Notas iniciais
Olá, eu voltei. Obrigada a Giikoma pela linda recomendação, foi emocionante de ler. :D Aproveitem o capítulo.

Severus estava decidido a não voltar a Hogwarts, ele pretendia passar sua gravidez longe de crianças e adolescentes hiperativos, e claro, longe de poções que pudessem explodir e afetá-lo de alguma maneira. Isso não significa que Minerva tomou muito bem essa decisão, ela tentou dissuadi-lo de todo modo, mas ele não estava preocupado, nem mesmo se deu ao trabalho de dizer seu motivo, uma vez que só Lucius sabia de sua condição. Sua incorporação ao ensino tinha sido apenas para vigiar Dumbledore e ganhar status, agora que o homem estava morto, não tinha mais motivo para continuar com o suplício. Depois de pedir sua demissão, sua única preocupação era quem o substituiria como Chefe de Slytherin, mas confiava que Minerva podia fazer uma escolha decente.

Aproveitando que seu marido ainda não tinha voltado do trabalho, Severus terminou de se preparar para dizer-lhe a novidade de acordo com o plano ideado por Lucius. O pensamento de seu irmão adotivo quase o fez chorar, ele sabia que o loiro fez das tripas coração para não mostrar nenhum sentimento negativo, mas não era possível que ele não tivesse sentido nem um pouco de tristeza ao saber de sua gravidez. A vida era injusta, e ele tinha vontade de se vingar de Riddle só por ser o causador, ainda que num momento de loucura, de tamanha dor em alguém que ele amava tanto.

Suspirando, e se concentrando nas emoções positivas do dia, Severus saiu do banho e se enrolou em seu roupão. A joalheria preferida de Sirius tinha dois tipos de trabalhos, coisas delicadas e caríssimas para ornamento puro e simples, e joias para uso recreativo de adultos. Ele preferia não pensar em que circunstâncias seu marido havia conhecido a mulher, já que agora ela era felizmente casada com o homem que tinha lhe confeccionado aquela peça tão linda, que repousava em uma caixa de veludo na mesinha ao lado da cama. Ele sabia que Sirius iria amar a notícia e o presente, principalmente, porque pretendia seduzi-lo antes de entregá-la.

Há alguns anos, seu marido o tinha convencido a usar piercings, tinha começado com um mamilo, algo rebelde e excitante, que evoluiu ao outro peito e agora culminava com a perfuração recente que tinha em seu pênis. Ele tinha ido ao único artista de tatuagens e perfurações mágicos da Inglaterra para esse adorno em particular quando decidiu que iria ter filhos. A surpresa realmente ajudou em sua maratona sexual com Sirius no tempo que se seguiu a sua resolução. Era por isso que toda vez que se olhava no espelho depois de um banho, ele sorria malicioso ao ver o reflexo dourado de seu adorno erótico feito de ouro puro, enfeitando a ponta de seu pênis. Ainda com esse sorriso no rosto, ele foi para o quarto, sim, seu marido teria o inferno de uma surpresa essa noite.

X~x~X

Apesar de sua resolução para chegar cedo em casa e passar algum tempo com Severus, Sirius se viu chegando tarde novamente. O mais silenciosamente que pôde, ele foi ao banheiro para tomar um banho, ele só tinha a varinha iluminando o quarto escuro, mas seus olhos treinados perceberam a silhueta de Severus sentado na cama.

— Oh, sinto muito, amor. Eu te acordei? – Sirius perguntou, indo em direção a cama.

— Oh, de jeito nenhum. – Severus disse, acenando sua varinha e acendendo todas as luzes. – Eu estava esperando por você, na verdade.

Sirius podia ver porque, já que Severus estava sentado na beira da cama, com as pernas afastadas e acariciando preguiçosamente sua ereção. O auror lambeu os lábios, subitamente secos, observando com atenção como seu marido brincava com o piercing dourado, que brilhava a luz do quarto, molhado com a excitação de Severus.

— Posso ver isso. – Ele disse, sugestivamente, se aproximando da cama. – Vou te recompensar por ser tão paciente.

