Notas iniciais
Olá, eu voltei. E antes do esperado, hein? Porque né... ficção é necessária porque a situação real do Brasil não tá fácil. Boa leitura.

Harry jurou a si mesmo que nunca mais beberia. Com uma careta, o jovem franziu o cenho e gemeu, não tinha coragem o bastante para abrir os olhos, sabia por relatos de companheiros e de seu próprio padrinho, que isso faria sua cabeça piorar. Ele estava dolorido por ter dormido no chão e amaldiçoou profundamente a capacidade de Ginny para prever desastres. Como ele podia ter acreditado que seu plano daria certo sem nem ter bebido antes?

— Bom dia, Harry! Não pretende sair do tapete, raio de sol? — O jovem gemeu ainda mais audivelmente. Lucius Malfoy estava sentado no sofá, esperando que ele acordasse, claramente.

— Não grite. — Harry implorou.

— Eu não grito, meu jovem. Não me culpe se está de ressaca e com a cabeça retumbando. — Lucius disse, mas, sadicamente estava sim, falando num tom de voz mais alto que o normal, ainda que não gritasse, não tinha essa classe de comportamento deselegante.

Harry finalmente abriu os olhos e se sentou no chão, sentindo o mundo girar instantaneamente, e segurando a cabeça numa vã tentativa de estabilizá-lo.

— Acho que vou morrer. – Lamentou-se.

— Oh, eu duvido disso. É só sua primeira ressaca, duvido que seja a última.

Harry suspirou, aceitando o copo de água que lhe era estendido pelo loiro. Porém, olhou-o com dúvida pouco antes de tocar os lábios.

— Não tem veneno aqui, certo? Não vai me dar algo para piorar minha situação, não é?

— É só água, posso garantir. — Lucius disse, parecendo estranhamente calmo, na opinião de Harry.

— Então, está planejando como me prender nas masmorras em vez de me matar rapidamente? — Ele perguntou, suspirando novamente e bebendo a água. Esse gosto horrível em sua boca vinha de onde, pelo amor de Merlin?

— Não estou, na verdade. Seu maior castigo vai se curar dessa ressaca do jeito trouxa. Nada de poções, querido. — O loiro disse, imensamente satisfeito.

— O quê? — Harry perguntou, totalmente incrédulo.

— Sim, isso mesmo. — Lucius confirmou, olhando seriamente para o jovem a sua frente.

— Por quê? — Harry perguntou, se sentindo desanimado de novo. — Qual é a armadilha?

— Não tem. — Lucius disse. — Não queria envolver o Remus nisso até conversarmos. porque ele pode reagir como um idiota com esse tipo de coisa, acha que não senti quando saiu da mansão ontem? Te deixei ir, te deixei respirar um pouco.

— O que quer dizer? Por que fez isso? — Harry perguntou, desconfiado, mas resignado em ter sua vida ainda mais cerceada e vigiada.

— Tive conversas muito interessantes com Martin. — Harry desviou o olhar do pai nesse momento, será que o beta tinha traído seu segredo? — Não falamos de nada que você confidenciou a ele, sabe que fazer fofocas não é o estilo daquele lobo.

— Qual é o problema então? Pare de fazer rodeios! — O jovem explodiu, gritando e fazendo sua cabeça latejar mais fortemente, igual a mão que usou para socar o chão.

— Esse é o meu problema. — Lucius disse, suspirando. — Foi necessário alguém de fora da família chamar minha atenção para seu comportamento.

— Eu...

— Deixe-me terminar, Harry. — O loiro pediu, muito seriamente. — Não estou falando como se isso fosse uma bronca. É uma constatação. Às vezes, eu me esqueço de que minha mania de te proteger afeta seu desenvolvimento. Sei que gosta de pensar que é um adulto, mas na verdade é um adolescente, e ainda não terminou de crescer. Desde que te deixamos de castigo por causa do Ministério, você está deprimido. Verdade seja dita, está assim errático desde que perdeu seu amigo naquele cemitério bem em frente os seus olhos. Foi um erro não conversar mais a fundo sobre isso, você está ferido e tem razões para isso, passou por muita coisa em um período curto. Foi torturado, cortado, manipulado e usado. Tem o direito de estar com raiva e deprimido.

— Eu não estou. — Harry teimou.

— Você não dorme bem, só quis jogar quadribol com Ginny quando ela te chantageou, tem ataques de raiva e chora de noite, quando pensa que seu pai não pode te ouvir. — Lucius disse. — Adivinha? Ele não ouve, mas eu sei porque tenho feitiços de monitoramento no seu quarto.

— Isso é invasão de privacidade. – Harry disse, mais envergonhado que bravo.

