Um Novo Caminho

5 Posicionando Jogadores


Notas iniciais
Eu voltei! Muito obrigada pelos comentários lindos de vocês.

Remus esperava encontrar Narcissa com as crianças, já que ela tinha passado tanto tempo longe do filho pequeno, mas quando entrou no quarto de Draco, viu apenas Abraxas Malfoy deitado de barriga no chão ajudando os meninos a montar um castelo de blocos. Obviamente essa visão o deixou momentaneamente aturdido e sem palavras.

– Moony! – Harry gritou, indo abraçá-lo.

O lobisomem sorriu e jogou seu moreninho para o alto, Draco também foi até ele, exigindo a mesma atenção.

– Isso não é justo. Eu gastei meus ossos velhos para brincar com eles e é você quem ganha abraços e festas. – Abraxas reclamou.

Draco e Harry riram e foram abraçar o patriarca Malfoy, que levantou os dois meninos no colo, um em cada braço.

– Onde está Lucius? Temos que terminar de revisar alguns contratos. – Disse o homem, deixando os meninos brincarem com os botões de marfim de sua túnica.

– Pensei que ele viria pra cá, mas acho que foi ao escritório. Encontramos a senhora Malfoy no Beco e ela disse que viria para cá.

O rosto do patriarca endureceu e ele colocou os meninos no chão.

– Coloque um feitiço silenciador no quarto e distraia os meninos. Vou mandar um elfo chamar quando for seguro.

Remus estranhou essa recomendação, mas assentiu, não iria desobedecer o patriarca da família, menos ainda quando ele falava com aquele tom de voz cortante.

X~X~X

Narcissa andava de um lado para o outro, como uma fera enjaulada. Ela tinha gritado e lançado um par de feitiços no maridos, mas o loiro continuava estóico e firme em sua decisão.

– Eu não entendo você e seu pai! Parecem ter uma fixação com a ralé da sociedade, e o pior é que os trazem para dentro de casa. – Ela disse, com desprezo.

– Ah querida, não precisa se sentir tão mal, você nem é tão ralé assim. Quem olha não vê logo de cara que você tem a educação da mulher de um peixeiro. – A voz de Abraxas chegou até ela como uma chicotada.

Lucius suspirou, ele não queria o pai nessa discussão, seria pedir demais um pouco de sossego? Ele viu o pai sorrir quando sua esposa segurou a varinha com força, pálida de raiva.

– Perdoe-me, me excedi. A mulher do peixeiro provavelmente é mais educada e útil que você.

– Cala a boca! Não pode me tratar assim! Lucius, faça alguma coisa! – Ela exigiu.

– Faça você, parar de gritar seria um bom começo. Aja como uma dama e ele vai te tratar assim.

– Ou talvez eu aja como uma puta, parece que funciona com o mestiço seboso, não é? – Ela disse, venenosa, olhando para o sogro.

– Duvido que funcione pra você, querida, a menos que queira ser amordaçada. Calada você até que fica passável. – Desdenhou Abraxas.

Narcissa era uma Black e essa família não era conhecida pela calma e bom-senso, ao ouvir mais esse insulto a loira gritou uma maldição cortante na direção do sogro, antes de o feitiço chegar perto do patriarca, ela sentiu como as proteções da mansão a imobilizavam e expulsavam dos terrenos. Lucius por sua vez só olhava para o pai com reprovação.

– Isso foi muito infantil.

– Ela estava falando do Severus, agradeça que não a cruciei até pedir desculpas. – Abraxas disse, friamente.

– Agora as proteções da mansão nunca vão deixá-la entrar de novo. – Lucius disse, com ar de desespero.

– Problema dela.

– Ela é minha esposa e mãe do seu neto. – Lucius argumentou, espantando com a reação do pai.

– É uma víbora insuportável que não tem um pingo de consideração por você ou pelo filho! Quando foi a última vez que ela viu o Draco? Ou que falou com você de outra coisa que não fosse o repasse da mesada dela? Isso não é modo de criar um filho Lucius.

– Ela é uma víbora bastante astuta e gosto de tê-la a meu lado para vigiar seus movimentos.

– Não pode se dar ao luxo de estar com ela agora que nossa família protege Harry Potter, sabe perfeitamente com que ela gasta boa parte d dinheiro dela.