— Nem pense nisso, hoje não. – Severus disse, com sua voz comandante e Sirius parou imediatamente. – Tire essa coisa da minha frente. – Severus pediu, apontando para a cueca que o outro usava.

O auror obedeceu, mordendo o lábio inferior para não perguntar o motivo de seu marido estar num humor tão dominante. Ele adorava isso, e sempre era assim, vinha do nada e terminava com ele com uma deliciosa dor em sua parte traseira no dia seguinte.

— Você foi muito, muito mau. – Severus disse, com um olhar sério no rosto. – Não posso acreditar que fez isso comigo.

Sirius engoliu em seco.

— Fiz o quê? – Perguntou, preocupado em ter desagradado seu marido seriamente. Isso nunca era uma coisa boa.

— Eu te disse que podia ficar me questionando? – Severus perguntou, parecendo muito comedido, mesmo que acariciasse seu pênis no mesmo ritmo lento.

Sirius voltou a morder o lábio inferior o negou com a cabeça.

— Ainda não posso acreditar no tamanho da encrenca em que nos meteu. – Severus disse, se levantando da cama e indo até seu marido. – Eu sempre soube que você é um cachorro com tesão… mas isso foi um pouco fora dos limites.

A cabeça de Sirius começou a trabalhar freneticamente. Flertar era algo natural para ele, Severus estava acostumado a vê-lo sorrir e brincar com tudo que se movia. Será que alguns de seus flertes o tinha irritado? Ou era só um jogo para colocá-lo em seus joelhos? Certamente, seu marido era do tipo que o torturaria por horas para se vingar, mas se estava querendo sexo, não podia estar tão bravo. Seu curso se pensamento foi cortado quando o sentiu agarrar seu pênis e acariciá-lo.

— Agora vai ter que ser bom pra mim. – Severus disse, para logo morder seu pescoço no ponto em que conhecia tão bem depois de anos de casamento e que fazia um arrepio de prazer descer pelo corpo de Sirius, fazendo seu pênis pulsar na mão que o segurava. – Tão fácil de despertar.

Sirius não ia contestar um fato tão descaradamente comprovado, mas soube que realmente estava com problemas quando Severus invocou um anel restritivo na base de seu pênis recém-despertado. O auror não teve vergonha de choramingar audivelmente ao sentir a magia de seu marido apertando o metal a seu redor.

— Não seja chorão. Sabe que adora isso. – Severus provocou, dando-lhe um pequeno empurrão em direção a cama.

Sirius seguiu a ordem tácita do marido e terminou deitado de bruços na cama, com Severus abrindo-lhe as pernas, deixando-o totalmente exposto. Um arrepio de antecipação o fez se contorcer, agora ele entendia o anel, seu marido o conhecia bem demais para deixá-lo sem restrição se ia fazer o que ele estava pensando…

— Tão apertado e bonito. – Severus elogio, agarrando sua bunda e separando ainda mais suas nádegas. – Acho que mereço uma recompensa, já que me causou tantos problemas.

Severus podia ter o que quisesse se fosse fazer o que Sirius estava pensando, só de imaginar, sentiu seu pênis ficando mais duro. O animago gemeu alto quando sentiu a língua do marido percorrendo a fenda de sua bunda desde suas bolas até sua entrada. O auror agradeceu pelo anel restritivo, ele sempre gozava vergonhosamente rápido quando Severus o agradava desse modo, era uma de suas coisas preferidas. Principalmente quando seu marido o provocava tão devassamente, usando a ponta da língua para contorná-lo e provocá-lo, fazendo-o sentir uma palpitação deliciosa. Sirius literalmente era uma vadia para a língua de Severus, por isso, choramingou alto novamente ao senti-lo se afastando.

— Se continuar tão desobediente, vou ter que castigá-lo. – Severus disse, e isso significava parar o que estava fazendo, Sirius sabia. – Agora, seja bonzinho e se mantenha aberto pra mim.

