraçado ferozmente por Remus, que ainda estava fortemente afetado pelo instinto do lobo.
– Amor? Eu preciso que me deixe pegar Harry. – Lucius pediu, com voz suave. – Precisamos levá-lo para a mansão, ele está em choque.
Remus assentiu, ainda abalado pelo que tinha visto, ele esperava que não tivessem que lidar com isso muito frequentemente. Ele odiava batalhas. Num piscar de olhos eles estavam na mansão, Lucius não pôde cuidar corretamente de Harry, correu para ajustar as proteções ao máximo, Malfoy Manor acabava de se tornar uma fortaleza.
X~x~X
– Mandou me chamar, meu senhor?
Lord Voldemort estava realmente mais bonito do que ela se lembrava, e parecia mais lúcido, pelo menos não estava mais murmurando e trêmulo como da última vez que o vira.
– Tenho uma dor de cabeça infernal e Severus não está aqui para me fazer uma poção. – Ele reclamou, recostado na cama, com um braço sobre os olhos, apesar de ter sua varinha firmemente apertada nas mãos. – Há uma festa irritante no meu esconderijo, que um dia foi calmo… e alguns dos meus comensais preferidos me atacaram não faz muito tempo, então, claro, mandei te chamar porque é esposa de um traidor.
– Ex-esposa na verdade. – Ela disse.
– Um divórcio? O que diabos andaram fazendo enquanto eu estava meio morto? – Ele perguntou, muito suavemente.
– É uma longa história.
– Eu tenho tempo, e lembre-se, ainda posso ler sua mente, então, não se atreva a mentir.
Narcissa estremeceu, ela já tinha visto no salão como a habilidade do Lorde para uma boa cruciatus não tinha diminuído com o tempo. Ela sentou e se preparou para dar um relatório completo dos acontecimentos recentes, tanto na política quanto na vida dos comensais.
X~x~X
Percy não podia acreditar no mau movimento que o Ministro estava fazendo, mas claro que não diria na frente do Chefe dos Aurores e dos representantes do Wizengamot e dos Departamentos envolvidos no assunto. O assistente esperou até que só restassem ele e o Ministro no gabinete para dar voz a sua revolta.
– Isso é um absurdo! Não pode esconder da população que ele voltou!
– Não podemos criar pânico injustificado, só Merlin sabe o que poderia acontecer.
– Você vai ser crucificado em praça pública quando essa mentira cair por terra, e o pobre rapaz… morto num acidente? Ele passou por um inferno antes de morrer, ele merecia no mínimo que alguém dissesse sua história.
O ministro caiu em sua cadeira, parecendo muito cansado, ele e os assessores tinham tido essa reunião mal o sol raiara, coisa previsível devido aos acontecimentos da noite anterior. O Torneio Tribruxo tinha sido um fracasso retumbante para as relações públicas e para a segurança do mundo mágico.
– Isso é infeliz, mas é o melhor caminho a ser tomado. O Ministério tem que ser forte nesse momento, temos que…
Alguém bateu na porta, interrompendo o Ministro.
– O que é? – Percy gritou.
– Sinto muito, mas senhor… Harry Potter voltou a escola para pegar suas coisas e deu no rádio que ele disse a todos que Voldemort voltou, que matou o rapaz dos Diggory. – Informou um dos funcionários do Departamento de Relações Públicas.
– Mantenha o plano, negue… diga que o rapaz ficou perturbado pela morte do amigo e está confuso, é compreensível. – O Ministro disse. – O que está esperando? Vá logo.
– Sabe o ditado sobre não fazer cócegas num dragão adormecido? – Percy perguntou, depois da saída do homem. – Você o está cutucando com uma lança. Lucius Malfoy não é um inimigo que você queira ter.
– Ele é só um homem. – Fudge teimou.
