Um Novo Caminho
31 Preparações
Notas iniciais
Férias de verão tinham se tornado um assunto delicado para Ron e Ginny, os dois eram os filhos que tinham que se dividir e viver com a mãe parte do tempo, já que os gêmeos tinham prometido explodir a Toca com ela dentro se fossem obrigados a ir, os dois ainda estavam esperando que ela pedisse desculpas sinceras a Percy, mas Molly ainda acreditava em tudo o que dissera e fizera, coisa que os deixava absolutamente irados. Era um verão estranho de qualquer forma, pensou Ron, enquanto voava com Draco e Harry, os dois não podiam sair da área da mansão, Lucius tinha deixado bem claro que não podiam ir até o Beco Diagonal sem um destacamento de seguranças, coisa que desanimava os dois adolescentes.
– Ei, ruivo, por que não presta atenção ao jogo? – Draco perguntou, se aproximando dele depois de uma disputa acirrada com Harry perseguindo o pomo, que escapou dos dois no último segundo.
Ron deu de ombros.
– Por que eu faria isso? Você e o Harry são os buscadores, eu prefiro voar e deixar o pomo para os dois fanáticos.
– Oh, então eu tenho meu próprio líder de torcida bonito. – Draco disse, dando-lhe um beijo no rosto. – Vou providenciar pompons.
– Não importa o que a sua mente pervertida imagine, não vou usar saias.
Draco sorriu preguiçosamente, seus dedos arrumando as mechas ruivas que o vento balança.
– Sim, você usaria se eu pedisse.
– Será que os dois pombinhos podem parar de arrulhar e jogar? – Harry perguntou, segurando o pomo. – Eu peguei, e vocês nem notaram.
O moreno nem esperou pela resposta, soltou o pomo e voou velozmente atrás dele.
– Ele anda tão irritado assim mesmo, ou é um problema comigo? – Ron perguntou.
– Não é pessoal, ele anda assim desde as provas finais. Os pais de Hermione foram aconselhados pelo diretor a não deixá-la vir aqui, na verdade, acho que o velho falou contra o namoro deles… não foi dito com palavras, mas acho que os pais dela estão convencidos que namorar Harry é muito perigoso.
Ron fez uma careta.
– Jeito difícil de conhecer os sogros.
– Se analisarmos bem, eu nunca fui oficialmente apresentado a sua família como seu namorado.
– Claro, amor, vamos fazer um jantar. Vamos dizer ao Bill, Charlie, Percy, os gêmeos e Ginny que você é meu namorado e que faz coisas pervertidas comigo. Vai ser divertido.
Draco estremeceu pensando na cena.
– Estava pensando mesmo em jantar com o seu pai, seu amigável e adorável pai.
Ron riu.
– Papai é ótimo, mas não pense que vai se livrar dos meus irmãos para sempre.
Harry passou voando rapidamente perto deles, coisa que fez o ruivo suspirar.
– Agora, vá perseguir o pomo com Harry antes que ele nos derrube das vassouras.
Draco e obedeceu as ordens do ruivo, ele era um namorado obediente depois de tudo.
X~x~X
Remus sabia que Lucius tinha tido uma noite ruim, ele também não podia dormir quando seu companheiro estava sentindo uma dor excruciante em seu braço, por isso, levou uma xícara de chá ao escritório do loiro, que insistia em não dormir de dia, para não alarmar os meninos.
– Aqui, pegue. Tem poção para sua dor de cabeça. – Remus disse, colocando a xícara na frente de Lucius.
– Eu não tenho uma dor de cabeça. – O loiro teimou, mesmo pegando a xícara e dando longos goles na bebida quente.
– Eu sou seu alfa, eu sei quando você está com dor. – Remus disse, sem provocação, era apenas a constatação de um fato. – O que te tem tão concentrado hoje?
– Notícias dos meus pequenos espiões no Ministério.
Lucius parecia estranhamente satisfeito, tanto que Remus pegou os pergaminhos e seu rosto se crispou ao ler o conteúdo.
– Por que está feliz com isso? Ele se juntou com a ala mais conservadora e radical, ele só deu mais poder a Umbridge, ela é insana, ela pretende erradicar os lobisomens da face da terra, junto com todas as outras criaturas mágicas, ao que parece. – Remus disse, de mau humor.
