Um Novo Caminho
19 Tempo
Notas iniciais
Lucius não podia dormir, ele tinha tentado, mas sentia a falta do corpo de Remus a seu lado na cama. Ele já tinha passado uma noite sem o lobisomem e não tinha se sentido tão desamparado desde o dia em que seu pai morreu. Essa sensação de solidão e melancolia era o que o tinha feito deixar a cama com lençóis revoltos e ir para a varanda de seu quarto, local que em sua opinião não recebia tanta atenção dele quanto deveria, era um lugar adorável, com vista pra os jardins ornamentais de Malfoy Manor. Em dias que ele estava de bom humor, Lucius iria mandar os elfos soltarem lanternas japonesas, que flutuariam no ar iluminando ainda mais o jardim e ficaria ali admirando, ele tinha feito isso constantemente quando Draco tinha nascido, as noites quentes com uma brisa suave ajudavam o bebê a dormir, mas recentemente ele tinha deixado de lado o hábito de admirar a paisagem dali. Distraído, o loiro apoiou os cotovelos no parapeito de pedra lisae e se inclinou para frente, o vento fazendo seus cabelos flutuarem e arrepiando-o levemente. Mais tarde, ele culparia a calmaria da noite por ter sido pego de surpresa, afinal, era muito difícil que alguém se aproximasse sem que ele percebesse, por isso, lutou contra seu agressor, quando foi agarrado por trás e uma mão fincou-se firmemente em sua boca, enquanto outra segurava suas mãos.
– Calma, sou eu. Não queria que você gritasse. – Remus disse, detestando o modo como podia ouvir o coração do amante batendo rápido e seus músculos tensos.
– Você me assustou como o inferno! – Lucius disse, se livrando das mãos de Remus, e passando os dedos nervosamente pelos cabelos. – Não senti as proteções se moverem nem você se aproximando… Merlin, pensei que alguém tinha conseguido invadir. – Lucius disse, olhando irritado para o lobo.
– Sinto muito, mas você estava distraído. Eu já estava aqui há um tempo. Olhando para você, é claro.
– Por quê?
– Porque você é lindo, e é meu. – Remus disse, muito mais calmo e controlado depois de uma sessão de meditação e treinamento com Martin.
– Mesmo que seja um arrogante, preconceituoso e filho de uma puta? – Lucius perguntou, levantando um dedo para cada defeito.
– Sim, mesmo assim. – Remus disse, sério.
– Certeza sobre isso? Sempre pode voltar para as barras das calças do Fenrir e arrumar uma lobisomem mansinha. – Lucius disse, azedo. – Espero que goste das pulgas.
– Gosto de gatos manhosos e com garras afiadas, eles tornam a vida mais divertida. – Remus disse, passando os dedos pelos cabelos do companheiro. – Senti sua falta.
– Se tivesse sentido não teria ido embora ao invés de ficar e resolver esse assunto. – Lucius disse, firmemente. – Não vou dizer que me atraí a ideia de ter uma relação com alguém que corre a cada discussão, isso é abandono de lar.
Remus revirou os olhos.
– Não comece com seus jogos de advogado falastrão para cima de mim. Sabe perfeitamente que o nos colocou nessa confusão foi a sua incapacidade de segurar sua língua venenosa.
– E a sua incapacidade de evitar toques indecentes de amigos? – Lucius perguntou. – Se fosse o contrário, se fosse eu abraçado e tendo um amigo sussurrando no meu ouvido, você teria saído rosnando e atacando todo mundo.
– Não, eu não faria porque não sou um animal por mais que você goste de pensar que sim! – Remus disse, aproveitando-se do choque do loiro para continuar: – Eu não estou dizendo isso porque acho que me despreze por ser um lobisomem, mas porque pensa que sou seu animal de estimação exótico. Eu não sou um lobo domesticado… – Remus disse, com um esgar de diversão. – Pelo menos não ainda, tenho certeza que vai trabalhar isso. Saí daqui porque estava com medo de machucar você, fiquei realmente na borda. Sou um alfa, meu lado primitivo queria que eu te agarrasse e te mostrasse exatamente qual é o seu lugar no Beco Diagonal mesmo, sei que isso teria sido imperdoável porque te conheço e sei que zela pela sua reputação, mas…
Foi a vez de Lucius interrompê-lo.
