Um Novo Caminho
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Severus não sabia se estava agradecido ou irritado que seu marido fosse o auror estrela do Ministério. Sirius tinha sido chamado para uma missão especial um dia depois do funeral de Abraxas, o animago tinha tentado recusar, mas Moody apareceu na mansão gritando sobre os crianças bruxas nascidas entre os trouxas sendo raptadas e encontradas mortas, coisa que fez Severus despachá-lo para o serviço. E isso já tinha quase uma semana, e o vira-lata não tinha mandado nenhuma notícia além de uma nota rabiscada às pressas avisando que ia estar no mundo trouxa sem poder se comunicar.
– Maldito cachorro idiota. – Ele resmungou, enquanto fazia anotações em seu diário de trabalho.
– Não devia reclamar Sev, você que o mandou para a missão. – Lucius disse, depois de ter entrado sorrateiramente no laboratório do amigo.
– Eu não estou reclamando! Só acho que não preciso das fofocas sobre ser largado logo depois do casamento. – Severus reclamou.
– Ninguém está dizendo isso. – Lucius tentou minimizar o assunto, mas ele sabia que esse era um dos temas preferidos da alta sociedade nesse momento, claro que eles não sabiam que Sirius estava numa missão.
– Claro que estão. Você foi ao Ministério hoje, o que ouviu? – Severus perguntou.
– Nada importante. – Lucius desconversou. – Estava mais preocupado em registrar os documentos da herança.
– Como se isso fosse verdade… me diga. – Severus pediu, cruzando os braços.
– A secretária da Lucrécia estava fofocando com uma amiga quando eu cheguei. Sobre como Black partiu para a lua-de-mel sozinho porque ficou decepcionado com você na cama.
Lucius podia ver uma veia pulsando no pescoço do amigo, mas não houve nenhuma explosão de temperamento por parte do pocionista, ele só franziu os lábios.
– Já foi a Grimmauld Place recentemente? – Severus perguntou.
– Não, mas Remus comentou que o lugar é uma ruína. Por quê? – Lucius perguntou, confuso.
– Eu me casei com o dono, suponho que vamos viver lá, preciso arrumar a bagunça antes de me mudar. – Severus explicou, olhando para Lucius como se ele estivesse sendo obtuso de propósito.
– Mas pensei que iam morar aqui! – Lucius disse. – Vai mesmo querer morar naquele mausoléu? Não se esqueça do quadro de Walburga.
– Eu sou casado agora, e por mais que queira arrancar a cabeça do meu marido, precisamos morar juntos para fazer isso funcionar. Acha mesmo que Black moraria aqui?
Lucius deu de ombros.
– Ele viria se você insistisse, e deveria começar a chamá-lo pelo nome se pretende mesmo ficar íntimo com seu marido. – Lucius deu um pequeno sorriso, coisa que agradou Severus, afinal, o loiro não tinha sorrido muito desde a morte do pai. – Claro que agora vou poder saciar minha curiosidade e descobrir a capacidade de Black na cama.
Severus corou até ficar escarlate, para a diversão do loiro, que agora sorria largamente.
– Ah, é isso, não é? Está querendo morar sozinho com o vira-lata para poder seduzi-lo onde quiser. Não recomendo a pia até ter alguma experiência, a torneira pode ser um problema… ou uma diversão!
O pocionista gemeu, cobriu o rosto com as mãos.
– Seja lá o que fiz a Merlin para merecer a maldição de ter que ouvir suas perversões, deve ter sido abominável.
– Não seja mau comigo. – Lucius disse, praticamente fazendo beicinho.
– Isso está certo, não seja mau com ele. – Remus disse, finalmente entrando no laboratório e abraçando Lucius pelas costas e aspirando o cheiro do companheiro, ele não podia resistir, seu lobo interno estava praticamente ronronando porque o loiro tinha voltado a fazer manha e sorrir.
– Ele está me aborrecendo, não o defenda. – Severus disse, jogando um verme ainda se contorcendo no cabelo de Lucius, que chiou e fez uma careta de nojo ao retirá-lo dos fios sedosos e jogar no caldeirão do pocionista, que sorriu ao vê-lo rebotar pelo escudo que ele sempre lançava em suas poções.
– Se comporte Luc. – Remus pediu, sorrindo. – O que os dois estão aprontando? E onde estão os meninos?
