Notas iniciais
Olá, eu voltei! E obrigada pelos lindos comentários, fico feliz que minhas loucuras agradem vcs.

Lucius gostava de trabalhar com Lucrécia, principalmente porque essa posição poderosa o permitia voltar a olhar de cima muitos idiotas que o tinham hostilizado depois da guerra. Um slytherin nunca esquece, afinal de contas. Já havia mais de duas semanas que ele tinha se proposto a estudar o caso de Sirius Black, e não tinha podido avançar muito além dos fatos que todos conheciam, saiu do Ministério à tarde com a sensação de que estava deixando escapar alguma coisa. Chegou a mansão para se deparar com seu filho e Harry Potter rindo loucamente de um brinquedo que andava e piscava. E aquela coisa escandalosa definitivamente era mágica.

– Lupin. – Ele chamou com uma voz doce que não enganou ninguém.

– Esse seria eu. – Remus disse, de seu lugar no tapete, perto dos meninos. – Mas nem adianta olhar para mim. Foi seu pai que os levou para passear no mundo trouxa e que comprou o que eles quiseram.

Abraxas que estava em sua poltrona preferida lendo um livro, se encolheu levemente, mas continuou calmo, afinal, seu filho não iria enfeitiçá-lo, seria muita falta de decoro.

– PAPAI! O que eu disse sobre essa mania de fazer tudo o que eles querem? – O loiro mais novo esbravejou.

– Eu não sei, geralmente te ignoro quando começa a falar sobre isso. – Abraxas disse, muito calmo.

– Você está estragando meu filho e o Potter! – Lucius sibilou.

– E seu avô estragou você, faz parte das nossas atribuições. Vem com o título. – O patriarca disse, com a maior cara de pau.

Remus abafou um riso, não queria irritar Lucius, mas recebeu um olhar mortal do loiro que mostrou saber que ele estava rindo por dentro. Essa facilidade com que Lucius o lia era assustadora. Quem quebrou a tensão do olhar entre os dois foi Harry, que andou até Lucius e abraçou as pernas do loiro, segurando um pedaço de papel.

– Olá Harry, o que tem ai? – Lucius perguntou.

– Pa você. – O pequeno disse, balançando o papel.

Lucius sorriu para o moreninho e pegou o papel, onde havia o carimbo de duas mãozinhas.

– É minha mãozinha e a do Harry papai. Nós fomos num lugar grande e lindo e a moça deu tinta pra bincar. – Draco contou, indo abraçar o pai também.

– Passearam no mundo trouxa e brincaram com tinta. – Lucius disse, olhando para o pai.

Abraxas deu de ombros.

– Tinha várias crianças fazendo coisas assim no… sho…shop… naquele lugar grande com muitas lojas. Os trouxas tem moças que ficam brincando e distraindo as crianças, lugar interessante.

– Shopping. – Remus disse, sorrindo para Abraxas. – E brincar com tinta é perfeitamente normal e saudável.

Lucius percebeu que não poderia vencer uma discussão com aqueles dois, de modo que segurou Harry no colo e estendeu a mão para Draco.

– Venham aqui meninos, vamos tomar banho na minha banheira e deixar esses dois pensando no que andaram aprontando.

– Mas se eu não fiz nada! – Remus protestou.

– Sua cara de bom moço não me engana, Lupin. Posso não saber porque está sorrindo, mas coisa boa não foi.

X~X~X

Severus estava em seu laboratório quando ouviu batidas educadas na porta. Ele não respondeu, esperando que a pessoa fosse embora, já que ele sabia ser Lupin, o único na casa que não se atreveria a entrar sem se anunciar adequadamente. Quando vários minutos passaram sem que o lobisomem tentasse novamente, Severus achou que tinha se livrado dele, mas ouviu a batida novamente e com uma carranca foi atender a porta.

– O que você quer Lupin? Alguns de nós trabalham mais duro do que cuidar de dois bebês calmos. – Disse, irritado.

– Calmos? Já deu uma olhada nos dois ultimamente? – Remus perguntou, sorrindo, com uma da mãos apoiadas no batente da porta.