— Eles estão lá desde que vocês eram bebês, durmo melhor sabendo que posso interferir se algo for mal. — Lucius explicou, mas claro, não ia se desculpar, nem retirar os feitiços. — Meu ponto é que achei que o problema fossem pesadelos com o que aconteceu, mas juntando com o resto... eu sinto muito se te pressionamos demais.

Harry suspirou.

— Não é culpa de vocês... eu só estou cansado e frustrado. Eu deixei o diretor me manipular, Kingsley morreu por minha culpa, Bellatrix fugiu de novo, ela matou o Ministro... tudo porque eu não pude mantê-lo longe da minha cabeça. Foi por isso que o Cedric morreu também, porque a provoquei… ela só o torturou porque a provoquei, ele estaria se eu tivesse ficado quieto.

— Isso não é bem assim, ela é louca, ele teria te ajudar e terminaria morto do mesmo jeito. Não foi sua culpa, pelo amor de Merlin. — Lucius disse, triste, que o menino ainda carregasse esse tipo de pensamento e munindo-se de paciência para continuar a conversa. — Vou revogar seu castigo, poderá sair da mansão, Bellatrix é um perigo sim, mas não acho que vá te atacar em plena luz do dia. E precisará avisar de absolutamente todos os seus passos, mas não quero que se sinta preso.

— Sério? — Harry perguntou, ainda procurando a armadilha.

— Sim, e gostaria de te pedir, veja bem, não é uma ordem, que fosse ver um psicomago. — Lucius disse, já sabendo que o jovem explodiria.

— Eu não sou louco!

— Você acha que eu sou louco? — Lucius questionou, calmamente. — Eu tive que fazer terapia depois da morte do meu pai. Fiquei muito mal e abrumado por causa das responsabilidades de me tornar o chefe da família. Isso não é loucura, Harry, só quero que tenha alguém pra falar, alguém que não vai te julgar ou contar para os seus pais. Pode falar tudo com ele.

— Vou pensar nisso. – Harry resmungou.

— Pode te ajudar mais do que pensa, pode te ajudar a não ter mais pesadelos. – Lucius insistiu.

O moreno não respondeu, e tentou se levantar, mas cambaleou e o pai teve que segurá-lo, aproveitando o tempo para dar-lhe um abraço apertado.

— Sei que parece que nada vai dar certo, mas isso é coisa da idade. Juro que vai ficar tudo bem, está tudo bem se sentir confuso. – Lucius disse, beijando-lhe os cabelos e fazendo uma careta. – Mas precisa tomar um banho. Vou deixar o sermão sobre bebidas com o seu pai, ele treinou muito com seu padrinho por anos a fio. E ele sim vai gritar.

Harry gemeu.

— Mas, papai, estou doente.

— Está de ressaca, é muito diferente. Não pense que vou segurar o lobo. – Lucius disse, com sadismo. – Te deixei sair para uma voltinha, não para voltar bêbado e caindo na minha sala de estar.

O adolescente fez uma careta, se sentindo miserável.

— Me carrega até o banho? Senão vou cair e vomitar nas suas escadas.

Lucius revirou os olhos e os apareceu no quarto do menino.

— Filhotinho mimado…

Harry olhou o pai sair e sorriu.

— Mas você me ama mesmo assim. – Disse para o vento, se sentindo confortado por essa noção.

X~x~X

Lucius não estava brincando quando disse que o deixaria passar a ressaca do jeito trouxa, menos ainda quando predisse que Remus ia gritar. O lobisomem esbravejou e passou-lhe um sermão sobre responsabilidade e perigos de ficar bêbado, ainda mais que ele chegou em casa com chupões no pescoço. Ganhou uma conversa explícita e gráfica dos perigos que passou, incluindo ser estuprado, terminar com doenças venéreas, ou com uma garota desconhecida grávida dele. Foi um verdadeiro show de horrores, que piorou sua dor de cabeça e sua vomitar o que já não tinha no estômago.

— Mestre Harry deve beber todo o chá. – Tilly pediu, com sua voz estridente.

— Mas eu vou vomitar. – O moreno lamentou, se sentindo absolutamente miserável, jogado no sofá da sala.

— Mestre Remus disse que o senhorito deve beber muitos líquidos para se hidratar, mas que não devemos dar poções porque precisa aprender a não beber como um gambá. – A elfo recitou, e sua voz fina fez Harry se encolher.

— Esse lobo sempre me surpreende com o quanto pode ser sensato. – A voz aveludada de Severus Snape fez Harry se encolher mais ainda e virar o rosto para o encosto do sofá, procurando proteção contra o homem. O fato de seus pais não o terem castigado, não o tirava do gancho para as repreensões e punições dos padrinhos.