– Narcissa levou Draco para um novo guarda-roupa e Harry foi brincar com os meninos Weasley. – Lucius disse, usando a varinha para verificar as horas. – Seja um bom lobo e vá buscá-lo, ele tem que tomar banho e se aprontar para o jantar.
– Sim, meu lorde. – Remus respondeu, brincando.
– Oh, amanhã vamos começar a reformar a casa do seu amigo, Severus quer morar lá.
– Tudo bem, estou com a agenda livre depois de quebrar as maldições de algumas joias de família. Sogras puro-sangue podem ter uma criatividade maligna para se vingar das noras. Graças a Merlin Walburga Black está morta, não posso imaginar o que ela teria feito quando Sirius se casou com Severus.
– Por quê? – Lucius perguntou, increspado. – Severus é protegido dos Malfoy e…
– Um mestiço. Você se esquece disso tão facilmente Luc. – Severus disse, sorrindo para o amigo, que podia ser um racista até a medula, mas que ignorava o fato quando se tratava das pessoas que amava.
X~X~X
Draco e Harry não tinham permissão para subir as escadas de Grimmauld Place, coisa que os deixou confinado a bilioteca, provisoriamente transformada numa sala de jogos. Draco o tinha convencido a brincarem com uma reprodução de Hogwarts, que funcionava como uma casa de boneca mágica. Os dois estavam rindo, porque podiam ver como os pequenos bonecos andavam pelo castelo e lutavam contra as escadas que se moviam para onde queriam. Eles tinham tentado pegar os livros, mas Remus tinha dito com cara séria para não tentarem porque podiam se machucar e até tinha lançado um feitiço nas estantes, colando os livros lá antes de ir espantar bichos-papões dos quartos. Os dois meninos tinham ficado assustados, com medo de que algo acontecesse com ele, mas Lucius tinha deixado claro que os monstros tinham muito mais medo de Remus do que o contrário. Assim, os dois meninos estavam se divertindo na biblioteca da casa do tio Sirius e de Severus agora, porque os adultos tinham explicado que eles iam morar juntos porque eram casados e que os meninos teriam um quarto só para eles ali também, para quando fossem visitar. Isso os tinha impedido de chorar, claro que os sapos de chocolate tinham contribuído um pouco também.
Os meninos estavam tão concentrados em brincar que não perceberam o cachorro grande que espreitou pela porta entreaberta, Sirius não queria assustá-los, mas o elfo que os vigiava atentamente o viu e se posicionou de frente aos meninos, perdendo a tensão do corpo quando percebeu a magia de Sirius. Satisfeito com isso, o animago mancou até a escadas e subiu, o cheiro de seu marido o levou até a suíte master da casa. Severus e Lucius estavam olhando com nojo para o quarto, e se viraram simultaneamente assim que ele colocou o focinho na porta.
– Seu vira-lata voltou para casa. – Lucius disse. – Podemos colocá-lo para arrancar essas cortinas horrendas e esse papel de parede mofado.
– O que foi Black? Por que não volta a forma humana?
Sirius só pôde ganir, e choramingar lastimosamente, ele trotou, ainda mancando até a cama e se arrastou com dificuldade até os travesseiros. Lucius e Severus fizeram os mesmos sons de degosto.
– Não tem problema, eu ia jogar a cama fora mesmo! E nem pense que vai encher outra cama com as suas pulgas, cachorros não podem ficar na cama! – Severus esbravejou, ao mesmo tempo que Sirius se encolhia. – LUPIN!
O berro de Severus ecoou pela casa, e os meninos na biblioteca olharam um para o outro e sorriram.
– Meu papai deve estar encrencado. – Harry disse, cutucando a réplica da lula gigante, que mostrava seus tentáculos.
– Meu papai não vai deixar o padrinho gritar muito com ele. – Draco respondeu, despreocupado.
– Eu sei. – Harry disse, sorrindo.
X~X~X
Remus se perguntava como era ele que ficava sendo olhado acusadoramente pelos dois slytherins no quarto quando tudo isso era culpa de Sirius, que se refestelava na cama, ainda em sua forma animaga.