– Não reclame para mim, seu empregador é o Lucius. – Severus disse, estremecendo interiormente ao se lembrar de como Draco e Harry podiam correr rápido quando queriam.

– Eu sei, mas tinha entendido que esse material do clã é para você. – Remus disse, mostrando uma maleta na outra mão.

Severus assentiu, mas praguejou mentalmente, ele queria fazer os testes com sua nova versão da poção mata-lobos, mas também tinha começado o cozimento de algumas poções curativas para St. Mungo.

– Os meninos estão dormindo, se precisar de ajuda…

– Pensei que os odores de um laboratório te irritassem.

– Não muito, não tinha o costume de me dedicar muito as poções porque gostava mais de Defesa contra a Arte das Trevas.

– O que tem sua ironia. – Espetou Severus, pegando a maleta e girando para voltar a seus caldeirões.

Como não tinha sido expulso a base feitiços, Remus resolveu entrar no território inimigo e se manteve afastado até que Severus grunhiu um par de ordens ríspidas para que ele começasse a trabalhar nas poções curativas. Remus sorria enquanto cuidava das preciosas poções de Severus, ele se sentia culpado em relação ao homem, ele nunca tinha sido um dos atacantes do moreno, mas nunca tinha se esforçado muito para parar os amigos.

– Dumbledore não vai te fazer dar aulas esse ano?

– Não, Slughorn ainda vai trabalhar esse ano e depois se aposentar. – Severus disse, com um esgar de desprezo.

– Vocês parecem não gostar muito dele, em gryffindor nós sempre gostamos de Minerva.

Remus soube que foi a coisa errada a se dizer quando a expressão de Severus endureceu e seus olhos escureceram de raiva.

– Claro que vocês a amavam! Se até de tentativa de assassinato ela salva vocês! – Sibilou venenosamente, adorando ver o lobisomem se encolher.

– Eu sinto muito sobre isso. Eu nunca soube que Sirius faria algo tão imbecil, ele me feriu aquela noite também.

– Claro… — Severus zombou.

Normalmente Remus teria deixado para lá, mas ele tinha aprendido a lidar melhor com serpentes e se tinha uma coisa da qual eles entendiam eram lealdade.

– Aquela noite ele quebrou minha confiança, anos de amizade e confiança. Ser lobisomem era meu segredo, que isso se espalhasse era perigoso pra mim de várias formas e ele colocou tudo em risco por uma brincadeira estúpida e idiota.

Severus viu dor real nas palavras de Lupin e concluiu:

– Ele partiu seu coração. – Disse, astuciosamente.

Remus deu de ombros, corando.

– Tenho que admitir que antes disso eu estava um pouquinho apaixonado pelo idiota, mas depois era só impossível tentar ficar com alguém tão mesquinho e inconsequente. Sirius gostava de esbravejar contra a família sangue-pura e as tradições, James também, mas os dois sempre foram meninos mimados e suas ações mostraram isso.

Severus concordou. Os dois eram autênticos sangue-puros quando se tratava de andar pela escola com ar de superioridade e usar o nome da família e seus contatos para sair de todas as confusões em que se metiam.

– Mas você o perdoou.

– Sim, porque aquele pedaço de cretino realmente não pensou nas consequências. – Ele disse, com ar cansado. – Sei que não é desculpa, mas ele não pensou mesmo que pudesse te matar, ou coisa pior.

– Mimado e estúpido. – Severus disse.

– Quem, eu? – Lucius perguntou, entrando no laboratório e fazendo beicinho.

– Ele está fazendo beicinho? – Remus perguntou, entre escandalizado e divertido.

Lucius arregalou os olhos quando percebeu que era Lupin quem estava no laboratório e não seu pai.

– Ele faz isso com frequência. Nunca tinha visto? – Severus disse, para irritar Lucius. – Ele é um garotinho mimado, faz beicinho e se brincar com os cabelos dele, vai tê-lo ronronando como um gato.

Remus e Severus trocaram um sorriso cúmplice enquanto o lobisomem continuava mexendo na poção com uma mão e levava a outra ao coração.