Sirius nem pensou em contestar, simplesmente colou seu peito a cama e estendeu as mãos para trás, mantendo-se aberto e exposto ao olhar de seu marido. Ele gemeu quando sentiu algo cremoso e gelado sendo espalhado ali, a sensação da temperatura baixa em contato com uma parte tão quente e sensível de seu corpo, fazendo-o ofegar de desejo. O animago voltou a gemer alto quando seu marido passou a lamber o creme, provocando-o e sussurrando obscenidades. Sirius podia sentir que estava pingando pré sêmen, estava tão duro que sentia uma pulsação de prazer a cada lambida e sucção de seu marido, que trabalhou primorosamente para tirar qualquer vestígio do doce em sua pele. Podia sentir a maneira com que o marido limpava-o cuidadosamente, causando-lhe arrepios de prazer pelo contraste da língua quente contra o creme gelado. Sentia-se pulsar a cada golpe lento e molhado da língua de Severus, que terminou sua degustação, passando a jogar com a língua em sua entrada, fazendo-o relaxar e gemer, desejando que seu marido não fosse tão cruel e terminasse logo com essa tortura, mas ele não era tão sortudo. Quando uma onda especialmente cruel de excitação o fez perder o controle dos dedos e soltar as nádegas que mantinha abertas para Severus, ganhou uma mordida e um tapa certeiro na parte interna de suas coxas.

— Será que vou precisar amarrá-lo para se comportar? – Severus perguntou, arrastando as unhas pela área que tinha acertado, fazendo Sirius choramingar.

— Não, sinto muito. – O auror disse.

— Tsc, tsc… sempre tão ansioso. – Severus provocou, segurando as nádegas do marido e abrindo-as novamente. – Vou ter que me dar ao trabalho de fazer isso por mim mesmo, só continua me dando problemas, esposo.

Sirius nem pensou em contestar, menos ainda quando sentiu uma nova investida da língua do pocionista contra sua entrada, molhando-a ainda mais e penetrando-o, fazendo com que se retorcesse de prazer e apertasse os dedos nos lençóis da cama para evitar se arremeter para trás, de encontro a boca do marido. Já tinha aprendido há um bom tempo que ele castigava esse tipo de descontrole com uma sessão longa de palmadas, se estivesse no humor, mas não pode evitar os gemidos escandalosos que escapavam de sua boca a cada investida da língua de Severus. Sirius se sentia deliciosamente decadente ao se entregar desse jeito ao marido, seu coração estava retumbando em seu peito, o corpo tinha uma fina capa de suor, e sua ereção palpitava, implorando por atenção e alívio, que não encontraria até que seu marido estivesse satisfeito com seu “castigo”, disso ele tinha certeza.

— Você geme como uma cadela no cio, Sirius, tão necessitado que chega a doer, certo? – Severus provocou, agarrando sua ereção e acariciando-o com firmeza, fazendo o animago cerrar os dentes para não perder o controle. – Está tão malditamente duro, Sirius, se não fosse meu brinquedinho garanto que já teria gozado e arruinado meus lençóis.

Novamente, Sirius não via necessidade de argumentar contra o óbvio. Severus tinha descoberto que essa sua fraqueza e a usava primorosamente há anos para atormentá-lo, algumas vezes se divertia fazendo-o gozar usando só a língua, mas naquela noite tinha outros planos, já que substituiu a língua por dois de seus dedos. Sirius moveu seus quadris no ritmo dos dedos que trabalhavam para abri-lo, sentia uma queimação agradável, e não se surpreendeu quando ouviu seu marido murmurar um feitiço leve de lubrificação. Ele gostava de manter as coisas um pouco rudes quando estava nesse humor, sentiu-o adicionar um terceiro dedo, abrindo-o um pouco mais e obrigando-o a abrir mais as pernas para dar mais acesso aos dedos gananciosos que buscavam enlouquecê-lo.

— Devia deixá-lo assim a noite toda, duro e com um vibrador enchendo esse buraco ganancioso…

— Por favor, Sev… não. – Ele implorou, sabendo que essa era uma possibilidade real.