Lucius assentiu, ele sabia que a esposa financiava alguns grupos radicais que ainda se ocupavam de aterrorizar trouxas e sangues-ruins.

– Sim, mas eu poderia convencê-la a deixar isso de lado.

– Sei que ela foi sua amiga anos atrás, filho, mas acho que a garota que ela foi não existe há muito tempo. – Abraxas disse, seriamente.

Lucius odiava admitir isso, mas era verdade.

– Está me aconselhando a pedir o divórcio?

– Vivamente.

– Vou levar em consideração, agora, devo ir procurá-la.

X~X~X

Severus Snape era o novo prodígio de poções do mundo mágico e Dumbledore o vinha observando há anos. O diretor tinha tido esperanças de ter o rapaz a seu lado desde que o viu no sorteio em Hogwarts, ele tinha sido difícil de manipular, provavelmente por ser um slytherin, mas no fim, Dumbledore tinha conseguido enredá-lo, era só mais um menino abusado e maltratado que precisava de uma figura paterna. Claro que, ele não contava com a interferência de Abraxas e Lucius Malfoy, sendo que o mais novo descobriu como Snape era tratado em casa quando ainda era prefeito e depois de contar ao pai, os dois realizaram um resgaste discreto, mas contundente do pequeno Severus de doze anos de idade. Desde então o pequeno gênio das serpentes era pupilo de Abraxas e morador de Malfoy Manor, praticamente inaccessível as garras do diretor. E o velho mago sabia que o rapaz era um dos comensais de Tom, outro slytherin que ele não conseguiu controlar. Pensando com cuidado, ainda mais depois de ter sofrido uma derrota amarga no caso da guarda de Harry Potter, ele se aproximou sorridente do jovem que saía do Ministério com o mesmo ar solene de sempre.

– Ora, quem eu encontro! Boa-tarde Severus. – Disse alegremente.

Severus se conteve para não revirar os olhos.

– Bom-dia diretor.

– Voltando de suas aulas na Irlanda? – Dumbledore perguntou.

– De fato, sim. Há algo em que possa ajudá-lo? – Perguntou Severus, sempre direto.

– Na verdade sim, talvez seja amável e me acompanhe até o Caldeirão Furado para uma bebida?

Severus assentiu, era uma boa opção, um local público e com saídas fáceis. Ele não era tolo e sabia que por trás dos olhos brilhantes, o diretor tinha que estar furioso com Lucius e Abraxas pela ajuda que eles deram a Remus Lupin no assunto de Harru Potter, e de jeito nenhum ele seria o caminho para atingir os loiros.

Os dois magos se sentaram numa das mesas do bar e só depois que tiveram suas bebidas é que o diretor começou a falar.

– Eu soube que você está terminando seu curso para pocionista com êxito. Seu nome não para de ser murmurado pelos grandes pocionistas do mundo inteiro, deve ter recebido muitas propostas para ser aprendiz de vários deles, certo?

– Sim, mas qual é o seu ponto?

– Eu preciso de um novo professor de poções em Hogwarts, já que nosso querido Horace quer se aposentar. O posto seria seu, e a cheia da casa das serpentes também, é claro.

Severus sempre tinha desprezado seu chefe de casa, o homem era um desculpa desleixada e manipulável de chefe de casa, sempre manejando tudo de acordo com as vontades do diretor.

– Há pocionistas mais experientes que eu para ocupar o posto. – Severus disse, calmamente. – E eu pretendo entrar para a área de criação e pesquisa.

– Que melhor local para isso que Hogwarts? Terá acesso aos laboratórios e aos ingredientes da escola, além de poder coletar o que quiser na Floresta Proibida ou nas estufas especiais.

– É uma proposta interessante, pensarei a respeito e responderei em breve. – Severus disse.

Albus ia retrucar quando os sentidos dos dois ficaram alertas, logo, os dois se levantavam com varinha em punho, conjurando um escudo que repeliu o feitiço de uma Narcissa Malfoy muito irritada.

– O que diabos há de errado com você? – Severus perguntou, irritado.

– Você é meu problema! Sempre foi! Um pedaço nojento de mago, sangue nobre estragado com sujeira trouxa… é culpa sua que eles pensem que sou inadequada!