– Oh Merlin! Não acredito que deixei de reparar em detalhes tão encantadores do Lorde Malfoy, ele parece tão sensível e meigo agora que penso melhor.

– Crucio? – Lucius perguntou, com sua varinha na mão apontando na direção de Remus e Severus.

– Não seja mal humorado Luc. – Pediu Severus, surpreendendo o loiro, o pocionista só usava seu apelido na intimidade, o que significava que ele ficado menos reservado na presença de Lupin.

– Ah tudo bem, o que você pede que não consegue? – Lucius perguntou. – O garoto mimado aqui é você.

Severus riu enquanto adicionava algo no caldeirão, e Remus percebeu que seu rosto iluminado pelo fogo que fervia a poção parecia mais suave e bonito. Os cabelos negros estavam presos num rabo de cavalo alto e ele não usava túnica completa, mas uma mais leve, ainda que negra.

– Pare de babar Lupin, e trabalhe. – Lucius sussurrou em seu ouvido, fazendo-o estremecer.

– Ciumento? – Ele perguntou, tão baixinho quanto o loiro.

– Malfoys não são ciumentos, somos vingativos, é diferente. – Lucius disse, sorrindo, depois se afastou e sentou numa das banquetas perto do balcão de trabalho de Severus.

– Não pretende ajudar em nada? – Severus perguntou, olhando feio para ele.

– E arruinar meu cabelo? Não, obrigado. Já te ofereci para pagar uma dúzia de assistentes. – O loiro disse, enrolando uma mecha dos fios claros no dedo.

– Mimados e inúteis, assim são os sangue-puros. – Severus disse, na direção de Remus, o que fez o lobisomem sorrir.

– Inútil? Eu me concentro em ser bonito, estou tornando esse laboratório lúgubre num lugar mais agradável. Ingrato. – Lucius disse, sem se irritar.

Remus riu dos dois.

– Vocês me lembram de James e Sirius se provocando o tempo todo. – Ele contou. – Só que Sirius geralmente acabava partindo para cima do James para calá-lo.

– Tão típico. – Severus disse.

– Por falar em Black… não pude averiguar muitas coisas a respeito do caso. Ele foi mandado para Azkaban sem um interrogatório. As pessoas pareciam muito apavoradas com um Black sádico o suficiente para deixar apenas um dedo sobrando de um dos melhores amigos.

– Sirius sempre detestou as amarras e preconceitos que os pais impunham, mas ele foi criado entre magia das trevas, se descobriu que Peter era um traidor, ele teria arrancado membro por membro daquele rato. – Remus disse, com voz gutural e áspera.

– Vocês jovens estão deixando algo passar. – Abraxas disse, entrando no laboratório com um copo de uísque.

– O que é, papai? Por que com o que tenho atualmente não posso seguir adiante. – Disse Lucius, simplesmente.

– Pensei, filho. Se descobrisse que Severus permitiu que alguém entrasse nessa casa e tentasse matar seu filho, o que faria com ele? – Abraxas perguntou.

Os olhos de Lucius se estreitaram.

– Iria matá-lo.

– E por acaso, deixaria sobrar um dedo? Não acha isso muito pouco numa fúria assassina? Eu poderia entender membros espalhados e muito sangue… mas eles encontraram só um dedo, nunca entendi isso.

– Uma pessoa pode viver perfeitamente sem um dedo, um corte com magia é praticamente indolor. – Lucius disse, irritado por não ter percebido isso antes. – Esse inseto pode estar vivo e rindo de todo o mundo mágico agora mesmo, mas como diabos ele conseguiu escapar dos aurores que cercaram a casa dos Potter? – Lucius se perguntou em voz alta.

– Peter é um animago, sua forma é um rato. – Remus disse, chocado ao pensar nisso.

– Serviu como uma luva, eu diria. – Abraxas disse. – Mas, não ajuda muito, já que ele escapou e está se escondendo nessa forma, encontrá-lo vai ser o inferno.

– Não exatamente. – Remus disse.

– Tem alguma ideia? – Lucius perguntou.