– Eu falei com os aurores, ele foi ferido durante a captura do assassino que estava caçando as crianças nascidas entre os trouxas, ele estava no meio da Londres trouxa, por isso não podia usar magia, ele atacou o cara na forma animaga e o segurou até os outros conseguirem chegar, mas antes da confusão ser resolvida seu marido consegiu ser atingido por um feitiço que o prendeu temporariamente na forma animaga.
– Temporariamente? Isso é mau, eu poderia anular o casamento se ele fosse um cão. – O pocionista disse, azedo.
Sirius ganiu, olhando desconsolado para Severus.
– E por que ainda não consertaram a pata dele?
– Os medimagos não podem soldar o osso nessa forma, poderia provocar um desvio na forma humana e eles iam ter que quebrar de novo para consertar.
– Ele merece um pouco de dor por ter sumido logo depois do casamento e me largado como algo descartável. – Severus disse.
Sirius latiu, se sentando na cama e parecendo indignado.
– Não adianta argumentar que eu te mandei ir, seu idiota. Pensei que fosse ser algo rápido, não uma viagem longa como uma lua-de-mel estendida que ia me jogar na boca do povo novamente.
Lucius cutucou Remus e o puxou para fora do quarto, fechando a porta atrás dele.
– Eles brigam como casados, só falta mesmo terem sexo selvagem. – Remus brincou.
– Acho que vou vomitar porque você acabou de me fazer pensar nos dois tendo sexo agora. – Lucius disse, fazendo uma careta.
Remus fez uma careta.
– Você tem uma mente tão suja.
– Isso é uma reclamação? – Lucius perguntou, com aquele olhar inquisidor.
– Nunca! – Remus respondeu, rindo e abraçando-o por trás, guiando-o rumo as escadas. Eles podiam chamar os elfos de Malfoy Manor para ajudar a limpar a cozinha e fazer o almoço.
X~X~X
Sirius levou doze horas para ser capaz de voltar a forma humana, depois disso, foi para St. Mungo consertar sua perna e os arranhões. Os medimagos queriam que ele ficasse em observação, já que tinha fugido antes, mas ele mancou pelo flú até Malfoy Manor, e pediu a um dos elfos que o aparecesse no quarto de Severus. Seu marido estava deitado na cama, com um livro no colo e um pergaminho flutuando a sua frente.
– Eu estou bem, obrigado por perguntar. – Disse o auror, se aproximando da cama e se livrando do sobretudo.
– Espero que não esteja planejando infestar minha cama de pulgas, vira-lata. – Severus disse, calmamente.
– Eu não tenho pulgas! – Sirius exclamou, mas cedeu diante do olhar cético de Severus, e acabou reconhecendo: – Talvez eu tenha me infectado enquanto seguia um lunático por Londres, um que matava crianças. – Sirius reclamou, cruzando os braços.
– O que eu já sabia, se Lucius souber que trouxe esses parasitas para a mansão vai arrancar seu couro. Vá tomar um banho pelo amor de Merlin.
– Mas eu estou cansado! – O animago reclamou.
– Me escute bem Sirius Black… de nenhuma maneira vai deitar na minha cama com pulgas e cheirando a cachorro.
– Está me mandando para o sofá?! – Sirius perguntou, escandalizado. – Estou moído, e…
– Estou te mandando para o banho, já disse que Lucius teria uma síncope se achasse pulgas pela casa.
– Eu poderia ter ido dormir em casa se você não tivesse destruído metade do lugar… a metade que ainda estava habitável. – Sirius se lamuriou, enquanto desabotoava a camisa, e se arrependeu dois segundos depois quando Severus fechou o livro e o pergaminho se enrolou e voou para uma gaveta.
– Então… é sua casa? Não nossa? E prefere dormir sozinho do que comigo só porque prefiro não ser infestado por pulgas? Depois de ser largado e…
– Não foi isso que eu disse! – Sirius contestou, desesperado. – Claro que eu não quero dormir longe de você, sabe perfeitamente que venho querendo isso há muito tempo, esqueça o que eu disse, por favor. Estou cansado e agindo como um idiota, vou te compensar, prometo.
Severus acenou com a cabeça, mas se fez de difícil quando o marido tentou beijar sua mão.
– Banho. – Ele decretou.
– Sim senhor. – Sirius disse, com um suspiro. – Se eu não sair logo venha ver se não dormi e me afoguei na banheira.