– Minha reputação é mais suja do que um corujal sem feitiços de limpeza, a questão foi minha crise de ciúmes, não estou exatamente acostumado a me importar com amantes. – Lucius confessou, sem vontade de se aprofundar.
– Você me ama? – Remus perguntou, encostando sua testa na do loiro.
– Você sabe que sim. – Lucius respondeu, calmamente.
– Mas confia em mim?
– Sim. – Lucius disse.
– Então, podemos definir que eu sou seu, e que não quero nenhum outro homem ou mulher me tocando amorosa ou sexualmente? – O lobo perguntou.
– Não somos vinculados… você nunca quis me tomar de verdade. – Lucius disse, se perguntando porque estava tão falador naquela noite.
Essa resposta não era o que Remus estava esperando.
– Eu pensei que não quisesse se vincular a mim, isso pode trazer problemas com a comunidade puro sangue e com aquele que não deve ser nomeado, se ele realmente voltar.
– Oh, ele não está morto, mas vou lidar com isso quando acontecer.
– Então, quer dizer que me segurei esse tempo todo para não arrancar suas calças e cravar meus dentes nesses seus lindos quadris à toa? – Remus perguntou, deixando suas mãos deslizarem pelo elástico da calça do pijama do loiro, e pousarem nos quadris macios de Lucius.
– Eu não tenho quadris lindos. – Lucius protestou, apesar de gemer quando as mãos do lobisomem desceram um pouco, até sua bunda. – Esse tipo de elogio é para mulheres.
Remus riu, não querendo dizer que algumas mulheres morriam de inveja da bunda de Lucius, ele sempre recebia olhares invejosos e admirados no Ministério.
– Sim, você tem. Nada desses nobres esqueléticos, você tem coxas grossas e musculosas, uma bunda macia e perfeita e também tem um quadril perfeito, nada parecido com qualquer magrelo por ai, amo isso. – Remus retrucou, deixando sua mão passear pela pele nua do loiro.
– Devo presumir que está querendo fazer as pazes? – Lucius perguntou.
– Sim, ainda que esteja bravo por seu pequeno show poder afetar a guarda de Harry. – Remus repreendeu-o.
– Isso é pura invenção daquele jornaleco, o velho tolo não vai me provocar agora. Ele sabe que se me irritar o bastante posso arrumar um jeito de matá-lo. – O loiro disse, com uma casualidade assustadora.
– Lucius. – Remus disse, à guisa de aviso.
– Eu não o enfrentaria diretamente, não sou um tolo, mas talvez Grindelwald tenha ideias de como deixá-lo debilitado. – Lucius disse, movendo os quadris e beijando o queixo com barba por fazer de Remus. – Mas por que estamos falando disso?
– Você está certo… quero uma cena com você. – Remus disse, desvencilhando suas mãos da pele macia do loiro.
Lucius praticamente ronronou, já tinha um tempo desde que Remus e ele tiveram tempo para jogar adequadamente, ele gostava de sexo baunilha, mas ele simplesmente se derretia quando o lobo queria brincar de ser um mestre malvado.
– Sério? Pretende me punir hoje?
– Não, pretendo que confie em mim, de verdade. – Remus disse, puxando o loiro para o quarto.
Lucius estava desconfiado, e seu um sorriso de escárnio quando viu como Remus lhe entregava uma bolinha vermelha e macia.
– Eu não vou ficar jogando a bolinha pra você buscar. Não importa quão impertinente eu fui. – O loiro brincou.
– Ah, ela é pra você segurar. – Remus disse, mostrando outro objeto para Lucius, que ficou tenso instantaneamente.
– Eu não gosto delas, te disse isso quando começamos.
– Sim, mas confia em mim, certo? Eu não vou te machucar, na verdade, acho que vai amar isso. – Remus disse, sorrindo lascivamente. – E só precisa soltar a bolinha e tudo para, é tão efetivo quanto sua palavra segura.
Lucius respirou fundo, olhando para o lobisomem segurando uma mordaça de bola, dando de ombros, ele resolveu que sim, levaria a mordaça e deixaria Remus ter total controle aquela noite. Obedientemente abriu boca e deixou o lobisomem encaixar a mordaça em sua boca.
– Agora gatinho, seja um bom menino e tire toda sua roupa, tenho uma nova coleira bonita pra você, e um chicote que esteve te esperando há um longo tempo.