– Sim, vou visitar meu alfa. – Remus disse. – A poção está pronta, Severus.

– Ei! Quem te deu tanta intimidade por aqui? – O pocionista espetou.

A resposta de Remus foi piscar para o moreno, coisa que o fez revirar os olhos.

– Esse lobo é uma caixa de surpresas… o que acha que ele vai fazer? – Abraxas perguntou.

– Não tenho ideia, mas espero que funcione, ou caso contrário Black vai continuar mofando na prisão. – Lucius disse, sem muita emoção.

– Ele foi parar lá por sua própria falta de tato e nenhum juízo, não espere que eu tenha pena. – Abraxas disse.

– Vocês dois são um par de desalmados. – Severus zombou, fazendo sua melhor cara de anjo.

– Que você ama! – Os loiros disseram ao mesmo tempo.

X~X~X

Quando Remus chegou na mansão do clã, encontrou-a cálida e cheia de vozes, como sempre, mas sua surpresa foi ver que dois dos betas de Fenrir estavam em frente a lareira, muito ocupados, beijando e acariciando uma mulher completamente nua. Na sala de uma casa movimentada.

– Oh, olá Remus, procurando Fenrir? – Martin perguntou, entrando na sala.

– Sim, e me deparando com isso. – O mais jovem apontou para o trio.

– Filhotinho pudico. – Um dos betas zombou, entre as pernas da mulher.

– Não o culpe Zane, ele foi criado por bruxos, os caras coram só de ouvir falar em sexo. Garanto que ele é virgem. – Zombou o outro, que tinha estado ocupado beijando a ruiva.

A reação da mulher foi rosnar. Uma lobisomem fêmea insatisfeita não era algo bonito de se ver.

– Vocês dois se concentrem em me fazer feliz, e você filhotinho, pare de olhar ou se junte a festa. – Ela provocou.

Remus negou violentamente, e saiu procurando seu alfa, que encontrou no quarto, deitado na cama, ao lado de uma mulher, que parecia muito satisfeita.

– Hoje é algum dia comemorativo que eu não sei? Por que todo mundo está transando em cada cômodo da casa? – Ele perguntou, mais curioso que escandalizado.

– Boa-noite para você filhote. – Fenrir disse, passando um braço sobre o ombro nu da morena a seu lado. – Isso se chama fazer sexo, devia saber nessa idade.

– Oh, me poupe, você também não. Já tive seus betas me atormentando e me chamando de pudico.

– Tenho certeza de que nenhum filhote seu pode ser pudico. – A morena disse, nem um pouco preocupada com seu estado de nudez, arranhando o peito coberto de pelos de Fenrir com unhas afiadas.

– Eu não sou! Eu sou Remus Lupin, a propósito.

– Claro, o criado entre magos. – Ela disse. – Sou Reina, e a festinha é uma reunião entre clãs para promover possíveis vínculos.

– Está explicado então. – Remus disse. – Deu certo?

– Dois casais estão indo a sério, um para cada clã. Isso evita disputas entre os alfas pelos futuros filhotes. – Ela disse. – Eu detestaria ter que machucar seu papai.

– Nos seus sonhos. – Fenrir rosnou, e logo sorriu para Remus. – Visita de cortesia?

– Não exatamente, mas posso voltar depois. – Remus disse, corando, ao ver como a mulher passava a língua por um dos mamilos do alfa.

– Não precisa, ela é confiável e ajudou no assunto dos tios trouxas do seu Harry.

Os olhos negros da mulher escureceram totalmente e ela deixou de brincar com o mamilo túrgido do amante.

– Aqueles vermes nunca mais vão machucar crianças, te garanto.

Remus sorriu, e mais relaxado se sentou numa poltrona, ainda achando estranho ver o casal nu e enroscado na cama, e parecendo tão naturais.

– Foram vocês? Li no jornal trouxa que eles sofreram o ataque de um cão raivoso que arrancou as mãos do homem e desfigurou a mulher. – Ele disse, seu lobo interno tinha adorado a noticia.

– Eu mandei uma das minhas meninas e seu alfa mandou Martin, o sempre eficiente.