X~x~X
Harry e Draco não podiam ficar na escola, Lucius tinha sido irredutível, os dois terminariam de estudar aquele em casa, e só iriam a escola prestar as provas, não era como se ainda tivessem muitos dias, mas isso incomodou ao loiro, já que Harry ainda não estava bem o bastante para brigar para ficar no castelo. O rapaz ainda estava muito abalado pelos acontecimentos e preferia sua cama na mansão à torre, onde todos o olhavam como se tivesse uma doença contagiosa depois de um artigo do Ministério chamando-o de insano e mentiroso. Draco não sabia como ajudar, optou por não fazer alarde, como Remus era professor teria que ficar na escola, então, só estavam os três em casa. Harry jogado na cama, parecendo miserável com um braço sobre os olhos.
– Meu padrinho disse que o Ministério quer esconder sobre a volta dele, que não querem causar pânico.
– São uns idiotas. – Harry resmungou. – Pânico vai haver quando aquele bando de lunáticos começar a atacar novamente… o que eles fizeram não era coisa de gente normal, Draco.
– Eu sei, eles são desequilibrados. – O loiro disse. – Eu sinto pelo seu amigo… vai ir ao enterro?
– O pai dele… ele não me quer lá. Mandou um gritador hoje de manhã, ele acha que é minha culpa, que é perigoso ficar perto de mim.
Draco imaginava que era por isso que seu pai estava tão irritado, esse tipo de ataque a Harry estava ficando comum, as pessoas não queriam imaginar que seu pesadelo de anos atrás poderia voltar. Essa mania de ver o mundo com lentes cor de rosa para fugir dos problemas sempre foi o ópio do povo.
– Ele é um idiota, mas você não. Não perca tempo se culpando, sabe exatamente quem torturou e matou seu amigo, diga-me. – Draco pediu num tom de voz demandante.
– Bellatrix, Rodolphus e Rabastan. – Harry disse, olhando para o loiro.
– Novamente.
– Bellatrix, Rodolphus e Rabastan.
– De novo.
– Bellatrix, Rodolphus e Rabastan. – Harry entoou como um mantra.
– Isso, repita os nomes, grave-os na sua cabeça, planeje e quando for a hora se vingue, não perca tempo com culpa e remorso, Harry, eles são serpentes, é isso que eles usam contra você.
– Eu vou pará-los, juro que eu vou. – Harry disse, decidido. – Esse parece ser meu destino, afinal de contas.
– Seu destino é estudar para as provas finais. – Lucius disse, entrando no quarto com livros nos braços. – A guerra não é para adolescentes, aqui, tem que estudar ou o lobo sarnento vai ficar dizendo que atrapalho sua educação sendo irracional.
Harry e Draco se olharam de forma pesarosa. Seus pais tinham discutido sobre a permanência deles na escola, Remus era contra mantê-los em casa, mas Lucius não ia ouvir argumentos e os dois estavam estremecidos.
– Não fique bravo com ele. – Harry pediu. – Já temos problemas o suficiente… por favor.
– Não se preocupe, Harry. – Lucius disse, beijando-lhe a cabeça. – Vamos todos ficar bem, Malfoy Manor é inexpugnável.
O loiro sorria, mas sua marca ardia terrivelmente. O Lorde queria vê-lo, mas ia ter que esperar sentado, de jeito nenhum sairia de casa.
– Vou ter que enviar algumas corujas para meus advogados, estudem rapazes. – Ele disse, saindo apressadamente para disfarçar a dor.
X~x~X
Sirius odiava ver seu marido daquela forma. Severus estava choramingando como uma criança, dobrado sobre seu braço, que provavelmente queimava.
– O que eu posso fazer? – O animago perguntou, desesperado.
– Nada. – Severus disse, ofegante. – Esse é o Lorde mostrando que não está feliz comigo ou com Lucius, ele vai se entediar logo, tem que estar tocando a marca para fazer isso e não é um homem de perder tempo quando não pode ver a tortura.
Severus não sabia, mas gritou ao mesmo tempo que Lucius, que estava em seu escritório, tentando abafar sua dor, não queria assustar aos meninos.
– Vou matá-lo, definitivamente dessa vez. – Sirius disse, sombrio.
– Sim, mas agora, poderia me buscar água? – Severus pediu, ofegante, a dor lancinante tinha parado, dando lugar a uma dor comparável a de uma queimadura.
Sirius correu para satisfazer seu marido, se esquecendo de que tinha elfos para isso.
