Um Novo Caminho
20 Chegando em Hogwarts
Notas iniciais
Harry e Draco acordaram seus pais com base em uma gritaria ensurdecedora na manhã em que finalmente receberam suas cartas de Hogwarts. Os dois meninos entraram no quarto dos pais gritando e pulando de alegria, ainda em seus pijamas e brandindo os pergaminhos que os convidavam para a escola de magia.
– Por que todo esse barulho? Não é como se os dois já não soubessem que receberiam as cartas. – Lucius disse, se sentando e passando os dedos pelos cabelos levemente desarrumados.
– Mas papai, agora é de verdade! Nós vamos! – Draco disse com os olhos brilhantes.
– Ainda preferia Durmstrang, mas o que posso fazer se todos resolveram ser tolos? – Lucius disse, fazendo referência a épica discussão que houve entre ele e seu lobisomem, quando ele disse que preferia mandar os meninos para Durmstrang, longe de Dumbledore e suas maquinações.
– Não seja um mau perdedor, Sirius e Severus concordaram comigo. – Remus disse, ainda deitado, com um braço embaixo da cabeça, seus cabelos castanhos com alguns fios brancos, que ele creditava aos meninos e suas travessuras.
– Eu sou Lucius Malfoy, seus argumentos não podem vencer minha lógica. E torçam para que nada dê errado naquele castelo, ou vou me divertir muito torturando vocês três.
Remus ia retrucar, mas Draco e Harry se enfiaram no meio dos pais. Os dois cresceram acostumados com essas discussões entre os dois, e tinham por hábito ignorar as alfinetadas que os adultos trocavam.
– Então, quando vamos fazer compras? – Draco perguntou, se focando no que era importante.
– Recebemos a carta e tudo o que você pode pensar é sobre conseguir novas túnicas? – Harry provocou, cutucando o loiro nas costelas.
– Ao contrário de você, que não tem bom gosto, eu aprecio um bom dia de compras… e quero minha varinha! – Draco disse.
Os olhos de Harry se iluminaram como chamas verdes do pó de flú e Lucius olhou para Remus, que tinha uma mão cobrindo os olhos. Ele cutucou as costelas do lobisomem, exatamente como Harry fez com Draco.
– É hora de levantar, amor. Nossos filhos querem fazer compras.
– Eles são só seus quando querem passar horas andando de uma loja para a outra, ainda mais quando sabemos quão lotado vai estar o Beco Diagonal. – Remus disse, depois de gemer audivelmente.
O lobisomem sabia que estava encrencado quando quatro bracinhos o agarraram. Ele abriu os olhos de novo para se encontrar com seus dois meninos olhando feio em sua direção.
– Você não me ama mais, papai? – Harry perguntou.
– Sim, papai Remus, você não quer mais a gente?
O lobo voltou a gemer desconsoladamente, seus dois meninos tiveram muita influência de Lucius, os dois eram pequenas serpentes manipuladoras sem um pingo de vergonha na cara, e com olhares desolados igualmente dolorosos de ver.
– Seus dois pirralhos insuportáveis! Vamos logo comprar suas coisas! – Ele disse, rindo e se levantando com um menino debaixo de cada braço, fazendo-os se contorcerem e rirem.
Lucius continuou na cama enquanto Remus levava os meninos para se arrumarem, eles precisavam ser vigiados porque Draco passava horas na banheira se divertindo com a espuma e as bolhas, enquanto Harry se recusava a pentear o cabelo e sempre perdia os óculos na banheira. O loiro nunca admitiria em voz alta, mas só de pensar em não ver os meninos todos os dias tinha uma dor no coração, mais ainda quando se lembrava de que iam para a escola do velho maluco.
X~X~X
Sirius sorriu quando viu a expressão carrancuda de Remus, que andava atrás de Lucius e os meninos, que por sua vez, pareciam extremamente felizes. Claro que ajudava que o público não se aproximasse, a maior parte das pessoas tinha parado de incomodar a família, Sirius considerava muito saudável ter medo do lobisomem especialista em defesa contra as artes das trevas, que praticamente rosnava para quem se aproximasse demais de qualquer integrante de sua família. Ele realmente tinha pena dos futuros namorados ou namoradas dos meninos.