– Eu sei disso, e isso vai ser a ruína do governo Fudge, escreva o que eu digo, amor, nosso Ministro não vai sobreviver ao fim do ano letivo. – Lucius disse, de bom humor.
– Aqui diz que ele vai intervir em Hogwarts. – Remus disse, com degosto evidente.
– Sim, o velho pode ser detestável, mas não é burro, ele sabe que negar a volta do Lorde quando o homem está batendo a nossa porta é algo que pode custar caro politicamente, visão da qual Fudge carece.
– Dumbledore está estranhamente alheio e calmo nos últimos anos. – Remus disse, pensativo.
– Bem, sua principal arma nesse jogo teria sido Harry, e graças a Merlin tiramos o menino das garras do velho antes que ele pudesse transformá-lo num soldado suicida. Consegue imaginar como teria sido se você não o tivesse encontrado naquelas condições?
– Não gosto nem de pensar nisso. – O lobisomem disse, massageando os ombros do loiro. – Acho que não os quero na escola enquanto Umbridge está lá.
– Eu também não, mas temos o direito de privá-los dos amigos tanto tempo? O Lorde não pode entrar na escola, isso é impossível.
– Ele tem seus meios, o fez quando ainda era só um espectro, o que acha que vai aprontar agora que tem um corpo? – Remus rebateu. – É engraçado como invertemos nossos papéis nesse tema.
– Sim, mas não quero roubar outra coisa da vida deles, Harry principalmente. Ele tem o direito de ir a escola como qualquer outro mago, ele tem o direito de ter essas lembranças. – Lucius disse. – E temos os dois Weasley para ficar de olho nele, e Severus, pelo amor de Merlin.
– Sim, porque Umbridge nunca deixará um lobisomem dando aulas em Hogwarts.
– Aquela cara de sapo vai cair com Fudge, ou pior, eu garanto. – Lucius disse, sorrindo.
– Estou anotando isso, e vou cobrar num futuro próximo, meu amor. – O lobo disse, apertando mais fortemente os ombros do loiro, mas logo retomando sua massagem cuidadosa.
X~x~X
Narcissa mal podia acreditar no que leu nos jornais. Potter estava de volta a Hogwarts, o jovem foi fotografado por um aluno que enviou a fotografia ao jornal, isso significava que Draco estava na escola, ela só podia imaginar que o lobisomem tinha convencido Lucius a dar sua permissão para essa loucura, aquela bola de pelos não podia ver que Umbridge estava nas garras do Lorde e que colocava os dois em perigo com esse tipo de loucura?
– Não devia franzir o nariz assim, Narcissa. Qual é o problema? – O Lorde perguntou, sentando-se na poltrona em frente a lareira, a mansão onde estavam escondidos era uma das mais confortáveis que tinham, e Narcissa gostava particularmente da sala de estar.
– Meu ex-marido deixou nosso filho voltar para a escola. – Ela respondeu, não querendo mentir ao homem que podia escorregar na mente de magos muito mais poderosos que ela.
– Oh, o jovem Draco. Eu estava bastante perturbado quando o conheci, verdade?
– Na verdade sim. – Ela disse, relutante em falar do filho com o Lorde, Merlin sabia que o homem sempre teve um olho para rapazes bonitos.
– Essa coisa com Lucius e sua notável falta de lealdade. O problema sou eu ou sua ligação com o lobisomem?
– As duas coisas, sem Lupin ele nunca teria conhecido o jovem Potter, mas ainda teria suas reservas. Antes que o meu senhor desaparecesse, estava muito instável, o que deixou muitos comensais nervosos ou arredios.
– Resumindo, ele não gostou da ideia de me ver matando um bebê mago. – Voldemort disse, com voz reflexiva.
– A maior parte de nós. – Ela disse, ela disse, incapaz de impedir o tom repreensivo. – Me incomodou também.
Narcissa certamente não esperava a risada do homem.
– Oh, a sinceridade das irmãs Black, você e Bella são revigorantes. – Ele disse. – Claro que ela está mais interessada em atacar o Ministério do que em políticas pacifistas.
– Certamente percebeu que ela não é a mesma depois de anos com os dementadores. – Narcissa disse.
– Claro que sei. Não se preocupe, não pretendo seguir as ideias dela e soltar os dementadores no Ministério ou matar a população trouxa de Londres.