Lucius estremeceu, mas obedeceu o lobo rapidamente.
X~X~X
Severus não estava exatamente no humor para ser acordado por fortes batidas em sua porta, menos ainda quando seu marido o tinha mantido acordado até tarde com suas atenções que certamente não eram indesejadas.
– Severus, eu preciso de você. Lucius está doente. – A voz de Remus fez com que o pocionista pulasse da cama e seu marido continuou dormindo a sono solto, o que trouxe um sorriso de escárnio ao rosto do pocinionista.
– Melhor auror dessa geração, sempre alerta. – A serpente zombou, vestindo um roupão e indo até a porta, para encontrar Remus parecendo desesperado. – O que aconteceu Lupin?
– Nos vinculamos ontem a noite, e hoje acordei porque ele está com febre e quando tentei falar com ele não me respondeu. Isso não devia acontecer, as mordidas parecem infeccionadas.
Severus revirou os olhos.
– Mordidas? No plural? – O pocionista questionou, andando até o quarto dos dois.
– Sim, uma de cada lado do quadril, eu estava um pouco empolgado. – Remus disse, se lembrando de como tinha amarrado Lucius na cama para depois chicoteá-lo, o que claro tinha culminado nele fodendo o loiro lentamente, levando os dois ao delírio, o que deixou o lobo num humor possessivo e satisfeito, muito decidido a marcar o loiro de forma permanente.
– Então, sei que te disseram no clã de Greyback que as mordidas de vinculação são inofensivas, e geralmente é dessa forma, mas não quando se trata de magos puro-sangue.
– Merlin! Eu o machuquei?! – Remus perguntou, desesperado.
– Não precisa ficar dramático. É só uma reação da magia de Lucius, o corpo dele está se ajustando a nova magia, sua saliva tem potentes toxinas e outras substâncias que fortalecem seu companheiro. Ele vai ficar depois de dois dias na cama, só vou precisar limpar as mordidas e fazer alguns chás.
Remus relaxou visivelmente, apesar de voltar a parecer um cachorrinho chutado quando entraram no quarto para encontrar Lucius estirado na cama, suado e parecendo doente.
– Peça a um dos elfos para trazer minhas provisões médicas.
Remus não hesitou em obedecer, ele queria que o desconforto de Lucius durasse o mínimo possível. Quando o elfo apareceu trazendo as provisões, Remus se sentou, muito calado e quieto, observando como Severus meticulosamente limpava e desinfetava as mordidas.
– Não devia estar rosnando pra mim por ver seu companheiro nu? – O pocionista perguntou, brincando.
– Nos vinculamos ontem, posso sentir que ele só sente amor freternal por você. – Remus disse, dando de ombros.
Severus assentiu, e começou a espalhar um unguento nas mordidas.
– Sabe que ele vai acordar daqui a pouci e soltar um monte de impropérios por você estar negligenciando os filhos dele, certo?
Remus arregalou os olhos, ele tinha se esquecido de Harry e Draco. Não via os meninos há dois dias inteiros.
– Harry está bem? Ele ficou assustado quando não voltei? – O lobo questionou.
– Sim, mas Lucius o acalmou. Vá cuidar dos meninos Lupin, depois que os alimentar Lucius já vai estar acordado, mas não forte o bastante para se levantar, ele tem que descansar, então trate de levar os meninos para visitar o bando de filhos ruivos do seu amigo.
– Mas não quero deixar Lucius sozinho. – O lobo disse, seu vinculo era muito recente e ele não queria deixar o loiro.
– Ah, posso fazer isso! – A voz alegre de Sirius chegou até eles, e dessa vez Remus rosnou.
– Pare de olhar assim para o meu companheiro Sirius.
– Mas ele é tão lindo, é só uma olhadinha Moony, não tem… auch! Isso doeu Sevie. – Sirius reclamou, pulando de um lado para o outro segurando suas preciosas partes masculinas, vítimas do feitiço certeiro de seu marido psicótico.
– Isso vai te ajudar a se lembrar de que homens casados não ficam cobiçando corpor alheios.
Remus não teve mais saída do que rir. Ele nunca tinha imaginado o estrito Severus Snape enfeitiçando as bolas de Sirius.
– Ah Sirius, seu maridinho dócil é um tanto quanto perigoso…
O animago só rosnou para o amigo em resposta a essa provocação.