– Ei Malfoy, gostei do seu segurança novo, ele parece bonito apesar de mal humorado. Posso pegar emprestado? – Sirius provocou, chegando perto do grupo.
– Não seja atrevido Black, por acaso saio por ai te pedindo seu marido emprestado?
– Não, você simplesmente o rouba sem a menor consideração. – Sirius disse, fazendo beicinho.
– Padrinho! Vamos comprar minha varinha! – Harry disse, puxando a túnica do auror.
– Oh, meu menino cresceu! – Sirius disse, dramaticamente, colocando uma mão no coração. – Meus dois rapazes já vão para Hogwarts, tenho um par de coisinhas para conversar com os dois antes de irem claro. – O animago arrematou, piscando para os meninos.
– Oh não! É melhor nem pensar nisso, Black. – Lucius sisseou.
– Ah sim! Eles vão ser meus pupilos mais brilhantes, cheios de brincadeiras e meninas. – Sirius disse.
Os dois meninos fizeram caretas de desgosto ao ouvir sobre meninas.
– Meninas são chatas tio Sirius. – Draco disse.
– E pegajosas. – Harry completou.
Sirius deu de ombros.
– Conversaremos daqui a pouco quando tudo o que puderem pensar vai ser sobre o tamanho da saia das…
Lucius não aguentou mais e lançou um feitiço picador na direção do auror, que deu um pulo nada digno e passou a fuzilar o loiro com o olhar.
– Se comporte Black, ou vou dizer ao Severus sobre sua mente tortuosa tentando desencaminhas meus filhos.
– Ok, era brincadeira. E por falar no Sev, aqui, ele mandou entregar isso. Disse que é para comprar essa tralha para as poções dos meninos, nada dessas porcarias baratas e cheias de defeito que vendem para os tolos. – Sirius disse, imitando seu marido, o que fez com que os meninos rissem.
– Remus, vá ver isso com seu amigo vira-lata enquanto vamos comprar as varinhas. – Lucius disse, ele não ia querer irritar Severus, mas estava mais interessado na parte divertida das compras.
– Ah, não, nem pensar! Sirius vai sozinho, o marido é dele afinal de contas. Eu vou estar lá para ver a escolha das varinhas… e aproveite e passe na livraria também Padfoot. – Remus disse, enfiando um pergaminho com os livros necessários na mão do amigo, apressando o passo para alcançar sua família.
– Depois dizem que eu sou o preguiçoso! – Sirius resmungou.
X~X~X
Draco sorria para os pais que o olhavam orgulhosamente, em seus dedos sua varinha parecia completar algo de que ele sempre sentiu falta, mesmo sem saber o que era, perfeitos vinte e cinco centímetros de pilriteiro e pelo de unicórnio, uma varinha que respondeu a sua magia como um novo membro perfeitamente funcional.
– Ela é perfeita. – Ele disse, lançando mais faíscas.
– Tem razão, jovem mestre Malfoy. – O Sr. Olivaras disse, sorrindo. – Uma combinação perfeita.
– Agora é minha vez! Vamos lá, por favor! – Harry pediu, dando saltos excitados.
Os adultos riram, era sempre emocionante ver a um jovem mago escolhendo sua varinha. Mas para Harry foi mais complicado que para Draco, cuja segunda tentativa resultou perfeita. O moreno tentou pelo menos cinco vezes, antes de que o Sr. Olivaras, com o cenho franzido e um olhar misterioso sumiu no meio de seus corredores e voltou com uma caixa empoeirada e de lá tirou uma varinha com um movimento florido, que tinha toda a concentração dos meninos, que não se deram conta de como Lucius deu dois passos para trás.
– Azevinho, vinte e oito centímetros, pena de fênix, boa e maleável… tentemos com essa jovem Potter.
Harry segurou a varinha e sentiu-a mais confortável que qualquer outra que tinha tentado até o momento. Com um giro suave de pulso, ele fez com que todas as coisas em cima do balcão flutuassem, Draco riu e bateu palmas a seu lado.
– Faça as faíscas Harry! – O loiro incitou-o.
– Sim, vejamos como se sai. – O Sr. Olivaras disse, ignorando o olhar férreo de Lucius Malfoy.