– Então, o que pretende, meu senhor?
– Uma vez você me disse que é mais fácil pegar moscas com mel do que vinagre, certo? Vamos brincar de política.
Narcissa sorriu, seu velho Lorde, astuto e tortuoso estava de volta, jogando no campo em que se destacava mais, a política.
– É claro que pra isso vou ter que continuar morto como Voldemort e forjar o retorno de Tom Riddle, o que não vai ser fácil… e o que vou deixar a seu cargo, não gosto de ser decepcionado e sou absurdamente exigente.
– Eu fui nora de Abraxas Malfoy, estou acostumada com isso. – Ela disse, altiva.
X~x~X
Se Harry tinha achado que ele tinha reagido mal a posição do Ministério em esconder a volta de Voldemort, era porque ele ainda não tinha encontrado Hermione. Sua comedida namorada, a garota que vivia para estudar e reverenciar o mundo da magia, tinha entrado num estado frenético de irritação e revolta, o que a deixava ainda mais charmosa na opinião de Harry. Hermione tinha fogo político e falas aguçadas, algo que Lucius tinha em abundância, e o moreno se pegou imaginando que ela seria uma excelente pupila para o loiro num futuro próximo, ele podia convencer Lucius a polir Hermione para encantar o mundo mágico, isso ajudaria a evitar que ela terminasse sendo castigada novamente por Umbridge, já que sua esperta namorada parecia perder o juízo quando a mulher falava e contra atacava, chamando-a de mentirosa na frente de todo o salão principal. E a cada vez que a sapa rosa (apelido carinhoso que Hermione deu a mulher), a castigava, Hermione voltava com uma expressão sombria e os olhos muito arregalados, em cada uma dessas ocasiões, a garota esquivava das perguntas de Harry, coisa que o deixou doente de frustração e irritado ao extremo. Foi quando ele decidiu falar com Severus. Quando bateu na porta dos quartos particulares do homem, recebeu um grunhido de irritação como resposta.
– Algum problema?
– Entre seu padrinho imbecil e uma pseudo-diretora enviada do inferno que fez Dumbledore sair fugindo para evitar o aborrecimento? – Severus perguntou. – Nenhum problema, tudo lindo.
– O que ele fez?
– Só o mesmo desejo insano de me trancar em Grimmauld Place como se eu fosse algum tipo de boneca de porcelana. – Severus resmungou, irritado. – Como se Umbridge fosse uma ameaça para mim.
– Ela não é. Para nenhum de nós, ao que parece, o que é irritante e me deixa desconfiado. – Harry disse. – Eu digo as mesmas coisas que Hermione e ela nunca me castigou.
– Umbridge pode ser uma estúpida com aspirações de grandeza, mas certamente não tem desejos suicidas. Ela sabe que teria Lucius bufando em seus calcanhares se fizesse alguma gracinha com você. – Severus explicou. – E o Lorde ainda está reconhecendo terreno, se ele voltou mais são, ainda está planejando, Merlin sabe que o homem só vai dar as caras quando tudo estiver favorável a ele.
– Acha que Umbridge é uma jogada de Voldemort?! – Harry perguntou, ele nunca tinha pensado nisso.
– Claro, sua namoradinha parece ter mais visão política que você. – Severus disse. – Mas não veio aqui para falar disso, verdade?
– Não, na verdade, preciso de um favor.
– Diga.
– Umbridge está fazendo alguma coisa com Hermione, alguma coisa ruim nas detenções, mas ela não vai me contar, preciso que leia a mente dela e me diga.
– Por que eu faria tal coisa invasiva e claramente anti-ética? – Severus perguntou, erguendo uma sobrancelha.
– Está me dizendo que não consegue? – Harry provocou.
– Eu não sou um dos seus amiguinhos tolos, eu não respondo a provocações.
– Só faça por mim. – Harry pediu. – Eu prometo que vou me comportar como um filho de Lucius Malfoy muito mais do que do pai Remus.
– Então, não correremos o risco de tê-la pendurada e sem cabeça no meio do grande salão?
– Não, eu prometo. E o pai Remus deixaria a cabeça e levaria o corpo. – Harry disse, sorrindo.
– Está bem, mas lembre-se da sua promessa.