X~X~X
5 Anos
Remus deixou os meninos entrarem no quarto com um passe de varinha, ele e Lucius ainda estavam na cama e podiam os quatro desfrutar de um café de pijamas.
– Bom-dia meninos! – Ele disse alegremente, contente por ter vestido a calça do pijama depois da festinha que ele e Lucius tiveram na noite anterior.
– Bom-dia! – Draco respondeu, alegremente, arrastando Harry pela mão até fazer o outro menino subir na cama.
Lucius observou com um olhar carinhoso como o moreninho sonolento subiu na cama e rastejou até seus braços para reclamar com voz manhosa:
– Draco me acordou.
– Eu percebi.
– Estou com soninho. – Harry voltou a dizer, se aconchegando no loiro.
– Mas já é dia! Podemos sair para ver os filhotinhos dos pavões, e depois podemos convencer o papai Remus a nos levar para o clã porque o sr. Greyback também tem filhotes de lobo por lá! – Draco disse animado e radiante, ele era tão matutino quanto Remus, que sorriu.
– Oh, ele estava falando de bebês Draco… ele os chama de filhotes, mas são bebês humanos, bem, lobisomens.
– Sério? – O loirinho perguntou. – E de onde ele arruma esses bebês?
– Sim, de onde vem os bebês, papai? – Harry perguntou, subitamente interessado. – Eles saem de ovos como os bebês pavões?
Remus olhou em pânico para Lucius, que deu de ombros.
– Eles perguntaram para você, companheiro alfa, se vire.
O lobisomem rosnou e jogou uma almofada no rosto do loiro.
– Bem meninos…
X~X~X
6 Anos
– Vamos lá Harry, eu nunca te deixaria cair. – Lucius disse, olhando para o menino que estava sentado na beira da piscina com apenas os pezinhos na água.
– Mas o padrinho é tão forte e deixou. – O menino disse, cruzando os braços.
– Eu sei, mas seu padrinho é um leão tonto, além disso, Severus já o castigou por ter te deixado cair na água, não é?
– Sim. – O menino disse, balançando a cabeça sorrindo ao se lembrar de como seu padrinho tinha ficado envergonhado ao ter as orelhas puxadas pelo marido e ainda por cima colocado de castigo como um menino da idade das crianças.
– Então, seu padrinho é um desmiolado desajeito e já até pagou por isso, me acha desajeitado como ele, petit serpent ? – Lucius perguntou, olhando para os olhos bonitos do menino.
– Não.
– Então venha comigo, vou te ensinar a nadar. – O loiro pediu, colocando as mãos debaixo dos braços do pequeno.
Harry deixou-se levar, até porque estava cansado de Draco chamá-lo de medroso, o loiro já tinha aprendido a nadar e dava braçadas sob o olhar atento de Remus. Era engraçado para o loiro verificar que ao após esses anos Harry o procurava mais para chamegos e mimos do que a Remus, isso talvez fosse pela rigidez do lobisomem com o moreninho, que Lucius compensava estragando-o, para Draco era o contrário, sempre corria para o padrasto quando queria ser mimado até o cansaço porque Lucius resistia a seus olhares de cachorrinho abandonado e tentava não ceder tanto ao herdeiro quanto o resto dos adultos a sua volta. Talvez por isso o loiro se derretesse tanto quando o menino o olhava com confiança e adoração.
– Ei Harry, eu já sei nadar! – Draco disse, provocando o menino.
Harry fez uma careta para ele.
– Mas não sabe voar tão bem quanto eu. – O moreninho respondeu, mostrando a língua para o loiro.
– Isso porque você desobedece o papai e voa mais alto do que deveríamos! – Draco disse, se arrependendo imediatamente.
– Você não devia contar! – Harry brigou, se segurando em Lucius e se esquecendo de boiar.
– Me desculpe, escapou. – Draco disse, realmente arrependido.
– Vocês dois podem parar de discutir, nós sabemos que Harry voa mais alto do que deveria, mas já enfeitiçamos a vassoura ele não vai mais fazer isso. – Remus disse, olhando para o filho.
– Mas eu consigo! – Harry protestou.
– Mas é muito perigoso.
– Você nunca me deixa fazer nada! – Harry gritou com o lobisomem, fazendo com que Remus olhasse mais severo ainda.