Quando o animago fechou a porta, um pigarro fez Severus olhar para a parede. Abraxas estava em um dos quadros de paisagem de sua parede.
– Manipulando o vira-lata pela culpa? Quem te ensinou tal jogada desleal?
– Você. – Severus respondeu, com voz embargada e lágrimas nos olhos. – Foi você, seu velho intrometido.
– Oh, não faça isso. Não chore, eu não quis aparecer antes porque pensei que ainda estivessem chocados, mas já é hora de se recomporem. Começando por consumar esse casamento. – O patriarca disse. – Todas as pinturas vieram me contar que vocês dois não dormiram juntos nenhuma vez.
– Os quadros nos espiam?! – Severus perguntou, chocado.
– Claro que sim, o que acha que temos pra fazer pela eternidade? – Abraxas deu de ombros. – Mas não preocupe, ninguém vai ficar aqui quando o seduzir, mas faça logo, não quer que uma dessas mocinhas tolas tente a sorte com seu marido, não é?
– Vá embora! – Severus rosnou, jogando uma almofada no quadro. – Ele não faria isso comigo.
– Ele é um Black antes de ser um gryffindor, família muito pervertida aquela. Tome cuidado. – Abraxas provocou antes de sair da pintura, assoviando.
No banheiro, Sirius achou uma loção com um rótulo que o fez sorrir: Para o Vira-Lata Pulguento, seu marido era tão atencioso. Ele estava acostumado a uma vida na cadeia e depois a liberdade de ser solteiro, ele nunca tinha pensado muito em como deixava pelos espalhados pela cama quando se deitava em sua forma animaga ou em possíveis infestações, aparentemente Severus pensava muito sobre isso e não ia permitir que ele continuasse tão relaxado quanto antes. O animago tomou um banho rápido, estava realmente cansado e percebeu que mesmo que se tratasse de uma loção feita por seu marido, o conteúdo do pote tinha um cheiro forte que irritava seu nariz, coisa que o fez espirrar repetidas vezes e tomar outro banho só para tirar o cheiro da loção de sua pele.
Sirius saiu do banheiro enxugando os cabelos com uma toalha pequena e vestindo apenas a calça de seu pijama.
– Existem feitiços para secar os cabelos, sabia? – Severus provocou.
– Mas eles estragam os cabelos, sabia? – Sirius replicou, sorrindo e se deitando.
– Na verdade, sim. Lucius diz a mesma coisa, eu deveria saber que os dois tem as mesmas tendências vaidosas e narcisistas. – Severus disse, calmamente, colocando o livro que estava lendo na mesa de cabeceira.
– Estou muito cansado para te dar umas palmadas por me comparar com o loiro tingido.
– Palmadas, Black? – Severus questionou. – De nós dois, eu é que teria motivos para discipliná-lo.
Sirius riu e pegou a mão do marido, a que exibia seu anel espalhafatoso e a beijou.
– Suas mãos não foram feitas para isso querido, para mover colheres em caldeirões e criar as poções mais perigosas que o mundo bruxo já viu. – Sirius disse, beijando os dedos do pocionista.
– Sério? – Severus provocou, com cara de tédio, tentando ignorar a voz sedutora do marido.
– Sim. – Sirius respondeu, contendo o riso e cogitando provocar o marido apesar de seu cansaço. – Já as minhas mãos... elas são ásperas e rudes, perfeitas para lidar com bandidos, ou com maridos malcriados.
Severus permitiu-se sorrir, seu marido estava sonolento e sua voz denunciava esse fato, Sirius estava de olhos fechados quando esgueirou a mão para baixo da camisa da camisa do pijama e puxou Severus para perto, deixando seus dados vagarem, subindo e descendo pela pele macia do pocionista, causando arrepios. Severus deu um suspiro porque enquanto sentia a mão experiente e calejada passear por sua pele sentia-se ficar quente e tenso ao mesmo tempo, ansioso como um adolescente a espera do próximo movimento do namorado, o que nesse caso foi começar a ressonar baixo, com a mão firmemente pressionada no baixo ventre de Severus.
– Cachorro provocador. – O pocionista disse, baixinho, pensando que o idiota não deveria começar brincadeiras desse tipo quando sabia que ia cair no sono antes de terminar, afinal, tinha ficado 48 horas acordado.