Harry obedeceu, e tal como Draco parecia radiante ao ter sua varinha, mas quando se virou para os pais, apenas Remus sorria de orelha a orelha, Lucius parecia estranhamente quieto e sombrio.
– O que foi, papai? Não gostou da minha varinha? – Harry perguntou, com um aperto no coração.
Lucius se ajoelhou diante do menino e afastou os cabelos que cobriam sua cicatriz em forma de raio.
– Não há nenhum problema, é só que agora mesmo percebi que meus meninos cresceram e que vou ter que deixá-los ir para longe de mim. Isso é triste.
Harry e Draco sorriram um para o outro, adultos podiam ser tão dramáticos. O loirinho se aproximou do pai e beijou-lhe a bochecha.
– Não seja muito lufano pai, principalmente perto do Harry… ou vai terminar tendo um filho texugo! – Draco disse, rindo.
– Não ouse nem pensar numa coisa dessas Draco Malfoy! – Lucius bradou, indignado.
– Não seja malvado Lucius, não importa em que casa vocês caiam, ainda estaremos orgulhosos. – Remus disse, sorrindo, ao ver Lucius balançar a cabeça negativamente.
– Oh sim, importa! Ele também os quer em gryffindor secretamente. – Lucius disse.
– Eu não ficaria triste por isso, é claro. – O lobisomem disse. – Vou pagar as varinhas, fiquem aqui.
O sr. Olivaras parecia prestes a dizer algo para Harry, mas encontrou-se com o olhar férreo de Lucius novamente e preferiu não dizer nada.
X~X~X
O resto do dia de compra passou normalmente. Harry tinha parado em frente a loja de animais e se encantado com uma coruja branca, que ganhou prontamente. E Draco ficou amuado quando seu pai Remus foi cortante ao dizer que ele não podia ter uma vassoura no primeiro ano, sem chance de ganhar uma só fazendo olhinhos tristes. Remus que sempre foi mais suscetível ao estado de ânimo dos meninos, tentou fazê-lo comprar outra coisa, mas o menino deu de ombros e continuou emburrado o resto do dia.
Lucius e Remus já estavam se preparando para dormir, ambos cansados do dia atarefado, quando o lobisomem comentou que Draco ainda estava bravo na hora de dormir.
– Ele é meu filho, não gostamos de não conseguir o que queremos. – Lucius disse, dando de ombros.
– Mas hoje era pra ser um dia especial. – Remus disse.
– E foi, ele é uma criança, vai se esquecer da irritação e se lembrar apenas do dia em que comprou sua varinha… e Harry do dia que comprou uma coruja mal humorada.
– Mas ela é linda.
– Oh sim, uma ave requintada, como convém a um Malfoy. – Lucius disse.
Remus resolveu não lembrar ao loiro que Harry era um Potter, isso geralmente azedava o humor de Lucius e ele acabava dormindo no divã, porque o loiro tinha o péssimo hábito de bani-lo da cama e enfeitiçar os demais quartos para não deixá-lo entrar sempre que brigavam.
X~X~X
Severus sempre parecia mais descansado em quando estava fora do período de aulas, e Sirius não achava que se devia ao trabalho, mas ao velho maluco. Os dois estavam em casa, apreciando o silêncio, sentados na varanda.
– Acha que devemos investir num jardim mais elaborado? – Sirius perguntou ao marido.
– Se você puder se impedir de arruinar as plantar e cavar a terra.
– Talvez um ou dois balanços… um escorrega, talvez uma casa no campo de quadribol. – Sirius disse, suavemente.
– Não vou parir um time de quadribol, não interessa o que você diga. – Severus disse, e suspirou. – Eu quero ter filhos, mas ainda não.
Sirius assentiu. Ele sabia no que estava se metendo quando se casou com Severus, o homem era complicado, mas depois dos primeiros cinco anos de casados, ele tinha começado a querer filhos, e Severus ainda achava cedo, agora, ele sabia que tinha mais a ver com os traumas de sua infância.
– Você vai ser um excelente pai, sabe disso não é?
– Claro que sei, cachorro estúpido. – Severus disse, mostrando os dentes. – Alguém vai ter que ser, já que você vai se concentrar em estropiar todo o meu trabalho duro educando a criança.
Sirius riu.