Ela ergueu a varinha para atacar Severus de novo, mas antes que pudesse terminar o feitiço, caiu no chão vítima de um desmaius certeiro de Lucius.

– Eu lamento por isso. – O loiro disse, na direção do balcão. – Claro que vou pagar pelos estragos.

– Não tem problema. – Madame Rosmerta disse. – Só mantenha sua esposa sob controle.

– Vou levá-la até St. Mungo, ela está passando por uma crise nervosa. Peço desculpas novamente.

– Espero que nosso querido Harry não tenha sido exposto a esse tipo de cena. – O diretor espetou, com voz suave.

Lucius rilhou os dentes, mas manteve a calma ao replicar:

– Não, ela não vive na mansão. Pode verificar por si mesmo quando começarem as inspeções mensais do Ministério que exigiu no acordo de guarda.

– Só uma medida de precaução, meu caro Lucius. Todos sabemos que Remus pode ter problemas mensais, nosso caro Severus sabe bem do que falo. – O diretor disse, maliciosamente, ainda que mantivesse o ar de avô dócil e preocupado.

Severus crispou os lábios. Ele ainda não tinha perdoado o amigo por levar para a mansão o lobisomem que quase o tinha matado, mas não ia deixar o diretor sair vencedor.

– Lupin não vai ter problemas, eu vou fabricar a poção mata-lobo para que suas trasnformações sejam mais controladas.

Lucius sabia que isso era um blefe, já que Remus tinha encontrado a paz com sua essência a poção não era necessária, mas nenhum deles iria contar ao diretor sobre a reconciliação entre Lupin e seu alfa.

– Isso vai ser ótimo. Bem, vou indo… pense na minha proposta Severus. Que sua esposa melhore, Lucius. Até mais.

Os dois slytherins acenaram à guisa de despedida e Lucius levou uma desacordada Narcissa para o hospital enquanto Severus ia para a mansão.

Quando o pocionista chegou em casa, se deparou com Remus sentado no chão da sala de estar, cantando com os meninos.

– Padin! – Draco gritou, indo abraçá-lo.

– Olá, o que está fazendo?

– O senhor Remus está me ensinando a cantar com o alfabeto. Eu e Harry já cantamos duas vezes! – O menino contou, orgulhoso de si mesmo.

Severus sorriu para o afilhado e deu um aceno para Lupin.

– Isso é ótimo. – Ele disse para Draco.

– Vai cantar com a gente?

– Agora não, tenho que preparar algumas poções para seu amiguinho.

– Ah, tudo bem. – O loirinho disse, ciente de que quando seu padrinho dizia não era por um bom motivo.

Severus passou a mão pelos cabelos de Draco e quando ia saindo da sala, se inclinou e bagunçou ainda mais os cabelos de Harry, que não tinha saído do colo de Lupin. A proximidade com o lobisomem o fez ficar tenso, mas Remus deu-lhe um sorriso caloroso, que o deixou mais tranquilo. O homem sempre tinha sido o menos insuportável dos marotos.

X~X~X

Naquela noite, depois que os meninos foram dormir, Remus usou o flú para ir a mansão do clã de Fenrir, ele tinha que atualizar seu alfa dos últimos acontecimentos. Isso deixou espaço para que os três slytherins pudessem conversar abertamente sobre seus planos.

– Essa proposta do velho perturbado não me agrada. – Abraxas disse. – Ele quer você por perto para poder te controlar.

– Ele não pode fazer isso, e acho que seria interessante ter uma posição de poder na escola. Além disso, as serpentes precisam de uma chefia decente, só Merlin sabe que classe de estúpido ele contrataria.

Abraxas concordou, mas ainda era reticente em permitir que seu pupilo ficasse tão a mercê de Dumbledore.

– Pode ser feito pai. E ainda podemos colocar toda a sorte de feitiços de proteção e um par de amuletos no Sev, também não gosto muito da ideia, mas seria uma jogada interessante.

– Vocês dois agem como se pudessem me impedir. – O moreno disse, cruzando os braços e olhando-os com cara azeda.

Os dois Malfoy sorriam igualmente ao dizer:

– Nós podemos.

Severus revirou os olhos e tomou mais um gole de seu uísque.

– Posso trabalhar lá temporariamente, isso também me daria certo prestígio entre os pocionistas. Geralmente leva-se anos para alguém ser convidado ao posto em uma da melhores escolas de magia do mundo.