— Por favor, não me mate, tio Sev. – Harry pediu, com voz de choro. – Já vou morrer de ressaca, meu pai já gritou e papai acha que sou louco.

Harry levou um tapa afiado na coxa, que o fez se virar assustado e olhar para o homem, que o fulminava com o olhar.

— Não diga que Lucius te acha louco. É uma ofensa para ele e uma mentira. – Severus disse, mas logo pigarreou e se sentou no sofá, colocando as pernas de Harry sobre o colo. – Sei que passou por muita coisa, não é um problema reconhecer que está mal.

Os olhos de Harry se encheram de lágrimas e uma escapou, para sua eterna vergonha.

— Eu só queria que tudo fosse igual. – O jovem se lamentou, odiando que tudo tivesse mudando, sua vida, sua segurança, seus sentimentos por Draco.

— Crescer dói, Harry. – Severus disse, suavemente. – Aqui, beba isso.

Harry arregalou os olhos quando viu o frasco que ele oferecia.

— Mas eu deveria ter uma ressaca educativa. – O menino disse, olhando maravilhado para sua salvação.

— E está entre as minhas funções te mimar até a morte. E eles não podem me tocar, estou gestando gêmeos. – Severus disse, dando de ombros.

— Eu te amo. – Harry disse, levantando o tronco para dar um beijo no rosto do homem. – Mas talvez eu não deva…

— Deixe de ser um leão tolo, beba a maldita poção. É a última que vai ter de mim por muitos meses. Aproveite.

O menino bebeu e o efeito foi quase imediato. Ele se deitou mais leve no sofá, a cabeça sem latejar, o estômago sem protestar.

— Obrigado, tio Sev.

— De nada. Além disso, agora que não vou mais trabalhar em Hogwarts aceitei um aprendiz, ele vai me ajudar com a minha pesquisa durante a gestação.

— Pensei que queria descansar! Não pode ficar se estressando. – Harry protestou.

— Estresse eu teria dando aulas, o campo da pesquisa vai me distrair. Consegue me imaginar oito meses deitado e sem fazer nada?

Harry hesitou um momento.

— Não. – Disse, já rindo.

— Exato, e meu aprendiz fará todos os testes e misturas, é totalmente seguro.

— Quem é o pobre coitado? – Harry brincou.

— John Joshua, um antigo aluno muito dedicado. – Severus disse, com os olhos maliciosos. – Deixou seu padrinho bastante ciumento.

— Oh, confesse que o escolheu para se vingar de todos os cadetes bonitos que o padrinho fica observando na Central.

Severus piscou para o menino.

— Quer conhecê-lo? Já o coloquei para arrumar o laboratório da mansão. Vou me instalar aqui.

— Vão fechar Grimmauld Place essa temporada? – Harry perguntou. Não era incomum que Severus e Sirius passassem meses morando ali.

— Durante toda a minha gestação, não quero ficar sozinho por lá, nunca se sabe se terei algum tipo de problema, aqui será mais fácil para Lucius manter um olho em mim. Além disso, seu avô sempre quis que meus filhos nascessem aqui.

Harry sorriu mais ainda.

— Vamos lá, vamos conhecer seu capacho, digo, aprendiz. E depois vamos ver o avô Abraxas na biblioteca, ele deve ter palpites para o nome dos bebês desde antes de você se casar.

Severus assentiu. Ele não ia mencionar que a mudança dele e Sirius também era para animá-lo, a coisa já parecia funcionar, mas ele iria garantir que o menino visse um psicomago. Lucius tinha razão, depressão era algo perigoso e Harry sempre foi muito sensível, apesar de aparentar vivacidade e força.

O Pocionista o seguiu até o laboratório de Malfoy Manor, que ao contrário do de Grimmauld Place era iluminado e muito arejado, além de ser maior, estava dois passos atrás do rapaz, e estranhou o grito assustado que o adolescente deu.

— JJ? O que está fazendo aqui?

Seu aprendiz parou de limpar a bancada dos caldeirões e sorrir para Harry.

— Ora, vejam só, é o salvador. – O jovem disse.

— Seu nome é John Joshua? – Harry perguntou rindo. Ele tinha esperado um estudioso corvo, não o sexy e rebelde motoqueiro com quem tinha trocado beijos na noite anterior.

— Não é educado rir do meu nome. Mamãe resolveu que era uma excelente ideia homenagear meus dois avôs. – O jovem se defendeu, corando.

— É fofo… como você. – Harry arriscou, sabendo que foi um flerte pífio, para dizer o mínimo.