– Ela é uma cobra do Voldemort, não posso fazer o que ele espera de mim. Se ele pensa que está lidando com um leão idiota e impulsivo, bem, é hora de mostrar porque o chapéu quis me mandar para Slytherin também.
– Espere um minuto, o que quer dizer com isso? – Severus perguntou, curioso, Harry nunca tinha dito nada sobre sua seleção.
– Eu também tenho meus segredos. – Harry disse, piscando para o pocionista e saindo do laboratório com o que esperava ser uma postura imponente, mas que só fez Severus rir.
X~x~X
– Brigada Potter? Sério, Granger? – Draco perguntou, revirando os olhos.
– É minha ideia, então, sim, esse vai ser o nome. – A garota disse, sorrindo para o cunhado. – E não devia reclamar, já que você é um inquisidor para a sapa rosa.
– Ei, isso se chama espionagem. – O loiro respondeu. – E já que ela está proibindo Bill de dar aulas com algum conteúdo acho realmente válido a formação desse clube, Ron teve que fazer olhinhos de cordeiro para o irmão não enfeitiçar a mulher e ser demitido, ou preso.
– Isso é ruim.
– Sim, quase pensei que íamos ter que chamar Percy.
– Aquele traidor? – Hermione disse, franzindo o cenho.
– Ele só trabalha para o Ministro, ele não concorda com essa palhaçada, mas ele é um leãozinho leal. – Draco disse. – E é o irmão preferido do meu namorado, então, se quer que eu recrute serpentes para o seu clubinho é melhor não falar mal do cara.
Hermione revirou os olhos.
– Vamos lá, eu sei que todos na sua casa ficaram furiosos por causa do jeito que ela avaliou o professor Snape.
Os olhos de Draco se estreitaram.
– O que é dessa filha de um troll está guardado. Ninguém trata o Severus desse jeito e sobrevive ileso para contar a história. Escreva minhas palavras Granger, antes do fim do ano essa sapa rosa vai desejar nunca ter cruzado com a minha geração de slytherins.
– Ótimo! Mas vai me arranjar alguns deles, certo? Preciso de alunos bons em poções e defesa, eles vão ajudar os mais defasados.
Draco suspirou, como se fosse um grande sacrifício.
– Vou apresentar sua petição, mas não me responsabilizo pelas piadas, feitiços ou pequenas manipulações que Pansy possa fazer, ou Blaise… enfim, vai ter que lidar com eles por si mesma.
– Feito! – Hermione disse. – Estou começando a gostar desses nossos encontros secretos.
– Não diga dessa forma, parece que somos amantes secretos ou alguma coisa assim. – Draco disse, e não soube se se sentia ofendido ou não pela careta da menina.
– Merlin me livre, só nos reunimos para planejar e falar do meu namorado.
– E do meu. – Draco protestou. – Só que o seu namorado é muito mais problemático que meu ruivo.
– Certo, mas não estamos exatamente num ponto feliz. – Hermione confessou. – E ele está tendo pesadelos e dores de cabeça tão fortes… se lembra de como a cicatriz doía e o deixava mal no primeiro ano?
– Claro.
– É pior agora, e ele não vai falar com ninguém sobre isso.
– Há quanto tempo? – Draco perguntou, com voz claramente irritada.
– Desde que voltaram para a escola. – Ela confessou. – Ele me pediu para não contar para ninguém, que estava lidando com isso, mas estou preocupada.
– Puta que o pariu, Granger! Do que adianta termos encontros semanais para falar sobre o Harry se você vai ficar escondendo coisas?
– Pensei que estávamos ficando amigos. – A garota disse. – E me desculpe se não gosto de trair a confiança dele e sair contado coisas que ele me pede para serem segredos.
– Nós somos…amigáveis, não posso adotar outro leão, só Harry me deixa louco, e minha credibilidade nas masmorras iria para o chão. – Draco explicou.
– Você me considera sua amiga, pode mentir o quanto quiser sobre isso. – Ela disse, sorrindo.
– Não fique toda animada, Granger… e Harry sempre quer guardar segredos, principalmente se isso envolve aquela cabeça rachada dele. Vou ter que falar com Severus, e é provável que ele desconte em você.
Ela deu de ombros.
– Desde que ajude. – Hermione disse, apesar de estar preocupada, Harry bravo de verdade não era algo bonito de se ver.
– Severus entende mais da saúde do Harry do que você imagina, é ele que cuida dele desde que éramos bebês bonitos.