– Ele está planejando alguma coisa, posso sentir. – Severus disse, enxugando sua testa suada.
– Vamos lidar com o que ele mandar.
X~x~X
O enterro de Cedric foi um grande evento. Havia uma multidão de magos, prontos para dar as condolências e para se despedir de um jovem rapaz que tinha sido um herói e ídolo para muitos desde o começo do Torneio Tribruxo.
– Acha que algum deles desconfia de que estou bem aqui? – O Lorde perguntou a Narcissa, que estava de braços dados com ele.
A mulher, agora com o aspecto de uma bruxa americana de cabelos castanhos deu de ombros.
– Eu duvido, meu senhor, principalmente porque o Ministério fez um tremendo esforço para negar sua volta.
– O que agradeço imensamente, tão inúteis como inimigos. – O Lorde disse, com desdém, também usando a poção.
– Apenas Fudge, os aurores estão afiados como machados. – Ela disse. – Sirius está com eles, e tem uma força tarefa espetacular.
– Ah, o talento dos Black para me dar problemas é lendário. – Ele disse, inclinando-se para a mulher. – Ainda que eu goste de alguns deles.
Narcissa estremeceu, o Lorde a tinha escolhido para sua cama na noite anterior, aparentemente, seu tempo de abstinência na morte o tinha deixado com grande apetite.
– Obrigada, meu senhor.
– Foi divertido, mas não tenha ilusões, sabe que prefiro homens.
Ela se lembrava claro, Lucius tinha sido um alvo que ele nunca conseguiu, mas ela não iria falar sobre isso. Era interessante ver como o homem que ela admirara anteriormente tinha voltado muito mais são e equilibrado, ele tinha vindo observar a sociedade e se inteirar das medidas de segurança, ele estava funcional e racional de novo, era um alívio. Ela se distraiu fazendo essas reflexões, tanto que só saiu de seu devaneio quando o Lorde a empurrou levemente, tendo um mago caído a seus pés.
– Oh, me desculpe. – O rapaz disse, envergonhado.
Narcissa estremeceu quando ouviu a voz de Percy Weasley, não o queria perto do Lorde, o homem não gostava dos ruivos.
– Isso claramente não foi sua culpa, meu jovem. – O Lorde disse, ajudando-o a se levantar e resgatando seus óculos. – Quem tem que se desculpar é esse senhor. – Voldemort disse, fixando seu olhar pétreo no homem que tinha segurado o braço do rapaz e o feito cair tentando se soltar.
Oliver Wood engoliu em seco, ele não sabia quem o homem era, mas parecia muito intimidador.
– Eu só estava tentando falar com ele. – Se defendeu.
– Não é desculpa para segurá-lo dessa maneira rude, não se trata portadores dessa maneira.
– Eu… isso é… me desculpe. – Oliver disse, saindo apressado pela multidão.
– Só porque sou um portador não quer dizer que sou de cristal. – Percy disse, com voz dura. – Isso é machista e retrógado.
O Lorde apenas sorriu.
– Não me tente, menino bonito, posso querer te mostrar o quão retrogrado eu sou.
Percy abriu a boca, tremendamente ofendido e ia responder quando o Ministro chegou perto dele, seguido de Lucrécia.
– Algum problema, meu rapaz? – Fudge perguntou, colocando a mão em seu ombro carinhosamente.
– Nenhum, esse senhor só estava me confundindo com alguém da Idade Média.
Narcissa escondeu um sorriso, Percy tinha uma língua afiada.
– Não deve ficar incomodando meu assistente, ele não gosta desse tipo de atenção… e você é muito velho para ele. – Fudge disse, seriamente, fazendo Voldemort desejar enfeitiçá-lo.
– Oh, a honra do rapaz está intacta, você tem um discurso para fazer, vamos logo. – Lucrécia incitou-os, não sem antes lançar um olhar desconfiado para o par que deixava para trás na multidão.
– Assistente do Ministro, hein? Informativo e apetitoso, gosto dessa combinação. – O Lorde disse, sorrindo.
Narcissa sentiu seu coração falhar uma batida. Percy Weasley era um cordeirinho, e tinha acabado de chamar a atenção do lobo.
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