— É impressão minha ou está flertando descaradamente com meu aprendiz, Harry? – Severus questionou, fazendo o jovem dar um pulo, se lembrando que ele estava ali.

— Não, de jeito nenhum. – O adolescente se apressou em negar.

— Na verdade, sim, professor. – JJ disse. – Não sei porque ele está negando, inclusive me beijou ontem a noite.

Severus olhou criticamente para seu aprendiz.

— Ele é filho de um lobisomem e afilhado de Sirius Black, aquele auror mal encarado e sem paciência.

— Não pretendo fazer nada indevido. E estaria mais preocupado com ele ser estimado pelo maior mestre pocionista da Europa. – Disse, numa jogada muito sly, na opinião de Harry.

Severus assentiu.

— Nada de ir até o quarto dele, e nem mesmo pensem em macular meu laboratório com seus descontroles juvenis. E se essa “coisa” afetar nem que seja dois minutos de seu tempo que deve ser dedicado aos estudos comigo… estará na minha lista negra, para sempre. É meu primeiro aprendiz, perfeição é o mínimo que exijo.

— Sim senhor. – Os dois disseram ao mesmo tempo, pálidos.

— Bem, acho que prefere ajudar meu aprendiz a limpar o laboratório e preparar tudo para amanhã do que visitar um quadro comigo, se comportem.

Severus saiu da sala com um esvoaçar dramático de capa, deixando os dois jovens atônitos.

— Será que ele ensina o negócio da capa? – O aprendiz brincou.

— Não, mas tenho certeza que você pode me ensinar coisas muito mais interessantes, Joshua. – Harry provocou.

JJ se aproximou de Harry, prensando-o contra a bancada.

— Claro que posso te ensinar muitas coisas. – Ele disse, junto a boca de Harry, fazendo-o sentir seu hálito quente, e havia uma mecha longa do cabelo castanho fazia cócegas no pescoço do jovem, fazendo-o se arrepiar inteiro. – Como, por exemplo, limpar um caldeirão adequadamente para que não fiquem resíduos que afetem a pureza de poções futuras. Aqui, pegue esse pano e essa solução alcalina.

Harry fulminou-o com os olhos verdes.

— Provocador.

— Ouviu o homem, estudos vem primeiro. – JJ sentenciou, fazendo Harry suspirar. Claro que Severus iria arrumar um aprendiz tão sádico quanto ele.

X~x~X

Ron tinha um plano. Um bom plano, é claro, ele era uma serpente, depois de tudo. Ele e Draco estavam tendo dificuldades logísticas em seu namoro desde a batalha no Ministério. Lucius não iria permitir que seu herdeiro saísse de casa sem proteção adequada, o que significava lobos superprotetores, então, os dois estavam praticamente castos. Ron não se sentia à vontade em fazer nada minimamente intimo na mansão, porque ele sabia que o nariz de Remus iria delatá-los, e mesmo que nem na escola eles tivessem tido sexo propriamente dito, os dois adolescentes sentiam falta das carícias e brincadeiras que podiam fazer na intimidade de seu quarto.

— Então, os gêmeos estão de acordo com isso? — Draco questionou, ainda parecendo duvidoso.

Ron revirou os olhos.

— Já te disse que sim. Eles não são como o Bill, o Charlie ou o Percy. Já sabem que você não é um aproveitador descarado... e entendem como é chato não ter privacidade com o namorado.

Draco deu um sorriso malicioso.

— Começo a pensar que o pai Remus tem razão em ficar de olho em você, está soando como se quisesse prejudicar minha castidade, senhor Weasley.

— Quero mesmo é te tirar dessa onda de mau humor que ficou depois que seu padrinho escolheu um aprendiz.

A cara de Draco azedou instantaneamente, fazendo Ron desejar provocá-lo um pouco mais, mas o ruivo se conteve, já que conhecia bem o gênio ruim que o namorado poderia manifestar quando contrariado.

— Aquele idiota. Eu deveria ser o primeiro aprendiz do Severus, isso sem falar que aquela criatura abjeta fica flertando com Harry e ninguém faz nada a respeito.

Ron teve que argumentar contra isso.

— Bem, o cara tem coragem, tem que reconhecer isso, não é fácil encarar o olhar do seu pai e as ameaças do Sirius. E, vamos lá, Harry está muito animado desde que ele veio estudar com Severus... e acho que nunca vi o cara estudar tanto nas férias. — Ron disse, rindo. Ah, os milagres que os hormônios podiam produzir.