– A modéstia da sua família é algo tão aparente e tocante de se ver. – Ela provocou.
– Somos assim mesmo, todos encantadores. – Draco disse, com um sorriso gigante no rosto.
X~x~X
Narcissa estranhou quando o Lorde pediu mais uma poção para dor de cabeça.
– Perdoe minha intromissão, meu senhor, mas será que isso é um efeito da poção que usamos no ritual para trazê-lo de volta? Merlin sabe que sem Severus tivemos que recorrer a profissionais menos qualificados.
– Isso é o pirralho Potter. – O Lorde sibilou. – O pequeno bastardo irritante descobriu que temos uma conexão e está usando para me irritar.
– O quê?! Isso é possível? – Narcissa perguntou, surpresa.
– Claro que é, havia um motivo para eu desejar matá-lo, fora a minha loucura passada, você sabe. A cicatriz que ele tem é provavelmente um canal direto para a minha cabeça.
– Esse tipo de ligação funciona em duas vias. – Ela disse, realmente preocupada.
– Sim, ele provavelmente descobriu sobre isso quando teve algumas visões do que eu faço. Emoções fortes podem transbordar pela ligação e fazê-lo sentir e ver o que acontece comigo e não sou precisamente um mestre zen cheio de paciência.
– Mas, meu senhor, é possível fechar a conexão, sua habilidade com legimência e oclumência são lendárias.
– Sim, seria relativamente fácil, se Potter não estivesse explorando essa conexão ao máximo. O imbecil está tentando entrar na minha mente, cedo ou tarde ele vai acabar perdido em locais dos quais não poderá sair.
– Está preocupado pelo garoto Potter? – Narcissa perguntou.
– Como eu disse, estamos conectados, e não gosto de ter sido tão negligente com as tradições. – O Lorde resmungou, engolindo a poção.
– Claro. – Era de conhecimento geral que na sociedade puro sangue, as crianças eram preciosas, e ao matar os pais de Potter, o Lorde o deixou vulnerável e com trouxas abusivos, nada muito honroso.
– Esse pirralho vai vir atrás de mim, certo? – Ele perguntou.
– Eu não o conheço bem o suficiente, mas apostaria nisso.
– Pela barba de Rasputin… nesse caso, vou ter que dar uma olhada naquela profecia. Bella vai planejar uma invasão ao Ministério… depois que você começar a dar os primeiros passos para o regresso de Tom Riddle, é claro.
– Sim senhor. – Narcissa disse, não queria agregar que era uma má ideia se ele queria um retorno para separar seu nome de família do homem mais temido do país, ela sabia que ele estava planejando alguma coisa.
X~x~X
Severus arrastou Harry pelas masmorras com a orelha do rapaz firmemente entre seus dedos, para seu divertimento, o leão estava reclamando como um filhotinho de cachorro, tão afilhado de Sirius em algumas ocasiões.
– Eu posso explicar…
– Oh, eu e seus pais estaremos encantados de ouvir explicações. – O pocionista disse.
Sirius teria rido ao ouvir o afilhado choramingando como um filhotinho ao ouvir isso, mas Severus era mais controlado e apenas deu um sorriso diabólico, que se intensificou ao ver Harry Potter, o mais admirado e corajoso leão de sua geração abaixar a cabeça e fazer beicinho quando viu Lucius e Remus esperando em seus quartos privativos.
– Então, dores de cabeça e pesadelos de onde a senhorita Granger não pode te acordar sem usar magia. – Lucius disse, absurdamente sombrio. – Diga-me que não anda brincando com magia negra dentro de Hogwarts, e principalmente, não sem supervisão.
– Não, não é magia negra! Eu não sou estúpido. – Harry disse, ofendido. – Estou investigando as lembranças e a cabeça do Voldemort, descobri que temos uma conexão, provavelmente por causa da minha cicatriz.
Lucius caiu sentado no sofá de Severus, que por sua vez, só olhava para o adolescente, boquiaberto. Remus rosnou.
– Tem razão, filhote, você não é estúpido. É demente! – O lobo rugiu, pronto para dar-lhe uma surra. – Agora, explique essa loucura detalhe por detalhe desde o início.