— Por que não? – Severus perguntou, tirando os dedos dele e passando a esfregar sua própria ereção, pesada e molhada contra a entrada do marido.

Sirius engoliu em seco, podia sentir como sua serpente retorcida o levaria a implorar. Já estava hiper sensível, sentia sua ereção palpitar de necessidade, mais ainda quando o bastardo passou a acariciar sua entrada com a ponta de seu membro, fazendo-o sentir perfeitamente o adorno ali, fazendo-o desejar ser possuído totalmente. Ele aguentou essa deliciosa tortura por alguns minutos, sem implorar mais que com seus gemidos.

— Você sabe que não tenho pressa, posso perfeitamente te usar desse modo. Posso te fazer me apertar no meio dessa bunda gostosa enquanto te uso até gozar… sem te possuir nem hoje, nem por um longo tempo.

Essa ameaça era algo que Sirius sabia que o marido levaria muito a sério, por isso, choramingando de tesão e ofegante, ele implorou:

— Por favor, Sev, quero ser seu.

— Precisa ser mais específico, esposo. Você é meu há anos, desde que fizemos os juramentos de enlace. – Severus provocou, continuando a esfregar a ponta de seu pênis na entrada do marido, e dando-lhe suaves pancadinhas, o que era uma tortura para ele também, que ansiava por terminar logo com isso. – O que realmente quer?

— Quero seu pau dentro de mim, caralho! Quero que foda do jeito que eu gosto: com força. – Sirius provocou, balançando sua bunda para atiçar o marido. – Sei que quer me comer, Sev, não quer me deixar cheio da sua semente e me fazer sentir isso até de manhã quando me mover?

Severus queria, e por isso, cumpriu com os desejos do marido, enterrando-se nele com força, sem mais delongas, fazendo-o realmente gritar dessa vez. Nenhum dos dois estava disposto a prolongar muito mais seus orgasmos, Sirius não resistiu mais que algumas investidas do marido, quando esse acertou-lhe a próstata, fazendo-o ver estrelas, nem mesmo o anel restritivo pôde evitar que sua ereção pulsasse com um orgasmo forte, fazendo com que seu canal se apertasse ao redor do marido, que continuou investindo contra por mais algum tempo antes de inundá-lo com sua semente, enquanto Sirius ainda se recuperava de seu próprio orgasmo. Ele gostava quando Severus gozava depois dele, apreciava profundamente sentir os jatos quentes de sêmen inundando-o, a ereção pulsando dentro de si. Gostava de estar lúcido o suficiente para se apertar ao redor do marido, fazendo-o gemer e dar as últimas estocadas dentro dele soando absolutamente deliciado.

— Adoro quando faz isso. – Ele murmurou, com a voz rouca dos gemidos e gritos.

Severus não respondeu, só se deixou cair na cama, puxando-o, para abraçá-lo pelas costas, mas ainda mantendo-se dentro dele, Sirius aproveitou a posição para virar a cabeça e finalmente beijar seu marido. O pocionista fez-lhe a vontade novamente, entrelaçando suas línguas e beijando-o profundamente.

— Então, o que fiz para merecer tanto castigo? – Sirius perguntou, com tom de sorna quando separaram as bocas.

Seu marido sorriu enigmaticamente, finalmente se retirando de dentro dele, fazendo-o soltar um gemido exagerado.

— Sempre me deixa dolorido, Sev, você é malvado. – Brincou.

— Te machuquei? – Severus perguntou, preocupado. – Ah, sabe que odeio essa sua mania de preferir pouco lubrificante, já te disse que…

— Ah, estou exagerando amor. – Sirius tranquilizou-o. – Sabe que gosto desse jeito, não estou machucado, só que amanhã toda vez que me mover vou me lembrar de como me fodeu hoje. Vai ser difícil trabalhar, sabia? – Sirius provocou, fazendo Severus sorrir.

— Essa era a ideia, amor. Nunca faz mal te lembrar que tem dono, principalmente ao redor daqueles cadetes babões… mas não se preocupe, em breve vou fazê-los sentir tanta inveja de mim, vou ter um prazer sádico em te visitar muito frequentemente na Central.