– Então, qual o problema? – Sirius perguntou, confuso.
Severus olhou para o marido por um longo tempo, depois arregaçou a manga da camisa que usava, e passou o dedo pela marca negra, que estava mais apagada, mas que ele podia sentir pulsar desde o dia anterior.
– Ele está voltando… não posso engravidar agora e correr o risco de estar no meio dos crucios dele em gestação ou com um bebê pequeno. – Severus disse.
Sirius rilhou os dentes.
– Posso te manter seguro.
– Não, você não pode. Essa marca é mais do que uma tatuagem Sirius, ela me queimaria até eu enlouquecer se eu não responder quando ele me chamar, é um risco que vamos ter que correr.
– E o que vai acontecer se ele voltar? Como vai explicar nosso casamento?
– Para evitar uma escândalo, e você é um puro sangue, e um leão, facilmente manipulável e uma rica fonte de informação dos aurores.
Os olhos de Sirius se arregalaram.
– Sim, marido. Já planejei tudo desde ontem… Lucius também, mas ele está mais enrolado que qualquer um dos antigos comensais, afinal, ele cria o menino que sobreviveu.
– Oh, inferno! – Sirius disse. – Eu tinha esperanças de que isso não fosse necessário, que ele continuasse meio morto para sempre.
– Ah, o otimismo dos leões. – Severus revirou os olhos. – Lucius estava lá, ele sentiu primeiro, começou quando Harry comprou sua varinha… é a gêmea da do Lorde das Trevas, as duas feitas com a pluma de Fawkes, a fênix de Dumbledore.
Sirius estremeceu, isso explicava a reação estranha de Lucius que Remus tinha comentado.
– Talvez a ideia do loiro aguado sobre Durmstrang não fosse tão ruim afinal de contas.
– Não seja tolo, o destino dos dois está ligado, não importa onde Harry esteja, ele vai atrair o Lorde como mel atrai moscas.
– Eu odeio isso.
– Eu também.
E os dois voltaram a olhar as estrelas em silêncio, um silêncio mais pesado dessa vez.
X~X~X
A manhã em que os meninos deveriam ir para Hogwarts foi muito estranha para Lucius. Ele sempre soube que os meninos iriam para um internato, mas acordar e descobrir os baús prontos no hall de Malfoy Manor foi um choque, porque naquele dia, eles voltariam para casa sem seus dois redemoinhos de energia e problemas. De mau humor, o loiro chamou Dobby asperamente e ordenou que verificasse se os meninos não tinham esquecido nada, e que depois ele deveria acompanhá-los. Era sempre bom ter um elfo por perto em multidões, elfos eram especialmente bons em escudos e esse apesar de muito estranho e medroso, era muito protetor de Harry. Ele estava se perguntando quando os meninos terminariam o café com Remus, quando um par de braços fortes envolveu sua cintura.
– Ei amor, não faça essa cara, vai deixar os meninos mais nervosos.
– Eu não quero perde-los. – Lucius disse, de má vontade.
– Acha que isso é fácil pra mim? Meu instinto me manda arrastar os meninos e você para uma caverna escura e só sair para correr de vez em quando e caçar. – Remus disse, rindo. – Vamos lá, não vai ser tão ruim, nós os criamos bem, eles vão saber cuidar de si mesmos e…
– Não vão para Hufflepuff.
– Acredito que não… pelo menos não Draco, posso imaginar nosso rapaz sufocando os coleguinhas com o travesseiro se tentarem abraçá-lo.
– Oh não, esse seria Harry, ele é o ciumento.
Remus ia retrucar, mas foi impedido pelos dois temas da conversa, que entraram correndo no hall.
– Já comemos. – Harry informou.
– E eu escovei os dentes depois, porque sou limpinho e não um troll disfarçado de bruxo.
Harry revirou os olhos.
– Você é tão fresco às vezes, Draco.
– Vamos lá, garotos. Tem certeza de que não esqueceram nada? – Remus perguntou.
– Eu só tenho que pegar Edwiges. Ela não gosta de ficar na gaiola.
– Essa coruja só gosta mesmo do dono. – Lucius murmurou, pensando na briga que teve que separar entre a coruja albina e seu falcão real.
– Ela é tão legal, papai. – Harry disse, não entendendo a crítica. – Já volto.