X~x~X
Draco estava puto, na verdade, puto nem definia a raiva que ele estava sentindo. Claro que ele esperou até estar a sós com seu irmão estúpido, os dois estavam na sala precisa, que espelhava o humor tétrico de Harry, colocando-os numa sala digna de um castelo gótico.
– Hermione estava chorando. – O loiro disse, cruzando os braços. Era Hermione quando Harry estava sendo estúpido e ela injustiçada. – Ela estava chorando, porque você terminou com ela e foi extremamente mal educado e agressivo quando a pobre garota só estava tentando te ajudar.
– Eu sei. – Harry disse, arrependido agora pelos gritos e por ter terminado com ela tão bruscamente.
– E você está cutucando Voldemort usando essa sua testa rachada. – Draco continuou, sua voz ficando mais gelada a cada palavra.
– Sim. – Harry reconheceu, mas retrocedeu quando viu Draco sacar sua varinha. – Na verdade não… foi um engano.
– Eu entendo. – O loiro disse, com olhar assassino. – Agora, vamos aprender algumas lições sobre ser um babaca estúpido com desejos suicidas.
Harry saiu da sala com vergonhas orelhas de burro e furunculos em partes que ele não citaria para ninguém, e com os quais sofreu por horas infinitas até lidar com sua vergonha e ir até a enfermaria, já que sua opção usual, Severus, teria rido e colocado outro feitiço de permanência, potencializando o de Draco.
X~x~X
Harry estava tentando conversar com Hermione e pedir desculpas pelas últimas semanas, mas a garota era ótima em esquivá-lo, só que dessa vez ele tinha outros assuntos para tratar também. Ele a encontrou escrevendo num pergaminho na Sala Precisa, era noite para reunir a Brigada Potter e ele iria tentar ensiná-los a conjurar um patrono.
– Harry. – Ela disse, com voz plana.
– Mione. – Ele respondeu, com tom humilde. – Eu preciso falar com você, e não quero ser escorraçado de novo, por favor?
– Ok, fale. – Ela disse, cruzando os braços.
– Eu fui realmente imaturo e rude, eu não devia ter gritado com você daquele jeito e dito aquelas coisas.
– Como me chamar de idiota traidora? E me acusar de ser maníaca por controle e um espiã dos seus pais? – Ela enumerou, sentindo-se satisfeita pelo rubor no rosto do moreno.
– Sim, tudo isso. – Harry disse, realmente parecendo mortificado. – Eu sinto muito que tenhamos terminado tão mal, fomos amigos antes de sermos namorados e…
– Você não quer voltar? – Ela perguntou, realmente surpresa.
Harry queria que um buraco se abrisse no chão.
– Não, eu percebi que estamos numa relação desigual. Eu não gosto de você como você gosta de mim, isso é injusto… eu adoro passar tempo com você. – Ele disse, se aproximando. – Você é a garota mais esperta e bonita dessa escola, eu me senti tão bem ao seu lado, sinto muito que estraguei tudo.
– Você gosta de outra pessoa. – Ela constatou.
– Eu não… isso não é verdade. Eu não te traí, eu juro!
– Eu não disse isso, você é muito sincero e não pode mentir, eu sei que não me traiu, mas… você gosta de outra pessoa.
– Talvez. – Ele admitiu, envergonhado.
– Está tudo bem. – Ela disse, tentando ser forte e não sucumbir as lágrimas. – É melhor quando as pessoas são sinceras, eu agradeço sua consideração.
– Eu…
– Pare de dizer que sente muito. – Ela ordenou, cortante. – Eu vou para a cama, aqui, chame as pessoas para a reunião, você conhece o feitiço.
Ela saiu assim que deixou a moeda nas mãos dele, Harry se sentia miserável, era assim que todo fim de relacionamento se sentia?
X~x~X
Lucius não podia acreditar em seus olhos, o loiro parecia prestes a ter um ataque, o que preocupou Remus, deitado a seu lado na cama. Os elfos tinham acabado de trazer uma bandeja com o café da manhã com o jornal do dia.
– O que foi? Outro decreto do Ministério na escola? – O lobisomem perguntou, preocupado.
– Não, definitivamente não. – Lucius disse. – É só sobre a volta de Tom Riddle.
– Quem?
– É o nome trouxa do Lorde, ele nasceu de uma bruxa e um trouxa.