Remus sorriu, ele tinha sentido uma leve animosidade entre a alfa e o beta de Fenrir.

– Bem, obrigada por isso. Agora, eu queria saber se posso levar alguns dos lobos para Inglaterra, preciso fazer uma busca e eles são caçadores incríveis.

– Quem pretende matar? O loiro ou o vampiro? – Fenrir brincou.

Remus fez uma careta.

– Severus está sendo de muita ajuda com Harry, e o loiro arrogante vai ter o que está procurando se continuar me provocando. – Disse, com um sorrido malicioso.

– Cuidado filhote, Malfoy é astuto e escorregadio. Ele pode te abrir as pernas, mas dificilmente o coração. – Fenrir disse, cruamente.

– Eu sei, ele é slytherin, afinal de contas. Mas nos desviamos do assunto, estou procurando um animago, um antigo amigo que pode ter me traído… Peter.

– Aquele verme insignificante? O vi numa reunião do Lorde, ele fedia a servidão e ambição, combinação ruim, se me perguntar.

Remus assentiu, desgostoso com mais uma confirmação de que Peter era um comensal.

– Pode levar cinco dos meus rastreadores, mas eles não são bichinhos de estimação, não os alimente, eles devem caçar e…

– Eu sei, eu sei… cuidei deles quando estava aqui, se lembra?

– Ok.

– Cinco é pouco, pode ter cinco dos meus também, vamos ficar por aqui um tempo, assim sua busca vai ser mais rápida.

– Obrigada, de verdade. Não sei como agradecer. – Remus disse, emocionado.

Os dois alfas restaram importância ao fato, com gestos de despreocupação.

– Seu filhote pode não ser pudico, mas é tolo. Ainda não aprendeu que para nosso povo, família é sempre família? – Reina disse, zombando do filhote e beliscando um dos mamilos de Fenrir.

– Oh não, pelo que conheço do mundo bruxo isso é porque ele é um Gryffindor sentimental. – O grande alfa disse, deslizando uma das mãos pela coxa dela.

– Isso seria um Hufflepuff Fenrir e eu vou embora, não tenho essa veia voyeur que a maior parte dos lobisomens parece ter. – Remus disse, se levantando. – Devolvo os lobos logo, espero terminar com essa busca rapidamente.

Os dois alfas não responderam, mais preocupados em disputar quem ficaria por cima dessa vez. Remus ainda ria quando chegou ao lado de fora da mansão, estranhou quando encontrou Martin perto dos lobos.

– O que está fazendo aqui fora? Não se anima a entrar e transar no lustre? Percebi que é um dos poucos lugares vagos na casa.

O beta riu, mas logo sacudiu a cabeça em negativa.

– Não, além disso, prefiro corpos menos curvilíneos e mais musculosos. Reina só traz as meninas quando resolve vir para essas reuniões.

– Ela fala seu nome com um toque de animosidade e você também diz o dela como se estivesse chupando limão. Qual é a história? – Remus perguntou, curioso.

Martin olhou para o céu noturno, e disse simplesmente:

– Não gosto dela porque ela quer a mesma coisa que eu.

Remus entendeu.

– Pelas barbas de Merlin, você é apaixonado pelo Fenrir?

– Patético, não é? – Ele perguntou, zombando de si mesmo.

– Não, só estou surpreso.

– Não é que ele já não tenha me fodido, ele o faz com regularidade, mas ela pode dar a ele algo que eu nunca vou poder.

– Um filho. – Lobisomens machos não eram como alguns magos, nunca podiam gestar.

– Exato.

– Fenrir não deveria dormir com ela se está num relacionamento com você. – Remus disse, planejando falar com o alfa.

– Filhote tolo, ele é o alfa, eu sou o beta. Ele toma meu corpo e mantém meu lobo sabendo quem manda, mas duvido que saiba que quero mais do que uma foda dura e umas horas de sono ao lado dele.

– Ele é um tolo então, mas é um tolo ciumento e possessivo como o diabo… já pensou em exibir um amante novo por aqui? – Remus perguntou suavemente, indo em direção a floresta para recolher os lobos.