Abraxas assentiu, mas não se privou de provocar um pouco:

– E claro que isso me ajuda na busca de um pretendente que te faça a corte.

Severus engasgou com sua bebida.

– Papai, não seja malvado, não vê que assim deixa o menino envergonhado? Sabe que ele é uma alma pura que não gosta desse tipo de coisa…

– Vocês dois podem ir diretamente para o inferno! – Severus resmungou, saindo da sala, deixando os dois loiros rindo.

X~X~X

Remus sorriu quando terminou de arrumar o novo quarto de Harry, isso quase uma semana depois de os dois terem se mudado para Malfoy Manor. Os meninos tinham passado a manhã se movendo entre os pavões albinos que Abraxas comprou para divertir o neto, assim que depois do almoço começaram a coçar os olhos, querendo dormir. Remus pegou cada um em um braço e levou primeiro Draco para seu quarto e o depositou no berço, o problema ocorreu quando ele tentou sair com Harry.

– Senhor Remus! Po que leva o meu Harry? – O loirinho questionou.

– Lembra que decoramos o quarto ao lado? – Draco assentiu, tinha ajudado a escolher os animais encantados que brincavam no papel de parede. – Então, é o quarto do Harry, ele vai dormir lá agora.

– Não! – Draco protestou, gritando. – Quero ele aqui!

– Draco Malfoy, isso não é jeito de falar. – Remus admoestou, sabendo de antemão que Lucius tinha pulso firme com o filho, apesar de quase nunca negar nada ao menino.

– Mas você não gota do Daco e quer levar o Harry!

– Eu quero ficar com Daco.

Remus dificilmente poderia resistir a dois meninos bonitos pedindo algo tão simples.

– Meu Merlin… tudo bem meninos, mas depois vamos falar sobre isso.

O “depois” foi igualmente difícil, já que quando Remus e Lucius decidiram que naquela noite os dois dormiriam separados os meninos choraram e olharam tão acusadoramente para os dois que os deixaram (de novo) dormir no berço de Draco. Depois que os meninos tinha adormecido, eles colocaram Harry em seu quarto, mas quando Draco percebeu que não tinha seu amiguinho para abraçar e acordou, começou a chorar e espernear em seu berço, Abraxas se levantou pronto para enfeitiçar os dois insensíveis, responsáveis pelas lágrimas de seu netinho angelical, quando viu que um estalido da magia de Draco trazia Harry flutuando pela porta. O moreninho ainda dormia e pousou no berço do loiro, que o abraçou, muito contente.

– Esse é meu garoto! – Abraxas disse, rindo. – Da próxima vez, mude a cor do cabelo do seu padrinho, não acha que ele ficaria lindo com os cabelos loiros como os nossos?

Draco sorriu para o avô e bocejou.

– Pobre do meu neto, cansado e tendo magia acidental só para ter seu amiguinho perto. O que acha de um leitinho para ajudar a dormir?

O loirinho assentiu e Abraxas fez aparecer uma mamadeira que deu ao menino, em menos de cinco minutos o loiro já dormia novamente e Abraxas foi até seu quarto. Tinha que extrair esse acontecimento para mostrar ao par de tolos que queria tirar o que pertencia a seu neto, Malfoys nunca deixam isso acontecer.

X~X~X

Remus tinha planos para brincar com os meninos na piscina aquela manhã. Harry precisava de sol e Draco também, claro que nenhum deles podia lidar com o sol da tarde, por isso, os levaria logo de manhãzinha. Os meninos estavam comendo seus pãezinhos, ao lado deles quando Severus entrou na sala segurando o jornal.

– Deveria mesmo considerar a compra do Profeta. – O moreno disse, sem dar bom-dia.

– O que foi agora? – Lucius perguntou.

– Seu pedido de divórcio é o escândalo da primeira página. – Disse, jogando o jornal para o amigo.

– Excelente, tudo o que precisávamos. – Lucius resmungou, deixando o jornal de lado, que foi pego por Remus.

– Narcissa ainda está em St. Mungo? – Abraxas perguntou.

– Sim, ela preferiu ficar por lá e ser diagnosticada com uma crise nervosa. É uma boa desculpa para o comportamento dela, afinal de contas.