Assim que Harry voltou, os dois meninos seguiram os pais, que levitavam seus baús. Os dois olharam para a mansão. Harry estava realmente entusiasmado e alegre, mas Draco sentiu um frio na barriga irritante, começava a ficar com medo do castelo, mas como Harry ainda tagarelava, feliz, ele resolveu que não ia falar nada.
X~X~X
Sirius estava na estação quando os dois meninos chegaram. Ele sorriu ao ver como os rapazes pareciam orgulhosos, Harry correu até ele, segurando a gaiola de sua coruja e não parou de falar sobre quão animado estava para chegar ao colégio, Remus veio atrás do moreno. Lucius ficou para trás, Draco ia seguir Harry, mas uma mão do pai em seu ombro o impediu.
– Posso falar com você? – O loiro mais velho pediu.
Draco assentiu, rigidamente. Os Malfoy eram muito estritos fora de casa.
– Sei que está nervoso, mas não há nada para se preocupar. Se alguma coisa te incomodar, é só mandar uma carta que vou até lá, mas vai gostar, garanto.
– Tem certeza?
– Sim… sabe o que seu avô me disse quando fui para a escola pela primeira vez?
Draco sacudiu a cabeça.
– Ele me disse que fosse o melhor, seu orgulho e amor estavam comigo. Eu digo o mesmo, estude e se torne um bom bruxo, é tudo o que espero de você.
– Mas e se eu for mal? – Draco perguntou, Harry sempre era melhor que ele nas lições de magia.
– Oh, meu lindo dragão. – Uma voz delicada chegou aos ouvidos do loiro. – Isso não seria possível, porque você é um Malfoy e um Black, a magia corre forte nas suas veias, deixe-a te guiar.
– Você veio! – Draco disse, se esquecendo de seu comportamento por um momento e abraçando a mãe, que o afastou suavemente.
– Não em público, dragão. As pessoas que nos rodeiam consideram carinho uma fraqueza, isso só está bem em nossa casa ou nos seus quartos em Slytherin, não deixe seus colegas descobrirem como você gosta do Harry, podem usar isso contra você.
– Sim, e nem vou deixá-los saber como papai gosta dele também. – Draco disse. – Se perguntarem, papai o aceitou em casa por causa do papai Remus.
– Só Remus na escola. – Narcissa disse, ela não tinha gostado do filho chamando o padrasto de pai, mas ela teria enlouquecido se fosse uma madrasta.
– Vou fazer tudo certo, e vigiar o Harry para ele não se meter em confusões. – Draco disse.
– E se divirta, pelo amor de Merlin! – Lucius disse. – A escola é cheia de coisas emocionantes para um menino da sua idade, mas nada de aprontar, seu padrinho vai te pendurar pelas orelhas se o irritar.
– Ele não faria isso… não comigo, talvez com alguém que eu não goste. Oh, ser afilhado do chefe pode ser interessante.
Narcissa e Lucius compartilharam um sorriso, era ótimo ver a cabecinha de seu filho sendo tão bem versada em manipulação e tráfego de influências. O menino teria um futuro brilhante.
X~X~X
Draco e Harry se sentaram no mesmo vagão do trem, logicamente. Harry tinha os olhos vermelhos da despedida dos pais, Remus o tinha rodado no ar e beijando-o carinhosamente. Lucius tinha feito isso em casa e se limitou a se despedir dos meninos na estação com um aceno, em publico, o Lorde loiro mantinha uma faixada fria, e mantinha uma das mãos nas costas de Remus, conduzindo-o por onde fossem. Os dois meninos queriam ficar sozinhos, mas quando uma batida na porta se seguiu de uma cabeleira ruiva aparecendo no vão, os dois gritaram:
– Ron!
– Ei colegas! Imaginei que estivessem se escondendo num vagão vazio! – O ruivo disse alegremente, abraçando os amigos que não via há algum tempo.
– E nós pensamos que não ia desgrudar daquele mar de parentes! Como consegue se lembrar do nome de todo mundo? – Draco perguntou.
– Do mesmo jeito que você lembra do nome de todos aqueles ingredientes idiotas de poções. – Ron disse, se sentando ao lado do loiro. – Vi a sua mãe na estação, ela apertou minha bochecha e falou que não devo tentar te namorar esse ano, ela gosta de ser má com a minha mãe, não é?