Martin ficou parado, pensando se o filhote teria razão.

X~X~X


Quando Remus voltou para Malfoy Manor, o sol já começava a nascer. Ele por instinto passou pelo quarto de Draco, onde os dois meninos ainda dormiam calmamente, o robô trouxa no chão ao lado do berço. O lobisomem não resistiu e se inclinou para beijar os dois bebês e aspirar seu perfume.

– Não se preocupem meninos, vou achar o Peter, e trazer o Sirius para vocês. Ele vai amar os dois e mimá-los mais do que o avô Abraxas. – Ele murmurou, muito ciente de quem tinha entrado no quarto.

– Black não vai mimar meu filho, ele me odeia. – Lucius disse, parado na porta.

– Mas ele ama crianças, e faz o que eu mando. – Remus disse, se afastando do berço e se aproximando do loiro, que usava apenas uma calça de seda negra.

– Alguém mandando em Sirius Black? Faça-me rir, ele sempre te teve no bolso, admita. – Lucius provocou, baixinho.

– Cuidado Malfoy, posso ficar tentado e te mostrar o quão persuasivo posso ser.

Lucius arqueou uma de suas elegantes sobrancelhas e não demorou a ter Remus empurrando-o contra a porta do quarto do seu filho. Os braços fortes de Lupin estavam ao lado de seu corpo, prendendo-o.

– Você tem um fetiche com sexo contra a parede, não é? – Lucius provocou, com uma voz baixa.

– Se eu tenho fetiche com paredes, você parece ter com lobisomens. – Remus provocou, colando seu quadril ao do loiro e sentindo uma reação animada por parte do aristocrata.

– Já domei alfas mais duros e agressivos que você Lupin, posso te usar o quanto quiser e ainda vou te ter implorando por mais. – Lucius ameaçou.

Remus não se intimidou, se inclinou e mordeu os lábios de Lucius. Mordiscou os lábios macios e carnudos do loiro até tê-los vermelhos e inchados sob os seus, só então permitiu-se lamber o local que tinha machucado, para logo deslizar para dentro da boca de um surpreendido Lucius. Isso pareceu tirar o loiro da magia hipnótica que os olhos dourados de Remus pareciam ter, porque ele começou a forcejar contra o agarre do lobisomem, que nem precisou fazer força para manter o loiro no lugar, enquanto experimentava cada canto da boca suave e cálida de Lucius.

– Papai? – A voz sonolenta de Draco paralisou Remus, que soltou o loiro imediatamente, o que permitiu a Lucius ir rapidamente até o berço.

– Sim, sou eu. Volte a dormir pequeno dragão… papai só veio te dar um beijo. – Lucius cantarolou para o filho e deu um beijo nele e no moreninho que ainda dormia a sono solto.

Quando teve certeza de que os meninos estavam adequadamente adormecidos, Lucius se virou para a porta, disposto a levar o lobo para seu quarto e mostrar quem mandava ali, mas só viu a porta aberta e nem sinal do lobo provocador. Rilhou os dentes para não gritar, afinal, aquele era o quarto dos meninos e ele bem podia matar o lobo pela manhã, matar não porque deixaria Draco chateado, mas umas chicotadas nunca mataram ninguém.

Em seu quarto, Remus deitou na cama com uma ereção dolorida e um sorriso nos lábios. Se Lucius ainda não tinha aparecido era porque seu plano seguia pelos rumos certos. Meninos mimados sempre são fáceis de manipular, ele teve que fazer força para colocar sua essência lupina excitada sob controle.

– Logo, logo Monny… te prometo que vai ter o loiro logo.


Notas finais
Então galera, eu já disse em algumas fics minhas, nem sempre posso atualizar todos os fins de semana pontualmente. Trabalho, estudo e tenho uma vida fora do fandom, que pode exigir de mim tempo que não poderei dedicar as fics, por isso, as mensagens me cobrando não são exatamente legais. Eu posso demorar, mas voltarei o mais rápido que puder.
Espero que tenham gostado do capítulo! ;)
Me contem o que acharam, por favor.
Beijos.