Draco fez uma careta. É claro que ele tinha notado que o estado de ânimo de Harry tinha melhorado drasticamente, desde a bebedeira, duas semanas atrás. Ele só não sabia se devido a revogação do castigo, ao flerte do maldito aprendiz de quinta categoria, ou a uma combinação dos dois. O loiro não entendia porquê Harry tinha tido essa mudança, por que ele não podia continuar namorando Hermione? Ela era melhor para ele, segura e sensata. Não como aquele John, só o nome já irritava Draco. Nomezinho comum e sem graça, como o dono. Por que Harry não via isso?

— Draco! — A voz firme de Ron e um tapa em seu braço o fizeram voltar a realidade.

— Sim, o quê? Por que está me maltratando? — O loiro perguntou, fazendo um beicinho.

— Porque estava me ignorando em prol de se irritar com JJ.

— Eu não estava!

— Sim, aposto que estava enumerando mentalmente os motivos pelo qual não gosta dele.

Draco terminou por rir.

— Não sei se gosto ou odeio essa sua habilidade de ler meus pensamentos.

— Devia gostar... tenho umas coisas em mente para te agradar. — Ron disse, maliciosamente ao envolver os braços ao redor do pescoço do namorado. — Vou te dar uma ajuda para esquecer sua antipatia pelo aprendiz do Severus e seu futuro cunhado.

Draco bufou indignado, mas preferiu beijar o ruivo do que despotricar contra a ideia do John-coisinha-comum entrar para a família. Como se ele fosse permitir uma coisa assim.

X~x~X

Narcissa gostava de observar. Ela era uma espectadora paciente, já tinha apostado consigo mesma várias vezes qual seria o ponto de ebulição de Tom Riddle. O novo jornal sob sua direção, o Oráculo, seria lançado no dia seguinte. O prédio que Tom tinha adquirido para ser a redação do jornal e o centro de seus negócios estava em polvorosa, e ela sabia que ele tinha muitas coisas para resolver e ler, uma vez que era o editor oficial do jornal, mas em vez de ler os artigos da primeira edição, ele estava olhando Percy Weasley. Se Oliver Wood soubesse o que era bom para sua saúde, se afastaria do ruivo e não continuaria se inclinando tão perto do amigo quando fosse entregar algum texto. O jornalista jovem da seção esportiva poderia terminar sem alguns dedos da mão, ou pior, sem emprego e arruinado. Ela sabia que o chefe estava planejando diversas formas de afastá-los só pelo brilho perigoso em seu olhar, mais ainda porque o homem não estava se preocupando em esconder essa mirada ferina. Os dois estavam no escritório de Tom, cujo maior charme eram as paredes magicamente transparentes, que lhe permitiam uma visão panorâmica de toda a redação.

— Talvez deva colocar a mesa dele aqui. – Ela provocou. – Assim vai poder intimidar o senhor Wood mais efetivamente.

— Estou pensando seriamente nisso. – Tom replicou. – Mas então estaria tentado a fodê-lo na frente da redação inteira.

A mulher riu.

— Se me permite a curiosidade… por que ainda não seduziu o rapaz? Os dois trocaram faíscas em seu baile, pensei que era uma questão de tempo.

— Eu o mandei pesquisar atração mágica. – Tom disse, numa careta de autodepreciação. – Ele o fez, e agora sabe como me repelir quase efetivamente.

Narcissa sorriu largamente.

— Ele pode ser uma coisinha espinhosa, certo?

— Sim, mas essa coisa está atrapalhando meus planos. Preciso tirá-lo do meu sistema.

— Como pretende fazer isso?

— Bem, ele sabe repelir um certo nível de atração, mas nunca realmente mostrei do que sou capaz perto dele, certo?

— Só… tome cuidado. Percival já teve problemas o suficiente.

— Se refere a castração? – Tom perguntou. – Na minha época de escola acontecia muito com os mestiços ou sangue ruins. É uma pena, realmente, ele é um belo exemplar de sangue puro.

— Bem, quem melhor para acabar com a inocência do rapaz e mostrar-lhe as delícias que pode fazer com o corpo? – Ela jogou a isca. – Duvido que ele tenha tido a oportunidade de se divertir adequadamente com aqueles meninos sem sal da escola, se bem que Wood parece saber usar o que tem entre as pernas.

— Vá embora, Narcissa, antes que eu a crucie. – Tom disse, pegando um pergaminho e começando a ler.

Ela se levantou, e arrumou rugas imaginárias em sua saia.

— Eu diria que seu mau humor é falta de sexo, meu Lorde, mas isso seria muito insensato.