Sirius ficou confuso, mais ainda quando o marido estendeu a mão para a mesinha de cabeceira e entregou-lhe uma caixa de veludo que ele conhecia bem.

— Para mim? – Ele perguntou, estranhado. Geralmente quando Severus queria renovar seu guarda-roupa ou que ele usasse algo específico só sumia com o que não gostava, sem muitas firulas. – Então, a joia era pra mim?

— Como sabe disso? – Severus perguntou, franzindo o cenho.

— Recebi a conta, nosso cofre é conjunto há anos, se lembra? Pensei que era algo bonito para você. – Ele explicou, abrindo a caixa e encontrando uma linda corrente de ouro com um medalhão do mesmo metal, mas onde pequenos diamantes brilhavam com luzes multicoloridas, num formato que ele conhecia bem. – Uau, é lindo! Aquele homem sabe como encantar diamantes para brilhar.

Severus sorriu, gostando que Sirius estivesse apreciando.

— Sabe qual é a constelação?

— Sim, é gemini. – Sirius respondeu, provocador. – Mas, amor, sabe que a minha é canis… por acaso me entregou o presente do seu amante?

— Oh sim. – Severus respondeu com um sorriso enorme. – Essa é a constelação de seus concorrentes mais acirrados, amor. Nunca poderá vencê-los.

— Hum? Como é? – O animago perguntou, confuso.

— É tudo culpa sua. Só os conheci e amo por sua culpa. – Ele continuou provocando.

— Sev, não é engraçado.

— Oh, sim, é. Ainda não acredito que me engravidou de gêmeos, seu vira-lata fértil.

A transformação no rosto de seu marido quase o fez chorar. Ele não sorriu de alegria, ele parecia genuinamente emocionado, com lágrimas nos olhos e uma emoção crua que não conseguia expressar. Severus não precisava de palavras, só do abraço apertado que ele lhe deu, escondendo o rosto em seu pescoço, fazendo com que o pocionista pudesse sentir as lágrimas quentes em sua pele.

— Obrigado, amor. Obrigado. – Sirius disse, com voz abafada.

— Eu não estaria agradecendo se fosse você. Pretendo te fazer pagar por todas as minhas tribulações… e não vai ser com sexo. Vai ser meu escravo por muitos meses, Sirius.

Dessa vez o animago riu.

— Oh, Sev, já sou seu escravo há anos. Pode ter tudo o que quiser, sempre que quiser.

— Vai se arrepender tanto disso. – Severus previu.

Sirius não podia ligar menos para os avisos. Ele estava tão feliz que poderia dizer sim para uma folga para todos os seus cadetes idiotas no dia seguinte, ou melhor, para todo o Departamento. Eles iam ter filhos. Era perfeito.

X~x~X

Percy estava muito feliz em seu novo escritório, que era basicamente a ante sala do enorme e luxuoso escritório de seu chefe, mas era bem melhor que suas antigas acomodações no Ministério. Ele tinha tido uma manhã movimentada entrevistando o pessoal para a formação do novo jornal que lançariam. Estava extremamente animado com o projeto, e já tinha decido a maior parte das posições sozinho, já que seu chefe tinha dito com seu jeito “delicado” que não precisava entrevistar um bando de idiotas, que era pra isso que ele existia, para poupá-lo de tribulações. O homem podia ser difícil em seus melhores momentos e completamente insuportável nos piores, Percy sentia um misto de admiração por sua eficiência e raiva pelas maneiras bruscas, e ainda podia sentir o puxão de atração que a magia do chefe exercia sobre ele. Às vezes, se via divagando sobre como os cabelos castanhos eram bonitos, em como se sentiriam os lábios sobre os dele, e ficava da cor de seus cabelos. O que poderia ser mais ridículo que ter uma paixonite pelo chefe? Tinha que pesquisar sobre como lidar com os efeitos da atração mágica.

— Perce? O que está fazendo aqui? – O ruivo saiu de suas divagações quando ouviu a voz de Oliver, parado a sua porta.