– Você tem que estar brincando com a minha cara. – Remus disse, ele nunca tinha se interessado em detalhes sobre o homem, terminava grunhindo e destruindo algum espelho ou vaso de Lucius.
– Não, nem um pouco. Sua família mágica é altamente nobre, por assim dizer, ele é o último descendente dos Gaunt.
– Nunca ouvi falar.
– Eles são a linhagem de Salazar Slytherin, como os Potter são de Godric Gryffindor.
– Ele é descendente de Slytherin, isso faz sentido. – Remus disse. – Mas por que aparecer com sua identidade trouxa?
– Eu não sei, aqui diz que ele começou a restaurar a antiga Casa Senhorial dos Gaunt, o que vai dar um bocado de trabalho, o lugar já parecia um chiqueiro nos tempos do avô dele.
– Eu não gosto disso.
– Eu menos ainda, nunca ninguém fora do círculo íntimo dos comensais soube sobre essas coisas, o Lorde podia ser muito informativo, ainda que com poucos, isso é, quando ele estava são. Dumbledore sabe, é claro, Tom Riddle foi um dos alunos mais expressivos de Hogwarts, e o velho viu as trevas dentro dele, mas para o resto do mundo ele é apenas um nobre que saiu da Inglaterra e que está voltando agora, e adivinha com a ajuda de quem? Minha adorável ex-mulher, que aparece como a feliz responsável por redecorar e reabrir a mansão dos Gaunt em um baile espetacular.
– Vamos nos mudar para a Austrália. – Remus decretou, começando a ler o artigo.
– Eu nunca viveria naquele clima abominável.
– Estados Unidos? – Remus disse, brincando.
– Aquele sotaque? Merlin me proteja.
– França?
– O Lorde adora nos fins de semana. – Lucius disse, aproveitando a brincadeira.
– Índia?
– Já não falamos sobre climas horríveis? Viveria com queimaduras solares. – Lucius reclamou fazendo beicinho. – Melhor nos livramos do Lorde e continuamos em casa.
– Parece que ele está se livrando de Voldemort para lançar Tom Riddle. – Remus constatou.
– Isso meu amor, pode ser uma benção ou uma maldição pior, não gosto de ser muito huffle, mas torcerei pela segunda opção. Guerras políticas são sempre mais seguras que guerras civis.
X~x~X
Narcissa terminou de olhar seu vestido no espelho e sorriu. Essa noite a mansão dos Gaunt seria reaberta. Fora um trabalho árduo, e os pobres elfos domésticos tiveram a pior parte com a limpeza e reparos, Rodolphus e Rabastan tiveram que intervir e desarmar várias armadilhas de magia negra pela mansão para que as criaturas pudessem trabalhar em paz, mas apenas três semanas após o anúncio da reabertura dessa casa, ela conseguiria fazê-lo em grande estilo. A mulher saiu do quarto onde tinha se arrumado e andou pelo corredor bem iluminado até chegar ao cômodo principal daquele andar, o quarto do Lorde, quem andava bastante quieto sobre companheiros de cama, o que queria dizer que ele estava empenhado em conseguir Percy Weasley, o homem sempre apreciou a caça de uma boa presa. Ela tinha convidado o Ministro e seu assistente com um peso no coração, ela sabia que o Lorde pretendia usar Fudge, isso era bem feito para aquele homem crédulo, mas ela ainda se preocupava com Percy, o rapaz era frágil e já tinha tido sua cota de maus tragos na vida, se bem que, se ele fosse de boa vontade para a cama de Tom (como era difícil para ela chamá-lo assim), pelo menos teria algo prazeroso para se lembrar. Tendo em mente que seu mestre nunca tinha apreciado forçar ninguém em sua cama, ela se acalmou e bateu na porta, ele a mandou entrar imediatamente.
– Meu senhor, os convidados vão começar a chegar e… uau. – Ela interrompeu o que estava dizendo para admirar a figura do homem.
Voldemort sempre ficou impressionante com suas túnicas negras e conservadoras, mas Tom Riddle vestido com uma túnica bordô com bordados de ouro era impressionante. A cor chamava a atenção para seus cabelos, ele tinha ar de masculinidade digno de uma estátua grega, era um clássico.
– Vou tomar isso como um elogio. O alfaiate que me enviou foi bastante vocal sobre minha preferência por negro. Sabe o que ele disse?
– Não, meu senhor.