– Sim, e como ela encarou o divórcio?

– Gritando e amaldiçoando, mas não há muito o que fazer. – Lucius deu de ombros. – Ela vai receber o dote de volta e dei duas casas para ela… mas acho que poderíamos pensar numa pensão.

– Não, melhor dá um cofre em Gringots, assim o vínculo termina. – Abraxas disse.

– E sobre Draco? – Severus perguntou, olhando para o afilhado que comia calmamente.

– Ele fica, é claro. Ela nunca foi muito maternal, não colocou empecilhos, mas eu disse que pode mandar cartas e visitar sempre que quiser. – Lucius disse, apesar de achar que ela não faria questão disso, até que ele crescesse.

– Desde que ande na linha. – Abraxas finalizou, pensando nos grupos que ela tinha financiado.

– Ela é a mãe, pode ter contato com o filho. – Lucius disse, terminantemente.

Abraxas revirou os olhos e os três adultos perceberam a careta de Remus ao ler o jornal.

– Algum problema? – Lucius perguntou.

– Eles falam do Sirius aqui… acha que eu poderia encontrar uma maneira de vê-lo em Azkaban?

– Dificilmente. Por quê? Ele é o padrinho do Harry, mas não ia ajudar ter o apoio dele com essa reputação horrível. – Lucius disse, distraidamente.

– Eu quero saber por que ele ficou do lado de Voldemort… e por que não nos avisou das manipulações do Dumbledore se sabia como eram as coisas. Ele me deve isso. – O lobisomem disse duramente.

Severus foi o primeiro a reagir, deu um bufido de descrença.

– Black nunca esteve do lado do Lorde. – Disse, com desdém. – Ele era um traidor, mas da família.

Remus arregalou os olhos, confuso.

– Mas ele disse que a culpa era dele, ele era o fiel do segredo… ele entregou James e Lily! – O lobisomem argumentou.

– Black nunca foi um comensal… mas o amiguinho Peter de vocês correu para beijar a túnica do Lord muito antes do que eu. – Severus disse.

Remus voltou a sentir seu coração se encolher de dor. Peter… o amigo que tinha pranteado e lamentado, era um comensal? Será que Sirius o tinha matado depois que descobriu? Mas então… por que tinha entregado a localização da casa?

– Moony? Po que tá tiste? – Harry perguntou, puxando sua túnica.

– Eu… está tudo bem, vamos passear no jardim para tomar sol? – Ele chamou os meninos, eles precisavam fazer a digestão antes de poderem brincar na piscina.

Os pequenos concordaram, loucos para ver novamente os pavões albinos. Quando eles saíram, Lucius coçou o queixo, pensativo.

– O que acha papai? Devo ir avaliar se Black já teve o suficiente de seu castigo?

– Ainda acho pouco, mas… — Abraxas começou a dizer.

– Do que vocês estão falando? – Severus perguntou, muito desconfiado.

– Digamos que nossa querida Lucrécia pode ter perguntando, se hipoteticamente falando, fôssemos comensais de verdade e não obrigados pela imperius, se saberíamos se Black era realmente servidor do Lorde e se tinha traído os Potter. – Abraxas disse.

– E vocês o mandaram para Azkaban?

– Ele quase matou você e na época eu não pude me vingar adequadamente. – Abraxas disse, com naturalidade.

Severus não sabia se sorria pelo protecionismo do homem ou se arrancava os cabelos.

– Eu me vinguei. Sempre devolvi as brincadeiras dos imbecis.

– Sim, mas isso não muda o fato de que eram quatro contra um… e eu conheço você, te machucou.

Era verdade, mas ele não iria reconhecer tão fácil.

– E então, meu querido Severus, acha que esse tempo em Azkaban foi o suficiente ou quer que ele sofra mais?

Severus tinha estado perto de um dementador só uma vez, numa das reuniões com o Lorde, tinha sido uma tortura fria e enlouquecedora, ele não achava que mesmo Black merecesse muito daquilo, ainda mais se fosse inocente.

– Acho que Lucius deveria estudar o caso do vira-lata em sua primeira tarefa como aprendiz e futuro sucessor da Lucrécia. Talvez ele não tenha traído os Potter, mas posso imaginá-lo destroçando o rato traidor pedaço por pedaço.