– Sim. – Draco disse, feliz por sua mãe ter atormentado Molly Weasley, ele não gostava da mulher só porque ela tinha afastado Ron.
– Eu fiquei da cor do meu cabelo, e minha irmãzinha agora não vai parar de me provocar sobre isso. – Ron se lamentou.
Harry e Draco riram.
– Não é engraçado! – Ron protestou, ficando um pouco corado.
Harry e Draco iam retrucar quando a porta se abriu e uma garota com um cabelo extremamente armado colocou a cabeça para dentro.
– Vocês por acaso viram um sapo perdido por ai?
Draco franziu o cenho, com ar desgostoso.
– Pelo amor de Merlin, tenha um pouco mais de modos. Não se entra desse jeito nos lugares, menos ainda se nem conhece as pessoas que estão dentro.
A garota corou.
– Eu sinto muito, sou Hermione Granger, e … ah, meu Deus! Você é Harry Potter!
Harry viu que a menina olhava para sua cicatriz e fez uma cara de enfado.
– Sim, aparentemente eu sou.
– Eu li tudo sobre você, e…
– Ah, eu não faria isso se fosse você, também é mal educado ficar dizendo as pessoas o que leu sobre elas, principalmente quando a história envolve tantas tragédias quanto as de Potter. Não ensinam delicadeza no mundo trouxa? – Blaise Zabini perguntou, deslizando para dentro do vagão.
– Ou a usar um pente. – Draco disse, olhando para o cabelo da menina. – Olá Blaise.
– Olá Draco, Potter… e… ruivo desse jeito só pode ser mais um Weasley.
– Ronald. – O aludido acrescentou.
– Que seja.
Quando os meninos se voltaram para a porta, a garota já tinha sumido.
– Garotas são estranhas.
– Ah, ela deve ter ficado envergonhada, vocês dois foram malvados. – Harry disse para Draco e Blaise.
– Eu não! Foi o Draco quem falou do cabelo dela, mas ser malvado está no sangue Malfoy, Já devia estar acostumado Potter.
Harry deu de ombros, Draco podia ser um horror fora de casa, mas o que importava era que aqueles olhos acinzentados brilhavam calorosamente para ele, mesmo que ninguém percebesse.
– Harryyyyyyyyy! – A voz manhosa de Draco chegou a seus ouvidos.
– O quê?
– Estou com fome, por que não me compra alguns doces?
– E por que você mesmo não vai? – Harry questionou.
Draco fez beicinho.
– Blaise, meu lacaio… digo, Harry não quer me alimentar, pode fazer isso por mim?
– Eu ganho um beijo? – O moreno perguntou melosamente.
– Claro! É uma troca justa.
Harry e Ron se levantaram instantaneamente.
– Já estamos indo!
– Não se esqueçam que detesto aqueles feijões malditos. – Draco disse quando os meninos já estavam no corredor, depois se virou e sorriu para o amigo. – Harry e Ron vão para gryffindor, não é?
– Claro que sim, acha mesmo que alguém com material para slytherin cairia num truque tão barato desse?
As duas serpentes riram, eles iam se divertir atormentando leões e texugos pela escola.
X~X~X
Draco sabia que Harry provavelmente iria para Gryffindor, mas quando o chapéu demorou séculos em sua seleção, o menino pensou que tinha uma chance do moreno ficar em sua casa, mas ele terminou na casa dos leões, sendo recebido com aplausos retumbantes. Da seleção só Ron interessava, mas ele sabia que o amigo de infância ia terminar como Harry no segundo que o chapéu tocasse sua cabeça, toda a sua família era de Gryffindor, afinal de contas, por isso, foi uma surpresa quando o chapéu demorou alguns minutos para dar sua decisão, e todo o salão ficou em um silêncio sepulcral quando o chapéu gritou:
– Slytherin!
Draco foi o primeiro a ter uma reação e aplaudiu, cutucando Blaise e seus dois gorilas, quer dizer, Crabbe e Goyle. O menino ruivo chegou na mesa de sua casa com o rosto meio esverdeado e parecia que ia desmaiar.