X~X~X
Arthur estava curioso. Percy sempre foi o mais comportado de seus filhos, mas nos últimos dias estava mais arredio e calado do que nunca. Como só tinha que estar no Ministério a tarde naquele dia, resolveu falar com o menino para descobrir o que havia de errado. Ele tinha falado com Molly na noite anterior e ela tinha deixado claro sua opinião sobre ele estar sendo exagerado sobre alguma coisa.
– Percy, gostaria de dar um passeio com o papai? – Ele perguntou, fazendo o menino despregar os olhos do livro.
– Todo mundo vai? – O menino questionou.
– Não, só nós dois. Podemos ir aquele museu que você tanto gosta.
Os olhos de Percy se iluminaram.
– Sim! – Disse o menino emocionado, pensando que o pai estava convidando porque o momento de que ele iria para Hogwarts se aproximava, ele mal podia esperar para receber sua carta.
– Muito bem, vá se trocar então.
O menino subiu as escadas tão empolgado que se esqueceu de levar seu livro e anotações, Arthur suspirou e resolveu levá-los. Molly teria um ataque se visse algo fora do lugar, e começaria a reclamar sobre como ela trabalhava como um elfo doméstico para a família ingrata. O homem entrou no quarto do filho a tempo de ver as marcas roxas em suas costas e braços antes do menino vestir a camisa.
– Estou quase pronto papai. – O menino disse animado. – Oh, que bom que trouxe minhas coisas, não quero que mamãe fique brava de novo.
Arthur colocou o livro e os pergaminhos na escrivaninha do filho e se sentou na cama, respirando um par de vezes para se acalmar.
– Oh, e você se machucou onde? – Perguntou, apontando para as costas do filho.
– Os gêmeos e suas piadas. Eu me assustei com uma bomba fedida e caí das escadas. – Disse o menino dando de ombros.
– Mas e seus braços?
Percy fechou a cara, e olhou para longe do pai.
– Foram os gêmeos também?
– Não. – Ele disse simplesmente.
– Foi a mamãe?
O menino sacudiu a cabeça.
– Mas só porque eu estava chorando e atrapalhando, ela só me sacudiu.
– Eu entendo. Pronto para o passeio? – Arthur perguntou, fingindo uma efusividade que não tinha mais.
– Claro! – Percy disse, se esquecendo do quão encabulado e deprimido tinha estado.
X~X~X
Lucius tinha saído do Ministério e se lembrado de que os meninos precisavam de mais material para suas pinturas, de modo que se dirigiu ao Beco Diagonal para comprar os itens e alegrar seus meninos. Eles tinham tido dois ou três dias muito ruins depois da morte de Abraxas, ainda mais com a partida de Sirius para a missão, mas eles tinham tido uma grande melhora, que o psicomago creditava ao fato de serem crianças e superarem mais rápido que adultos, ainda que os pesadelos de Draco o preocupassem e o medo de Harry de ser abandonado tivesse voltado com força total. Já o loiro tinha estado compreensivelmente deprimido e retirado após a morte do pai. Muito ocupado e cansado com toda a burocracia de ter se tornado o patriarca da família de um dia para o outro, sem se sentir realmente pronto para isso. Talvez isso explicasse seu comportamento naquela tarde. Ele tinha saído da Floreios e Borrões com as compras encolhidas no bolso de seu casaco, bem a tempo de ver Remus andando pelo Beco. O lobisomem estava delicioso usando uma calça preta que modelava as coxas musculosas e uma camisa branca levemente larga, que mais insinuava que marcava seu corpo. Lucius suspirou, pensando quanto trabalho teria para fazer o amante jogar o sobretudo de couro no lixo. O item usado e antigo não estragava seu visual, mas o deixava com ar de rebeldia e perigo que atraía muitos olhares, definitivamente, o casaco teria que ir embora, o loiro pensou.
Ele ia se aproximar do amante, que certamente ainda não tinha sentido seu cheiro devido ao vento que soprava em sua direção e não na de Remus. Lucius ficou paralisado quando viu outro homem se aproximar do lobisomem e passar o braço sobre seus ombros muito familiarmente para o gosto de Malfoy, e para o cúmulo do absurdo, teve a petulância de beijar a bochecha bem barbeada de Remus. A mão de Lucius se apertou em torno de sua bengala, sua vontade era matar o atrevido no meio da rua, mas em vez disso se aproximou deles e notou quando Remus o percebeu por perto, porque viu o lobisomem engolir em seco e tentar se afastar do homem, que riu e o abraçou mais apertado.