– Isso não é maneira de falar, não grite e não seja impertinente.
Harry fez beicinho e se virou para Lucius com os olhos cheios de lágrimas.
– Quero sair da água.
– Tudo bem, mas ele está certo. Não pode falar assim com seu pai, peça desculpas.
O moreno apertou os lábios, numa demonstração rara de sua teimosia inerente.
– Vamos lá, Harry, seja educado. – Lucius continuou, de forma severa.
– Desculpe. – O menino disse, mau humorado.
– Isso é bom, mas ainda vai ficar uma semana sem a vassoura. – Remus disse.
Harry sabia melhor do que reclamar disso, mas deixou seu desagrado bem claro em sua carinha.
– Pode me tirar daqui? Não quero mais nadar. – Ele pediu a Lucius.
– Claro. – O loiro disse, não ia dizer nada na frente das crianças, mas achava que Remus andava muito severo com Harry, e só com ele.
– Ah Harry, não vai ficar e nadar comigo? – Draco perguntou, se sentindo culpado e abandonado ao mesmo tempo.
– Por que não vem para dentro também Draco? O sol já está começando a ficar forte demais, vocês dois podem fazer aqueles desenhos que queriam e depois chamar Ron para um pequenique a tarde. – Lucius perguntou, colocando Harry para fora da piscina.
Isso realmente animou os dois meninos que saíram correndo para a mansão.
– Dobby! – Lucius chamou, o elfo apareceu na mesma hora. – Vá secar os meninos e arrumar o material de desenho deles.
– Sim, mestre Lucius. – O elfo chiou tremendo de medo e sumindo.
– Esse elfo tem pavor de você. – Remus disse, nadando para perto do marido.
– E você por acaso está pensando em fazer Harry agir do mesmo jeito com você? – O loiro perguntou, cruzando os braços, carrancudo.
– O quê?! Claro que não. – Remus disse, ofendido.
– Não parece, pare de ser ríspido com o menino, e anda muito severo também… uma semana sem vassoura porque voou alto demais e porque foi um pouco impertinente?
– Ele é o escolhido, o salvador do mundo mágico. – Remus disse.
Lucius estreitou os olhos.
– E o que tem os apelidos ridículos que a impressa deu ao seu filho a ver com tudo isso?
– Pode ter sido algo que Moody disse. – Remus confessou, vítima dos olhos assertivos do loiro.
– O que esse neurótico disse? – Lucius perguntou, não gostando nem um pouco do rumo dessa conversa.
– Tivemos uma conversa séria sobre o futuro de Harry, ele disse que o mimamos muito, que ele vai crescer dependente e muito apegado… ele pode ter dito algo sobre ficar covarde como uma serpente, mas o fato é que me fez pensar, não estamos errando? Se o que não deve ser nomeado voltar, Harry vai ter que lutar, ele precisa ser mais duro porque ele vai ter que salvar o mundo mágico e…
As palavras de Remus foram interrompidas por um tapa certeiro em seu rosto.
– Ouça-me Remus, eu te amo, mas se o Lorde voltar prefiro e quiser matar meu menino, sou perfeitamente capaz de levá-lo para o lugar mais ermo do mundo, e escondê-lo até o fim de sua vida porque de maneira nenhuma minha criança vai lutar contra o Lorde em seu estado mais temerário. Você nunca o viu em seus dias mais escuros, ele estava corrupto quando desapareceu… de jeito nenhum aquela coisa vai chegar perto de Harry, ou do Draco, se quiser entrar numa guerra por um mundo que ainda te despreza vá em frente, mas não espere que eu permita que leve nossos filhos com você.
Remus ainda esfregava seu rosto quando o loiro saiu da água. Seu lobo interior praticamente ronronava de prazer, seu instinto animal também rugia para que ele deixasse de besteiras e mantesse o filhote longe de encrencas, escondido numa caverna de preferência. O lobisomem gemeu quando percebeu que ia ter muitas dessas discussões no futuro, porque, ele sabia que nem mesmo Lucius poderia se esconder de Voldemort e Dumbledore por tempo indeterminado, o futuro deles estava marcado pelas trevas. Mas, em seu presente, o lobisomem pretendia se desculpar com seu marido e Harry, e o perdão dos dois não era lá muito barato de comprar, claro que podia ser pior, ele poderia ter irritado Draco, o que era verdadeiramente custoso de consertar.