– Se componha Weasley! Só porque o chapéu ficou louco não significa que vamos aceitar um leão desgarrado que dá show nas nossas fileiras. – Pansy disse, com sua voz irritante. – Era só o que faltava… um traidor do sangue em slytherin.
– Bem Pansy, aceitamos você que não tem charme nem classe, podemos lidar com Ron. – Draco disse, acidamente, empurrando seus gorilas, para que Ron tivesse espaço.
Quando o ruivo se sentou ao lado do amigo, as pessoas já tinham voltado a conversar e logo que o diretor fizesse um discurso, a comida apareceu. Só então, Draco cutucou Ron para sussurrar:
– O que aconteceu? Nunca imaginei que você pudesse ser uma serpente.
– Foi Harry, ele me disse que se caísse em Gryffindor eu devia fazer força para convencer o chapéu de me mandar para junto de você. Ele não confia nas serpentes, quer dizer, ele não gostou do jeito que os maiores te olhavam e cochichavam… e eu queria… eu não queria ser mais um Weasley em Gryffindor.
Draco revirou os olhos, Ron tinha um complexo que o impelia a tentar se destacar entre seus irmãos.
– O que mostra o quão tolos e gryffindor os dois são… olhe para os seus irmãos, eles estão furiosos, e não quero nem saber o que sua mãe vai fazer.
Ron engoliu em seco, os gêmeos o fuzilavam com o olhar e ele ainda não se atrevia a pensar na reação dos pais.
– Oh, eu estou ferrado!
– Oh, você está, mas agora é uma serpente, então aja como uma, e não se atreva a vomitar. – Draco ordenou a ver a cara de enjoo do amigo.
– Sim.
O loiro pensou que a escola realmente podia ser entretida, mal podia esperar para escrever uma carta contando essas coisas para seu pai.
X~X~X
Severus Snape sabia que teria problemas no momento em que o chapéu colocou o ruivo em sua casa, ele tinha o costume de fazer uma visita na primeira noite dos alunos novos para um discurso sobre o funcionamento da casa e as regras, mas esse ano ele seria especialmente claro, o que tinha dado no chapéu seletor só Merlin sabia. Quando ele entrou no salão comunal de Slytherin, os alunos do primeiro estavam impressionados, olhando em volta e para o lago negro.
– Muito bem! Todos prestem atenção. – Severus rugiu, ele gostava de como os alunos de Slytherin lhe davam atenção imediatamente e de forma respeitosa. – Vocês são os escolhidos desse ano para formar parte dessa casa, aqui nós respeitamos as tradições e nos orgulhamos de nossas origens, nós não trazemos vergonha para o nosso nome, nós não brigamos entre nós… e se por acaso eu ouvir rumores sobre alunos do primeiro ano se atacando entre si, vão desejar ter ido para Hufflepuff, eu sou claro?
Os alunos mais novos assentiram, e os mais velhos mal podiam esconder seus sorrisos, eles se lembravam de como o mestre pocionista podia ser intimidante.
– Seus prefeitos vão explicar as regras minuciosamente, prestem atenção e aprendam. Se houver algum problema qualquer um dessa casa vai ajudá-los, em Slytherin cuidamos dos nossos, não importa que classe de besteira ouviram por ai. Agora, os deixo sozinhos, se comportem.
– Sim senhor! – Foi a resposta em coro, o que agradou o pocionista, ele mal podia esperar para contar a Sirius como tinha aterrorizado mais uma leva de mentes impressionáveis, seu marido sempre ria com gosto desse tipo de coisa.
X~X~X
Harry mal podia acreditar que tinha terminado sozinho na casa vermelho e dourada, claro que ele podia lidar com isso, mas só não tinha ido para Slytherin porque seu pai Lucius o tinha instruído dizendo que seria muito perigoso para ele e para Draco, que Slytherin podia ser uma família, mas eram serpentes antes de tudo e se no futuro se virassem contra ele seria uma catástrofe. O moreno sabia que isso tinha a ver com Voldemort e a morte de seus pais biológicos, mas os adultos ainda se recusavam a falar abertamente disso, os pedaços de informação que ele tinha foram obtidos de Ron e trechos de conversas que ele ouviu na mansão. Claro que na escola ele poderia saber muito mais, Hermione era um pouco chata com toda sua ânsia por mais e mais estudo, mas ela também era simpática, uma nascida trouxa, e ele gostou de ouvir sobre a vida das pessoas sem magia, e a maneira como os olhos da menina brilhavam cada vez que via algo novo relacionado a magia era agradável também.