– Severus está certo, vou investigar enquanto Lucrécia me tortura com mais e mais leis para analisar e decorar. – Disse Lucius, fazendo drama.

Abraxas revirou os olhos e Severus só negou com a cabeça, Lucius era um mimado e nada mudaria isso.

X~X~X

Remus podia sentir a inquietação de não resolver a pendência sobre Sirius, mas os meninos o mantiveram muito ocupado durante as próximas semanas. Draco tinha contraído gripe mágica e Harry não demorou em seguir o loirinho, nada muito grave, mas que irritava os dois pequeno. O problema foi que enquanto os dois estavam de cama, chegou o dia da visita do Ministério, coisa que deixou Remus na defensiva e pronto para rosnar. Lucius, que tinha passado a maior parte do tempo trabalhando com Lucrécia apareceu junto com Arthur Weasley e Dolores Umbridge.

– Boa-tarde Remus, é o dia da inspeção do Ministério. Os meninos estão acordados?

– Não, eles dormiram depois de tomar uma sopa. Ainda estão um pouco febris.

– Ah, o pequeno Harry está doente? Mas já? – Dolores perguntou, venenosa.

– É uma gripe, normal em crianças. – Remus rebateu.

– Ah sim, nosso pequeno Ron e os gêmeos também estão doentes. Eles ficam tão manhosos quando é assim, não é? – Arthur disse e Remus concordou.

Para satisfação de Lucius e ódio de Umbridge, os dois gryffindors se enfrascaram numa conversa sobre truques para lidar com a gripe em crianças e Weasley até citou no relatório o parecer do medimago de St. Mungo que Harry estava ganhando peso e se recuperando dos abusos. No fim, foi uma inspeção muito suave, claro que a cara de sapo tinha que soltar seu veneno e deixar Remus se sentindo mal.

– Dessa vez está tudo bem, mas sabemos que ainda não é aquela época do mês… como pretende lidar com esse bicho sr. Malfoy?

– Remus vai ficar num dos calabouços da mansão, gostaria de conhecer o lugar? – O loiro ofereceu com voz pétrea.

Umbridge reconhecia uma ameaça sutil quando ouvia uma, de forma que negou e se apressou em sair. Remus e Arthur se despediram e combinaram de trocar corujas.

– Fazendo amizade com um Weasley… eca! – Lucius disse quando os inspetores tinham ido embora, sentado em uma poltrona.

– O que tem de errado? – Remus perguntou, cruzando os braços.

– São amantes de trouxas, esse ai principalmente… e tantos filhos pelo amor de Merlin! – Não tem nada de errado nisso!

– Se quer acreditar que de misturar com trouxas não é problemático, posso te mostrar quantos antepassados meus foram queimados por trouxas inofensivos e interessantes. – Lucius disse, acidamente.

– Não estou dizendo que devemos nos revelar, mas não temos que sair por ai matando e torturando gente inocente! – Remus disse, batendo o pé.

– Qualquer dia lobo, vou te amarrar e mostrar o que é tortura.

Se Lucius pensou que intimidaria Remus, não conhecia a extensão da influência de James e Sirius nele, porque o lobisomem se aproximou e colocou uma mão em cada braço da poltrona onde o loiro estava sentado. Lucius podia sentir o calor que emanava do corpo do lobo e sentiu suas respirações se misturando.

– Ou talvez eu te amarre e te dê uma lição de humildade… loiro arrogante.

Os dois ficaram se encarando, olhos prata e ouro numa disputa silenciosa.

– Oh, por favor, se vão foder não o façam na minha poltrona. – Abraxas disse, parado no umbral da porta.

Remus deu dois passos para trás, e corou. Lucius rilhou os dentes e olhou feio para o pai.

– Péssimo senso de momento, papai.

– Eu diria que é ótimo, ou por acaso se esqueceu de que hoje é a formatura do Severus? E que temos que ir porque o velho imbecil vai estar lá para jogar na cara de todos que contratou o pocionista mais promissor dessa geração? – Abraxas disse, indo se arrumar.

Lucius fez uma careta e se levantou, precisava se apresar ou Severus o mataria por se atrasar.

– Cuide bem dos meninos Lupin.

– Sempre faço, Malfoy… se se comportar, cuido bem de você mais tarde.


Notas finais
E o que acharam? Me digam, por favor.