X~X~X
7 Anos
Remus estranhou quando foi verificar a aula dos meninos para encontrar apenas a professora organizando tudo.
– Srta. Dupree, por favor, me diga que não deixou aqueles dois te enrolarem e fugirem da aula mais cedo.
– Talvez eu tenha cedido, eles são muito persuasivos, mas eles terminaram tudo, apesar de Draco continuar trapaceando para ajudar o irmão. – Ela disse sorrindo.
Para Remus era estranho pensar nos dois como irmãos, o que era paradoxal, uma vez que sempre pensou nos dois como seus filhos. Dando de ombros, o lobisomem sorriu de volta para a professora francesa que Lucius tinha contrato no ano anterior.
– Vou caçá-los no jardim. – Ele disse.
– Oh, mas eles foram para o quarto, algo sobre descasarem um pouco antes do chá.
Remus realmente se preocupou com isso, os meninos não descansavam antes do chá há algum tempo, só quando Lucius os via muito cansados e praticamente os obrigava a uma soneca, o que só podia significar que os dois pestinhas estavam aprontando alguma. Andando rápido para evitar que os dois se machucassem com uma poção ou com algum artefato que estivessem brincando, ele se surpreendeu ao encontrar o quarto de Harry escurecido, sua audição aguçada e sua visão muito superior permitiu-lhe ver toda a cena dentro do local.
– Eu estou bem Draco. – Harry resmungou, deitado em sua cama.
– Não está, sua cabeça está doendo de novo. Ontem foi a mesma coisa e hoje você nem conseguia ler a lição. – O loirinho brigou com o amiguinho, colocando uma toalha em sua testa. – Pronto! Papai sempre coloca um paninho na nossas testas quando estamos doentes.
– Isso está encharcado Draco! – Harry reclamou, ele ficava intratável quando doente.
O loirinho fez beicinho.
– Você é ingrato, estou cuidando de você, deve agradecer e não ficar resmungando.
Harry era um cabeça dura, mas ele sabia quando parar de ser teimoso.
– Me desculpe, mas falar faz tudo latejar de novo. – Harry resmungou.
– Posso cantar para te ajudar a dormir. – Draco disse, subindo na cama e ajeitando a toalha na testa de Harry.
– Baixinho. – Harry pediu.
– Tudo bem.
Remus sorria enquanto ouvia o menino loiro cantarolar a canção de ninar francesa que Lucius vivia cantando para os dois ao longo dos anos. Ele ainda tinha essa expressão de pai bobo no rosto enquanto chamava Severus pelo flú para conseguir uma poção para a dor de Harry e perguntar sobre um medimago para os olhos do menino, ele desconfiava que o moreninho usaria óculos como James.
Foi assim que no dia seguinte, Harry saiu de St. Mungo com uma receita para óculos, já que um feitiço corretivo só poderia ser feito depois que o menino crescesse. Ele e Harry já estavam há algum tempo escolhendo armações ajudados por uma atendente que mal se continha de dar gritinhos quando o menino pareceu muito triste de repente.
– O que foi? – Remus perguntou ao filho, baixinho.
– Eu não quero usar isso. – Harry disse.
– Mas vão te ajudar a ver melhor.
– Mas ninguém usa um desses em casa, nem os padrinhos, nem os outros meninos.
Remus sorriu, tentando tranquilizar o menino.
– Sabe quem usava óculos? Seu pai James, se lembra das fotos?
Harry pensou um momento e logo se lembrou.
– Claro! Eu me pareço com ele.
– Sim, você parece. – Remus disse, um pouco emocionado ao se dar conta de que Harry realmente era muito parecido com James.
– Então, acha que esse meu papai ia gostar se eu usasse óculos iguais ao dele? – Harry perguntou, colocando os óculos de armação redonda.
– Acho que ele acharia muito divertido. – Remus respondeu, sinceramente.