Tom meditou por dois segundos antes de sacar sua varinha e lançar um malefício em sua antiga subordinada enquanto ela saía pela porta. Ela virou o pescoço rapidamente e lhe lançou um olhar fulminante. O homem se sentiu vingado, isso é, até que ela passou pela mesa de seu assistente com olhos chorosos, o o direcionou para ele. Percy não levou nem um minuto para estar em sua sala, olhando-o como se fosse uma forma de vida inferior.

— Por favor, me diga que não enfeitiçou Lady Narcissa. Onde já se viu? É esse o tipo de comportamento que quer mostrar a sociedade? E…

Tom rilhou os dentes. Foram só uns furúnculos de nada, ela não precisava enviar Percy para dar-lhe uma palestra completa de meia hora. Ele sequer podia desviar os olhos para seu trabalho, sabia, por experiências prévias, que tentar ignorá-lo rendia-lhe sermões maiores e um par de gritos. Ele realmente precisava dar um jeito nisso, de preferência envolvendo sua mesa e o rapaz dobrado sobre ela com aquela bunda redonda nua. Será que ele tinha sardas pelo corpo todo? Tom fixou os olhos nele, pensando se ele lhe daria sermão que levaria se o assistente soubesse sobre o que estava pensando enquanto olhava aqueles lábios vermelhos e cheios se moverem, ou se se ajoelharia entre suas pernas e…

X~x~X

Draco não podia acreditar que teriam o apartamento só para eles por uma tarde inteira. Foi a melhor ideia que Ron teve em muito tempo, seus pais confiavam na segurança dos gêmeos, eles eram loucos, porém geniais. E com Arthur e Percy trabalhando, os dois não corriam o risco de ser pegos.

— Esse lugar está muito mais arrumado que a última vez. – O loiro comentou.

Ron deu um sorriso enorme.

— Não é? Percy está muito melhor, o psicomago dele disse que o quadro está muito bom. Ele voltou a ser nosso irmão ranzinza e certinho, não tem medo de repreender todo mundo e desde que começou naquele trabalho que sua mãe arrumou está todo cheio de projetos.

— O novo jornal. – Draco disse, admirando a animação do namorado. Ele ficava lindo falando com motivação de alguma coisa.

— Sim! O chefe dele é muito estrito, ele vive reclamando do jeito grosseiro dele, mas também vive elogiando a eficiência e o conhecimento do cara. – Ron disse. – Acho que posso convencê-lo a me deixar trabalhar lá quando terminarmos a escola.

— Eu sabia que queria ser jornalista! – Draco disse, vitorioso.

Ron corou, na confusão que tiveram com Rita Skeeter, ficou bem claro suas ideias sobre como um jornalista deveria ser e sua vontade de mudar a visão que as pessoas no mundo bruxo tinham do que era jornalismo. Na verdade, ele poderia se dedicar a escrita, o mundo bruxo carecia de produção de entretenimento.

— Não é um crime.

— E agora, pode usar a influência do seu irmão para conseguir o trabalho. – Draco disse, indo em direção ao namorado, fazendo-o recuar de costas até que caiu sobre o sofá.

— Claro, só preciso dar duas piscadinhas e fazer cara de cachorro sem dono. – Ron disse, sorrindo ao sentir Draco se inclinando sobre ele.

— Isso mesmo, manipular seus irmãos sempre foi um dos seus esportes preferidos, mas não pense que pode fazer o mesmo comigo. – Draco disse, deslizando a mãos por baixo do suéter do namorado. – Me disse que eu teria uma surpresa por correr o risco mortal de me meter no covil dos Weasley.

— Só corre risco porque é um atrevido que fica tomando liberdades. – O ruivo respondeu, arqueando o corpo ao sentir o namorado acariciar seus mamilos.

— Sabe que sentiu falta das nossas “brincadeirinhas” tanto quanto eu. – Draco murmurou junto aos lábios de Ron, beijando-o lascivamente em seguida.

O ruivo relaxou o corpo, envolvendo os braços ao redor do pescoço do namorado, puxando-o para si, adorando sentir de novo o peso do corpo dele sobre o seu. Draco se encaixava perfeitamente nele, mais estreitamente e apertado ainda, já que estavam no sofá. Não tomou muito tempo de beijos e carícias para que os dois adolescentes pudessem sentir suas ereções pressionadas juntas mesmo com as camadas de roupa separando-os. Os dois tinham passado muito tempo sem poder ter momentos para extravasar seus hormônios em ebulição, por isso, Ron não estranhou quando Draco deslizou as mãos de seus mamilos para suas calças, desabotoando-a e abrindo a própria, mas ele realmente tinha uma surpresa para o namorado e isso não incluía uma sessão de masturbação mútua, por mais que isso fosse tentador.