— Estou fazendo entrevistas, idiota. – Ele retrucou amigavelmente, ele gostava de Oliver. Ele tinha sido um maluco fanático por quadribol, mas pelo menos o tratava bem e parava os demais quando o provocavam demais. Tinham sido amigos improváveis na escola. – Veio para se candidatar a uma vaga e nem pesquisou sobre o emprego? Não te ensinei nada?

Oliver riu.

— Não era sua assinatura na carta ou no anúncio, rato de biblioteca. – Oliver brincou, se sentando a frente de Percy.

— Não, mas sou eu quem decide quem contratar. – Percy disse, assumindo seu ar formal e severo. – O que te faz pensar que está qualificado para trabalhar conosco, sr. Wood?

— Além do fato que entendo mais de quadribol que o idiota que só perde tempo falando bem dos Falcons no Profeta? – Oliver brincou, aumentando rolos de pergaminho que tinha encolhidos no bolso. – Vai poder notar pelos meus textos, que escrevo bem, tive um bom professor de redação. – Completou piscando para o ruivo.

— Isso é verdade. – Percy disse, rindo e se lembrando do tempo que tinha passado fazendo-o reescrever textos e estudar ortografia.

— Vejo que está se divertindo, sr. Weasley, mas lembre-se que te pago para entrevistar os candidatos e não flertar com eles. – Tom Riddle disse, saindo de seu escritório ao lado de Narcissa Malfoy, que tinha um sorriso malicioso ao olhar os dois jovens.

Percy empinou o nariz.

— Isso não é um flerte, não me culpe se não sabe a diferença, o que não é uma surpresa. Quem iria querer flertar com um velho ranzinza como você?

Narcissa fez força para não rir, vendo Tom Riddle, o antigo Lorde Voldemort inflar o nariz de pura raiva pelo atrevimento do assistente. Oliver Wood arregalou os olhos, intimidado pela aura poderosa do mago presente na sala e que Percy ousava desafiar.

— Ora seu…

— Vamos lá, Tom. Praticamente você pediu por isso. Sabe que meu querido Percival é um excelente assistente. Não atrapalhe o trabalho do rapaz, vamos, temos uma reserva para o almoço. – Ela disse, piscando para o ruivo e saindo dali, obrigando o homem a segui-la ou ficar no ridículo.

— Oh, Percy, precisa me dar o emprego. Isso aqui vai ser super divertido. – O rapaz disse, sorrindo largamente. – Que atrevido você ficou.

— Cale a boca! – Percy disse, corando por se ter deixado levar por outro arroubo. Para onde tinha isso seu lendário auto controle?

X~x~X

Harry não podia acreditar que seu plano tinha dado certo. Ele não podia acreditar que conseguido sair de casa, ele estava tão feliz que pegou Ginny pela cintura e girou-a no ar antes de pousá-la de novo no chão.

— Liberdade! Enfim liberdade, Ginny!

A ruiva riu. Não podia acreditar que um plano tão simples tinha dado certo.

— Ainda não acredito que eles caíram nessa.

— O que tinha para desconfiar? – Harry perguntou, muito satisfeito consigo mesmo. – Todo mundo foi para Grimmauld Place para continuar mimando tio Severus por causa da gravidez, só que eu fiz olhinhos de cachorro perdido e pedi para ir ver o Martin, fingindo que ainda estou super deprimido,. Só que ele saiu de viagem com o Fenrir para o clã da Reina, vão conhecer os novos filhotes que nasceram do último acasalamento entre os membros.

— Seus pais vão te matar quando descobrirem. – Ela disse calma.

— Se eles descobrirem. – Harry corrigiu. – E não me olhe assim, vou fazer uma soisa especial para os gêmeos, sabe que fiquei feliz quando eu soube, fiquei lá por um tempão sentindo os bebês.

— Quando eles descobrirem vão te matar mesmo assim, talvez te deem umas palmadas. – Ela insistiu, mas ele negou e ela já sorria ao ver luzes no céu noturno. – Nossa carona chegou.

— Eles são realmente confiáveis? – Harry questionou pela milésima vez.