Foi desse jeito que Remus conseguiu que Lucius engasgasse com o chá quando viu Harry de óculos. O loiro teve que segurar a vontade de esbravejar sobre a péssima escolha do lobisomem, já que considerava aquele tipo de óculos muito fora de moda. E como Lucius culpou-o pelo sofrimento de ter que dizer a Harry que estava mais lindo ainda e muito parecido com James, o lobo terminou por dormir todo torto no divã do quarto dos dois. Claro que Remus achou que tudo isso valeu a pena quando Severus quase teve uma síncope ao ver Harry, o pocionista mal podia deixar de lamentar, e só o fez quando Lucius prometeu uma vingança terrível se seu pequeno moreno se chateasse com as reclamações de Severus sobre Harry estar se tornando uma cópia mais perigosa de James Potter.
X~X~X
9 Anos
– Por que esse pobretão está aqui? – Pansy perguntou, olhando feio para o menino ruivo que estava no jardim junto com Draco e Harry.
Ron não gostava dos amigos metidos de Harry e Draco, por isso que os meninos iam brincar na casa dele e não o contrário, na mansão ele sempre era perseguido por esses idiotinhas mimados. Ele ficou embaraçado por não saber como responder, e corou, o que fez a garota fazer outra careta, que estragava o ar delicado e de menina comportada que os cachinhos que sua mãe tinha feito magicamente em seu cabelo lhe davam.
– Ruivo e com sardas… roupas velhas e burro, não sei porque andam com Weasleys.
Harry estava fulo da vida, ele já estava com vontade de dar uns safanões em Pansy, que podia ser insuportável quando queria, mas nem ele, nem Ron esperavam que Draco a empurrasse para a fonte.
– Draco! Por que você fez isso? – Pansy gritou, caída na fonte, com seu vestido novo molhado e seus cabelos escorridos, chocada com o comportamento do amigo, que sempre ficava de seu lado para atazanar Harry.
– Porque você está sendo uma… uma… vaca desprezível.
– Talvez ela tenha sido uma, mas é muito ofensivo e nada educado apontar esse fato, Draco. E empurrar uma dama na água é inaceitável, mesmo que ela esteja sendo uma vaca desprezível.
Draco engoliu em seco quando viu sua mãe parada atrás de si, olhando-o ferreamente. Narcissa não costumava fazer visitas surpresas, mas ela já era esperada na mansão por aqueles dias, o menino repreendeu a si mesmo por ter sido tolo a ponto de empurrar Pansy quando podia ser pego por ela.
– Ajude-a a sair da água e se desculpe. – Narcissa disse ao menino.
Com cara azeda, Draco obedeceu, e Pansy começou a se lamuriar para a mulher mais velha.
– Oh, já chega minha querida, não é como se você estivesse se comportando como deveria também. Vá para dentro e arrume esse desastre com seu vestido e seu cabelo.
Depois que a menina sumiu dentro da mansão com cara amuada, Narcissa voltou aos meninos, e estreitou os olhos ao ver como o ruivo segurava a mão de seu filho, era uma cena fofa, e Weasley era um sangue-puro no final das contas, mas ela não estava feliz com seu herdeiro no momento.
– Você vai estar de castigo por um tempo grande, você entende por qual motivo?
– Porque atirei Pansy na fonte? – Draco perguntou.
Narcissa se abaixou até estar na altura dos olhos do filho, ignorando como o menino Weasley se encolhia com medo.
– Não, porque você foi pego. Quando alguém te irrita, você planeja uma vingança adequada e se certifica de que não vai ser pego. Agir por impulso não é digno de um slytherin.
– Eu entendi mére, vou prestar mais atenção. – Draco disse com um brilho travesso no olhar, Pansy agora era culpada de ele ficar de castigo na semana que teria com a mãe, ele podia pensar em algo para fazer com a menina, já que seu pai insistia em convidá-la para brincar com eles.
– Agora, menino Weasley, por acaso está tentando namorar com meu filho? – Ela perguntou ao ruivo, sorrindo quando o viu corar e soltar a mão de Draco rapidamente.
– O quê?! Claro que não!
Draco não gostou disso, fez beicinho e cruzou os braços.
– Por que não? Blaise disse que eu sou lindo e que ia me namorar quando papai deixasse.
– Mas minha mãe diz que meninos não podem namorar meninos, que é nojento. – O menino disse confuso. – Eu namoraria você, mas mamãe não deixaria, ela ficou brava com Percy quando o ouviu dizer como Oliver Wood era lindo, ele ficou sem sobremesa o verão todo por ser… qual a palavra? Um desviado, um via…
Narcissa estava horrorizada, e tapou a boca do menino.