– Ei, Harry! Você se importa se eu ficar com essa cama? Gosto de ficar perto da parede. – A voz de Neville era quase inaudível, o rapaz gordinho era tímido até quase a morte, o que despertou em Harry algum sentido protetor.
– Claro Neville, eu só estava sentado e pensando, fiquei com aquela cama ali. – O moreno apontou.
– O-obrigado! – Neville disse, colocando seu sapo na cama e um vaso de flores também.
– Você achou Trevor!
– Sim, fiquei muito feliz. Minha avó me deixou comprá-lo para eu não ficar muito sozinho.
– Ah, você é filho único! Eu tinha Draco, mas aqui na escola vai fazer muito amigos.
– Draco Malfoy? – Neville perguntou, assombrado.
– Sim. – Harry disse. – Por quê?
– Mas… ele parece tão malvado.
– Ele é, mas não todo o tempo. – Harry disse, se lembrando de que não devia se mostrar tão amigo do loiro.
– Oh, lá vem Dean e Seamus.
– Ei Harry, Percy quer falar com você, ele está na sala comunal.
– Ok. – Harry disse, indo encontrar o irmão de Ron.
Percy era de longe, o Weasley mais retraído e sério. Harry se lembrava de como ele era um bom irmão para Ron quando eles eram mais novos, mas desde que tinha entrado na escola, Percy tinha ficado mais distante, seu rosto sempre sério.
– Olá Harry, como vai?
– Bem, e você?
– Eu poderia estar mais feliz, sabe como a mamãe vai ficar quando souber do Ron, certo?
Harry sacudiu a cabeça afirmativamente.
– Então, não vai deixá-lo sozinho, certo? Em Slytherin talvez ele também seja rejeitado e não quero que ele fique sozinho.
– Eu não vou, eu gosto dele.
– Você é um bom garoto, e pode não perceber, mas vai ter um monte de influência aqui em Gryffindor, use isso com cuidado, ok?
– Eu vou tentar. – Harry entendia bastante bem o que era usar poder e influência, ele cresceu sentado nos joelhos de Lucius Malfoy pelo amor de Merlin.
– Bom, agora, vá dormir. E siga as regras.
– Tudo bem! – Harry disse, rindo da seriedade do ruivo, ele sentia falta do Percy suave e carinhoso, ele tinha perdido aquela aura magnética que sempre teve, Harry queria saber porque, mas perguntar seria muito desagradável.
– E não corra! – Percy disse, ao ver o menino sair apressado.
– Não corra, não fale, não respire… – A voz em falsete atrás dele fez com que Percy retesasse todo o corpo.
– Arrume outro para chatear Wood. – Percy disse.
– Por que, se chatear você é tão divertido? – O jogador de quadribol provocou.
– Porque ele tem irmãos muito malvados…
– … que podem fazer coisas más com você.
Os gêmeos gostavam de atormentar Percy, mas essa era uma tarefa de irmãos, os dois detestavam quando outros faziam isso.
– Ai, quão patético alguém tem que ser para ser salvo pelos irmãos caçulas. – Wood disse, balançando a cabeça.
– Isso você não poderia saber, se tivesse irmãos eles te jogariam pela janela para ter espaço, seu ego mal cabe nessa torre. – Percy cutucou. – Agora, todos para seus quartos, amanhã começam as aulas e não quero ninguém perdendo pontos por chegar atrasado.
– Sim chefe! – Os gêmeos disseram, batendo continência.
Depois de ficar sozinho para fazer sua ronda, Percy apertou a mão em seu abdômen. Ele odiava quando se sentia assim, era muito difícil aparentar ser normal quando tudo o que queria era se enrolar em sua cama e descansar. Mas ele tinha conseguido sua insígnia esse ano, sua mãe tinha ficado tão feliz que até tinha comprado uma coruja de presente, ele ia se esforçar para mantê-la feliz, principalmente agora que o pobre Ron tinha ido parar na casa das serpentes.
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