— São amigos do Charlie, tive que chantageá-los loucamente para virem me fazer esse favor, não estrague tudo. – Ela pediu.

— Ei! Eu não faço esse tipo de coisa. – Ele disse, admirado ao ver como duas motocicletas voadoras pousaram na grama.

— Olá, rapazes. – Ginny disse, animada.

— Não se faça de simpática. Estamos aqui sob coação, seu irmão iria nos arrancar as bolas se soubesse que estamos te ajudando. – O primeiro disse, tirando o capacete, ele era bonito. Tinha cabelos pretos curtos e a orelha cheia de brincos.

— Sim, pequeno diabo. – O outro disse, sem tirar o capacete, mas seus cabelos castanhos longos eram visíveis e seus olhos azuis tinha um brilho divertido ao olhar para Ginny. – Não pode fazer essa cara de anjo quando nos chantageou por uma carona.

— Não é minha culpa se realmente posso dizer ao Bill que me levaram para passear várias vezes. Ele não ficaria feliz, vocês podem escolher isso. – Ela disse, cruzando os braços.

— Prefiro Charlie. – O primeiro disse, batendo na garupa. – Aqui, querida, você vai comigo. Potter pode ir com JJ.

— Olá, salvador. – Ele disse, fazendo Harry ter vontade de experimentar sua teoria gay com ele. – Pronto para voar?

— Sempre. – Ele disse, fazendo Ginny revirar os olhos ao perceber o flerte dos dois.

X~x~X

Harry culpava Ginny. Ela tinha jogado algum tipo de maldição na escapada deles. Era o único motivo para ele ter sido pego. Ele voltou cedo, pelo amor de Merlin, ele só foi a festa, flertou com JJ, bebeu um pouco de ponche, um pouco de uísque de fogo, um pouco daquela coisa azul, talvez a culpa fosse da coisa azul no copinho. Essa era única explicação para que ele tivesse sido pego. Ele chegou em casa pelo flú, as proteções não alertariam Lucius pela entrada do filho, ele só tinha que andar até seu quarto e se meter na cama, mas pegou no sono, de bruços no tapete. E acordou com uma bota cutucando-o nas costelas.

— Ele está bêbado. – Remus disse, franzindo o nariz.

— Ele certamente não desbloqueou o armário de bebidas. – Lucius disse, analisando o filho. – Martin nunca o deixaria beber, nem se enroscar com um lobisomem, macho ou fêmea.

— O quê? – Remus perguntou, alto, fazendo Harry abrir os olhos e ver tudo embaçado, o que era estranho, ele estava de óculos.

— Está cego? Não pode ver esse chupão? – Lucius perguntou.

— Ele mentiu, ele foi a uma festa. – Remus disse, estupefato.

— Sim, caímos no conto mais antigo do mundo. – Lucius disse. – Adolescentes… não se pode confiar nesses pequenos traidores.

— Ei! Eu nunca fiz nada disso! – Draco protestou, achando a coisa meio irreal. Seu pai estava muito calmo.

— Para sua sorte. – Remus disse, se aproximando de Harry para levantá-lo.

— Oh, não! Nem pense nisso. – Lucius segurou o lobisomem. – Deixe-o exatamente ai, se ele conseguiu se embebedar sozinho, vai se virar para ir para a cama sozinho. Mal posso esperar para falar com ele pela manhã.

Draco ficou apreensivo. Ele conhecia aquela voz do pai, nunca pressagiava nada bom.

— Papai, ele só está entediado. Tenho certeza que…

— Não se meta, Draco. Vá para o seu quarto, e nada de chamar um elfo para levá-lo.

O tom de voz não admitia réplicas.

— Sim senhor.

Harry não conseguia energia para se levantar, mas estava bem o suficiente para se arrepender de ter ido a festa. Maldita Ginny e sua mania de estar certa.

Notas finais
E então, o que acharam? Agora tenho três fics ativas, incluindo uma super nova que é Lucius/Remus, se chama Pet. A próxima a atualizar é Recomeços. Nos lemos por ai. Beijos