– Chame-me Tom, ninguém vai acreditar que me fez ver os encantos de voltar para casa se não tivermos familiaridade.
– Ainda vamos ter toneladas de fofoca sobre um caso tórrido entre nós. – Ela disse, já que era esse o rumor, já que ela tinha voltado de sua longa viagem com Tom Riddle a tira colo.
– Dificilmente mais escandaloso do que Lucius te trocando por um lobisomem.
– Não, mas é novo. As matronas puro sangue não tem muito do que falar desde que Sirius parou de escandalizar o mundo agarrando a bunda do Severus nos bailes. – Ela disse, com um sorriso malicioso.
– Severus e Black… Merlin isso é inacreditável. – O Lorde disse, terminando de arrumar as joias que prendiam sua túnica. – Mas não adivinhou o que o alfaiate disse sobre minhas túnicas negras.
– Não, o que foi?
– Que eu não podia usá-las, ficaria ridículo comparado a Lucius Malfoy, que certamente é o mago mais elegante do país. Disse também que devo evitar irritá-lo usando a cor que é sua marca registrada.
Narcissa abafou o riso.
– Bem, Tom, meu ex-marido fez das túnicas negras sua marca registrada.
– Loiro metido. – Voldemort resmungou. – Acha que ele comparecerá ao nosso baile?
– Não, se quiser ver Lucius, terá que atraí-lo para fora da mansão de outro jeito.
– Usando o pirralho que gosta de cutucar minha mente e me dar dores de cabeça, você quis dizer? – O Lorde disse, com um sorriso. – Vou providenciar.
X~x~X
Percy estava impressionado com a casa. Ele estava até acostumado com Malfoy Manor, que foi grandiosa e aconchegante ao mesmo tempo, mas ele se apaixonou por Gaunt Cottage, a carruagem em que ele chegou com o Ministro e Lucrécia tinha passado por uma linda alameda, iluminada por lanternas flutuantes e que deixavam um jardim precioso com fontes bonitas, mas a casa? Era um lugar que o atraía por alguma razão, era praticamente magnético.
– Casas antigas fazem isso algumas vezes. – Lucrécia disse, olhando-o. – É a magia a magia ancestral, ela pode te atrair ou te repelir.
– Pensei que fosse uma lenda. – Percy disse, ainda olhando pela janela e admirando a casa.
Os dois mais velhos riram, Lucrécia segurando a mão do Ministro, que olhou carinhosamente para seu pupilo.
– Estamos no mundo mágico, Percy. Tudo é lenda, e nada é mais mágico que amor.
Lucrécia revirou os olhos.
– Não ouça esse velho tolo e sentimental. Mágica, e me refiro a mágica poderosa, é atrativa, os magos corretos sabem usar isso, é como feromônios.
– Ela é uma cínica.
Percy riu, esses dois nunca iriam deixar de fazê-lo rir, e eram um casal tão improvável. Ele estava encantado de rever Narcissa Black, que estava recebendo os convidados, ela era realmente doce e educada com ele.
– Madame Black. – Ele disse, beijando-lhe a mão. – É um prazer revê-la, finalmente teremos de volta uma das nossas bruxas mais encantadoras.
– Oh, tão doce, Percival. – Ela respondeu. – Mas Ronald ainda é meu preferido.
Percy riu.
– É difícil de competir com seu genro, não?
A mulher bateu palmas.
– Eu sabia! Finalmente esses dois caíram em si.
– Quem diria que você estaria tão encantada por ser uma sogra, Narcissa? – O mago ao lado dela disse, chamando a atenção de Percy pela primeira vez.
– Se conhecesse Ronald saberia porque, é um Weasley e está em Slytherin.
– Essa é definitivamente um ponto a favor do rapaz. – Tom disse, sorrindo.
Percy bufou.
– Meu irmão tem um monte de qualidades, Draco Malfoy tem sorte por permitirmos o namoro.
– Estou certo disso, eu sou Tom Riddle, seu anfitrião essa noite.
– Percy Weasley, a seu serviço. – O ruivo disse, estendendo a mão.
Quando Tom segurou sua mão o jovem sentiu um formigamento de magia subir por seu corpo e mordeu os lábios, e quando encontrou os olhos castanhos do homem novamente viu-os mais escuros, mais predatórios.
– Tenho certeza de que vamos nos divertir juntos.
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