– Por que está olhando feio, Malfoy? – O homem inquiriu. – Nunca viu dois homens se abraçando? Muita influência trouxa na sua sociedade chata?
Lucius sabia que devia ter esbarrado com o idiota alguma vez, mas não se lembrava direito. Ele ia retrucar quando Remus riu.
– Não seja estúpido Fin, os puro-sangue não tem nada contra homossexuais. – O lobisomem disse.
– A menos que sejam trouxas, então, somos escória. – O ruivo disse, olhando com nojo para Lucius.
Remus se desvencilhou do amigo, e ia defender Lucius quando a voz sedosa e depreciativa do loiro o fez parar.
– Mas vocês são. Tão sem classe e nenhuma noção de tradição, andam por ai como se fossem donos de um mundo que mal entendem… em resumo, um bando de sangues ruins escandalosos e inaptos. – O loiro disse, com um tom de voz calmo e altivo que fez alguns dos espectadores do interlúdio gelarem. – E sobre ver dois homens se abraçando… não me incomoda a menos que sejam suas mãos imundas sobre meu amante. Agora, providencie para que isso que não se repita. Malfoys não gostam que toquem seus brinquedos e eu sou muito bom em punições desagradáveis, pergunte ao Lupin.
Remus estava chocado com tudo o que ouviu, mas ainda tinha mais por vir, quando Lucius se virou para ele, os olhos cinzentos estavam gelado e ele disse friamente:
– Espero que escolha melhor suas amizades, não me agrada te ver contaminado por esse tipo de gente. Vamos para casa.
A multidão viu estarrecida como o loiro agarrava a mão do lobisomem e aparatava. Logo o murmurinho começou, a notícia de que Lorde Malfoy era amante de Remus Lupin ia correr como rastro de pólvora pela sociedade bruxa.
X~X~X
A primeira coisa que Lucius sentiu logo depois da aparição foi o choque doloroso de suas costas contra a parede.
– Que porra foi essa?! – Remus praticamente rugiu, num estado de raiva que Lucius nunca tinha visto.
– Ele estava te tocando! – Lucius disse, com raiva também.
– Ele é um amigo e estava me abraçando, não apalpando minha bunda ou meu pau, pelo amor de Merlin! – Remus gritou, ainda segurando-o contra a parede. – E que merda foi aquele discurso racista e toda aquela pose? O que diabos deu em você?!
Lucius lutou contra as mãos de Remus e se soltou, olhando fulminante para o amante.
– Aquilo era eu! Eu sou assim! Eu acho sangues ruins insuportáveis e desprezíveis com raras exceções. Eu sou um filho da puta preconceituoso Lupin, ou se esqueceu disso? – Lucius disse, usando o mesmo tom de voz que tinha usado no Beco, fazendo o sangue de Remus ferver.
– Oh, então, agora que você é o Lorde Malfoy vai agir como um bastardo frio e desprezível? Um que tem a necessidade de fazer todo mundo pensar em mim como seu brinquedinho sexual preferido? Nada mais do que a puta do lorde?
Lucius sorriu, não o sorriso que Remus gostava, mas um cínico e amargo.
– Oh, esse é o problema? Te incomoda ter ficado como a minha puta?
– Me incomoda que você sentisse a necessidade daquele show. – Remus disse, parecendo esgotado.
– Eu…
– Eu vou ver os meninos, vamos conversar quando estiver mais calmo.
– Eu estou calmo agora! – Lucius gritou.
– Eu não estou! – Remus gritou de volta. – Estou lutando contra a vontade de te dobrar nessa mesa e te mostrar quem manda nessa porra de relação, mas é o animal em mim falando e eu nunca faria uma coisa dessas com você. Então, por favor, me dê espaço para me acalmar.
O lobisomem saiu do quarto, seu lobo rugindo em protesto, mas contido. E Lucius, teve a súbita vontade de chorar, coisa que não tinha feito desde que o pai fora enterrado, era injusto que ele estivesse tão confuso e ferido. Ele queria que tudo voltasse ao normal, o problema era que isso era algo impossível.
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