— Draco… não. – Como de costume, as palavras tiveram efeito imediato e o loiro parou o que estava fazendo, e encostou a testa na dele, parecendo mais curioso que confuso.

— Qual o problema?

— Eu realmente tenho uma surpresa… no quarto. – Ron disse, corando deliciosamente e fazendo Draco arregalar os olhos. – Não isso… ainda. Mas algo que nunca tentamos.

O loiro assentiu, e se deixou levar para o quarto, que naquela casa Ron compartilhava com Percy.

— Quer mesmo minha morte, não é? – Draco zombou. – Se Perfeito Percy imagina que fizemos algo indecoroso nesse quarto…

— Bem, não vai contar pra ele, vai? – O ruivo perguntou, empurrando Draco em direção a cama, e sentando em seu colo, fazendo suas ereções roçarem novamente, mas ignorando isso para se concentrar em tirar a camisa do loiro.

Draco o ajudou e logo estava sem camisa e com as calças em suas coxas.

— Pretende me deixar nu? Porque seria mais fácil se me deixasse levantar para me livrar das calças. – Provocou.

— Sim, por favor. – Ron disse, aliviado por alguém no quarto ainda pensar direito e deixando o namorado se livrar das calças.

Draco estava gostando muito do rumo dos acontecimentos, por isso estendeu a mão para despir o ruivo, mas esse o impediu e na verdade, fez um movimento que o confundiu, colocando sua ereção com cuidado dentro das calças novamente e abotoando-se muito cuidadosamente, gemendo a cada pressão que o tecido fazia no órgão sensível.

— Não ria, não é sexy. – Ron disse, tirando a camisa, deixando Draco ver o peito cheio de sardas que tanto gostava. – Preciso ficar assim… não quero terminar antes que você.

— Sempre sou sexy. – Foi a resposta do loiro, se deitando nos travesseiros que cheiravam ao namorado. – Sou todo seu, faça o que quiser.

Ron lambeu os lábios, mas se muniu de coragem e lutou contra o embaraço.

— Eu andei lendo… coisas muito interessantes para fazermos juntos. – O ruivo disse, afastando as pernas de Draco e se ajoelhando entre elas.

— Isso soa bastante considerado da sua parte. – O loiro respondeu, segurando a respiração ao sentir o hálito quente de Ron em suas coxas, será que ele ia?

Todo pensamento coerente voou da mente de Draco quando ele sentiu como o namorado segurava sua ereção e a colocava na boca, envolvendo a ponta extra sensível do órgão no calor molhado, fazendo-o apertar o lençol entre seus dedos com força. Um gemido alto escapou de sua garganta quando sentiu como o ruivo o engoliu mais fundo, passando a chupar, arrancando-lhe um choramingo vergonhoso.

— O quê? Foram os dentes? Machucou? – Ron perguntou, depois de soltá-lo com pressa, fazendo um som molhado obscenamente excitante.

— Não… é só bom pra caramba. Faça de novo. – Draco pediu. – Se der errado vou te avisar.

Ron assentiu, voltando a colocar a ereção palpitante do namorado na boca, sabendo que ele adorava quando acariciava a abertura de seu pênis, provocou a área com a língua, provando o gosto do líquido pré-seminal que brotava dali, achando-o picante e forte, mas não desagradável. Deixando-se guiar mais pelo instinto que pela leitura prévia, abaixou a cabeça, engolindo toda a extensão da ereção do loiro, sentindo-o chegar a sua garganta, mas não sufocando-o, recuou rapidamente, porque não tinha conseguido respirar direito, sentiu seus dentes arranhando levemente a pele sensível, mas Draco estremeceu e gemeu de prazer, levando a mão a seu cabelo e impulsionando-o para baixo novamente, então, sabia que ele estava gostando. Ron continuou chupando-o, indo de cima para baixo, com movimentos cada vez mais ritmados, deixando o pênis duro do namorado cada vez mais liso e escorregadio, sentindo-o pulsar e estremecer a cada movimento, mas certamente, não esperava o momento em que ele apertou a mão em seu cabelo, parando seus movimento para explodir em sua boca com um espasmo forte.

Draco mal podia acreditar nisso. Essa era a melhor sensação do mundo, podia sentir e ouvir seu coração retumbando no peito e teria para sempre na memória a imagem de Ron entre suas pernas, massageando seu pênis e lambendo as gotas peroladas de sêmen que tirava dele.

— Santo Merlin… isso foi perfeito. – Draco elogiou.

— Obrigada. – Ron disse, com um sorriso descarado. – Mas acho que as regras de etiqueta dizem que deve dar um aviso antes de quase me afogar gozando na minha boca.