– Não repita essa palavra, é tão ruim quanto chamar alguém de sangue ruim.
O menino empalideceu.
– Mas… mamãe disse.
– Molly está errada, Ron, meu pai Remus é casado com o papai Lucius e Severus e Sirius também, e todos são meninos. – Harry disse, depois de ouvir o amigo.
– Oh, é verdade, nunca tinha pensado nisso. Vou perguntar a mamãe quando chegar em casa.
Algo dizia a Narcissa que essa não era uma boa ideia, mas ela duvidava que o menino iria lhe dar ouvidos sobre não tocar nesse assunto com a mãe. Ela falaria mais tarde com Lucius sobre Molly Weasley e suas ideias malucas, só podia ser reflexo da convivências com os trouxas.
– Então meninos, voltem a brincar. Pansy provavelmente não voltará a importuná-los. Depois que seu amiguinho sair, vamos fazer compras Draco. Você precisa de um guarda-roupa de inverno.
– Harry vai também?
– Claro, Merlin nos livre de deixar seu padrasto escolher as roupas do menino. Ele ia terminar com aqueles moletons horrendos.
Harry fez uma careta, seu pai Remus e ele não eram bons escolhendo roupas, mas ele não gostava muito de sair com Narcissa, ela era educada, mas ele sabia que não gostava muito dele.
– Não se preocupe, pequeno Potter, vamos comprar algo para combinar com esses seus olhos bonitos.
O menino corou com o elogio e pensou que talvez ela gostasse dele um pouquinho sim. Narcissa sorriu de lado, se sentia generosa, era provável que comprasse algo requintado para o menino Weasley, algo que os meninos pudessem dar de presente de natal, o rapaz precisava mais de roupas que brinquedos. Era um desgosto que uma família puro sangue tivesse se permitido decair tanto.
X~X~X
10 Anos
Harry e Draco passavam muito tempo em Grimmauld Place, já que eram afilhados dos donos da mansão, era um bom lugar para brincar, já que ao contrário da mansão Malfoy, realmente tinha lugares assustadores e o quadro da tia-avó Walburga, que falava um monte de palavrões que eles não conheciam e que fizeram Severus lançar-lhe um feitiço de bolhas de sabão na boca quando os ouviu repetindo. Agora, o moreninho estava com o pocionista, já que todos os outros estavam trabalhando e Harry detestava ser deixado com os elfos.
– Padrinho, minha mãe era bonita como a senhora Narcissa? – Harry perguntou a Severus enquanto misturava algumas coisas em seu próprio caldeirão no laboratório do pocionista.
– Ela era mais bonita que Narcissa, pelo menos para mim. Ela era ruiva. – Severus disse, fingindo estar distraído, mas bastante atento as reações de Harry.
O menino mordeu os lábios.
– Como ela era?
– Por que a curiosidade agora?
– Draco viajou com Narcissa, eles foram juntos para a Áustria, minha mãe gostava de viajar?
– Ela gostava de estudar, era uma verdadeira rata de bibliotecas, e não tão sofisticada quanto Narcissa, ela era mais caseira e maternal, um pouco como Molly Weasley.
Harry fez uma careta.
– Ela é horrível, ela não deixa o Ron falar mais com a gente. – Ele disse, triste, sentia falta do amigo, que saía para caçar bichos e aventuras com ele, muito diferente de Draco, que se recusava sequer a pegar um sapinho de nada ou construir um forte de folhas de palmeira.
– Não se preocupe, vocês vão logo para Hogwarts e vão poder se falar e brincar juntos de novo.
– Isso vai ser tão legal! Mal posso esperar para receber minha carta! – Harry disse, contente.
Severus suprimiu um sorriso, ele gostava mais do menino alegre, Harry era muito parecido com o pai fisicamente, mas sua personalidade não era de um idiota pomposo.
– Tenho algumas fotos da sua mãe quando era pequena, são trouxas, podemos ver depois de terminamos isso aqui.
– Você é o melhor tio Sev! – O menino disse efusivamente.
– Lembre-se de dizer isso na presença do seu padrinho.
Harry riu, ele gostava da maneira como seu padrinho e o marido viviam se provocando, diferente de seus pais que eram abertamente mais calmos e mais carinhosos, até demais algumas vezes, mas no fim ele tinha uma família feliz e gostava muito disso.
Fale com o autor