— Você não parecia preocupado na hora. – Draco disse, sorrindo descaradamente, usando os dedos para limpar o queixo do namorado, sujo com o sêmen que tinha escorrido de sua boca e ele não tinha conseguido engolir. – Agora, quer me dar instruções de como fazer isso com você? Prometo não morder.

Mesmo que estivesse tentado, Ron negou com a cabeça, dando uma última lambida provocativa no membro cada vez mais macio do loiro, fazendo-o gemer apreciavelmente.

— Acha que fiz isso só pelos seus belos olhos cinzentos? – O ruivo provocou. – Quero um prêmio.

Draco o olhou com curiosidade enquanto tirava um frasco da gaveta. Era lubrificante.

— Hum… Ron, eu não quero fazer isso hoje. – O loiro disse, ele adorava essas intimidades com o namorado, mas não queria dar esse passo numa tarde apressada e clandestina.

— Eu sei, não é isso. – Ron disse, corando. – Sabe como usamos lubrificante e nos… você sabe… nos… quando você…

— Quando te acordo, abaixo sua calças de pijama e me esfrego em você até gozarmos e fazermos uma bagunça na cama? Sei sim. – Draco ajudou o namorado, Ron podia ser um devasso, mas não era bom dizendo coisas sujas em voz alta.

— Sim… podemos fazer isso de outro jeito. Posso?

Draco assentiu, e soube por onde iam quando o ruivo o virou de bruços afastando suas pernas levemente, isso seria interessante, loiro pensou, já se perguntando se isso seria bom pra ele também, se sentiria vontade de ser penetrado ao ser estimulado ali. Suas tentativas tinham sido mais incômodas que prazerosas.

— Ai Merlin, essa bunda. – Ron disse, como se não pudesse se conter, fazendo Draco sorrir, e sentir uma onda de satisfação e excitação ao sentir como o namorado acariciava essa parte de sua anatomia, apertando-o e apreciando a maciez. O loiro suspirou quando o namorado separou suas nádegas, expondo-o e derramando uma quantidade generosa de lubrificante entre elas, fazendo-o se arrepiar pelo contato frio no local tão quente e intimo. – Tudo bem?

— Diferente, mas de um jeito bom. – Draco respondeu, com a sinceridade que tinha pedido e dado nesse relacionamento desde sempre.

Mais confiante, Ron deslizou dois dedos entre as nádegas do namorado, espalhando o lubrificante e acariciando o local, sentindo como o loiro estremeceu quando passou por sua abertura enrugada e tão malditamente delicada e pequena, que ele se perguntou como poderiam fazer sexo sem ser doloroso.

— Isso é bom, faça mais. – Draco pediu, abrindo mais as pernas.

Como o bom namorado que era, Ron obedeceu, usando os dedos para espalhar lubrificante no local, acariciando e pressionando levemente, sentindo como o local pulsava. Imaginou se ele se sentiria bem se usasse seu pênis, porque sabia que estava a ponto de explodir. Desfez-se dos botões e baixou as calças até o joelho, passando uma quantidade generosa de lubrificante em si mesmo, para logo arrastar a ponta da ereção entre as nádegas já molhadas do loiro, sentindo um arrepio de prazer e satisfação, vendo como Draco abria mais as pernas, ao mesmo tempo que se pressionava contra o colchão. O ruivo gemeu fortemente ao se deitar sobre o namorado, cobrindo-o completamente com seu corpo e começando a deslizar de cima para baixo, com lentidão primeiro, mas logo acelerando o ritmo porque se sentia extremamente excitado, era uma sensação maravilhosa, ter Draco debaixo dele e sentir a bunda macia contra seus quadris enquanto investia contra aquele calor molhado e estreito. Sentiu como o loiro levava uma das mãos a sua própria bunda, pressionando-o para baixo e incitando-o a investir com mais força e mais rápido, as unhas se cravaram em sua pele quando ele deu um último impulso forte, molhando Draco com jatos quentes de sêmen e caindo pesadamente sobre ele.

— Espero que não esteja pensando em dormir, Weasley. – Draco disse, ofegante. – Pode se levantar e cuidar de mim de novo, porque sua recompensa me deixou com um probleminha…

Ron riu ao ouvir isso.

— Então gostou disso também?

— Obviamente, quero esse livro emprestado também. – Draco brincou, se virando e ficando cara a cara do namorado. – Mas depois… agora, quero que use essa bagunça que fez ai embaixo para me masturbar, afinal, não pode me deixar assim depois de me usar descaradamente.

O ruivo obedeceu, é claro. Quem em sã consciência diria não para Draco Malfoy nu e excitado?

Notas finais
E então? O que acharam? Nos lemos em Recomeços.